Réu por peculato vira assessor de Raquel Muniz

     - Romário Sabino, que foi nomeado como assessor parlamentar da deputada, também é suspeito de vender carros clonados- 

    Jornal O Tempo

    A deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) nomeou como assessor parlamentar um homem preso em 2015 por comandar uma quadrilha envolvida com a venda de carros clonados, segundo a Polícia Civil. Ele também é réu por peculato, por supostamente integrar um esquema de desvio de verbas públicas em Bocaiuva, no Norte de Minas.
    Desde o fim de março, Romário Sabino Pires, ex-presidente da Câmara Municipal de Bocaiuva, atua representando a parlamentar. Raquel Muniz disse conhecer o réu há algum tempo e revelou não ver problemas em contar com ele em seu gabinete.
    “O Romário é uma liderança política, já nos trouxe reivindicações importantes da região, inclusive trabalhou na minha última campanha. Nos conhecemos de longa data e, como ele não foi condenado, não vejo problemas. Até porque ele passou e foi aceito junto aos rigorosos critérios pedidos pela Câmara Federal”, justifica a deputada. Ela diz que não tem preconceito. “Já vi gente ser acusada e depois inocentada. Não podemos ter preconceito. Inclusive, não tenho preconceitos. Comigo trabalham negros, homossexuais e deficientes”, afirmou.
    De acordo com investigações da Polícia Civil, Pires liderava um grupo que comprava carros e motos clonados vindos de São Paulo e os revendia na área rural do Norte de Minas. Na época em que ele foi preso, a polícia encontrou dois carros clonados na garagem de sua casa. Em 2013, ele foi apontado pelo Ministério Público de Minas como um dos vereadores que participavam de um esquema para desviar dinheiro da Câmara Municipal de Bocaiuva por meio de notas frias.
    No ano passado, Pires também voltou a ser citado no noticiário policial. Em agosto, a Polícia Civil apreendeu com ele uma caminhonete avaliada em mais de R$ 100 mil. De acordo com a corporação, Pires vendeu o veículo em 2015 para um policial, mas não fez a transferência devido a impedimentos judiciais. Meses após a compra, o novo proprietário faleceu, e o veículo ficou com a esposa do militar. Após a morte do comprador, no entanto, segundo a polícia, Pires teria ido à casa da viúva, para ameaçá-la e tomar o carro de volta. Esse caso não virou processo.
    “Sou cristã e corajosa. Se a pessoa é trabalhadora e leal, não vejo problemas. Ele ainda não foi condenado em nada”, garante a deputada Raquel Muniz.
    Na Justiça, Pires continua a ser réu nos dois processos abertos. O julgamento sobre o possível esquema de clonagem de carros está previsto para março de 2018. O Aparte tentou localizar Pires no gabinete da deputada, mas ele não estava presente. O número do telefone do assessor não foi fornecido à coluna

     Vereador de MG é preso por chefiar quadrilha de venda de carro clonado

    Carro clonado foi apreendido na casa do vereador (Foto: Valdivan Veloso/G1)

    Do G1 Grande Minas
    Um vereador foi preso nesta sexta-feira (18) suspeito de envolvimento com venda de veículos clonados em Bocaiuva, Norte de Minas. Segundo a Polícia Civil, o vereador Romário Sabino Pires (PSDC), de 25 anos, liderava uma quadrilha que comprava carros e motos clonados no estado de São Paulo e comercializada em uma comunidade rural do município.
    Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Na casa do vereador foram encontrados dois carros clonados; também foi preso Otávio Alves Queiroz, de 27 anos, suspeito de integrar a quadrilha.
    O Ministério Público solicitou a investigação em janeiro deste ano após Romário sabino comprar uma caminhonete por mais de R$ 140 mil e não declarar a origem do dinheiro. "Ele é de uma família simples e o salário de vereador não suportaria esta compra”, explica o delegado Leonardo Diniz.
    Na casa de um outro suspeito, policiais encontraram um revólver e várias tarjetas de placas automotivas da cidade de Bocaiuva. Segundo o delegado, nesta casa não foram encontrados materiais suficientes que o liguem diretamente ao crime de clonagem dos veículos. Por isso, o suspeito pagou fiança por posse ilegal de arma de fogo e foi liberado.
    As investigações, que ainda continuam, apontaram ainda que o vereador Romário Sabino é proprietário de uma empresa de transporte coletivo que venceu uma licitação no município no valor de R$ 400 mil por ano. “Esta empresa está em nome de laranjas. Vamos pedir a quebra de sigilo bancário para provar que o dinheiro retorna para o vereador”, afirma o delegado.
    O vereador e Otávio Alves serão indiciados por organização criminosa, adulteração de sinal de veículo automotor e ainda por lavagem de dinheiro. O advogado dos dois, Jackson Norberto Meira, disse ao G1 que ainda não teve acesso aos autos da investigação. Por isso, não poderia se pronunciar a respeito das prisões

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