Efeito Tiririca - Por Felipe Gabrich

    -Merece uma profunda reflexão por parte da sociedade brasileira, acima das paixões partidárias, a renúncia do deputado Tiririca.-

     Não se trata de uma simples renúncia de um deputado federal de um partido da chamada base governista.

    O país vive um estado de exceção, governado por uma administração espúria e antipopular, praticamente imposta à nação após um polêmico e discutível processo de impeachment que destronou a ex-presidenta Dilma Rousseff.

    O Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado – anda votando atualmente a toque de caixa e de maneira até acintosa aos foros parlamentares - em troca de verbas e de cargos no segundo escalão da República - projetos de fins duvidosos e até mesmo atentatórios a direitos adquiridos pela população em geral.

    Trocando em miúdos: o país se debate numa crise institucional sem precedentes.

    Dentro desse cenário, um dos mais bem votados deputado federal do maior colégio eleitoral do país, que é São Paulo, em duas eleições seguidas, resolve abandonar a política.

    Analisem desapaixonadamente os senhores leitores:

    O parlamentar em pauta renuncia a um mandato parlamentar que lhe dá direito, segundo suas próprias palavras, a uma remuneração mensal de 23 mil reais (livres dos descontos), carro à disposição e outras mordomias.

    Esse deputado retirante está abrindo mão – vale repetir – de um salário de 23 mil reais num país de salário mínimo de míseros 900 reais, fora outras vantagens do cargo, dizendo-se envergonhado.

    Além disso – e isso há de ser considerado em todas as análises, Tiririca não é apenas o deputado federal Tiririca.

    Antes, Tiririca é um palhaço popular.

    E usou desse seu prestígio de palhaço para se eleger e carregar nas costas outros deputados.

    Não é, pois, um deputado da base oposicionista, um contrário, um comunista, um subversivo da ordem pública, que está renunciando.

    É um palhaço que se elegeu deputado e que, como autêntico homem do povo, sente vergonha desse cargo público, que deveria ser sublime e honroso.

    Mas que, infelizmente, causa vergonha a quem durante sua vida tem feito o povo rir.

    Sem medo de ser feliz.

    O palhaço-deputado Tiririca teve apenas a ousadia de jogar a primeira pedra na falta de vergonha que impera entre os políticos brasileiros, de maneira geral.

    Que o leitor/eleitor pense seriamente nisso.

    (*) Jornalista

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