Amigos da juventude, dos bancos da universidade. Sempre presentes, nos momentos tristes e alegres. Tenho recebido vários telefonemas deles, querendo notícias da cirurgia do marca-passo, desejando-me coisas boas. Como gosto deles!

    Hoje, mesmo, me emocionei com o carinho do Baía, que está, nesta foto, comigo, com o Ruas, com o Cyro e com o Nadim. Ruas, padrinho de meus dois casamentos, e Cirinho, infelizmente já nos deixaram. Sei os nomes completos de todos os meus colegas da Faculdade de Direito da UFMG, de cabeça, sem consultar qualquer lista.

    Só pra exemplificar, os da foto: José Antonino Baía Borges, Fábio Nonato Ruas, Cyro Machado Bandeira de Mello e Nadim Bechara Andere. E não erro um, sequer. Zé Carlos Mata Machado também sabia. Nas eleições da Faculdade a gente passava a lista várias vezes para avaliar os desempenhos de nossos candidatos e, de tanto fazer isto, decoramos todos os nomes. Mas o que vale não é isso. É o que deles, de quase todos, ficou incrustado em meu coração, como pérolas colhidas da vida.

     

    Amigos da juventude, dos bancos da universidade. Sempre presentes, nos momentos tristes e alegres. Tenho recebido vários telefonemas deles, querendo notícias da cirurgia do marca-passo, desejando-me coisas boas. Como gosto deles!

    Hoje, mesmo, me emocionei com o carinho do Baía, que está, nesta foto, comigo, com o Ruas, com o Cyro e com o Nadim. Ruas, padrinho de meus dois casamentos, e Cirinho, infelizmente já nos deixaram. Sei os nomes completos de todos os meus colegas da Faculdade de Direito da UFMG, de cabeça, sem consultar qualquer lista.

    Só pra exemplificar, os da foto: José Antonino Baía Borges, Fábio Nonato Ruas, Cyro Machado Bandeira de Mello e Nadim Bechara Andere. E não erro um, sequer. Zé Carlos Mata Machado também sabia. Nas eleições da Faculdade a gente passava a lista várias vezes para avaliar os desempenhos de nossos candidatos e, de tanto fazer isto, decoramos todos os nomes. Mas o que vale não é isso. É o que deles, de quase todos, ficou incrustado em meu coração, como pérolas colhidas da vida.

    Fui educado para ser o melhor em tudo, mais bonitinho, mais inteligente e mais forte do que meus colegas.

    Depois passaram a exibir meus dotes artísticos para as visitas, como se eu fosse um bibelozinho. Pediam-me para tocar piano e mal eu iniciava a música era aquele converseiro na sala. Dava vontade de me levantar do banquinho e mandar todo mundo à puta que pariu. Mas eu segurava a barra. Quando terminava, vinham os fingidos aplausos e os falsos elogios. Passei, então, a ser corrompido pelas más companhias, quando eu próprio era o corruptor. Que corruptor qual nada! Corruptos eram os ensinamentos que eu recebia. Depois me formei e era obrigado a ser o melhor profissional do ramo. Meu sucesso era comentado em verso e prosa, como se eu ainda estivesse a tocar aquele maldito piano para as visitas. Convenci-me de que teria de ser o melhor em tudo e comecei a sentir inveja do sucesso de meus colegas. Inveja mesmo, da pior que possamos imaginar. O sucesso deles me incomodava e eu tinha de fazer algo para sempre ficar por cima. Habituei-me, assim, a ser presidente de uma porrada de coisas, um líder. Uma menina cujo pai inaugurara um prédio com seu nome, na hora em que o bispo cortou, com uma imensa tesoura, a faixa verde estendida no saguão, exclamou:

    — Grandes bostas!

    Daí, fui percebendo – e ainda não percebi tudo – que eu era um líder de merda e que fora educado pra ser babaca. Como está sendo difícil desbabacar-me!

    Letra da música que compus agora, à tarde - 24/02/2013, para Lena

    Ó, minha mãe querida,

    Não vás agora, não,

    Não fujas desta vida,

    Guarde aqui teu coração.

