Bispos encerram 2025 com mensagem de esperança e alertas ao Brasil

Presidência da CNBB destaca avanços sociais e econômicos, mas manifesta preocupação com retrocessos éticos, democráticos e o aumento das desigualdades A poucos dias do encerramento de 2025, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem ao povo brasileiro marcada pela reafirmação da esperança cristã e por uma leitura crítica da realidade nacional. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma situação de escuridão é definitiva e apontam a esperança como força capaz de transformar a história.A mensagem foi publicada originalmente no site oficial da CNBB, em nota assinada pela Presidência da entidade na segunda-feira (29). No texto, os bispos reconhecem que o ano foi marcado por avanços relevantes em diferentes áreas da vida nacional, ao mesmo tempo em que expressam profunda inquietação diante de desafios persistentes e de sinais de retrocesso no campo ético, social e democrático.Entre os pontos positivos destacados, a CNBB menciona o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a melhora de indicadores econômicos, como a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto. A mensagem também ressalta iniciativas ligadas à sustentabilidade, como a realização da COP30 no Brasil, o protagonismo do país no campo das energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Experiências de participação popular e de cooperativismo são apontadas como sinais encorajadores de organização social e compromisso comunitário.Ao mesmo tempo, o documento manifesta preocupação com uma série de problemas que seguem afetando o país. Entre eles, os bispos citam o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética na vida pública, o crescimento da corrupção e a fragilização das instituições democráticas. Também são mencionadas a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental e a permanência de profundas desigualdades sociais.A Presidência da CNBB chama atenção ainda para o aumento da violência, com destaque para os casos de feminicídio, e para a disseminação de discursos de ódio e de radicalismos, considerados fatores que dificultam o diálogo e aprofundam divisões na sociedade brasileira.No campo dos valores, a mensagem reafirma a defesa da vida humana “da concepção ao fim natural”, posicionando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto. Ao mesmo tempo, os bispos sublinham que a defesa da vida não pode ser dissociada do enfrentamento da fome, da miséria e da desigualdade social, entendidas como violações concretas da dignidade humana.A democracia é apresentada como um patrimônio do povo brasileiro que exige cuidado permanente, diálogo e compromisso com o bem comum. Nesse sentido, a CNBB destaca que a preservação da vida democrática depende da participação responsável da sociedade e do fortalecimento das instituições.Ao concluir a mensagem, a Presidência da CNBB convoca a população a assumir o compromisso de ser construtora da paz, promotora da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho possível para a pacificação e a reconstrução do país diante dos desafios do tempo presente. Confira a mensagem na íntegra: MENSAGEM DE ANO NOVO “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza. Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna. Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de
Jovem Pan se desculpa por fake news sobre taxação do Pix, após programa Pânico voltar a espalhar mentira

Ministério da Fazenda e Receita Federal alertam para volta das informações falsas nas redes sociais A Rede Jovem Pan pediu desculpas e publicou um “Erramos”, nesta segunda (29), por disseminar fake news sobre a falsa taxação do Pix. A retratação acontece após o Ministério da Fazenda e Receita Federal publicarem alertas do retorno de notícias falsas sobre o Pix nas redes sociais, dias depois do apresentador Emílio Surita, do programa Pânico, voltar a falar que transações financeiras acima de R$ 5 mil seriam tributadas pelo governo federal. “A Jovem Pan pede desculpas pelo erro e reafirma o compromisso com a correção e a veracidade das informações veiculadas em sua programação”, destaca a nota da empresa de comunicação. O Pânico é veiculado nas rádios e canais digitais da Jovem Pan e na Jovem Pan News, canal por assinatura da rede. Em nota publicada no portal, o Ministério da Fazenda classificou os boatos como uma tentativa deliberada de enganar a população. Além da inexistente cobrança sobre as transferências, o ministério negou a criação de uma multa de 150% para quem não declarasse tais valores, reiterando que a Constituição Federal proíbe a tributação de movimentações financeiras nestes moldes. “A única verdade que mensagens falsas não querem contar é que: a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do imposto de renda e quem ganha até R$ 7.350 terá desconto. Isso é o que os autores dessas mensagens falsas não querem que a população saiba. Não caia em fake news!”, disse o comunicado do órgão. A Receita Federal também se manifestou, enfatizando que a disseminação de pânico financeiro prejudica o debate público e beneficia apenas grupos interessados em desinformar. Em 15 de janeiro, o Ministério da Fazenda revogou a normativa da Receita Federal que tratava da medida. A regra apenas elevava os valores das movimentações que os bancos iriam informar sobre transações. Era de R$ 2 mil iria para R$ 5 mil para pessoas físicas e de R$ 6 mil para R$ 15 mil para pessoas jurídicas. A norma não tratava de de tributação. Segundo o órgão, o foco da política tributária atual é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil a partir de janeiro, além de oferecer descontos para rendas de até R$ 7.350. Brasil de Fato
Com trabalhadores em greve, Correios anunciam fechamento de agências e demissões

