Michelle aprofunda crise, critica Ciro Gomes e diz que “a direita do Ceará está vendida”

x-primeira-dama reage após tucano acenar para Caiado e Renan Santos, expondo racha com Flávio Bolsonaro sobre o palanque eleitoral no Ceará A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu publicamente às declarações do pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes, afirmando que “a direita do Ceará está vendida”. A manifestação ocorreu após o tucano sinalizar simpatia e indicar um eventual apoio a outros nomes na corrida presencial ao Planalto, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e Renan Santos (Missão), informa a CNN Brasil.A declaração foi feita na segunda-feira (20), por meio de um comentário em uma publicação nas redes sociais que repercutia a entrevista dada por Ciro ao portal Cariri News. Na ocasião, Michelle criticou as negociações do pré-candidato no estado e voltou a rebater os termos de uma eventual coligação local, apoiada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, afirmou a ex-primeira-dama.O apoio do PL à campanha de Ciro Gomes no Ceará vem sendo questionado por Michelle desde dezembro do ano passado. Essa divergência deu início a um desentendimento público entre a ex-primeira-dama e seu enteado, Flávio Bolsonaro. O atrito se intensificou a ponto de Michelle publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que teria sido desrespeitada pelo parlamentar carioca. No cenário político local, Michelle defende que o grupo político aliado a Jair Bolsonaro (PL) no Ceará se una em torno da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual. Em contrapartida, a orientação fixada pelo diretório do PL sob a liderança de Flávio Bolsonaro é de apoiar Ciro Gomes na disputa do estado.A reação de Michelle foi motivada por falas proferidas por Ciro Gomes no sábado (18), durante entrevista concedida ao portal Cariri News. Embora conte com o respaldo da pré-candidatura por parte do PL de Flávio Bolsonaro no âmbito estadual, o tucano não mencionou o nome do senador carioca entre as suas opções de voto para a Presidência da República.“Eu, por exemplo, me dou muito bem com Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade. Tô acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos. Me parece uma pessoa que, a despeito de ser jovem e tal, está falando coisas muito verdadeiras, embora aqui e ali tenha exageros, é, também, enfim, é uma possibilidade, mas nós vamos ter que fazer isso juntos”, declarou Ciro durante a entrevista.

STF nega visita de Milei a Bolsonaro após novas restrições impostas por Moraes

Presidente argentino virá ao Brasil para convenção do PL, mas ex-presidente está proibido de receber visitas políticas O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para que o ex-presidente recebesse a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, no próximo dia 25 de julho. A solicitação foi apresentada após o anúncio da viagem do argentino ao Brasil para participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL).Marcada para o dia 25 de julho, a convenção deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O presidente argentino havia anunciado que pretendia aproveitar a viagem para visitar Bolsonaro em Brasília.A negativa ocorre depois de Moraes endurecer as restrições impostas a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Nesta sexta-feira (17), o ministro determinou a suspensão das visitas ao ex-presidente por 30 dias, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados, além de proibir encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições deste ano.As novas medidas foram adotadas após Moraes concluir que Bolsonaro descumpriu as condições da prisão domiciliar ao escrever uma carta em apoio à pré-candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento foi lido pelo parlamentar e divulgado nas redes sociais.Na decisão que manteve a prisão domiciliar, Moraes rejeitou a alegação da defesa de que Bolsonaro desconhecia a divulgação pública da carta. Segundo o ministro, o conteúdo do documento demonstra que o ex-presidente pretendia se comunicar com seus apoiadores por intermédio de Flávio Bolsonaro.Com a decisão do STF, no entanto, a visita não poderá ocorrer. As restrições impostas por Moraes buscam impedir que Bolsonaro participe de atividades de natureza político-eleitoral durante o período em que cumpre prisão domiciliar.

