Senado rasga a tanga a favor da corrupção

     - SENADORES SALVAM AÉCIO NEVES, O LADRÃO E LÍDER DO GOLPE -

     Apesar das evidências de que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu propinas da JBS, nos vídeos em que são entregues malas de R$ 2 milhões a seu primo Fred Pacheco, o Senado Federal decidiu manter o mandato do parlamentar mineiro

     - Por 44 favoráveis, o plenário do Senado decidiu derrubar a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que afastou do cargo o senador Aécio Neves (PSDB). 26 senadores votaram por manter o afastamento do tucano.

    Mesmo com as evidências de que Aécio recebeu propinas da JBS, nos vídeos em que são entregues malas de R$ 2 milhões a seu primo Fred Pacheco, a maioria dos senadores optou por devolver o mandato ao principal articulador do golpe parlamentar que arruinou a democracia e a imagem do País. Com a blindagem do presidente nacional do PSDB, Senado se desmoraliza de vez.

    Leia abaixo reportagem da Agência Brasil sobre o assunto:

    plenário do Senado decidiu reverter a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e, com isso, pôs fim ao afastamento parlamentar do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que havia sido imposto pelos ministros da Corte no último dia 26.

    Com os votos de 44 senadores contra a manutenção das medidas cautelares e de 26 favoráveis, os parlamentares impediram o afastamento de Aécio, o seu recolhimento domiciliar noturno e reverteram a obrigação de entregar o passaporte. Não foram registradas abstenções.

    A votação ocorre após a maioria dos ministros do STF decidir, na semana passada, que o tribunal não pode afastar parlamentares por meio de medidas cautelares sem o aval do Congresso Nacional. No fim de setembro, a Primeira Turma da Corte havia decidido, por 3 votos a 2, afastar Aécio do exercício do mandato ao analisar pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito em que o tucano foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base nas delações premiadas dos executivos da J&F.

    Debate

    Antes de abrir o painel para a votação, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), concedeu a palavra para cinco senadores favoráveis e cinco contrários à decisão do Supremo. Para Jader Barbalho (PMDB-PA), os ministros do STF tomaram uma decisão "equivocada". "Não venho a esta tribuna dizer que meu voto será por mera solidariedade ao senador Aécio. Com todo respeito a ele, estou longe de aceitar sua procuração ou sua causa. Não estou nesta tribuna anunciando voto em razão do que envolve o senador. Voto em favor da Constituição. Ministro do Supremo não é legislador, não é poder constituinte. Quem escreve a Constituição é quem tem mandato popular", argumentou.

    Já o senador Álvaro Dias (Pode-PR) criticou o que classificou de "impasse" surgido a partir do instituto do foro privilegiado. "A decisão do Supremo Tribunal Federal, corroborada pelo Senado, vem na contramão da aspiração dos brasileiros, que é de eliminar os privilégios. Nós estamos alimentando-os. Não votamos contra o senador, votamos em respeito à independência dos Poderes, em respeito a quem compete a última palavra em matéria de aplicação e interpretação da Constituição, que é o Supremo Tribunal Federal", disse.

    Antes da votação, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que visitou Aécio nesta terça-feira (17), também defendeu o parlamentar mineiro. "A votação hoje é muito além do caso do senador Aécio, a situação dele terá seguimento no STF, qualquer que seja o resultado. Algumas pessoas imaginam que ele foi julgado hoje em definitivo. Ele continuará sua jurisdição na Suprema Corte. Não há que se falar em impunidade. Isso até é um desrespeito à Suprema Corte. Os ministros do STF vão, a partir dos autos do processo, se isso virar um processo, porque estamos na fase de inquérito, absolver ou condená-lo, de acordo com as provas que tiver nos autos desse processo", disse.

    CONFIRA A LISTA DA VERGONHA, COM OS PARLAMENTARES QUE SALVARAM AÉCIO

    - Na lista abaixo estão os nomes dos 44 senadores que votaram para manter o mandado de Aécio Neves (PSDB-MG) e anular a sanção do STF que determinava o recolhimento noturno do mineiro.

    Aécio Neves estava afastado temporariamente do mandato desde 26 de setembro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o tucano por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base em delações premiadas do grupo empresarial J&F. Ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.

    Veja abaixo a lista e guarde bem os nomes para não esquecer na eleição de 2018:

    Airton Sandoval (PMDB/SP)
    Antonio Anastasia (PSDB/MG)
    Ataides de Oliveria (PSDB/TO)
    Benedito Lira (PP/AL)
    Cassio Cunha Lima (PSDB/PB)
    Cidinho Santos (PR/MT)
    Ciro Nogueira (PP/PI)
    Dalirio Beber (PSDB/SC)
    Davi Alcolumbre (DEM/AP)
    Edison Lobão (PMDB/DA)
    Eduardo Amorim (PSDB/SE)
    Eduardo Braga (PMDB/AM)
    Eduardo Lopes (PRB/RJ)
    Elmano Férrer (PMDB/PI)
    Fernando Coelho (PMDB/PE)
    Fernando Collor (PTC/AL)
    Flexa Ribeiro (PSDB/PA)
    Garibaldi Alves (PMDB/RN)
    Helio José (PROS/DF)
    Ivo Cassol (PP/RO)
    Jader Barbalho (PMDB/PA)
    João Alberto de Souza (PMDB/MA)
    José Agripino (DEM/RN)
    José Maranhão (PMDB/PB)
    José Serra (PSDB/SP)
    Maria do Carmo Alves (DEM/SE)
    Marta Suplicy (PMDB/SP)
    Omar Aziz (PSD/AM)
    Paulo Bauer (PSDB/SC)
    Pedro Chaves (PSC/MS)
    Raimundo Lira (PMDB/PB)
    Renan Calheiros (PMDB/AL)
    Roberto Rocha (PSDB/MA)
    Romero Jucá (PMDB/RR)
    Simone Tebet (PMDB/MS)
    Tasso Jereissati (PSDB/CE)
    Telmário Mota (PTB/RR)
    Vicentinho Alves (PR/TO)
    Waldemir Moka (PMDB/MS)
    Wellington Fagundes (PR/MT)
    Wilder Morais (PP/GO)
    Zeze Perrella (PMDB/MG)

     

    REQUIÃO: SENADO MOSTROU 'PROFUNDA COMPLACÊNCIA' COM CORRUPÇÃO

    - O senador Roberto Requião (PMDB) lamentou, em seu Twitter, a ajuda da maioria de seus colegas ao parlamentar Aécio Neves (PSDB), na noite desta terça-feira. "O senado mostrou profunda complacência e auto complacência com a corrupção", escreveu o senador paranaense.

    Com 44 votos, o plenário do Senado salvou Aécio e devolveu ao mineiro direito de exercer mandato de senador, anulando também a sanção do STF que determinava o recolhimento noturno do ex-presidente do PSDB.

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