- Nicolás Maduro põe embaixador do golpe de Michel Temer para correr do seu País - 

    O presidente venezuelano Nicolás Maduro botou o embaixador do golpe brasileiro naquele país, Ruy Pereira, para correr. O diplomata alinhado a Michel Temer, isto é, aos EUA, foi expulso ao ser declarado ‘persona non grata’ na Venezuela pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC).

    – A Venezuela decidiu expulsar neste sábado de seu território o embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira. "No âmbito das competências da Assembleia Nacional Constituinte, em que está justamente a soberania, nas nossas bases de comissão, decidimos declarar 'persona non grata' o encarregado de negócios do Canadá, e declarar 'persona non grata' o embaixador do Brasil, até que se restitua o fio constitucional que o governo de fato vulnerou, no caso deste país-irmão", anunciou Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana.

    Desde o golpe de 2016, quando Michel Temer assumiu o poder no Brasil por meio de um impeachment fraudulento, ancorado na farsa das pedaladas fiscais, e indicou o tucano Aloysio Nunes para o Itamaraty, o Brasil passou a adotar uma política externa subordinada a interesses dos Estados Unidos e tem tentado interferir na Venezuela.

    Delcy Rodriguez também afirmou que a Venezuela não manterá relações diplomáticas com o Brasil, enquanto a democracia não for restabelecida em solo brasileiro.

     Manifestante durante o protesto em Viena contra o novo Governo austríaco e rechaçando o nazismo Manifestante durante o protesto em Viena contra o novo Governo austríaco e rechaçando o nazismo 

     O novo Governo austríaco, encabeçado pelos conservadores de Sebastian Kurz, do Partido Popular Austríaco (ÖPV), tomou posse na segunda-feira (18) em meio a protestos de milhares de pessoas contrariadas com a volta ao poder do FPÖ (ultradireita), que participará da Coalização do governo

    Após uma década sem cargos no Executivo federal, a extrema-direita voltará a ser um sócio da coalizão de Governo, com o controle de ministérios importantes como Interior e Relações Exteriores. Um sólido cordão policial impediu que os manifestantes se aproximassem do palácio imperial de Viena, onde o presidente, o progressista Alexander van der Bellen, exortou o novo Executivo a manter uma política pró-europeia e de respeito às liberdades e minorias.

    O discurso do chefe do Estado refletiu a divisão da sociedade austríaca em torno da participação dos ultranacionalistas de Heinz-Christian Strache no Executivo, ao mesmo tempo em que tentou lançar uma mensagem tranquilizadora ao exterior e especialmente à União Europeia.

    Van der Bellen incluiu entre os “princípios fundamentais” da ação governamental o respeito às liberdades, “às diferenças e às minorias”, num país com 700.000 muçulmanos (de 8,7 milhões de habitantes). Cobrou também “apoio aos mais fracos” sem fazer menção à intenção do novo Governo de cortar benefícios sociais, sobretudo aos refugiados, e de endurecer a política imigratória.

    O presidente cobrou explicitamente do Executivo que “respeite a história da Áustria, tanto os capítulos positivos como os mais escuros”, numa clara alusão ao passado nazista do país natal de Adolf Hitler. A biografia de vários ministros, e também de Strache, inclui contatos com extremistas ou neonazistas no passado, além da filiação a confrarias pangermânicas.

    Nas diversas passeatas que confluíam para os arredores do palácio imperial, o passado xenofóbico e antissemita da FPO era recordado pelos manifestantes em seus gritos e cartazes, com frases como “Gabinete dos horrores” e “Não deixem os nazistas governarem”. Cerca de 6.000 pessoas, segundo a polícia, se aglomeraram diante de um cordão policial formado por 1.500 agentes. “Com os ministérios do Interior e Defesa, a ultradireita controlará as principais alavancas do poder”, queixava-se Claudia, de 45 anos, em declarações à agência France Presse.


    Sebastian Kurz, novo primeiro-ministro, e Strache, líder do partido de extrema-direita FPO

    A concentração transcorreu sem incidentes destacáveis. Em 2000, a revolta contra a participação da ultradireita no Governo obrigou os ministros a entrarem no palácio imperial por um corredor subterrâneo. Também a reação da UE, que na época isolou diplomaticamente a Áustria durante alguns meses, foi contida. O Governo alemão manifestou seu desejo de uma relação “boa e estreita”, mas também “baseada em valores”, destacou um porta-voz. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, comentou que “observaremos com interesse a posição deles com relação à Europa”. A França, por sua vez, confia num “diálogo pró-europeu” com a Áustria.

