Gritos, socos na mesa e dedo na cara… A saída caótica de Marcelão do QG de Flávio Bolsonaro

Ex-policial que comandava a comunicação da pré-campanha do senador surtou com a equipe e acabou demitido pela cúpula do PL Os últimos dias de Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, no comando da comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram caóticos, segundo a revista Veja. A saída ocorreu uma semana após a exposição da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado e preso em operação da Polícia Federal.Integrantes da campanha relataram que Marcelão que ele discutiu com membros da equipe de pré-campanha no Lago Sul, em Brasília, apontou o dedo para colegas e acusou o grupo de vazar informações sobre ele para a imprensa.Durante o confronto, ele também ameaçou identificar e responsabilizar os supostos responsáveis pelos vazamentos. O episódio foi acompanhado por gritos e discussões que mobilizaram integrantes da estrutura política ligada ao senador.Interlocutores afirmam ainda que Marcelão deu socos em uma mesa de vidro e quebrou objetos dentro da produtora responsável pelos trabalhos de comunicação. A situação chegou ao conhecimento de dirigentes do PL. Um integrante da cúpula do partido procurou Flávio para relatar o episódio e disse que havia preocupação com o ambiente interno da pré-campanha após a confusão no comitê.Após a crise, Flávio decidiu promover mudanças na equipe de comunicação. Embora pessoas próximas a Marcelão tenham dito que ele optou por deixar o cargo, aliados do senador afirmam que a decisão partiu da própria campanha. “Ele não pediu pra sair. Foi demitido”, declarou um interlocutor.Com a saída de Marcelão, a coordenação da comunicação da pré-campanha passa a ser comandada por Eduardo Fischer. A troca ocorre em meio aos esforços da equipe para reorganizar a estratégia eleitoral e conter os efeitos da crise com Vorcaro.

STF forma maioria para tornar réus acusados de obstruir caso Marielle

Falta Cármen Lúcia que pode votar em plenário virtual até sexta-feira A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria na manhã desta quinta-feira (21) para tornar réus três integrantes da Polícia Civil do Rio de Janeiro investigados por obstrução de Justiça e associação criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.Até o momento, votaram pela abertura de uma nova ação penal sobre o caso os ministros Alexandre de Moraes, relator, Cristiano Zanin e Flávio Dino, que votou nesta quinta formando a maioria. Falta o voto apenas de Cármen Lúcia, que tem até sexta-feira (22) para votar na sessão virtual.Entre os acusados está Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil fluminense que já foi condenado, em fevereiro, a 18 anos de prisão por sua participação para atrapalhar a apuração do crime. Os outros dois investigados, que agora devem se tornar réus, são o delegado Giniton Lages e o comissário de polícia Marco Antonio de Barros Pinto, conhecido como Marquinho HP.Serei o maior fã do Bournemouth de todos os tempos. Arteta já se prepara para o próximo jogo do Manchester City após a vitória por 10 a 0 sobre o Burnley..mp4Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), os acusados cometeram atos para desaparecer com provas, incriminaram pessoas inocentes, usaram testemunhas falsas e realizaram diligências desnecessárias para “garantir a impunidade” dos mandantes e executores do assassinato.Em fevereiro, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram sentenciados a 76 anos e três meses como mentores do crime, cuja motivação foram disputas em torno da grilarem de terras na Zona Oeste do Rio de Janeiro, conforme os autos do processo.Os irmãos Brazão foram condenados pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado. DefesasAntes do julgamento, a defesa de Rivaldo defendeu a rejeição da denúncia por falta de provas e disse que o ex-chefe da Polícia Civil do Rio foi acusado com base em inferências.Os advogados de Giniton afirmaram que ele não tem foro privilegiado e não pode ser julgado pelo Supremo.A defesa de Marco Antonio de Barros afirmou que nenhum elemento de prova foi produzido e que o trabalho da polícia resultou na prisão de Ronnie Lessa, delator e executor do crime.

