Deputados de Minas são citados em delação da JBS

     - Pelo menos sete deputados mineiros que exercem mandato atualmente aparecem no acordo de colaboração premiada dos executivos da J&F, holding que controla a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.-

     - No documento da Procuradoria Geral da República (PGR), obtido pelo Hoje em Dia, o diretor de Relações Institucionais e Governo do grupo J&F, Ricardo Saud, relata aos procuradores repasses a cinco deputados federais e dois estaduais, num total de R$ 2,3 milhões.

    Conforme o termo de colaboração assinado por Saud, os pedidos de dinheiro dos políticos eram apresentados, em regra, a ele, que então os levava a Joesley. Ainda segundo o delator, o método de pagamento era sempre determinado pelo político, podendo consistir em “doação oficial, pagamento de notas fiscais avulsas ou entrega em dinheiro em espécie”.

    Cash

    E foi justamente a modalidade dinheiro em espécie apontada como a escolhida pelos deputados federais Zé Silva (SD), Aelton Freitas (PR) e Marcos Montes (PSD), esses dois últimos conterrâneos de Saud, que nasceu em Uberaba, no Triângulo, cidade onde também já exerceu o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico.

    Segundo a delação, Aelton Freitas recebeu “R$ 200 mil em espécie em 22/9/2014, entregues por Ricardo Saud a Pio, sócio e amigo do deputado na antiga sede da J&F, em São Paulo”.

    Um dia depois teria sido a vez de Marcos Montes. De acordo com o documento, o político recebeu “R$ 200 mil em espécie em 23/9/2014, entregues por Ricardo Saud à secretária parlamentar Mara na antiga sede da J&F, em São Paulo”.

    Já Zé Silva, ainda segundo o delator, pegou “R$ 200 mil em espécie em R$ 19/9/2014, entregues por Ricardo Saud” no mesmo endereço na capital paulista.

    No caso do deputado federal Gabriel Guimarães, a delação aponta o recebimento de “R$ 200 mil em 3/9/2014, por meio de pagamento de nota fiscal avulsa emitida por Andrade Antunes e Henriques Advogados”. Localizado na praça Carlos Chagas, no Santo Agostinho, o escritório tem Gabriel Guimarães de Andrade no quadro societário.

    No anexo da colaboração premiada dedicado ao governador Fernando Pimentel (PT), ele é apontado como destinatário de um “repasse mensal de R$ 300 mil, enquanto era ministro do Desenvolvimento e Comércio de 6/8/2013 a 29/10/2014, feito por meio do escritório Andrade, Antunes e Henrique Advogados”. É o mesmo escritório que aparece na delação sobre Gabriel Guimarães.

    Segundo o delator, “o pagamento era feito mensalmente pela empresa (J&F) com nota fiscal emitida pelo referido escritório, no valor de R$ 300 mil, sem que o escritório prestasse qualquer serviço à empresa”.

    Campanha

    O senador afastado Aécio Neves (PSDB) também ganhou um capítulo à parte. O delator afirma que o então candidato à Presidência da República “orientou que a propina fosse distribuída para a compra de partidos políticos para que integrassem a coligação da candidatura de Aécio”.

    Como presidente nacional do PTdoB, o deputado federal Luis Tibé teria sido o destinatário de R$ 1 milhão. Segundo o delator, o dinheiro foi repassado via doação oficial ao diretório nacional em 15/9/2014. “Funcionou como intermediário das tratativas para
    o pagamento junto a Ricardo Saud, o deputado federal Luis Tibé”, diz o documento. O PTdoB oficializou a mudança do nome da legenda, rebatizada como Avante neste ano.

    Também em 15/09/2014, R$ 250 mil foram para o comitê financeiro regional do PTC, em Minas. “Funcionou como intermediário das tratativas para pagamento junto a Ricardo Saud, o sr. Anselmo Domingos”. Anselmo é deputado estadual e, desde 2002, é presidente estadual do Partido Trabalhista Cristão (PTC).

    Na mesma data das doações ao PTC e PTdoB, o PTN, cujo diretório estadual é presidido pela deputada estadual Arlete Gonçalves Magalhães, irmã do vereador Wellington Magalhães, recebeu, em doação oficial, R$ 250 mil, de acordo com o delator.

    Via Hoje em Dia

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