Título de cidadão honorário para golpista é criticado

     - Sem qualquer ligação com a cidade, golpista hors concours vira cidadão honorário de Montes Claros -

     * Por Waldo Ferreira – Jornal Daqui

    De olho nos votos de Montes Claros e região em 2018, o deputado federal Marcelo Aro (PHS), com base eleitoral em Belo Horizonte, incumbiu sua correligionária montes-clarense, vereadora Maria das Graças Gonçalves Dias, a Graça da Casa do Motor, de presenteá-lo com o título de cidadão honorário da cidade onde nunca recebeu um voto e que sequer conhece, a não ser pelas informações da própria Graça. A concessão do título foi aprovada pela Câmara Municipal terça-feira 3. 

    A vida pregressa de Aro é de fazer inveja a qualquer candidato a golpista. Em 17 de abril de 2016 votou a favor do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Depois, como titular na Comissão de Constituição e Justiça votou contra a admissibilidade da denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, contrariando a orientação de seu partido. Fiel ao outro arquiteto do golpe, no dia 12 de setembro de 2016 Marcelo Aro não compareceu ao plenário da Câmara Federal para votar na sessão que decidiu pela cassação de Eduardo Cunha, acusado de mentir e faltar com o decoro parlamentar.
    Quando vereador em Belo Horizonte ele foi também quem propôs à Câmara Municipal conceder o título honorário de cidadão belo-horizontino a Cunha, então presidente da Câmara Federal.
    A degeneração moral do deputado vem de longe. Para quem não sabe, o novo cidadão montes-clarense é neto do coronel José Guilherme Ferreira, cuja família foi afastada da direção da Federação Mineira de Futebol sob a acusação de chefiar quadrilha do crime organizado naquela entidade, presidida pelo avô, durante a ditadura militar, posteriormente pelo pai, José Guilherme Ferreira Filho; e depois pelo tio, Elmer Guilherme. O próprio Aro é chefe da Diretoria de Ética e Transparência da CBF.
    Sem abandonar a vocação golpista, apareceu certa vez na comissão de impeachment da presidente Dilma exibindo, durante a audiência na Câmara dos Deputados, boneco que ficou conhecido como Pixuleco, retratando de maneira jocosa o ex-presidente Lula.


    Recusas – A homenagem concedida ao deputado Marcelo Aro se junta a outras inusitadas. Nos ano 90 o excesso de homenagens prestadas pela Câmara Municipal gerou até polemica: o apresentador de televisão, Carlos Massa, o Ratinho, foi agraciado com o titulo, por iniciativa do então vereador Ademar Bicalho. A polêmica foi tão grande que o apresentador se recusou a receber a honraria. O senador afastado Aécio Neves tem três homenagens para receber da Câmara Municipal de Montes Claros, mas se recusou a marcar a data para a honraria.

     

    *Jornalista e editor do jornal Daqui

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