    As medidas ultraconservadoras da nova Coalização

    A nova coalização responsável por governar assume como prioridade a "segurança", medidas contra imigração e cortes de benefícios a refugiados. Quer diminuir impostos e cortar financiamentos no investimento público. Apesar de se declarar pró-europeu, promete lutar para que a União Europeia “faça menos com mais eficácia” e ter menos poder de decisão em certas áreas. Periodicamente surgem em suas fileiras casos de xenofobia e antissemitismo — aos quais a direção só responde quando chegam à opinião pública.

    No Parlamento Europeu, o FPÖ pertence ao grupo eurocético "Europa das Nações e da Liberdade", junto com partidos como o de Geert Wilders na Holanda ou Marine Le Pen em França, que, aliás, saudaram com entusiasmo a entrada do FPÖ no Governo.

    No programa do executivo está a garantia da permanência austríaca na União Europeia, que não vai ser sujeita a referendo (uma ideia do FPÖ que foi afastada – talvez também pela sua fraca popularidade entre os austríacos, onde a maioria defende a permanência na União Europeia).

    O FPÖ tem como mantra "representar a voz do povo contra as elites", apresentando aqueles que dele discordam como inimigos ou corruptos (é precisamente esta característica que faz dele um partido populista).

     Dezenas de milhares de trabalhadores foram às ruas Buenos Aires para protestarem contra a proposta de reforma da Previdência de Maurício Macri

    Agência Brasil - A violência registrada do lado de fora da sede do Congresso da Argentina por enfrentamentos entre grupos de manifestantes e a polícia se agravou nesta segunda-feira (18) durante a sessão que discute a polêmica reforma da Previdência no país proposta pelo governo, enquanto a oposição pede que a sessão seja suspensa.

    Segundo o jornal Página 12, por volta das 18h (19h em Brasília) o saldo era de 81 feridos. De acordo com o Ministério da Saúde do país, mais de 60 pessoas foram atendidas em hospitais.

    A situação chegou a tal ponto que, apesar da determinação de que a segurança no entorno do Congresso caberia somente à polícia de Buenos Aires, o contingente não foi suficiente e decidiu-se pela intervenção de agentes da Polícia Federal e da Gendarmaria, uma força de natureza militar que responde diretamente ao Executivo nacional.

    Antes do início da sessão, às 14h locais (15h em Brasília), manifestantes convocados por organizações sociais e sindicais atiraram pedras e garrafas contra os policiais. Também lançaram rojões e fizera barricadas com as grades que cercam o Palácio Legislativo. Depois disso, a polícia começou a disparar balas de borracha e a usar gás de pimenta.

    Os incidentes ocorrem depois que, na quinta-feira passada (14), quando o projeto seria discutido em outra sessão, houve um enfrentamento entre gendarmes e manifestantes que deixou dezenas de feridos e vários detidos.

    Sessão tensa

    Enquanto a violência aumentava do lado de fora do Congresso, deputados de oposição pediam a suspensão da sessão. "Pedimos que reflitam. É uma situação grave, gravíssima. Tomemos a decisão de suspender esta sessão como forma de evitar a violência na Argentina", disse o deputado opositor Agustín Rossi, da coalizão kirchnerista Frente para a Vitória.

    O pedido para suspender a sessão também ganhou o apoio de alguns aliados de Macri, como a deputada governista Elisa Carrió, da coalizão do presidente. Ela, no entanto, fez ressalvas sobre a organização das manifestações contra a reforma da previdência.

    "Eu pedi a suspensão da sessão, mas peço que todas essas manifestações e o que está ocorrendo do lado de fora seja observado pelo promotor penal e pelo juiz que está lidando com a conspiração institucional", disse a deputada.

    "Estamos fazendo discurso entre nós e lá fora há uma batalha campal", alertou a deputada Cecilia Moreau, do partido Unidos por uma Nova Argentina.

    "O que vemos é a resposta repressiva do governo frente a alguns grupos. Estamos vendo agentes sem identificação arrastando pessoas pelas ruas. A responsabilidade é do presidente da nação, Maurício Macri", afirmou o deputado Guillermo Carmona, do partido Frente para a Vitória.

    No entanto, o presidente da Câmara, Emílio Monzó, da coalizão Cambiemos, base da administração Macri, decidiu manter a sessão e às 19h (20h em Brasília) o texto começou a ser discutido.