Lula assina decretos para responsabilizar big techs por crimes digitais

Medidas atualizam regras do Marco Civil da Internet, exigem retirada imediata de conteúdos ilegais e criam proteção específica para mulheres e meninas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (20) dois decretos que estabelecem novas regras para a atuação das plataformas digitais no Brasil, em uma ofensiva do governo para ampliar a responsabilização das big techs diante da circulação de conteúdos criminosos na internet.As informações são da Reuters, em reportagem de Lisandra Paraguassu. Segundo o Palácio do Planalto, uma das medidas atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet e poderá permitir a responsabilização das plataformas em casos de atividades criminosas, seguindo parâmetros definidos pelo Supremo Tribunal Federal.Pelas novas regras, as empresas deverão criar canais para denúncias de crimes e práticas ilícitas, verificar os conteúdos apontados e retirar imediatamente o que for considerado ilegal. As plataformas também terão de preservar dados que permitam a eventual identificação e responsabilização dos autores.O decreto determina ainda que as big techs adotem medidas preventivas para impedir a circulação de conteúdos ligados a crimes graves, como terrorismo, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas, incentivo à automutilação e violência contra mulheres.No caso de publicidade paga que incentive crimes, as empresas de mídias digitais poderão ser responsabilizadas quando houver “falhas recorrentes” na adoção de medidas de prevenção e retirada de conteúdos.Ficam fora das novas regras serviços como WhatsApp, outros aplicativos de mensagens, e-mails e plataformas de videoconferência. Segundo nota do Palácio do Planalto citada pela Reuters, a exclusão ocorre porque “a Constituição preserva o direito ao sigilo das comunicações”. Proteção contra crimes digitais contra mulheresO segundo decreto assinado por Lula tem foco específico no combate a crimes contra mulheres nos ambientes digitais. A norma obriga as plataformas a criarem canais próprios para denúncia de conteúdos íntimos divulgados sem consentimento, ameaças, perseguição e assédio contra mulheres e meninas.Nesses casos, as empresas deverão retirar o conteúdo em até duas horas, preservando as informações necessárias para que os autores possam ser identificados em investigações.O decreto também proíbe o uso de inteligência artificial para “produção de imagens íntimas falsas ou sexualizadas de mulheres” e obriga as plataformas a atuarem preventivamente para impedir esse tipo de prática.As medidas reforçam a tentativa do governo Lula de regular a atuação das big techs no país em temas relacionados à segurança digital, proteção de direitos fundamentais e combate a crimes cometidos ou disseminados por meio das plataformas.

Virgínia posta vídeo beijando macaco e recebe enxurrada de comentários racistas contra Vini Jr.

Vídeo publicado por Virginia Fonseca durante uma viagem a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, gerou forte repercussão Um vídeo publicado por Virginia Fonseca durante uma viagem a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, gerou forte repercussão nas redes sociais nesta terça-feira (19) e abriu espaço para ataques racistas contra Vini Jr., jogador do Real Madrid e ex-namorado da influenciadora.Virginia aparece nas imagens em um zoológico, interagindo com animais, e beija um macaco após ser incentivada por pessoas que estavam no local. Na gravação, ela brinca: “Que pegada foi essa?”.A publicação viralizou rapidamente em páginas de entretenimento e perfis de fofoca. A repercussão, no entanto, passou a ser marcada por comentários preconceituosos que relacionavam Vini Jr. às imagens divulgadas pela influenciadora.Usuários das redes sociais reagiram às mensagens racistas e cobraram responsabilização de Virginia Fonseca pelas publicações. Também houve críticas a páginas que mantiveram comentários ofensivos visíveis, sem moderação adequada.O caso ganhou ainda mais repercussão pelo histórico de ataques racistas sofridos por Vini Jr. O atacante brasileiro tem sido alvo recorrente de ofensas dentro e fora dos gramados, em episódios que mobilizaram entidades esportivas, torcedores e autoridades.Um dos casos ocorreu durante uma partida contra o Benfica, pela Champions League, quando torcedores rivais insultaram o jogador brasileiro. O episódio se somou a uma série de manifestações discriminatórias já registradas contra o atleta ao longo de sua carreira na Europa.Vini Jr. tem se posicionado publicamente contra o racismo e se tornou uma das principais vozes do futebol mundial no enfrentamento a esse tipo de crime. Em maio, o atacante lançou um escritório de advocacia gratuito voltado ao atendimento de vítimas de crimes raciais no Brasil.A nova onda de ataques nas redes sociais reforçou o debate sobre a responsabilidade de influenciadores, páginas de entretenimento e plataformas digitais na contenção de comentários discriminatórios. Para usuários que criticaram a repercussão do vídeo, a exposição do conteúdo sem controle contribuiu para a circulação de ofensas racistas contra o jogador.A imagem usada na publicação original mostra Virginia Fonseca com o macaco em um zoológico em Dubai.