    Não vás, ó minha amada,

    Pra onde eu nunca vi.

    Abandona esta jornada,

    Fique viva por aqui.

    Se acaso viajares

    Que o faças bem, sem dores,

    Ouvindo só cantares

    Dos teus mais caros amores.

    Obrigado, madroeira,

    Pelo bem que semeaste.

    Suba ao céu, moça faceira,

    Deus te espera num estandarte.

    Família Lopes. Povo danando de inteligente, trabalhador e honesto.

    Todo o território de minha aldeia vem deles, através de uma doação que o Alferes Lopes fez a São Sebastião. Quem não tiver escritura de qualquer terreno em Montes Claros é só pedir à Mitra Diocesana que tudo ficará legal. Ela, representante da Santa Sé, como administradora dos bens doados à igreja aqui em nossas plagas, tem legitimidade jurídica para tal, através do Bispo Diocesano. Os Lopes já começaram, historicamente, mostrando sua generosidade e sua religiosidade. Desde menino tornei-me admirador do Coronel Domingos Lopes, líder do PTB, sempre coligado ao nosso PSD. Homem austero, bonito, elegante, inteligente, usou seu prestígio perante vários governos para trazer muitos benefícios para nós. Depois conheci Valeriano, “seu Valu”, que era muito amigo de meu pai. Gostava de ouvir as conversas dos dois. Aí, então, fiquei conhecendo uma pérola de pessoa, um nosso vizinho de fazenda, o velho Josefino Lopes, lá do Levantado, isto sem falar de um cavalheiro chamado Nozinho Lopes, que fazia divisa conosco no rio Caititu. Conheci Maria Lopes através de ligação familiar, por ter sua filha, Mundinha, casado com meu tio Luiz Quintino, irmão de minha mãe. Que mulher extraordinária! Extremamente caridosa, sempre a resolver problemas dos menos favorecidos pela riqueza material. Passei a admirar seu dinamismo e sua capacidade de se comunicar com as pessoas. D. Maria era conhecida e querida por todas as gerações. Depois dessa ligação familiar, conhecer pessoalmente Donana, que residia ao lado do Bispo Diocesano, foi um pequeno passo. Ela sempre estava na varandinha de sua casa, na Praça Dr. Chaves. Eu passava e ela me cumprimentava com um belo sorriso, até que um dia criei coragem e resolvi parar e conversar. Quanta sabedoria encontrei naquela mulher tão simples! Sabia tudo de Montes Claros e da região. Meu pai dizia que ela era extraordinária porque, tendo se enviuvado muito cedo, criou a filharada com a maior dignidade e com muito trabalho. Disse-me até que ela sabia como ninguém comprar animais de carga e revendê-los, nos tempos em que eles eram o meio de transporte mais usado na região. Moacir é um dos filhos dela. Foi deputado estadual, federal e prefeito de minha aldeia, mas, antes disso tudo, um grande médico. Meu tio Luiz Quintino uma vez me disse que ele era um virtuoso com um bisturi na mão. Construiu, com recursos próprios, um hospital na cidade e ali nunca deixava alguém sem assistência médica. Quando prefeito, seu Chefe de Gabinete era seu primo, o inesquecível Hamilton Lopes, um cavalheiro, culto e educadíssimo, irmão de um santo vivo chamado Padre João. Hamilton era marido de minha querida prima Sônia Prates Gonçalves de Quadros, grande educadora. Ambos já encantaram. Trabalhei com Moacir alguns meses, presidindo, por indicação dele, o Montes Claros Tênis Clube. Pedi demissão porque ele autorizou que se pulasse carnaval no Ginásio Darcy Ribeiro, o que, como desportista, considerei inadmissível. Saí numa boa e ele continuou a me respeitar, como sempre. E eu a ele. Depois de brandas e tumultuadas andanças pelo poder, como sói acontecer a quase todos os políticos, Moacir voltou à medicina e à vidinha gostosa de fazendeiro. Sempre, nas minhas idas à minha aldeia, tinha o prazer de revê-lo no restaurante do Automóvel Clube, no horário de almoço, degustando as delícias da cozinha do pessoal de Zim Bolão. Todo de branco, ou seja, vestido de médico, cumpriu seu juramento até não mais ter forças físicas para trabalhar. Faleceu no CTI de nossa Santa Casa. Era homem de palavra, profundamente leal aos amigos, muito franco e sincero. O que tinha que falar, dizia na presença da pessoa. Não mandava recados. Corajoso, nada lhe metia medo. Tinha monstruosa capacidade de trabalho. Sua pele, grossa, própria dos homens incansáveis, o protegia das adversidades físicas. Moacir amou como ninguém nossa terra e nossa gente. Foi um homem bondoso em sua travessia e merece colher generosos frutos, em recompensa pelo bem que fez a muita gente pobre dessa nossa região tão sofrida, mas altiva e raçuda, que nem ele e sua mãe. Descanse em paz, meu caro amigo!

