DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

    Lamentavelmente, temos que reconhecer: não estamos conseguindo corrigir os erros históricos do passado!  

    * Por Marcelo Eduardo Freitas

    Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e nobel da paz de 1993, dizia que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar...”.

    Hoje, 20 de novembro, em cerca de mil cidades e 06 Estados de nossa república, celebramos o DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA. A data foi incluída no calendário escolar no ano de 2003. Oficialmente, somente em 2011, por força da Lei 12.519/11, a data foi incorporada ao calendário nacional.

    A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Mas há realmente algo a comemorar? Enquanto sociedade, como tratamos os nossos irmãos negros?

    Os dados são assustadores!

    De acordo com o IBGE, quase 64% das pessoas sem emprego no país são negras, cidadãos que ganham, em média, apenas 56% do que recebem os brancos. No terceiro trimestre deste ano de 2017, 8,2 milhões de trabalhadores negros estavam à procura de emprego. O número corresponde a 63,7% dos cerca de 13 milhões de desempregados existentes no país! Definitivamente, apenas por esse aspecto, observa-se que a cor da pele tem sido fator determinante para a inclusão no mercado de trabalho.

    Como se não bastasse, sob o sofrido olhar da segurança pública, de acordo com dados do Fórum Brasileiro da área, entre os anos de 2005 a 2015, de cada 100 vítimas de homicídio, 71 foram pessoas negras. Na mesma senda, as mulheres negras representam 65% das vítimas de homicídio do sexo feminino! O número cresceu 22% no último ano!

    No que se refere às intervenções policiais, as pessoas mortas são majoritariamente negras: 76% das vítimas, entre 2015 e 2016, eram homens negros! Lado outro, os policiais negros representam a maioria das vítimas nas corporações: 56% dos policiais vítimas de homicídio, entre 2015 e 2016 (mesmo período), eram homens negros!

    Como se não bastasse, dos aproximadamente 620 mil presos de nosso país, 61,6% são negros, escolhidos para serem os clientes de nosso falido sistema de “justiça” criminal!

    Lamentavelmente, temos que reconhecer: não estamos conseguindo corrigir os erros históricos do passado! A nossa conduta, enquanto animais sociais, tem gerado cada vez mais desigualdade e exclusão! Que ao menos nesta data possamos refletir sobre o que, verdadeiramente, temos feito para acolher os negros de nossa nação. Afinal, o sol nasce para todos, somos absolutamente iguais e nada há que justifique tamanha diversidade de tratamentos diante de idênticas situações. Já passou da hora de acertarmos essa conta!

    * Delegado de Polícia Federal

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