Lula destrava 12 anos de espera e entrega maior pacote oncológico do SUS

Pacote histórico de R$ 2,2 bi desbloqueia tratamentos, incorpora cirurgia robótica e reforça transporte de pacientes pelo SUS em todo o Brasil O presidente Luiz Inácio Lula Silva visitou nesta sexta-feira, 15 de maio, o Hospital de Amor (HA), em Barretos (SP), e anunciou o maior conjunto de medidas já realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população ao tratamento oncológico. Acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula assinou um pacote de R$ 2,2 bilhões que garante 100% da demanda de medicamentos contra o câncer na rede pública, além de inaugurar o financiamento inédito de cirurgias robóticas pelo SUS e anunciar nova regulamentação do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. Medicamentos que esperavam até 12 anos chegam ao povo Entre as medidas centrais está a criação de uma nova tabela de financiamento do SUS para 23 medicamentos oncológicos de alto custo, contemplando 18 tipos de câncer — entre eles mama, pulmão, leucemia, ovário e estômago. O anúncio representa um aumento de 35% na oferta de fármacos na rede pública de saúde e beneficiará 112 mil pacientes em todo o Brasil. Na ocasião, Alexandre Padilha afirmou que o governo está consolidando “a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer do mundo”. “No câncer, tempo é vida”, destacou o ministro. Parte desses tratamentos, embora já incorporados ao SUS, aguardava há até 12 anos para chegar de fato à população. Para quem fosse buscar o mesmo tratamento na rede privada, o custo poderia chegar a R$ 630 mil por paciente — um valor inacessível para a esmagadora maioria dos brasileiros. Dez dos novos medicamentos serão adquiridos diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os demais serão disponibilizados via Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), com financiamento federal e Ata de Negociação Nacional, por meio dos centros habilitados no país. A iniciativa integra o Componente de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), política nacional de cuidado contínuo no SUS. Cirurgia robótica oncológica chega ao SUS pela primeira vez Outro marco do anúncio é a criação, pela primeira vez na história, do financiamento permanente de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública. Para o tratamento do câncer de próstata, o investimento é de R$ 50 milhões, com capacidade para beneficiar cerca de 5 mil homens. A tecnologia robótica permite ao cirurgião maior precisão e melhor visualização das estruturas anatômicas, resultando em menor perda sanguínea e redução da necessidade de transfusões. Segundo Padilha, a tecnologia permitirá cirurgias menos invasivas, mais precisas e com menor perda sanguínea. “É a inclusão definitiva da cirurgia robótica no Sistema Único de Saúde”, afirmou. Com foco nas mulheres, o governo também ampliou o acesso à cirurgia de reconstrução mamária. O direito à cirurgia plástica reconstrutiva, que antes se limitava às sequelas do tratamento de câncer, passa a abranger todos os casos de mutilação mamária, total ou parcial. O investimento estimado é de R$ 27,4 milhões por ano — um crescimento de 13% em relação a 2025 — visando a reabilitação física e psicológica integral das pacientes. Agora Tem Especialistas: veículos, aceleradores e conectividade O programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde ganhou nova regulamentação e reforço de estrutura. Foram entregues 15 veículos para transporte de pacientes (oito micro-ônibus e sete vans), 22 veículos do SAMU e uma Unidade Móvel Odontológica. Lula adiantou que o Ministério da Saúde distribuirá 3,3 mil veículos acessíveis para cidades de todo o Brasil — parte deles com equipamentos para embarque e desembarque de pessoas com deficiência física, que o próprio presidente testou durante a visita. Também foi anunciada a compra de até 80 aceleradores lineares, equipamentos essenciais para o tratamento de radioterapia. A aquisição deve ampliar em 25% a oferta desse tipo de tratamento em apenas um ano. Na área de conectividade e segurança digital, o Ministério da Saúde repassará R$ 129 milhões ao Hospital de Amor e formalizará um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Ministério das Comunicações para a criação da Rede Saúde Brasil de Cibersegurança. A iniciativa integra, com alta capacidade e transmissão segura em tempo real, as unidades de Barretos (SP) e Porto Velho (RO), onde serão realizadas cirurgias robóticas colorretais, ginecológicas e urológicas. O investimento preliminar é de R$ 2 milhões, com vigência de 30 meses. Centro de pesquisa e formação de profissionais Lula participou ainda do anúncio da construção do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do hospital, que se soma ao Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD), cuja filial brasileira completa 15 anos. Desde 2011, o instituto capacitou mais de 20 mil profissionais, disseminando protocolos cirúrgicos e padrões de excelência para médicos do Brasil e do exterior. O Hospital de Amor já ocupa posição de destaque no cenário da pesquisa clínica nacional: em 2025, realizou 9.503 atendimentos na área, manteve 233 protocolos ativos e acompanhou 792 pacientes em tratamento. Na cirurgia robótica, a instituição é pioneira entre as filantrópicas do país, com o primeiro sistema instalado em 2014 e 3.889 procedimentos realizados desde então. Com a chegada de um segundo sistema robótico, a média anual de pacientes atendidos saltou de 400 para 680. “O objetivo é garantir ao povo mais humilde o direito aos mesmos exames que qualquer presidente da República faz em qualquer lugar do mundo”, disse Lula durante a visita. Um hospital que é símbolo do que o SUS pode ser Com 64 anos de história, o Hospital de Amor é o maior centro oncológico de atendimento 100% gratuito da América Latina. Com sede em Barretos (SP), a instituição mantém oito unidades de tratamento, 23 unidades fixas de prevenção e 52 unidades móveis em operação no país, alinhando alta tecnologia, pesquisa de ponta e cuidado humanizado no contexto do SUS. Ao visitar o hospital, Lula reiterou a defesa intransigente do sistema público de saúde e relembrou seu papel durante a pandemia de Covid-19: “Se não fosse o SUS, o Brasil teria perdido o dobro de pessoas.” O presidente defendeu a ampliação contínua dos investimentos na saúde pública, afirmando que governar

