Antes de morrer, Fred deverá delatar Aécio

     - O capanga e senador afastado de Minas Aécio Neves, que prometeu matar seu primo antes da delação, não deverá cumprir sua jura -

     O tiro de misericórdia no senador afastado Aécio Neves será dado pelo seu primo Fred Pacheco, que foi preso depois de ser flagrado carregando malas de dinheiro para o presidente licenciado do PSDB nacional.
    Familiares de Fred estão indignados com a postura de Aécio, que não assumiu a responsabilidade pelos crimes e também disse que o carregador de dinheiro deveria ser alguém que eles pudessem matar antes de se tornar delator.
    “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, disse Aécio a Joesley Batista, um dos donos da JBS, num dos grampos interceptados pela Polícia Federal.
    Filho de um respeitado desembargador aposentado de Minas Gerais, chamado Lucas Pacheco, Fred já foi orientado pelos familiares a delatar todos os esquemas de Aécio.
    Quando esteve com Ricardo Saud, executivo da JBS que lhe entregou uma mala com R$ 500 mil, Fred se queixou do papel que desempenhava para o primo. "Outro dia eu tava pensando, acordei à 0h30, o que eu tô fazendo? O que eu tenho com isso? Eu não trabalho para o Aécio, eu não sou funcionário público, eu sou empresário. (...) Trabalho pra caralho, Ricardo", disse Fred. "Eu tenho com o Aécio um compromisso de lealdade que o que precisar eu tenho que fazer. Eu falei: 'Olha onde eu tô me metendo'."
    Acima, trecho em que Aécio fala que o carregador deveria ser alguém que eles pudessem matar antes de se tornar delator.

    “Fred”, do áudio de Aécio, é ex-diretor da Cemig

    Aécio Neves, ex-presidente do PSDB e senador afastado por Minas Gerais, foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS, segundo reportagem do jornal "O Globo" publicada na quarta-feira (17) e divulgada de forma massiva em diversos meios de comunicação, juntamente com as denúncias envolvendo Michel Temer e Eduardo Cunha.

    — Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.
    — Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.
    “Fred”, o nome indicado para receber o dinheiro e que seria “morto”, é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio e ex-diretor da Cemig, uma das principais concessionárias de energia elétrica do Brasil, considerada a maior empresa integrada do setor de energia elétrica da América do Sul, e a maior da América Latina, em quilômetros de rede e de equipamentos e instalações de barragens e uma das maiores violadoras dos direitos dos atingidos em todo o país.
    O grupo é constituído por mais de 181 sociedades e 17 consórcios. Trata-se de uma companhia de capital aberto controlada pelo Governo do Estado de Minas Gerais e possui 117 mil acionistas em 44 países. Suas ações são negociadas na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, na Bolsa de Valores de Nova York e na Bolsa de Madri.
    Em março de 2014, a Cemig comprou 83% do capital social e 49% das ações da SAAG Investimentos, empresa de investimentos do Grupo Andrade Gutierrez, fato que também despertam suspeitas para as investigações da Lava-Jato. Com isso, aumentou sua participação na Madeira Energia, consórcio responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Localizada no Rio Madeira, em Rondônia, a Usina de Santo Antônio será a segunda maior hidrelétrica de turbinas bulbo do mundo, alagando centenas de quilômetros de terras na região amazônica e atingido milhares de ribeirinhos, que até hoje não tem seus direitos reconhecidos.
    Violações contra os atingidos
    São diversas as violações de direitos contra os atingidos praticados por parte da Cemig. As barragens de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, e da Usina de Aimorés, no leste do estado de Minas Gerais são bons exemplo da atuação da Companhia.
    Inaugurada em junho de 2006, a Usina Hidrelétrica de Irapé possui a barragem mais alta do Brasil e a segunda maior da América Latina, com 208 metros, desde sua construção, o regime de cheias e baixas do rio foi alterado, o que impactou na produção de alimentos, na pesca e na forma de ocupação das margens pelas comunidades locais, além disso houve uma profunda contaminação das águas com mercúrio.
    Ainda hoje, a região possui mais de 3% das moradias sem acesso à energia elétrica– a taxa de porcentagem, em nível de Brasil, é de menos de 1% dos domicílios que vivem no escuro. Enquanto o Vale do Jequitinhonha apenas se perpetua como a região com menor PIB de Minas Gerais, os atingidos por barragens veem as violações aumentando a cada ano.
    “A privatização do setor elétrico é um dos pilares que sustenta os esquemas de corrupção em todo o país, aumentando a exploração aos trabalhadores atingidos por barragens e garantindo os lucros dos grandes empresários do setor elétrico”, afirma.
    “Fred”, hoje preso, foi nomeado pelo próprio tucano Aécio Neves para assumir o cargo na companhia,. Além disso, foi um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014, responsável por tocar a área de logística.
    Fonte: MAB

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