Quaest: maioria culpa Flávio Bolsonaro por tarifaço dos EUA

Maioria dos brasileiros culpa Flávio Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA e vê ação norte-americana como retaliação ao Pix A maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, enquanto também cresce a desconfiança sobre a capacidade do senador de convencer o presidente norte-americano, Donald Trump, a rever as medidas comerciais. Os dados são de pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (16).Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão apresentada pelo presidente Lula (PT), segundo a qual Flávio Bolsonaro teria estimulado a adoção de sanções contra o país ao procurar Trump. Outros 30% apoiam a explicação do senador, que responsabiliza Lula por supostas provocações ao governo dos Estados Unidos.O resultado representa uma mudança expressiva na percepção dos eleitores em relação à pesquisa realizada em junho. Naquele mês, 47% concordavam com a defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto 35% atribuíam ao senador a responsabilidade pelas tarifas, como sustenta Lula. Em julho, portanto, a parcela que endossa a avaliação do presidente cresceu 16 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, o grupo que concorda com a interpretação de Flávio Bolsonaro recuou 17 pontos. Retaliação ao Pix ganha força entre entrevistadosA pesquisa também perguntou aos eleitores qual teria sido a principal motivação do governo norte-americano para impor as tarifas ao Brasil. Para 49%, a medida representa uma retaliação ao Pix, argumento apresentado por Lula.Outros 33% consideram que as tarifas seriam uma resposta a declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos, versão defendida por Flávio Bolsonaro.Nesse tema, a distância entre as duas avaliações também aumentou. Em junho, 46% concordavam com a explicação relacionada ao Pix, diante de 36% que apontavam as declarações de Lula como motivação para as medidas comerciais.A diferença, que era de dez pontos percentuais, passou para 16 pontos no levantamento de julho. Viagem de Flávio Bolsonaro é desconhecida por 57%Apesar da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar diretamente do tarifaço com Donald Trump, 57% dos entrevistados afirmaram não ter conhecimento sobre a iniciativa do senador.Entre os brasileiros que souberam da viagem, prevalece o ceticismo em relação à influência política de Flávio junto ao governo norte-americano.De acordo com a Quaest, 58% desse grupo avaliam que o senador não possui força suficiente para convencer Trump e as autoridades dos Estados Unidos a reconsiderar as tarifas impostas ao Brasil. Outros 34% acreditam que Flávio pode contribuir para uma revisão das medidas.Os números indicam que a atuação internacional do senador ainda não conseguiu alterar a percepção predominante entre os eleitores sobre a responsabilidade pelo tarifaço. A pesquisa também mostra que a explicação apresentada por Lula ganhou apoio ao longo do último mês. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest entre os dias 10 e 13 de julho. Ao todo, foram entrevistados 2.004 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Lula critica tarifaço dos EUA e diz que vai usar Lei de Reciprocidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou nesta quinta-feira (16) a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-a de “marco lastimável” O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou nesta quinta-feira (16) a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-a de “marco lastimável” na relação entre os dois países. Após o governo de Donald Trump confirmar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o Planalto também anunciou que usará instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade contra as novas cobranças impostas por Washington.Segundo comunicado divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a medida entra em vigor em 22 de julho.A sobretaxa é resultado da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.“O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, disse o Planalto em nota.A gestão federal voltou a argumentar que os Estados Unidos têm superávit comercial na relação bilateral, tendo acumulado, segundo o comunicado, saldo positivo de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, o governo disse que a maior parte dos produtos norte-americanos entrou em território brasileiro sem pagar imposto.O Planalto afirmou que, mesmo avesso às premissas do tarifaço, aceitou conversar com os norte-americanos e nunca deixou a mesa de negociações.No comunicado, o governo também defendeu o Pix e afirmou que são “descabidas” as alegações contra o sistema de pagamentos e a regulação de plataformas digitais, bem como são “absurdas” as acusações sobre desmatamento.“O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”, defendeu o Planalto.Ainda na nota, o Palácio do Planalto indicou que a reação brasileira ao tarifaço atuará em três frentes: diversificação de mercados, medidas de socorro às empresas afetadas e acionamento da Lei de Reciprocidade. “Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, escreveu o governo.“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, completou a nota.O comunicado da Presidência também voltou a defender que a investigação dos EUA “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.Como mostrou a CNN, parte da estratégia de resposta do governo é reforçar a tentativa de associar o tarifaço ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, afirmou o Planalto.O novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil será aplicado às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.A nova tarifa é adicional às alíquotas já existentes. Com isso, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais. O documento também traz uma lista de produtos isentos da nova taxa, preservando itens considerados estratégicos para a economia americana ou em casos em que a oferta doméstica não é suficiente.Entre os itens isentos estão aeronaves civis e componentes aeronáuticos, café solúvel sem sabor, mel orgânico, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, determinados pescados, couros e peles, obras de arte, antiguidades, roupas usadas, resíduos contendo metais preciosos e diversos produtos farmacêuticos.Por outro lado, pedidos de isenção apresentados por setores ligados a máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e diversos bens manufaturados foram rejeitados pelo USTR.