    O Cambiemos conseguiu o quórum de pelo menos 130 parlamentares para a sessão, após um um acordo que incluiu o apoio do partido Justicialistas, do bloco radical, e de governadores de 11 províncias, como Missiones, Córdoba, Chaco, Tucumán e Entre Ríos.

    Um dos principais pontos do projeto é a mudança da fórmula para calcular os reajustes das aposentadorias. Segundo o governo, a reforma permitirá que os aposentados ganhem mais em 2018. A oposição e os sindicatos discordam do governo, alegando que haverá cortes nos setores mais vulneráveis.

    Mudança nas regras

    A proposta em votação muda a forma de cálculo do reajuste das aposentadorias. A argumentação é que essa nova fórmula, acrescida de abonos que seriam concedidos em 2018, vai beneficiar os aposentados. A oposição e organizações sindicais discordam e alegam que a fórmula vai trazer perdas salariais frente à evolução da inflação.

    A reforma faz parte de um pacto fiscal assinado em novembro por 23 dos 24 governadores da Argentina e Macri. O governo federal repassará recursos às províncias que, em troca, economizarão através de mudanças no sistema previdenciário.

    Nesta segunda-feira (18), a Confederação Geral do Trabalho, a maior central operária da Argentina, convocou uma greve geral de 24 horas em todo país. Para que os trabalhadores possam voltar aos seus lares, a paralisação no sistema de transporte começará de forma integral após a meia-noite desta segunda-feira

     - Resistência popular definiu vitória na Venezuela -
      O Partido Socialista Unido da Venezuela venceu pelo menos 90 por cento das 335 prefeituras disputadas nas eleições municipais neste domingo (10). A informação foi divulgada pelo presidente Nicolás Maduro.
    De acordo com as últimas informações divulgadas pelo Conselho Eleitoral Nacional, os socialistas venceram 41 das 42 prefeituras contados até o final da noite. O PSUV ganhou ainda em 22 das 23 capitais venezuelanas. Partido chavista ganhou também o governo do estado de Zulia que tinha ficado pendente na eleição de 15 de outubro. Assim, o PSUV leva 19 dos 23 estados do país.
    O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse, no entanto, que os resultados durante a noite mostrariam que seu governo ganharia em mais de 300 municípios disputados.
    A escolha dos prefeitos para os 335 municípios da Venezuela é a última eleição nacional prevista antes da corrida presidencial do próximo ano, na qual Maduro deverá buscar a reeleição apesar da sua alta impopularidade.
    As eleições municipais no país foram marcadas pelo boicote de três dos quatro maiores partidos da oposição, que afirmam que o sistema eleitoral da Venezuela não é confiável.
    *Com informações da Sputnik Brasil


     - Resistência popular definiu vitória na Venezuela -

    Dezoito anos depois da entrada de Hugo Chávez em Miraflores, a espetacular vitória do chavismo nas eleições municipais deste domingo mostra que a Venezuela resiste e luta. “Querem nos obrigar a trair a Revolução pela fome mas não vão conseguir”, me disse, em tom de promessa solene, a servidora Esmeralda Vasquez, 61 anos, duas filhas, duas netas, moradora no Sucre, município popular de 600 moradores nos arredores de Caracas. “Amo Chávez, apoio Maduro”, diz ela, depois de contar, em tom divertido, que há retratos de Chávez em cada aposento de sua casa, inclusive no banheiro.
    Enfrentando uma guerra econômica que lembra a barbárie da Guerra Fria, que produziu o boicote econômico que sacrifica a população de Cuba desde 1962, e alimentou a queda de Salvador Allende no Chile, em 1973, a população da Venezuela tomou o caminho das urnas com a consciência de quem dá um passo para a História. Contrariando uma sequência de derrotas populares ocorridas nos países vizinhos, em três eleições consecutivas – para a Constituinte, para os governos de Estado, para os prefeitos –os venezuelanos asseguraram um fôlego indispensável ao governo Maduro, que terá uma eleição presidencial para enfrentar em 2018.