Imprensa internacional diz que campanha de Flávio Bolsonaro afunda antes de começar

Ligação do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, repercutiu em jornais estrangeiros A imprensa internacional tem repercutido a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O áudio revelado pelo site Intercept Brasilabalou a pré-campanha de Flávio à presidência. Interlocutores do seu partido já especulam a possibilidade de substituição na cabeça de chapa. A agência norte-americana de notícias Bloomberg indica que a campanha de Flávio pode ter acabado antes de começar: “Mensagens de áudio vazadas que ligam o candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, ao homem no centro de um escândalo de fraude bancária bilionária, ameaçam afundar a campanha do senador de direita antes mesmo de ela começar.” No texto, a reportagem indica que as revelações são as “mais explosivas” dentro do amplo escândalo do Banco Master, “uma saga que abalou o setor financeiro e inflamou a fúria dos brasileiros com a má conduta da elite.” O jornal ainda salienta que o áudio “reforça a ligação direta entre a estrutura de poder político de Bolsonaro e de Vorcaro: na semana passada, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira, que atuou como ministro-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, alegando que o influente parlamentar usou sua influência para ajudar o Vorcaro a expandir os negócios do banco em troca de propinas e subornos.” O Clarín destaca na sua manchete que Flávio pediu dinheiro para o filme de seu pai ao banqueiro preso. O jornal argentino expõe aos seus leitores que o Banco Master está envolvido em um “enorme escândalo de corrupção”. O La Nación, também da Argentina, tem dado bastante repercussão ao tema, evidenciando que o escândalo de corrupção avança sobre o senador, com uma crise de “proporções incalculáveis” que já afeta a sua pré-campanha. Segundo o jornal, a ligação entre o senador e Vorcaro ameaça reconfigurar o cenário político na véspera da eleição. Para completar, o texto ainda coloca que Flávio agora está potencialmente na mira do sistema judiciário, como também questiona seu discurso de transparência. O espanhol El Mundo avaliou que o prejuízo à candidatura de Flávio é significativo, que a direita está em uma zona de turbulência e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, surge como uma alternativa a ele. Leia mais: Esquerda pede prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e quebra de sigilos A agência de notícias britânica Reuters destacou que os mercados financeiros foram abalados com a ligação do senador com um “banqueiro desonrado”. A agência ressalta que o dólar voltou a subir e a bolsa a cair com a revelação. Além disso, a reportagem passa pelo histórico fraudulento do Master e a possível derrocada de Flávio na disputa eleitoral, além de lembrar aos leitores que Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar pela condenação a 27 anos por conspirar por um golpe de Estado. Por fim, a agência Associated Press, dos Estados Unidos, indica na manchete que Flávio é pré-candidato e que ele negou irregularidades no pedido de dinheiro a Vorcaro. No entanto, a reportagem replicada pelo The Washington Post evidencia a hipocrisia de Flávio, que, horas antes da revelação feita pelo Intercept, negou a jornalistas qualquer ligação com o banqueiro, sendo que já havia feito isso no mês de março, quando foi revelado que seu nome estaria entre os contatos do banqueiro.

Intercept revela proximidade entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro: “estarei contigo sempre”