Aprovação de Lula chega a 48% e supera desaprovação, aponta Quaest

Pesquisa Genial/Quaest mostra 48% de aprovação e 47% de desaprovação; avaliação positiva empata com a negativa em 36% A aprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48% e superou numericamente a desaprovação, registrada por 47% dos entrevistados. Outros 5% não souberam ou não responderam. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho de 2026.Como a diferença entre os dois indicadores é de apenas um ponto percentual, o resultado representa um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Ainda assim, o levantamento mostra uma inversão das posições observadas em junho, quando 47% aprovavam Lula e 48% desaprovavam sua atuação. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026. Aprovação mantém trajetória de recuperaçãoO gráfico histórico da Quaest mostra uma recuperação gradual da avaliação de Lula ao longo dos últimos meses. Em abril, a aprovação estava em 43%, enquanto a desaprovação alcançava 52%. Em maio, os índices passaram para 46% e 49%, respectivamente. Em junho, a distância caiu para apenas um ponto, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação. Agora, em julho, os números se inverteram, com vantagem numérica para os que aprovam o presidente. É a primeira vez, na série apresentada desde julho de 2025, que a aprovação aparece acima da desaprovação.Na avaliação detalhada do governo, 36% classificam o trabalho de Lula como positivo e outros 36% o consideram negativo. A parcela que avalia a administração como regular permanece em 26%, enquanto 2% não souberam responder. Mulheres e idosos registram maior aprovaçãoEntre as mulheres, a aprovação de Lula chega a 50%, contra 44% de desaprovação. No eleitorado masculino, o cenário é inverso: 46% aprovam o presidente e 50% desaprovam.O governo também apresenta resultado favorável entre os brasileiros com 60 anos ou mais. Nesse grupo, 51% aprovam Lula, enquanto 44% desaprovam. Entre os entrevistados de 16 a 34 anos, a aprovação aparece em 48%, contra 46% de desaprovação.Já na faixa de 35 a 59 anos, 46% aprovam e 50% desaprovam o trabalho presidencial. Nordeste concentra maior apoio a LulaO Nordeste continua sendo a região com maior apoio ao presidente. A aprovação alcança 61%, enquanto 35% desaprovam o governo.No Sudeste, 44% aprovam Lula e 50% desaprovam. No Sul, a distância é mais ampla: 37% de aprovação e 58% de desaprovação. No agrupamento formado pelas regiões Centro-Oeste e Norte, os índices são de 46% e 49%, respectivamente.A escolaridade também revela diferenças expressivas. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 58% aprovam Lula e 37% desaprovam. No grupo com ensino médio, a aprovação cai para 43%, enquanto a desaprovação chega a 52%.Entre os brasileiros com ensino superior, 37% aprovam o presidente e 58% desaprovam sua atuação. Aprovação é maior entre famílias de menor rendaEntre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula registra 58% de aprovação e 37% de desaprovação. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, 45% aprovam e 50% desaprovam.Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação fica em 41%, enquanto a desaprovação alcança 54%.Os beneficiários do Bolsa Família também demonstram maior apoio ao presidente. Nesse segmento, 61% aprovam o governo e 32% desaprovam. Entre os que não recebem o benefício, a aprovação é de 45%, ante 51% de desaprovação. Católicos aprovam; evangélicos mantêm resistênciaA pesquisa aponta ainda uma diferença relevante entre grupos religiosos. Entre os católicos, 53% aprovam o trabalho de Lula e 42% desaprovam.No eleitorado evangélico, 37% aprovam o presidente, enquanto 58% desaprovam. Apesar da diferença, a aprovação nesse segmento avançou nove pontos desde abril, quando estava em 28%.Entre os eleitores que se classificam como independentes, aprovação e desaprovação aparecem empatadas em 45%. O grupo havia registrado, em março, 32% de aprovação e 58% de desaprovação. Lula lidera cenários eleitoraisA melhora na avaliação ocorre em paralelo ao avanço de Lula nos cenários para a eleição presidencial. Na pesquisa estimulada de primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador Flávio Bolsonaro.Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos. Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos.

