Moacir Lopes – Augusto Vieira

    Família Lopes. Povo danando de inteligente, trabalhador e honesto.

    Todo o território de minha aldeia vem deles, através de uma doação que o Alferes Lopes fez a São Sebastião. Quem não tiver escritura de qualquer terreno em Montes Claros é só pedir à Mitra Diocesana que tudo ficará legal. Ela, representante da Santa Sé, como administradora dos bens doados à igreja aqui em nossas plagas, tem legitimidade jurídica para tal, através do Bispo Diocesano. Os Lopes já começaram, historicamente, mostrando sua generosidade e sua religiosidade. Desde menino tornei-me admirador do Coronel Domingos Lopes, líder do PTB, sempre coligado ao nosso PSD. Homem austero, bonito, elegante, inteligente, usou seu prestígio perante vários governos para trazer muitos benefícios para nós. Depois conheci Valeriano, “seu Valu”, que era muito amigo de meu pai. Gostava de ouvir as conversas dos dois. Aí, então, fiquei conhecendo uma pérola de pessoa, um nosso vizinho de fazenda, o velho Josefino Lopes, lá do Levantado, isto sem falar de um cavalheiro chamado Nozinho Lopes, que fazia divisa conosco no rio Caititu. Conheci Maria Lopes através de ligação familiar, por ter sua filha, Mundinha, casado com meu tio Luiz Quintino, irmão de minha mãe. Que mulher extraordinária! Extremamente caridosa, sempre a resolver problemas dos menos favorecidos pela riqueza material. Passei a admirar seu dinamismo e sua capacidade de se comunicar com as pessoas. D. Maria era conhecida e querida por todas as gerações. Depois dessa ligação familiar, conhecer pessoalmente Donana, que residia ao lado do Bispo Diocesano, foi um pequeno passo. Ela sempre estava na varandinha de sua casa, na Praça Dr. Chaves. Eu passava e ela me cumprimentava com um belo sorriso, até que um dia criei coragem e resolvi parar e conversar. Quanta sabedoria encontrei naquela mulher tão simples! Sabia tudo de Montes Claros e da região. Meu pai dizia que ela era extraordinária porque, tendo se enviuvado muito cedo, criou a filharada com a maior dignidade e com muito trabalho. Disse-me até que ela sabia como ninguém comprar animais de carga e revendê-los, nos tempos em que eles eram o meio de transporte mais usado na região. Moacir é um dos filhos dela. Foi deputado estadual, federal e prefeito de minha aldeia, mas, antes disso tudo, um grande médico. Meu tio Luiz Quintino uma vez me disse que ele era um virtuoso com um bisturi na mão. Construiu, com recursos próprios, um hospital na cidade e ali nunca deixava alguém sem assistência médica. Quando prefeito, seu Chefe de Gabinete era seu primo, o inesquecível Hamilton Lopes, um cavalheiro, culto e educadíssimo, irmão de um santo vivo chamado Padre João. Hamilton era marido de minha querida prima Sônia Prates Gonçalves de Quadros, grande educadora. Ambos já encantaram. Trabalhei com Moacir alguns meses, presidindo, por indicação dele, o Montes Claros Tênis Clube. Pedi demissão porque ele autorizou que se pulasse carnaval no Ginásio Darcy Ribeiro, o que, como desportista, considerei inadmissível. Saí numa boa e ele continuou a me respeitar, como sempre. E eu a ele. Depois de brandas e tumultuadas andanças pelo poder, como sói acontecer a quase todos os políticos, Moacir voltou à medicina e à vidinha gostosa de fazendeiro. Sempre, nas minhas idas à minha aldeia, tinha o prazer de revê-lo no restaurante do Automóvel Clube, no horário de almoço, degustando as delícias da cozinha do pessoal de Zim Bolão. Todo de branco, ou seja, vestido de médico, cumpriu seu juramento até não mais ter forças físicas para trabalhar. Faleceu no CTI de nossa Santa Casa. Era homem de palavra, profundamente leal aos amigos, muito franco e sincero. O que tinha que falar, dizia na presença da pessoa. Não mandava recados. Corajoso, nada lhe metia medo. Tinha monstruosa capacidade de trabalho. Sua pele, grossa, própria dos homens incansáveis, o protegia das adversidades físicas. Moacir amou como ninguém nossa terra e nossa gente. Foi um homem bondoso em sua travessia e merece colher generosos frutos, em recompensa pelo bem que fez a muita gente pobre dessa nossa região tão sofrida, mas altiva e raçuda, que nem ele e sua mãe. Descanse em paz, meu caro amigo!

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