Mensagens indicam que o senador articulou R$ 134 milhões com o dono do Banco Master para financiar filme sobre a biografia de Jair Bolsonaro Uma investigação detalhada publicada pelo portal Intercept Brasil nesta quarta-feira (13) revela a estreita conexão financeira e pessoal entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025. Os registros, que incluem áudios e capturas de tela do aplicativo WhatsApp, indicam que o parlamentar negociou o repasse de 24 milhões de dólares – aproximadamente R$ 134 milhões – para o financiamento de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Segundo a apuração, pelo menos 10,6 milhões de dólares (R$ 61 milhões) foram efetivamente pagos entre os meses de fevereiro e maio de 2025. A trama dos pagamentos internacionais Os documentos obtidos apontam que os recursos foram destinados ao Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas, Estados Unidos. O controle da operação financeira estaria nas mãos de aliados do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), como o advogado Paulo Calixto e o corretor Altieris Santana. A investigação sugere que, devido a dificuldades operacionais no setor de câmbio do Banco Master, Vorcaro teria orientado a realização dos aportes por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa que as autoridades suspeitam ser controlada ocultamente pelo banqueiro. O envolvimento direto de Flávio Bolsonaro é evidenciado em mensagens enviadas em novembro de 2025, pouco antes da prisão do dono do Banco Master. Em uma das trocas, o senador afirma que “não tem meia conversa” entre os dois e garante apoio total ao empresário: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. Vorcaro foi detido pela Polícia Federal enquanto tentava deixar o país, após a descoberta de uma fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), levando à liquidação de sua instituição financeira pelo Banco Central. Intermediação política e pressão por recursos Além do clã Bolsonaro, a articulação para a produção internacional contou com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura. Em áudios enviados ao banqueiro, Frias agradece o apoio ao projeto cinematográfico, ressaltando a importância simbólica da obra para o país. Outro nome central é o de Thiago Miranda, empresário que teria organizado os encontros presenciais em Brasília para tratar do fluxo de caixa destinado à produção. A pressão por recursos se intensificou no segundo semestre de 2025, conforme revelam áudios enviados por Flávio Bolsonaro a Vorcaro. No material, o senador demonstra preocupação com o risco de paralisação das filmagens e a possibilidade de inadimplência com profissionais renomados do cinema americano, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em resposta, o banqueiro tratou o projeto como prioridade absoluta, orientando que os pagamentos não poderiam falhar.Contradições e silêncio dos envolvidos As provas apresentadas pelo Intercept confrontam declarações anteriores do senador, que havia negado qualquer vínculo de sua família com o Banco Master. Questionado presencialmente pela reportagem da Intercept sobre o financiamento nesta quarta-feira (13), em Brasília, Flávio Bolsonaro afirmou que a informação era mentirosa e encerrou a entrevista com uma gargalhada. Até o momento, as defesas de Daniel Vorcaro e de Eduardo Bolsonaro não se manifestaram sobre o teor das mensagens. O filme “Dark Horse” tem previsão de lançamento para setembro de 2026, poucas semanas antes do pleito eleitoral brasileiro. A Bolsa de Valores operou negativamente após a divulgação da conexão financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Ciro Gomes diz que não disputará a Presidência e confirma candidatura no Ceará

