“Carne Fraca” contradiz agronegócio

     

    Movimento dos Trabalhadores Sem Terra quer o fim do conluio entre empresas do setor e o Ministério da Agricultura

    Por João Paulo Rodrigues

    Nas últimas semanas, temos acompanhado a Operação Carne Fraca que denunciou casos de corrupção e fraude envolvendo o agronegócio e o Ministério da Agricultura.

    Esta operação é uma mostra de como o agronegócio é movido pela lógica do “lucrar mais a qualquer custo”.

    Degradação ambiental, exploração de trabalhadores, concentração de terra nas mãos de pouca gente, além dos crimes contra os povos indígenas, quilombolas, pescadores e camponeses.

    Tudo isso caracteriza o modelo de agronegócio.

    Não podemos esquecer do uso abusivo de agrotóxicos que destrói a vida no campo, contamina os solos, as águas e envenena os alimentos dos brasileiros e das brasileiras.

    Essas denúncias da Operação Carne Fraca reafirmam as contradições do agronegócio, principalmente em relação à saúde humana e à destruição ambiental.

    Nós, do MST, defendemos que as empresas envolvidas sejam punidas e responsabilizadas.

    Também deve ser investigado o conluio entre as empresas do setor e os fiscais do Ministério da Agricultura. O órgão mais parece o Ministério do Agronegócio.

    Enquanto isso, quem paga a conta são os trabalhadores da agroindústria da carne.

    Eles já estão expostos à precarização pelas empresas e agora sofrem com demissões em massa por conta das investigações.

    E você deve se perguntar: com tantos impactos negativos, como o agronegócio se mantém?

    Para garantir e ampliar privilégios, ele financia as eleições de deputados mais conservadores, a chamada “ bancada do boi”.

    Com isso, os ruralistas conseguem aprovar retrocessos nas leis dos direitos sociais, trabalhistas e ambiental.

    Para se contrapor a essa forma de produção no campo que degrada o meio ambiente e os seres humanos, o MST segue na defesa da Reforma Agrária Popular.

    Combateremos sem tréguas o agronegócio. Seguimos na defesa de um modelo baseado na cooperação agrícola, agroecologia e na soberania popular.

    *João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST



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