PF aponta atuação de Eduardo Cunha em esquema de emendas e vê aval da cúpula da Câmara

Relatório enviado ao STF afirma que assessora da Presidência da Casa operacionalizava indicações de recursos e atribui ao ex-deputado influência equivalente ou superior à de parlamentares em exercício A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e dava respaldo a indicações de emendas parlamentares atribuídas ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), mesmo sem que ele ocupasse cargo eletivo.Play Video As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles, que teve acesso ao relatório encaminhado pela PF ao Supremo. Cunha é investigado por supostamente ter interferido na indicação de pelo menos 29 emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de mais de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara. PF aponta atuação de servidores da Câmara Segundo os investigadores, Eduardo Cunha utilizava servidores da Câmara para direcionar recursos federais de acordo com seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. A investigação atribui papel central à assessora da Presidência da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. De acordo com a PF, ela seria responsável por operacionalizar o encaminhamento das emendas e organizar a destinação dos recursos. Tuca passou a exercer essa função durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu no cargo após a posse do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A assessora foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro de 2025. Em um dos trechos mais contundentes do relatório, os investigadores afirmam que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Eduardo Cunha. Investigação cita “altíssimo grau de promiscuidade” Para a Polícia Federal, a atuação identificada durante a investigação revela um “altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”. O relatório sustenta que as provas reunidas permitem “concluir que Eduardo Cunha opera como agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional”. A PF também afirma que a suposta interferência do ex-deputado desvirtuaria a finalidade das emendas parlamentares, que deveriam atender a demandas apresentadas por representantes eleitos. “Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, diz o relatório. A Câmara dos Deputados foi procurada pelo Metrópoles para comentar as conclusões da investigação, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original. Relação política com Hugo Motta Eduardo Cunha é apontado nos bastidores da Câmara como um dos aliados políticos de Hugo Motta e também de Arthur Lira. Foi durante a gestão de Cunha na Presidência da Câmara que Motta ganhou maior projeção nacional. Por indicação de Leonardo Picciani, então filiado ao MDB, o parlamentar paraibano assumiu o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras. A CPI contribuiu para o desgaste do governo da então presidente Dilma Rousseff e antecedeu o processo de impeachment, cuja abertura foi admitida pela Câmara em abril de 2016. Hugo Motta votou a favor da instauração do processo. Parlamentares também recordam que Motta contratou Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha e atualmente deputada federal, para prestar serviços de marketing político. Na ocasião, Motta declarou que os pagamentos haviam sido realizados com recursos próprios. Conversas citam “Arthur” e “Hugo” O relatório da Polícia Federal informa ainda que a primeira conversa encontrada entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek em um aplicativo de mensagens ocorreu em setembro de 2025. Segundo os investigadores, Cunha aparentava lamentar uma situação e mencionava contatos com pessoas identificadas como “Arthur” e “Hugo”. Partes da conversa, no entanto, teriam sido apagadas por Mariângela, o que impediu a PF de determinar o contexto integral do diálogo. “Tive ontem com Arthur. Hugo me ligou a noite. Enfim, tentando ajudar. Mas Arthur tem razão”, escreveu Eduardo Cunha, segundo o relatório. A Polícia Federal não afirmou, no trecho divulgado, que as pessoas citadas na mensagem eram necessariamente Arthur Lira e Hugo Motta. O documento registra apenas que não foi possível esclarecer o contexto devido à exclusão de partes da conversa. Defesa nega irregularidades Eduardo Cunha negou ter indicado irregularmente as emendas investigadas. Em nota, afirmou que os recursos foram “oficialmente apresentados e indicados por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”. A defesa sustenta que o ex-deputado apenas participou de articulações políticas legítimas e informou que recorrerá da decisão que determinou o bloqueio de seus bens. “Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”, afirmaram os advogados. Cunha também nega ser o responsável formal pelas indicações. A investigação prossegue no Supremo sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

“Mulher arruma enguiço”: declaração misógina amplia repúdio de eleitoras ao bolsonarismo

