A elite brasileira precisa se reconciliar com Lula

     Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de "populista", foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado grau de investimento.

    Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez iniciada no Brasil há cerca de três anos quando determinados grupos de comunicação, liderados pela Globo, colocaram em andamento a chamada "delenda Lula". Desde então, grandes obras de infraestrutura foram paralisadas, empreiteiras quebraram, um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na construção pesada, uma presidente legítima foi afastada, o povo perdeu a confiança na democracia e uma quadrilha foi instalada no poder. Como resultado, a economia brasileira encolheu quase 10%. E Lula, o objeto dessa caçada midiática e judicial, se mantém resiliente e de pé.

    Mais do que isso, como apontam as pesquisas recentes de institutos como Vox Populi, Ibope, Datafolha e Paraná Pesquisas, ele lidera todos os cenários sobre sucessão presidencial e tem chances reais de vencer até no primeiro turno. Incapaz de fabricar um candidato capaz de oferecer esperanças de dias melhores à população, a direita brasileira, representada pelo chamado "partido da imprensa golpista", ora ensaia produzir extravagâncias de laboratório, como o apresentador Luciano Huck, ora reforça as apostas no tapetão judicial, colocando pressão para que o Poder Judiciário aceite ser instrumentalizado por grupos de interesse e retire Lula da disputa com uma canetada.

    Uma eleição sem Lula, evidentemente, prolongaria a crise brasileira porque instalaria na presidência, a partir de janeiro de 2019, um segundo Michel Temer. Ou seja: mais um ilegítimo, que só estará no poder porque a elite nacional, refratária à vontade popular, terá manobrado nos bastidores para fazer valer seus interesses mais espúrios e mesquinhos. E o Brasil, onde somente 13% hoje dizem confiar na democracia, terá praticamente se convertido num regime oligárquico, onde eleições servem apenas de fachada para que os mais fortes imponham sua vontade sobre os mais fracos. Uma vexame internacional em pleno século 21.

    Embora o jogo seja mais do que explícito, o fator mais intrigante é a absoluta falta de lógica nesses movimentos. Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de "populista", foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado "grau de investimento". Ou seja: com decisões econômicas sensatas, somadas a políticas de distribuição de renda, ele criou um ambiente que ampliou o mercado de consumo e permitiu que as empresas ampliassem seus lucros e investimentos.

    Lula, portanto, já foi testado e aprovado. A tal ponto que deixou o poder com 87% de aprovação – um recorde internacional. A tentativa de destruí-lo, capitaneada pela Globo, serviu a inconfessáveis internacionais, como os das multinacionais do petróleo, que já se assenhoraram do pré-sal brasileiro, e também às empresas chinesas – muitas delas estatais – que têm se aproveitado do feirão de ativos no Brasil. Ou seja: nada disso deveria interessar ao Brasil ou à chamada burguesia nacional.

    Como mostrou o mais recente levantamento do Ibope, Lula tem no mínimo 35% e não pode ser retirado das urnas porque assim desejam os Marinho. A luta de vida ou morte da Globo contra o mais popular presidente da história do País não é – ou pelo menos não deveria ser – a mesma da chamada elite nacional. É hora de se reconciliar com Lula, antes que seja tarde demais.

    (este artigo foi originalmente publicado na revista Nordeste)

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