Plano prevê demissão de até 15 mil funcionários e foi rechaçado por carteiros: “seguimos sem ser ouvidos” A crise nos Correios ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (29), com o anúncio de um plano de reestruturação da estatal. Em meio a uma greve nacional da categoria, a direção da empresa confirmou que pretende fechar mil agências e abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com meta de desligar até 15 mil trabalhadores, o que representa quase um quinto da força de trabalho atual. A medida, apresentada como solução para a fragilidade financeira da estatal, foi recebida com indignação por carteiros e entidades representativas. “Falam em modernização, mas o que a gente vê é fechamento de agência e corte de pessoal. Nada disso garante que o serviço vai melhorar”, afirma Suzy Cristiny, trabalhadora dos Correios e presidenta do sindicato da categoria no Acre. “É um plano que esvazia os Correios por dentro. Um triste episódio do desmonte”, completa. A proposta da empresa chega em meio à greve iniciada pela categoria no último dia 16. Após semanas de mediação, houve uma audiência de conciliação nesta segunda pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), cujo resultado não foi divulgado até o início da noite. O julgamento do dissídio coletivo está previsto para esta terça-feira (30). O plano de reestruturação foi detalhado pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, durante coletiva em Brasília. Segundo ele, a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a cinco grandes bancos, com aval do Tesouro Nacional, é essencial para garantir liquidez e evitar o colapso operacional da empresa. O valor deve ser utilizado para quitar dívidas em atraso e dar fôlego ao fluxo de caixa. Outras frentes do plano incluem: Fechamento de mil agências consideradas “deficitárias”;Demissão voluntária para até 15 mil funcionários, com economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões;Venda de imóveis não operacionais, que pode gerar até R$ 1,5 bilhão;Revisão do plano de saúde Postal Saúde, para cortar R$ 700 milhões anuais;Investimentos futuros de R$ 4,4 bilhões em automação, tecnologia da informação, e frota, previstos para o período de 2027 a 2030.“O crédito nos permite interromper a espiral negativa herdada, recuperar a capacidade operacional da empresa e avançar com segurança na reestruturação”, disse Rondon. Mas, segundo ele, o valor captado agora pode não ser suficiente: os Correios projetam necessidade adicional de R$ 8 bilhões em 2026, ainda sem definição de origem. Julgamento será nesta terça (30)Enquanto a direção aposta na reestruturação, trabalhadores seguem em greve. Após rejeitarem a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), sindicatos pedem: Reposição da inflação nos salários;Reedição do ACT anterior;Aporte federal para garantir a operação da estatal.Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida, a proposta da empresa nega direitos e consolida o sucateamento iniciado no governo anterior. “A maioria esmagadora rejeitou o acordo porque ele não prevê reposição salarial. É um direito básico, garantido até pela jurisprudência do próprio TST”, afirmou. Na tentativa de evitar agravamento da paralisação, o presidente do TST determinou, por liminar, a manutenção de 80% do efetivo em operação, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia aos sindicatos. Mas a mobilização cresceu desde o dia 23, quando sindicatos intensificaram a adesão. “Não estamos sendo ouvidos”Na base dos Correios, o clima é de frustração. Para Wilton Domingos, que atua no interior do Mato Grosso do Sul e preside o sindicado dos carteiros no estado, o plano acentua uma lógica de esvaziamento. “Falam em crescimento, mas estão cortando quem está lá na ponta. É como se continuasse a mesma cartilha de anos atrás: encolhimento, precarização, e agora querem maquiar isso com a palavra ‘reestruturação’”, afirma. Segundo ele, o modelo de operação dos Correios ainda exige força de trabalho humana: “Só 20% da empresa é automatizada. O restante é braçal, depende de gente. E estão propondo cortar justamente onde não dá pra cortar. Como crescer sem contratar ninguém?” Wilton também critica a falta de diálogo com os trabalhadores. “Quem está na linha de frente não foi ouvido. E a gente quer recuperar contratos, melhorar os prazos, investir. Mas isso exige gente, não corte.” Apesar do discurso oficial de modernização e sustentabilidade, os trabalhadores ouvidos apontam que o plano dá continuidade ao desmonte da empresa, abrindo espaço para uma eventual abertura de capital ou parceria público-privada no futuro. “Tudo leva a crer que o objetivo é maquiar a empresa para entregar uma parte dela. Falam em tornar os Correios uma S/A, abrir capital… E a gente sabe o que isso significa”, diz Suzy. “Estão querendo vender um ativo estratégico do Estado. E tudo isso sem respeitar o papel social que os Correios têm, de garantir integração, soberania e serviço público onde ninguém mais chega.” Entenda como os Correios chegaram à criseA crise financeira dos Correios não começou em 2025, tampouco se explica apenas por ineficiência. A reportagem do Brasil de Fato analisou os balanços financeiros da empresa nos últimos 25 anos e constatou que, em 19 deles, a estatal registrou lucro, mesmo sendo responsável por uma missão constitucional da qual não pode abrir mão: a universalização do serviço postal, presente nos 5.570 municípios brasileiros. “A garantia do atendimento dos Correios a toda a população também fica prejudicada no momento que esse plano também prevê o fechamento de agências. Ou seja, tudo aquilo que os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios são contra, infelizmente está sendo elaborado e massificado nesse novo plano”, aponta afirma Suzy Cristiny. A universalização impõe um custo alto. Em milhares de cidades pequenas e regiões remotas, a operação dos Correios é deficitária, mas mantida por obrigação legal. Ainda assim, os recursos gerados nos anos lucrativos não foram reinvestidos na empresa, nem na recomposição do quadro funcional. A estatal sofreu com contingenciamentos sucessivos e ficou mais de uma década sem realizar concursos públicos, mesmo diante da aposentadoria de milhares de servidores. Entre 2011 e 2023, o número de trabalhadores encolheu quase pela metade. Além de operador logístico do setor postal, os Correios cumprem uma função estratégica de Estado. A empresa