    Numa disputa que jamais teria condições de vencer, seja pelo desgaste de lideranças comprometidas com o ambiente de baderna e violência criado no país, seja pela identificação óbvia dos interesses por trás da guerra econômica que sacrifica a maioria, os principais líderes da oposição preferiram escapar de uma derrota desmoralizadora por uma estratégia já assumida outras vezes – fugir das urnas. Ficaram longe da disputa e sequer pediram, abertamente, voto para aliados e afilhados políticos. Seus partidos se apresentaram de forma dividida, com dois, três e até quatro candidatos em várias cidades, numa demonstração de fraqueza que contém uma mensagem reveladora e preocupante, do ponto de vista da democracia. Sugere que, incapazes de disputar o poder pelo voto, pretendem cultivar a postura nefasta que aponta para a retomada, cedo ou tarde, da violência e da sabotagem que marcava país até a vitória de Maduro na Constituinte.
    Numa amostra dessa situação, na quarta-feira da semana passada, cinco dias antes do pleito, o dólar era vendido a 3 000 bolívares no câmbio oficial – e 70 000 no paralelo. No dia seguinte, o preço havia saltado para 120 000 bolívares. Na sexta-feira, num desses sintomas preocupantes de colapso, a população fazia fila de dobrar o quarteirão no centro de Caracas para sacar dinheiro em caixas eletrônicas.
    Não se trata, é evidente, de um problema de natureza econômico, mas essencialmente político. Através de manobras escancaradas e fora de qualquer controle oficial, o que se tenta é impedir as autoridades venezuelanas de exercer uma das tarefas legítimas e essenciais do Estado – defender a moeda do país, ponto essencial para a definição da riqueza de toda nação independente. A sabotagem terminou em fiasco eleitoral vergonhoso mas deixou um retrato político claro.
    “Apesar da imensa pressão contra nossa economia, exportações e empregos, nossos adversários não foram capazes de separar a liderança da Revolução de sua base histórica de apoio e isso permite encarar o futuro” afirma Luís Figueroa ao 247, referindo-se a cidadãos e cidadãs como a Esmeralda Vasquez do parágrafo acima. Quadro histórico do partido chavista (PSUV), em 2015 Figueroa foi escolhido por Nicolas Maduro como principal liderança civil de um dos diversos organismos de nome autoexplicativo (“Estado Maior de Luta contra a Guerra Econômica”) criados como parte do esforço permanente para enfrentar a ações de sabotagem e manipulação de preços. Na semana passada, era candidato a prefeito em La Plaza, onde se localiza a cidade de Guarenas, uma referência política e histórica. Origem da insurreição de 1989, que deu origem ao “Caracazo”, luta popular que inspirou a tentativa de golpe militar de Hugo Chávez em 1992 e a abriu caminho para a primeira vitória presidencial, em 1998. 

    Informação de Paulo Moreira Leite, Brasil 247 e Sputnik Brasil

     - Se você vir alguma semelhança na perseguição da ex-presidente Cristina Kirchner, na Argentina, com a perseguição da lava jato ao ex-presidente Lula, no Brasil, não será pura coincidência, como costumam avisar as superproduções de ficção. -

     Trata-se de um jogo jurídico-midiático sincronizado na América Latina contra ex-presidentes que fizeram o contraponto ao neoliberalismo econômico por meio de políticas públicas. Foram governos que resistiram às privatizações e ao desmonte das soberanias em seus respectivos países.

    Aliás, o juiz argentino que persegue Cristina, do qual falaremos mais abaixo, admira muito Sérgio Moro. Eles se encontraram em maio deste ano em Brasília, como atesta o site Buenos Aires Herald.com sob o título “Risco e oportunidade: Lava Jato na Argentina”.

    Se Evo Morales, da Bolívia, deixar o governo hoje, amanhã ele sofrerá o mesmo assédio que Lula e Cristina estão sendo alvo.

    Portanto, o jogo sujo da lava jato no Brasil e na América Latina tem claros objetivos políticos-ideológicos que visam atender aos interesses do sistema financeiro. É só cruzar os dados para obter a prova cabal, haja vista a ausência de bancos e multinacionais em sua luta “anticorrupção”, etc., como outrora denunciou o senador brasileiro Lindbergh Farias (PT-RJ).

    Dito isto, vamos ao fato ocorrido na Argentina, segundo a agência de notícias Sputnik.

    O juiz argentino federal, Claudio Bonadio, processou a ex-presidente do país, Cristina Kirchner, e solicitou impedimento de suas funções legislativas e prisão preventiva pela possibilidade de a ex-líder argentina estar encobrindo funcionários iranianos acusados de atentado contra AMIA em 1994, informa mídia local.

    A solicitação do juiz para impedir as funções legislativas da ex-líder do país será transferida à Comissão de Assuntos Constitucionais da Câmara Alta, que terá 180 dias para tramitar o requerimento judicial.

    Em sua resolução, Bonadío alegou que a ex-presidente poderia dificultar o processo devido aos contatos que ela possui.

