O Coelho voltou para a elite do campeonato brasileiro

      - Cinco razões explicam o retorno do América-MG à Série A -
    Orçamento positivo em 2016, manutenção de Enderson Moreira, desempenho da defesa e aproveitamento como visitante são alguns dos motivos que justificam a classificação do time mineiro
    O América-MG obteve o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro de 2018 no último sábado, 11. Depois de vencer o Figueirense por 2 a 1, a equipe mineira garantiu a classificação adiantada para a elite do futebol brasileiro. Com o principal objetivo do time alcançado, as expectativas agora são para um possível título.
    Com a ajuda do comentarista do Sportv, Henrique Fernandes, o GloboEsporte.com listou cinco motivos que explicam a classificação do Coelho.
    1- Orçamento positivo em 2016
    Em maio deste ano, o América-MG divulgou que terminou o ano de 2016 com lucro de R$ 10 milhões. A participação na Série A daquele ano elevou as contas do clube e deixou tudo em azul. O Coelho teve o melhor balanço financeiro entre os times da capital- o Atlético-MG teve lucro de R$ 2,1 milhões e o Cruzeiro teve déficit de R$ 29,3 milhões.
    De acordo com os números informados ao conselho fiscal, o lucro foi de R$ 9.531.195. A receita bruta foi de R$ 59,5 milhões - quase o dobro dos R$ 29,3 milhões apurados em 2015 (naquela ano, o clube teve déficit de R$ 9,4 milhões). O América-MG lucrou R$ 46 milhões (valor referente às cotas de TV de todas as competições da temporada), mais cerca de R$ 4,2 milhões referente a patrocínios.
    O comentarista Henrique Fernandes avalia que apesar de ter um orçamento menor que o do Internacional, principal adversário na busca do título, o time tinha uma verba maior que das outras equipes da Segunda Divisão.
    - O orçamento do América é inferior ao do Internacional, mas se bem aplicado dava condições do time brigar por cima. É maior que da maioria dos times (da Série B), mas menor que o do Inter. O América conseguiu aplicar bem, soube contratar bem na temporada.
    2- Manutenção de Enderson Moreira
    O treinador americano é o segundo técnico mais longevo nas Séries A e B, com 477 dias no CT Lanna Drumond. Em primeiro lugar está Claúdio Tencati, do Londrina. Enderson chegou ao América-MG em 21 de julho de 2016, quando a equipe tentava se recuperar de um eminente rebaixamento. A Série B veio, e Enderson Moreira não deixou o comando da equipe. Apesar de alguns tropeços do time durante a temporada, e convites para o treinador em outros times, Enderson se manteve forte levando o América-MG de volta para a Série A. Henrique Fernandes vê a manutenção do treinador como um fator fundamental para a boa campanha.
    - A questão do Enderson não cabe só ao América. É uma tendência mundial aos treinadores no segundo ano de trabalho, conseguirem resultado melhores. Um exemplo é o Manchester City (da Inglaterra), com o Guardiola, que está atropelando no Campeonato Inglês e Liga dos Campeões. O time está jogando muito melhor que ano passado. O treinador em uma segunda temporada já conhece melhor o grupo, entende as carências. Os jogadores que permanecem de um ano para o outro, trabalhando com o mesmo técnico, a mesma filosofia, tendem a evoluir dentro de um sistema de jogo que o treinador implanta. A manutenção do Enderson passa por isso. Ele avaliou o time do América ano passado, trouxe jogadores que já conhecia e tinha interesse. Ele muda a característica do grupo de acordo com o que ele pensava sobre futebol. Algo que ano passado ele não fez, pois já tinha um elenco montado. Assumiu o time em um campeonato já transcurso, com o time em situação até muito difícil e pouco pôde fazer. Esse ano, já conhecendo o time do ano passado, pôde montar um time muito melhor.