Ao justificar o fim da presidência do PL Mulher dizendo que “mulher arruma enguiço com 20”, Valdemar Costa Neto amplia uma sequência de crises que desmonta a estratégia de Flávio Bolsonaro para reduzir a rejeição feminina A estratégia da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para reduzir a histórica rejeição do bolsonarismo entre as mulheres sofreu mais um revés nesta quarta-feira (8). Após participar de um almoço promovido por frentes parlamentares, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, justificou a decisão de extinguir a presidência nacional do PL Mulher após a saída de Michelle Bolsonaro. Ao defender a medida, afirmou que nenhuma dirigente do partido estaria “à altura” da ex-primeira-dama. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de outra mulher assumir a presidência nacional do PL Mulher, respondeu: “Você sabe mulher como é, né? Arruma enguiço com 20. Nós queremos extinguir a presidência nacional.” A declaração de Valdemar se soma a uma sequência de episódios que, em menos de duas semanas, tornou incontornável um traço histórico do bolsonarismo: a misoginia. Michelle Bolsonaro rompeu com Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo afirmou que mulheres “votam estatisticamente muito mal” e, agora, o presidente do PL recorreu a um estereótipo de gênero para justificar o fim da presidência nacional do PL Mulher. A fabricação do “bolsonarista vacinado” O desgaste ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro tenta reduzir a resistência do eleitorado feminino ao bolsonarismo. Desde o início da pré-campanha, aliados do senador trabalhavam para evitar que ele herdasse a rejeição das mulheres ao ex-presidente Jair Bolsonaro, considerada um dos fatores que contribuíram para a derrota da direita em 2022. Entre aliados, a estratégia era sintetizada na ideia de construir um “bolsonarista vacinado”. Flávio intensificou as aparições ao lado da esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, e das filhas, incorporou a imagem de “pai de meninas” à comunicação da campanha, adotou um tom mais moderado em entrevistas e passou a defender a presença de uma mulher na chapa presidencial. As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro e concentram, historicamente, a maior rejeição ao bolsonarismo. Era justamente essa distância que a campanha tentava reduzir. Michele, Figueiredo e Valdemar A primeira fissura veio com o rompimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada, humilhada e “apunhalada” pelo enteado durante divergências sobre alianças políticas no Ceará. A crise retirou da campanha justamente a liderança encarregada de aproximar o bolsonarismo do eleitorado feminino. Dias depois, Paulo Figueiredo ampliou o desgaste ao afirmar que mulheres “votam estatisticamente muito mal”, sobretudo as solteiras. A repercussão obrigou Flávio Bolsonaro a repudiar publicamente a declaração depois de seis dias, mas não impediu que ela fosse associada ao entorno político do senador. Agora, a fala de Valdemar Costa Neto produz um efeito semelhante. Mais do que ampliar a crise, ela corrói a principal narrativa construída pela pré-campanha: a de que seria possível apresentar um Bolsonaro mais moderado sem romper com a cultura política que caracteriza o bolsonarismo. O custo político A sucessão de episódios ocorre em um cenário eleitoral particularmente desfavorável ao bolsonarismo entre as mulheres. Levantamento Meio/Ideia divulgado nesta quarta-feira mostra que 60,6% dos brasileiros rejeitam a declaração de Paulo Figueiredo. Entre as mulheres, nenhuma entrevistada afirmou concordar com a fala. Quase metade (49,6%) discordou totalmente e 25,8% discordaram parcialmente. O mesmo instituto mostra Lula liderando todos os cenários testados para a eleição presidencial de 2026. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% do senador. Outros levantamentos reforçam essa tendência. Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou Lula com 55% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio registra 37%. Os números ajudam a explicar por que o eleitorado feminino se tornou prioridade para a campanha bolsonarista. Mais do que ampliar votos, o objetivo era romper uma barreira que acompanha a família Bolsonaro há anos. Até agora, o movimento tem produzido o efeito contrário. O contraste na disputa pelo voto feminino O contraste torna-se ainda mais evidente porque ocorre em paralelo ao movimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos últimos dias, Lula intensificou uma agenda voltada às mulheres, defendendo o endurecimento das penas para autores de feminicídio, novas medidas de proteção às vítimas de violência e políticas voltadas à autonomia econômica feminina. As declarações reforçam uma agenda construída desde o início do mandato, marcada pela recriação do Ministério das Mulheres, pela Lei da Igualdade Salarial e pela ampliação da rede de enfrentamento à violência de gênero. Em uma eleição na qual as mulheres representam a maioria do eleitorado, a sucessão de acontecimentos das últimas semanas produziu um efeito que vai além do desgaste provocado por declarações individuais. Ela tornou mais difícil para o bolsonarismo sustentar a tentativa de apresentar Flávio Bolsonaro como um candidato capaz de romper com a rejeição feminina herdada do pai e ampliou um contraste que tende a marcar a disputa de 2026: de um lado, um governo que busca disputar esse eleitorado por meio de políticas públicas; de outro, uma oposição cuja tentativa de moderação esbarra, repetidamente, em manifestações de misoginia vindas do próprio campo político.

