Um ano depois, golpe ainda afunda economia

     - Varejo do Brasil despenca 1,9% em março, pior resultado em 14 anos -

     Na véspera de um ano do golpe articulado por Aécio Neves e Eduardo Cunha, que colocou Michel Temer no poder, sai um dado arrasador: o comércio teve sua maior queda em 14 anos, fazendo com que o setor encolhesse 3% nos primeiro trimestre do ano, frente ao primeiro trimestre do ano passado; o motivo da queda, sobretudo nas vendas dos supermercados, é o desemprego recorde, combinado com a queda na renda dos brasileiros; com resultados tão negativos, a população brasileira rechaça, em peso, o golpe; para 92%, o Brasil segue no rumo errado e 85% exigem diretas-já.

    Mulheres observam preços em um mercado no Rio de Janeiro

    SÃO PAULO (Reuters) - O varejo do Brasil registrou em março a maior queda em 14 anos, muito pior que o esperado e pressionado pela perda acentuada nas vendas do setor de supermercados em meio ao cenário de desemprego alto, mais um sinal de que a atividade econômica tem sofrido para mostrar recuperação mais consistente.

    As vendas no varejo do país recuaram 1,9 por cento em março sobre fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, pior resultado mensal desde março de 2003 (-2,5 por cento). Na comparação com mesmo período do ano passado, a queda foi de 4,0 por cento, completando dois anos de perdas contínuas nesta comparação.

    Com isso, o comércio varejista acumulou queda de 3,0 por cento no primeiro trimestre de 2017, quando comparado com o mesmo período de 2016, e de 5,3 por cento nos últimos 12 meses.

    As expectativas em pesquisa da Reuters eram de queda de 0,6 por cento na comparação mensal e de recuo de 1,8 por cento sobre um ano antes.

    "A conjuntura ecônomica justifica esse momento do comércio", resumiu o economista e diretor do IBGE, Roberto Olinto.

    O IBGE apontou que o setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tem peso importante no consumo das famílias, acelerou a queda a 6,2 por cento em março, ante 1,7 por cento em fevereiro.

    O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, recuou 2 por cento, refletindo o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, que apresentou queda de 0,1 por cento no volume de vendas ante fevereiro.

    Mesmo com a inflação em trajetória de queda e a redução na taxa de juros promovida pelo Banco Central, o consumo ainda vem sofrendo muito com o desemprego alto, com mais de 14 milhões de pessoas sem trabalho no final do primeiro trimestre.[nL1N1I00K3]

    No mês passado, o IBGE divulgou que atualizou as ponderações dos setores e passou a usar 2014 como base para a pesquisa, contra 2011 anteriormente.

    Veja as variações mensais dos segmentos no varejo (%):

    Atividade Fevereiro Março

    .Comércio Varejista -1,6 -1,9

    1.Combustíveis e lubrificantes +0,6 +1,1

    2.Hipermercados, supermercados,

    produtos alimentícios e bebidas -1,7 -6,2

    3.Tecidos, vestuário e calçados +1,4 -1,0

    4.Móveis e eletrodomésticos +2,0 +6,1

    5.Artigos farmacêuticos e perfumaria +1,1 -0,5

    6.Livros, jornais e papelaria +1,4 +5,6

    7.Equipamentos, material escritório

    e comunicação -2,9 -0,5

    8.Outros artigos de uso doméstico -1,7 +0,9

    .Comércio Varejista Ampliado +0,6 -2,0

    9.Veículos, motos, peças e partes -0,7 -0,1

    10.Material de construção -1,5 +2,7

    (Por Thaís Freitas; Edição de Patrícia Duarte)

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