Situação das Veredas do Cerrado Brasileiro

    Pesquisa da Unimontes é referência para audiência pública federal sobre degradação das veredas

     - A professora Maria das Dores Magalhães Veloso, do Departamento de Ciências Biológicas da Unimontes, será uma das palestrantes na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, sobre a temática: “Situação das Veredas do Cerrado Brasileiro”. O evento está marcado para a próxima terça-feira (11), às 14 horas, no Plenário 8 da Casa Legislativa, em Brasília.

    Doutora em Engenharia Florestal, a professora Maria das Dores é uma das pesquisadoras que integram o projeto “Vereda Viva”, desenvolvido com a participação de estagiários e alunos do mestrado em Biologia da Unimontes e que monitora o estado de preservação das nascentes e, ao mesmo tempo, os impactos de um dos mais importantes ecossistemas do Cerrado. Além disso, a iniciativa da Universidade realiza o plantio de mudas nativas.

    A audiência será promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados em atendimento requerimento do deputado José Silva (SD-MG). O evento terá transmissão ao vivo pela internet e poderá contar com a participação de moradores de todas as partes do País, por intermédio do portal “e-Democracia”, ferramenta de interação da Câmara Federal com o público em geral.

    O deputado José Silva destaca que o objetivo é analisar o grau de degradação das áreas de veredas no Norte de Minas e no Noroeste do Estado, regiões onde se concentram as nascentes de centenas de rios e córregos que formam a bacia do Rio São Francisco. A proposta é de buscar soluções para a preservação das águas. No requerimento da audiência, o parlamentar destaca que a pesquisa realizada pela professora da Unimontes revela que “70% das veredas estão ameaçadas de desaparecer em curto prazo”.

    REPORTAGEM ESPECIAL

    Professora Maria das Dores Veloso, da Unimontes, coordenadora do projeto

    O quadro de comprometimento das veredas em Minas Gerais foi tema de uma série especial do jornal Estado de Minas, publicada em outubro de 2016, que teve como uma das principais fontes a pesquisa da professora Maria das Dores. O trabalho marcou a comemoração dos 60 anos do livro “Grande Sertão: Veredas”, do escritor mineiro João Guimarães Rosa. O jornalista Luiz Ribeiro, autor da série de reportagem, também será um dos palestrantes da audiência pública.

    O repórter percorreu as veredas citadas no livro ao longo de 2,1 mil quilômetros em 12 municípios do Norte de Minas. Uma das áreas percorridas foi a região do Rio Urucuia, amplamente citada na obra de Guimarães Rosa.

    Foi mostrada a situação do ecossistema seis décadas depois da obra-prima de Rosa, com abordagem dos impactos do desmatamento, assoreamento e queimadas nas nascentes, o que ameaça de extinção diretamente espécies nativas da flora e da fauna. Também mostram dezenas de famílias em diferentes locais que dispunham de muita água das veredas e, atualmente, sofrem as conseqüências da falta do recurso hídrico, pois as nascentes secaram e os rios pararam de correr.

    "VEREDICTO TRÁGICO"

    Com base nos levantamentos in loco e nas revelações da pesquisadora Maria das Dores Magalhães Veloso e das reportagens sobre a atual situação das nascentes – incluindo os dados do projeto de pesquisa “Vereda Viva” –, o requerimento enfatiza que, “ao longo de 60 anos, praticamente todas as veredas já sofreram algum tipo de impacto e várias estão completamente secas, resultado de incessante degradação. Danos que deixaram suas marcas nas dezenas de mananciais secos e no sofrimento de centenas de famílias e animais. O veredicto é trágico”.

    “Vereda é o espaço brejoso ou encharcado que contém nascentes ou cabeceiras de cursos d´água, onde há ocorrência de solos hidromórficos, caracterizado predominante por ranques de buritis do brejo e de outras formas de vegetação típica. A obra Roseana despertou um olhar mais amoroso sobre esses Oásis do sertão”, descreve o autor do requerimento da audiência pública.

    Vereda Capivara

    Buritis da Vereda da Capivara não resistiram às ações de degradação

    “No entanto, se há 60 anos existia fartura, há relatos de que hoje falta água. Nem mesmo o início do período chuvoso, prenúncio de recuperação dos cursos d água, guarda o mesmo significado no período que separa o lançamento do livro e os dias de hoje”, ressalta o deputado.

    Morador vereda
    Morador mostra qual era o nível da lâmina d'água antes da seca

    Ele destaca a importância da homenagem a Guimarães Rosa e a necessidade de ações para salvar as veredas. “Em homenagem a este grande autor, a esta obra que completa 60 anos e ao povo sertanejo, queremos debater sobre uma das principais fontes de água, com o objetivo de evitar danos irreversíveis ao meio ambiente como todo, interferências sem critérios nas nascentes, a preservação dos recursos hídricos, garantir a produção de água de boa qualidade, abundante e contínua”.

    Também serão explanadores da audiência pública: Maurício Fernandes, coordenador da área técnica de Manejo de Bacias da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), Fernando Brito, chefe de gabinete da sede regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf); e Rutílio Cavalcanti, prefeito de Urucuia.

    Via Ascom-Unimontes

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