    A ação judicial gira em torno da denúncia feita pelo procurador Alberto Nisman em janeiro de 2015, na qual ele acusou funcionários de alto escalão, inclusive Kirchner, de ter negociado o memorando de entendimento com o Irã de forma secreta. Segundo argumentos governamentais, o acordo bilateral teve como objetivo acelerar as investigações sobre o alegado envolvimento de cidadãos iranianos no atentado contra Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) na capital argentina em 1994. No resultado do ataque, 84 pessoas morreram.

    No entanto, Nisman argumentou que assim se buscava exonerar iranianos da responsabilidade no atentado. Em qualquer caso, o Irã rejeitou o acordo. Poucos dias depois de ter apresentado a denúncia, o procurador foi encontrado morto em seu apartamento e até hoje as circunstâncias de sua morte são desconhecidas. O caso dividiu a sociedade argentina e afetou os resultados eleitorais deste ano, onde o atual presidente, Mauricio Macri, venceu.

    A acusação feita por Nisman foi arquivada pelo juiz Daniel Rafecas. Contudo, em dezembro do ano passado foi reaberta pela Câmara de Cassação Penal. Posteriormente, Bonadío ordenou mais interrogações, bem como proibiu 15 investigados de sair do país.

    Déjà vu: Tribunal argentino quer barrar ex-presidente Cristina Kirchner

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    Se você vir alguma semelhança na perseguição da ex-presidente Cristina Kirchner, na Argentina, com a perseguição da lava jato ao ex-presidente Lula, no Brasil, não será pura coincidência, como costumam avisar as superproduções de ficção.

    Trata-se de um jogo jurídico-midiático sincronizado na América Latina contra ex-presidentes que fizeram o contraponto ao neoliberalismo econômico por meio de políticas públicas. Foram governos que resistiram às privatizações e ao desmonte das soberanias em seus respectivos países.

    Aliás, o juiz argentino que persegue Cristina, do qual falaremos mais abaixo, admira muito Sérgio Moro. Eles se encontraram em maio deste ano em Brasília, como atesta o site Buenos Aires Herald.com sob o título “Risco e oportunidade: Lava Jato na Argentina”.

    Se Evo Morales, da Bolívia, deixar o governo hoje, amanhã ele sofrerá o mesmo assédio que Lula e Cristina estão sendo alvo.

    Portanto, o jogo sujo da lava jato no Brasil e na América Latina tem claros objetivos políticos-ideológicos que visam atender aos interesses do sistema financeiro. É só cruzar os dados para obter a prova cabal, haja vista a ausência de bancos e multinacionais em sua luta “anticorrupção”, etc., como outrora denunciou o senador brasileiro Lindbergh Farias (PT-RJ).

    Dito isto, vamos ao fato ocorrido na Argentina, segundo a agência de notícias Sputnik.

    O juiz argentino federal, Claudio Bonadio, processou a ex-presidente do país, Cristina Kirchner, e solicitou impedimento de suas funções legislativas e prisão preventiva pela possibilidade de a ex-líder argentina estar encobrindo funcionários iranianos acusados de atentado contra AMIA em 1994, informa mídia local.

    A solicitação do juiz para impedir as funções legislativas da ex-líder do país será transferida à Comissão de Assuntos Constitucionais da Câmara Alta, que terá 180 dias para tramitar o requerimento judicial.

    Em sua resolução, Bonadío alegou que a ex-presidente poderia dificultar o processo devido aos contatos que ela possui.

    A ação judicial gira em torno da denúncia feita pelo procurador Alberto Nisman em janeiro de 2015, na qual ele acusou funcionários de alto escalão, inclusive Kirchner, de ter negociado o memorando de entendimento com o Irã de forma secreta. Segundo argumentos governamentais, o acordo bilateral teve como objetivo acelerar as investigações sobre o alegado envolvimento de cidadãos iranianos no atentado contra Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) na capital argentina em 1994. No resultado do ataque, 84 pessoas morreram.

    No entanto, Nisman argumentou que assim se buscava exonerar iranianos da responsabilidade no atentado. Em qualquer caso, o Irã rejeitou o acordo. Poucos dias depois de ter apresentado a denúncia, o procurador foi encontrado morto em seu apartamento e até hoje as circunstâncias de sua morte são desconhecidas. O caso dividiu a sociedade argentina e afetou os resultados eleitorais deste ano, onde o atual presidente, Mauricio Macri, venceu.

    A acusação feita por Nisman foi arquivada pelo juiz Daniel Rafecas. Contudo, em dezembro do ano passado foi reaberta pela Câmara de Cassação Penal. Posteriormente, Bonadío ordenou mais interrogações, bem como proibiu 15 investigados de sair do país.

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