Impacto ambiental na reserva de Pandeiros é tema de pesquisa

     A Área de Proteção Ambiental (APA) de Pandeiros, entre os municípios de Januária e Bonito de Minas, no Norte de Minas, é objeto de estudo do curso de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

     A Área de Proteção Ambiental em Pandeiros tem quase 400 mil hectares; no local está o chamado Pantanal Mineiro (Foto: Evandro Rodney)

    Nos dias 20 e 21/1, um grupo de 18 acadêmicos do 7º período, no campus-sede, realiza um trabalho de campo na reserva para identificar, entre outros aspectos, o estado de conservação dos recursos naturais e o grau de degradação no espaço, diante da exploração vegetal e da pecuária. A atividade está relacionada às disciplinas Biogeografia e Hidrografia, ministradas pelo professor Ronaldo Belém, mestre e doutor em Geografia e Análise Ambiental.

    A APA Pandeiros possui 393 mil hectares. Na área, há pontos onde é permitido o uso sustentável de recursos naturais, mas na prática atividades como a criação de gado no sistema extensivo têm comprometido, por exemplo, a resistência do solo e a cobertura vegetal, atingindo duramente as veredas e nascentes da região.

    “O pisoteio do gado é um fator que acelera os processos erosivos”, explica Ronaldo, que realiza pesquisas acadêmicas em Pandeiros desde 2006, ainda quando cursava o mestrado.

    Em Pandeiros, há uma área específica de 6,1 mil hectares considerada como refúgio de vida silvestre e, por isso, não é permitido o uso sustentável dos recursos naturais. É o chamado Pantanal Mineiro, onde é registrado o ciclo reprodutivo de cerca de 70% dos peixes da bacia do Médio Rio São Francisco.

    Professor Ronaldo Belém, do Departamento de Geociências da Unimontes

    “Esta reserva ambiental, de pouco mais de seis mil hectares, é aberta então somente para as atividades didáticas, de monitoramento e de pesquisa. No entanto, pelo fato de a área de refúgio estar dentro da APA, as atividades que acontecem fora dela acabam impactando no pantanal de Pandeiros, verdadeiramente um berçário para as espécies de peixe do médio São Francisco”, avalia o pesquisador.

    A Regional de Januária do Instituto Estadual de Florestas (IEF) é parceira neste projeto da Unimontes. Antes do trabalho de campo, o grupo de acadêmicos participa de uma palestra na sede do IEF para a apresentação de dados específicos da APA Pandeiros e da Reserva Ambiental. O trabalho compreenderá visitas em trechos de veredas, pântano, Matas Secas e outras fitofisionomias do bioma Cerrado, tais como, o Cerrado Típico e o Cerradão, da APA e do Refúgio.

    Ainda conforme o professor Ronaldo Belém, em fevereiro, uma nova turma de 25 alunos, do 4º período do curso de Geografia em Montes Claros, fará um novo trabalho de campo em Pandeiros no âmbito da disciplina Hidrografia. Nas duas intervenções, será utilizado um GPS e em cada ponto marcado pelo aparelho será aplicada uma planilha em que serão registrados os impactos na APA e no Refúgio com seus respectivos pesos. Posteriormente, será feita uma análise dos dados e o diagnóstico do quadro ambiental da área como um todo.

    Site: Unimontes

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