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    Ah, que saudade de meu querido amigo Walter Zorro, meu “Cumpade Varto”, mais ainda depois que soube que ele também, como muitos outros de que falo em meus escritos, nos deixou. O nome dele era Walter Ramos. Cabra macho. Só Júri respondeu mais de dez e em todos foi absolvido. Um artista. Bonitão, bom de prosa, de poesia, de viola, exímio contador de “causos” e com pontaria de “cowboy”. Atirava tão bem, de 38, que cortava cinza de cigarro na boca de uma pessoa.

    Nas duas vezes que corri risco de vida, como vereador de Montes Claros e Juiz de Direito de Jequitinhonha, ele queria acampar em minhas residências para me proteger. Felizmente não houve necessidade. Passou uma noite memorável em minha casa de Pirapora. Gravei tudo e passei a fita para meu grande amigo e artista Tino Gomes.

    Quando dirigia as filmagens do “Cabaré Mineiro”, em Montes Claros, em 1978, Carlos Alberto Prates Correia pediu-me que o contatasse, pois desejava que ele figurasse numa das cenas mais importantes do filme. Era uma reprodução do antigo cabaré, que fascinara Carlos Drummond de Andrade, inspirando-o à poesia que deu nome ao filme e que Tavinho Moura musicou. A dançarina espanhola, Avana, era a linda Tânia Alves que, na cena, cantava a música, sob os aplausos entusiásticos dos figurantes, no clímax da noitada boêmia. Pois bem, consegui falar com “Cumpade Varto”, por telefone, em Brasília de Minas, de tardinha, no dia da filmagem. Passei o convite e ele só respondeu:

    — Tô ino.

    Chegou em cima da hora, todo empoeirado, no seu caminhão.

    Nós, os figurantes, ficamos na residência do Dr. Hermes de Paula, ao lado do prédio pertencente à Mitra Diocesana, onde seria feita a filmagem e onde havia sido recriado o cabaré, esperando, ansiosos, o momento de entrarmos em cena. O costume – a cena era de época – era os homens frequentarem o cassino de terno e gravata e as mulheres com vestidos longos, colados ao corpo, rodados a partir das proximidades dos joelhos. Teríamos que reviver o cabaré, com orquestra e tudo o mais. Até inesquecível Sebastião Mendes, “Ducho”, participou com seu bandolim. A filmagem mobilizara toda a cidade e foi necessário colocar um segurança na porta do “cabaré”, porque todos queriam assistir e participar, o que era impossível. Quando Walter Zorro entrava, com um paletó novinho, emprestado por Dr. Hermes, o segurança o revistou e bateu a mão no 38 que estava em sua cintura, verberando autoritariamente:

    — Não pode entrar armado!!!

    “Cumpade” retrucou no ato:

    — Óia aqui, minino, cê fala cum aquele tal de Cabeto, fi de “seu” Corrêia e de D. Mercês Prates, que Walter Zorro não entra desarmado nem em cabaré de mintira.

    Entrou “berrado” e participou, como figurante, da linda cena

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