Capangas da Soebrás ferem sem terra à bala

     

    Quatro trabalhadores Sem-Terra ficaram feridos na manhã deste domingo (9), na fazenda Norte América, em Capitão Enéas, pelos capangas dos fazendeiros, que atingiram Géssica Thais Gonçalves Freitas, Fabrício Alvins Lima, Vildomar Oliveira e Gabriel Gonçalves. Géssica Thais Gonçalves Freitas e Fabrício Alvins Lima estão internados na Santa Casa e Hospital Nossa Senhora da Guia. Em estado grave, Vildomar Oliveira Gomes foi baleado no pescoço e encaminhado para a Santa Casa de Montes Claros, que informou que o estado de saúde dele é estável. Entre os feridos está também Gabriel Gonçalves, de dez anos que foi atingida de raspão no rosto, mas ainda se encontra com a família no assentamento. A PM de Montes Claros enviou reforço para a cidade para verificar a situação. Ainda no hospital, Géssica Gonçalves, uma das feridas, conta como tudo aconteceu.
    “O Jackson, gerente da fazenda, por várias vezes foi ate nós para que pudéssemos ir a uma reunião na fazenda. Ele insistiu muito e nós aceitamos o convite. Hoje, éramos 300 famílias, fomos ate a sede por volta das 7h30. Ao chegar à cancela fomos recebidos a bala por cerca de dez jagunços. Eles atiraram sem dó e nem piedade. Tinha crianças, idosos, gravidas. Nós vimos o dono da fazenda no lugar. Pedimos pra não atirar. Abaixamos pra não sermos baleados. Eu levei um tiro que atravessou a minha perna. Agora estou aqui. Foram momentos de terror. Gritávamos por paz, queremos paz. Foi um verdadeiro golpe. O que era pra ser um encontro de paz virou um cenário de guerra. Foi uma covardia”, afirmou por telefone Géssica.
    Fazenda Norte América

    No dia 16 de janeiro deste ano, cera de 150 famílias Sem Terra ocuparam a sede da Fazenda Norte América.
    A área de três mil hectares é improdutiva e existe indícios de que era utilizada pelo ex-prefeito de Montes Claros (MG), Rui Muniz e seus sócios, para lavagem de dinheiro.
    A fazenda, que possui uma dívida milionária no banco, foi arrematada pelo grupo Soebrás (Sociedade de Educativa do Brasil), porém, nunca foi paga.
    A Soebrás é uma das várias entidades filantrópicas utilizadas por Ruy Muniz para desviar recursos federais e da prefeitura de Montes Claros. Por tais desvios, o ex-prefeito foi detido em setembro de 2016, assim como seus sócios. Destaca-se Leonardo Andrade, que ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Agricultura na prefeitura.
    Leonardo é conhecido como proprietário da área e durante a ocupação, uma senhora que se identificou como mãe dele foi encontrada na casa sede. Empregados da fazenda afirmaram obedecer ordens de Leonardo e não possuir carteira assinada, mesmo após nove anos de trabalho.
    Latifundiário

    Ruy Muniz foi preso em 2016 no dia seguinte à votação do impeachment da Presidente Dilma Roussef. Na ocasião, sua mulher Raquel Muniz, deputada, dedicou o voto à integridade moral do marido afirmando que “o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós, com sua gestão. Por isso eu voto sim, sim, sim”.
    Atualmente ele responde a processo, acusado de estelionato, falsidade ideológica, prevaricação e desvio e|ou apropriação de recursos públicos.
    Muniz responde a inúmeros casos de desvio de recursos públicos utilizando entidades filantrópicas. Em 1987 cumpriu pena por dar golpe num banco público e atualmente responde por reter as verbas destinadas ao SUS em Montes Claros, para precarizar o atendimento público de saúde e beneficiar seu hospital particular.
    Outro caso é de desvio de gasolina da Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização (Esurb), com um rombo estimado em mais de R$ 20 milhões, dinheiro que seria usado para pagar as prestações da mansão da família Muniz. Para possibilitar o esquema, Leonardo Andrade e Cristiano Júnior foram nomeados em cargos estratégicos na administração municipal. Ambos são apontados como “laranjas”, de Muniz, figurando como sócios do “conglomerado empresarial”.
    De acordo com investigação do Ministério Público, o grupo do ex-prefeito e da deputada soma 146 pessoas jurídicas que sugam milhões dos recursos públicos há anos, através das chamadas entidades filantrópicas.

    Com informações do portal Web Terra, do MST e do Jornalista Netto Rodriguez, Direto de Capitão Enéas.

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