Tráfico de Influência?

    MP pede esclarecimento sobre aluguel superfaturado da sede da Polícia Civil de Bocaiúva

    Daniel Librelon

    - O Promotor de Justiça Danniel Librelon Pimenta pediu informação ao delegado Leonardo Diniz, da cidade de Bocaiúva, sobre o contrato de locação de um imóvel da Rua Zico Caldeira n° 285, em Bocaiúva, de propriedade de empresa da família do ex-prefeito Alberto Caldeira, onde foi instalada a Delegacia de Polícia Civil em Bocaiúva. O aluguel da casa, na opinião dos moradores, vale no máximo R$ 2.000,00 (dois mil reais), mas o imóvel foi alugado por R$ 11.000,00 (onze mil reais), segundo denunciou o EM CIMA DA NOTÍCIA.

    No despacho, Librelon fez o seguinte pedido: “1) ofício ao delegado Leonardo Diniz, possibilitando-lhe manifestar-se, caso queira, em dez dias úteis, apresentando informações e documentos que tiver; e 2) e-mail ao Chefe da Polícia Civil, solicitando, no prazo de dez dias úteis, cópia (de preferência eletrônica, a ser remetida ao e-mail desta PJ) do processo licitatório ou expediente correlato que tenha antecedido a locação do imóvel que atualmente sedia a Delegacia de Polícia de Bocaiuva, acompanhada das informações complementares que aquela douta autoridade possa fornecer sobre a escolha do referido imóvel, o estabelecimento do valor de seu aluguel e a identificação de eventuais pessoas que tenham intermediado a locação”.

    Especula-se que Alberto Caldeira teria contado com a colaboração de gente da polícia para conseguir alugar por valor tão alto e fora dos padrões do mercado o imóvel da sua família. Também não é do conhecimento público a existência de procedimento licitatório, como exigido pela lei, para a contratação. A investigação do Ministério Público pode desvendar uma verdadeira rede de uso indevido do patrimônio público, concessão de rádio e troca de favores, com influências diretas na eleição da atual prefeita Marisa Alves, ex funcionária e ex secretária de ação social de Alberto Caldeira, líder de seu grupo político.

    Aluguel

    O contrato de locação supostamente superfaturado foi assinado pelo filho de Alberto Caldeira, Luís Carlos, representando a empresa da família proprietária do imóvel e também por Adalberto Fernandes, que assinou como delegado de polícia de Bocaiúva. Adalberto aposentou-se e candidatou-se a vereador pelo PMDB, mesmo partido de Marisa Alves e Alberto Caldeira, elegendo-se e assumindo a presidência da Câmara Municipal de Bocaiúva. Como apurado, não houve procedimento licitatório algum para a contratação da locação.

    Leonardo Diniz

    Sobre o atual delegado de polícia de Bocaiúva, Leonardo Diniz, pesam inúmeras acusações, que vão de perseguição política, tentativa de homicídio e ingerência indevida no processo eleitoral em benefício da atual prefeita Marisa Alves.

    O juiz de Bocaiúva, Daniel Leite, chegou a expedir uma ordem judicial, às vésperas das eleições municipais, proibindo o delegado Leonardo Diniz de dar entrevista fazendo referência de cunho pessoal ou político a qualquer candidato. Esta decisão judicial decorreu de um pedido da coligação que apoiava os candidatos a prefeito e vice Roberto Torres e Salomão Caldeira, em face de entrevista concedida pelo delegado à rádio de propriedade da família de Alberto Caldeira, alardeada pela emissora, na qual Leonardo Diniz acusou o candidato Robertão de tentar removê-lo da cidade, prejudicado o seu trabalho “de colocar na cadeia políticos corruptos”.

    Segredo de justiça

    Ação de investigação judicial eleitoral (AIJE)

    Corre na justiça eleitoral de Bocaiúva, ação proposta pelos partidos que apoiaram Robertão e Salomão contra Marisa Alves e seu vice Zé Marião, em que pedem a anulação da eleição municipal, com realização de novas eleições. A ação foi patrocinada pelos advogados do Escritório Racine Ribeiro de Montes Claros, distribuída em 15 de dezembro do ano passado sob o número 808007/2016, e corre em segredo de justiça, por conta de documentos colacionados ao processo envolvendo a corregedoria de polícia civil e o delegado Leonardo Diniz. Segundo a ação, a interferência do delegado no pleito, “em evidente favorecimento aos demandados (Marisa Alves e Zé Marião), distorce a legitimidade da eleição, ferindo a isonomia entre os candidatos e afetando, diretamente, o resultado do pleito, o que deve ser devidamente sancionado”.

    O outro lado

    O Em cima da notícia tentou falar com o ex-prefeito Alberto Caldeira, com a atual prefeita Marisa Alves e com o ex-delegado Adalberto Fernandes, além do atual delegado Leonardo Diniz, mas não obteve resposta. Mesmo assim, fica aberto o espaço para tais defesas se pronunciarem, através do e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Esta matéria poderá ser editada a qualquer momento, com as versões dos citados.

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