Ex-ministro diz que candidatura ao governo do Ceará será oficializada no próximo final de semana O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) decidiu não disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A informação foi divulgada inicialmente pelo G1 nesta segunda-feira (11), durante participação do político no Fórum Otimista Brasil 2026, promovido pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo.Ciro confirmou que irá concentrar seus esforços na política estadual e anunciou que oficializará sua candidatura ao governo do Ceará no próximo dia 16 de maio. Durante o evento, ele explicou que a escolha foi motivada pela prioridade dada ao cenário político cearense.“Apesar do amor pelo Brasil”, declarou Ciro Gomes, “desta vez pesou mais” a decisão de disputar o comando do Ceará.O ex-governador participou de um painel voltado à discussão da atual conjuntura política e social do país. A declaração encerra meses de especulação sobre uma possível nova candidatura presidencial do ex-ministro, que já disputou o Palácio do Planalto em quatro ocasiões.Em 2022, Ciro teve o pior desempenho eleitoral de sua trajetória política. Naquele pleito, quando ainda integrava o PDT, terminou a corrida presidencial em quarto lugar, com cerca de 3% dos votos válidos em nível nacional.Mesmo após retornar recentemente ao PSDB, o ex-ministro vinha mantendo em aberto a possibilidade de disputar novamente a Presidência. Em declarações anteriores, afirmou que analisaria o convite da legenda antes de tomar uma decisão definitiva.“Eu me obrigo, por respeito, a pensar e amadurecer o assunto, e devo no fim da primeira quinzena de maio tomar essa decisão”, havia afirmado anteriormente.Com a decisão, o cenário político no Ceará ganha novos contornos para 2026. Ciro Gomes volta a direcionar sua atuação ao estado onde construiu grande parte de sua carreira política, tendo exercido os cargos de prefeito de Fortaleza, governador e parlamentar.

Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria até julgamento do STF

Ministro barra pedidos imediatos de redução de pena de condenados pelo 8 de Janeiro e cita “segurança jurídica” diante das ações que questionam a constitucionalidade da norma O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu neste sábado (9) a aplicação da chamada Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) até que o plenário da Corte julgue as ações que questionam a constitucionalidade da norma.A decisão impede, por ora, que condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 obtenham redução de pena ou flexibilização de progressão de regime com base na nova legislação.Moraes passou a adotar o entendimento após as defesas dos golpistas acionarem o STF pedindo a aplicação imediata da lei.O ministro já aplicou a decisão em pelo menos nove execuções penais, entre elas a da bolsonarista Nara Faustino de Menezes, condenada a 16 anos e seis meses de prisão pelos ataques às sedes dos Três Poderes.Na decisão, Moraes afirmou que a apresentação das ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) 7.966 e 7.967 criou um “fato processual novo e relevante” que pode influenciar diretamente a análise dos pedidos feitos pelas defesas.Por isso, determinou a suspensão da aplicação da norma “por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo Supremo Tribunal Federal”.O despacho do ministro estabelece que as execuções penais devem seguir “em seus exatos termos, conforme transitado em julgado”, mantendo todas as medidas já impostas aos condenados.Segundo o advogado Paulo Guimarães, ouvido pelo Portal Vermelho, a decisão serve como sinalização para que outros órgãos do Judiciário adotem a mesma postura até que o plenário do STF julgue o mérito das ações.A Lei da Dosimetria foi promulgada na última sexta-feira (8) pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), após deputados e senadores derrubarem o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em benefício dos golpistas.A norma altera regras da Lei de Execução Penal e do Código Penal para permitir mudanças na soma de penas, na progressão de regime e na redução de punições em crimes cometidos em contexto de multidão.As ações contra a lei foram apresentadas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela federação PSOL-Rede e também pelos partidos PCdoB, PT e PV.As legendas pedem ao STF a suspensão imediata da norma e alegam que a nova legislação enfraquece a proteção ao Estado Democrático de Direito ao criar mecanismos de redução automática de penas para condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.Na ação protocolada pelos três partidos, as legendas argumentam que a lei reduz drasticamente o tempo de prisão ao impedir a soma de penas em crimes contra as instituições democráticas e cria benefícios automáticos para delitos cometidos em multidão.As siglas também sustentam que houve irregularidades na tramitação da proposta no Congresso e classificam a medida como um “retrocesso social” na proteção da democracia brasileira.Ao assumir a relatoria das ADIs, Moraes determinou que Presidência da República e Congresso Nacional prestem informações em até cinco dias. Depois disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) terão três dias cada para se manifestar antes da análise do caso pelo plenário do STF.

Alcolumbre promulga Lei da Dosimetria, que reduz penas dos condenados por tentativa de golpe

Promulgação se deve à derrubada do veto integral do presidente Lula ao projeto de lei O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou nesta sexta-feira (8) a Lei da Dosimetria. A medida ocorre após o Legislativo derrubar o veto total do presidente Lula ao texto, que beneficia diretamente os golpistas envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.A nova lei, que será publicada em edição extra do Diário Oficial da União, altera o cálculo das punições para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Agora, os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.Na prática, a lei desidrata a resposta institucional aos atos golpistas de 8 de janeiro. O presidente Lula havia vetado o projeto por entender que ele viola o interesse público.O principal beneficiado pela nova regra é o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu a pena mais alta aplicada pelo STF, de 27 anos e três meses de prisão.A medida também favorece a cúpula militar ligada ao governo anterior. Entre os nomes que podem ter penas reduzidas estão os generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto. Os ex-ministros Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier também estão no grupo que aguarda o alívio nas sentenças.Para obter o benefício, os golpistas condenados devem acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). As defesas precisam protocolar pedidos individuais de recálculo de pena, e caberá à Corte aplicar os novos parâmetros de penas mínimas e máximas definidos pelos parlamentares.Até o momento, o STF já condenou cerca de 1,4 mil pessoas pelos atos antidemocráticos. Desse total, 431 golpistas receberam penas de prisão. Outros 419 cumprem penas alternativas e 552 assinaram acordos de não persecução penal.O levantamento do Supremo mostra que o maior grupo de condenados (404) recebeu apenas um ano de prisão. Outro grupo de 213 pessoas havia sido sentenciado a 14 anos de reclusão. Agora, todas essas condenações poderão ser revistas para baixo. Manobra no CongressoPara viabilizar a derrubada do veto, Alcolumbre realizou uma manobra no Congresso. Ele retirou da votação um trecho do projeto que facilitava a progressão de regime para crimes graves, como feminicídio. Esse trecho contrariava a Lei Antifacção, que endureceu as regras para criminosos comuns.Ao declarar a “prejudicialidade” dessa parte, o presidente do Senado desmembrou o veto integral de Lula. Assim, o Congresso focou apenas em garantir o benefício jurídico aos golpistas do 8 de janeiro, preservando as regras rígidas para outros crimes hediondos.