União-PP deve abandonar Flávio Bolsonaro e anunciar neutralidade nas eleições

Falta de apoio a Márcio Canella, preso pela PF, amplia crise no Rio e leva federação União-PP a se afastar de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto A prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil no Rio de Janeiro, ampliou a crise entre aliados da direita no estado e deve levar a federação União-PP a abandonar o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e anunciar neutralidade nas eleições, segundo Bela Megale, do jornal O Globo. A operação da Polícia Federal contra Canella provocou forte irritação entre dirigentes do União Brasil por dois motivos principais: a percepção de que o PL teria passado a atuar para retirar o ex-prefeito da disputa ao Senado e a ausência de manifestações de apoio, ainda que reservadas, por parte de Flávio Bolsonaro.Canella, aliado de Flávio no Rio, foi preso na quarta-feira (8) depois que um fuzil foi encontrado em seu carro. Ele foi um dos alvos da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro.Mesmo após a prisão, lideranças do União Brasil avaliam que ainda há possibilidade de Canella ser solto e de sua pré-candidatura ao Senado ser mantida. A legenda, no entanto, passou a enxergar com desconfiança a movimentação de aliados do PL em torno do caso.Dirigentes do União atribuem a correligionários do partido de Flávio Bolsonaro a circulação da versão de que Canella poderia deixar a disputa majoritária e concorrer a deputado. Para integrantes da sigla, essa articulação teria como objetivo abrir espaço para que o PL indique um nome próprio na chapa ao Senado no Rio.A irritação também aumentou diante do silêncio de Flávio Bolsonaro após a ação da Polícia Federal contra seu aliado. A cúpula do União Brasil esperava algum gesto político do senador, mesmo discreto, mas afirma que não houve manifestação de apoio.O desgaste se soma a uma insatisfação anterior do PP, outro partido da federação, com a postura de Flávio Bolsonaro. O presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), já havia demonstrado contrariedade depois de ser alvo da Polícia Federal na investigação relacionada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.Ciro Nogueira já vinha descartando a possibilidade de apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Com a prisão de Canella e a reação negativa do União Brasil, a tendência dentro da federação é de distanciamento ainda maior em relação ao projeto eleitoral do senador do PL no Rio de Janeiro.

Moraes atende defesa e prorroga prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta sexta-feira (03) a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão saiu após a defesa reiterar o pedido para que ele permanecesse em casa. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, por decisão de Moraes, depois de permanecer internado no Hospital DF Star, em Brasília, para tratamento de uma broncopneumonia bacteriana. Nas últimas semanas, a defesa afirmou que o ex-presidente voltou a apresentar crises de soluço e pediu novos exames.O prazo inicial de 90 dias expirou na quinta-feira (25). Durante esse período, Bolsonaro cumpriu as regras impostas pelo ministro, e os relatórios da Polícia Militar do Distrito Federal não apontaram descumprimento das restrições.No mesmo período, a PMDF apreendeu uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem envolvendo um agente de segurança. O caso levou à abertura de um inquérito. Ao longo da prisão domiciliar, Bolsonaro recebeu a visita de quase todos os filhos.A exceção foi Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos. Moraes restringiu os encontros na residência a um grupo previamente autorizado. Além dos filhos e netos autorizados, profissionais de saúde, prestadores de serviço, seguranças e funcionários puderam entrar no imóvel.Bolsonaro mora com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura e uma sobrinha, que não precisam de autorização judicial por viverem na residência. A exigência de autorização vale para outros familiares. As netas do ex-presidente, por exemplo, precisaram de aval de Moraes para entrar no local.O ministro manteve a proibição de Bolsonaro usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indireta, inclusive por intermédio de terceiros. O ex-presidente deixou a residência apenas uma vez, para realizar um procedimento no ombro, ficou internado por quatro dias e depois retornou à prisão domiciliar.Diferentemente do período em que cumpriu prisão domiciliar em 2025, Bolsonaro não recebeu visitas de aliados políticos desta vez. Moraes impôs a restrição ao conceder a prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de evitar a exposição do ex-presidente a novas doenças diante do quadro de saúde considerado vulnerável.