    3 - Desempenho da defesa
    O América-MG é o time menos vazado nesta edição da Série B. Em 35 jogos levou 25 gols. O segundo colocado é o Internacional, com 26 gols. A equipe mineira também é a que menos perdeu nesta competição. Foram cinco derrotas para: Paysandu, Vila Nova, CRB, Internacional e Oeste. A derrota para o Oeste, na 27ª rodada, inclusive, foi a última vez que o Coelho perdeu. Desde então, foram cinco vitórias e três empates.
    Messias e Rafael Lima são a dupla de zaga titular do treinador. Messias é um jogador novo, que começou a carreira no profissional em 2015. Já Rafael Lima é um jogador com maior rodagem. A junção dos dois têm rendido bons resultados ao Coelho.
    4- Aproveitamento como visitante
    O triunfo e Florianópolis fez o América-MG voltar ao posto de melhor visitante desta Série B, com oito vitórias, sete empates e três derrotas em 18 duelos longe de casa. Junto do Coelho estão também Ceará e Internacional. O aproveitamento do Coelho é de 57,4%. Faltando três rodadas para o fim da Segunda Divisão, a equipe de Enderson Moreira ainda faz mais um jogo fora de casa, contra o Londrina. A última vez que o Coelho perdeu, como visitante, foi na 26ª rodada, contra o Internacional.

    5- Aposta em juventude e resgate de experiência
    O América-MG é um dos grandes celeiros de jogadores do Brasil. Do clube, já saíram grandes nomes como Tostão, Palinha, Euller, Gilberto Silva, Fred (atacante do Atlético-MG), Richarlison (atacante do Watford, da Inglaterra), Danilo (lateral direito do Manchester City, da Inglaterra). No time atual, existem algumas promessas da base, que nesta temporada, conseguiram mostrar seu valor. O meia Matheusinho foi eleito recentemente como o 14º melhor jogador do mundo abaixo dos 19 anos pela revista britânica FourFourTwo, em parceria com o Football Manager. Matheusinho, que ficou à frente de nomes como Vinicius Jr. (emprestado ao Flamengo, pelo Real Madrid), tem três gols marcados pelo América-MG, nesta temporada, em 31 jogos. Contra o Paraná, o jogador sofreu uma grave lesão no joelho, e fica fora de combate até o ano que vem.

    Quem também chamou muita atenção é o zagueiro Messias. Titular absoluto no time de Enderson, o zagueiro só não entrou em campo quando esteve suspenso ou lesionado (o que aconteceu apenas uma vez em toda a temporada). São 45 jogos e três gols pelo Coelho. Outros jogadores, como os volantes Zé Ricardo e Christian são muito usados pelo treinador. Das vezes que o treinador precisou improvisar jogadores na lateral direita, escolheu pelos dois volantes, que deram conta do recado.
    No elenco americano existem algumas peças que são conhecidas na Série A. No entanto, eles acabaram perdendo espaço nas equipes que disputam a elite do futebol, e se reencontraram no América-MG. Nomes como Rafael Lima, Bill, Luan e Giovanni são figurinhas marcadas no time titular do Coelho. Bill é o artilheiro do time, com nove gols. Luan está logo atrás, com oito. Curioso lembrar que dos últimos quatro Campeonatos Brasileiros - Série A- Luan esteve presente em três equipes: Cruzeiro (2013 e 2014) e Palmeiras (2016).
    - São atletas até com experiencia em Série A que o América conseguiu encontrar no mercado por um preço no orçamento, porque não vinham bem. Luan já jogou no Palmeiras e Cruzeiro. É de primeira linha, mas estava em baixa. Estava emprestado ao RB Brasil, em São Paulo. Foi um ótimo achado, um cara que quis, no América, recuperar seu melhor momento. Rafael Lima já tinha disputado algumas Séries A na Chapecoense e Figueirense. Estava em baixa na última temporada, com muitas lesões. Teve dificuldade de se firmar na Chape. Bill a mesma coisa, já atuou no Santos, Corinthians e Botafogo e não vinha tendo uma boa sequência. Esses caras foram detectados pela diretoria do América, por estarem em baixa no mercado. Vieram com preços acessíveis e graças ao trabalho do Enderson, encaixe do América, a motivação dos jogadores conseguiram buscar a recuperação técnica e física no Coelho. É importante que fiquem no ano que vem, já são parte da espinha dorsal do time - analisa Henrique Fernandes.

    © 2015 Your Company. All Rights Reserved. Designed By JoomShaper