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Suprema Corte dos EUA barra ordem de Trump e mantém cidadania por nascimento

Decisão assinada no primeiro dia de mandato do presidente foi derrubada pela Justiça A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta terça (30), por 6 votos a 3, manter a interpretação ampla da cidadania por nascimento e rejeitou uma ordem executiva do presidente Donald Trump que retirava esse direito de filhos de imigrantes não documentados ou turistas.Os ministros confirmaram o entendimento consolidado da 14ª Emenda da Constituição americana: qualquer pessoa nascida no país, salvo exceções muito limitadas, tem cidadania dos Estados Unidos. Tribunais de instâncias inferiores já haviam barrado as restrições impostas por Trump, que nunca chegaram a entrar em vigor no país.Trump não se pronunciou publicamente sobre a decisão até o momento. Horas antes do veredito, ele disse que “seus esforços para limitar a cidadania por nascimento podem ter sucesso com ou sem a Suprema Corte”.O princípio aplicado nos Estados Unidos é o jus soli, ou direito de solo. Pela regra, quem nasce em território americano recebe cidadania, inclusive filhos de turistas ou de imigrantes. Entre as poucas exceções estão filhos de diplomatas estrangeiros em serviço no país. 14ª Emenda foi centro da disputa sobre imigraçãoA cidadania por nascimento consta da 14ª Emenda, que afirma que “todas as pessoas nascidas” nos Estados Unidos “são cidadãos dos Estados Unidos”. No primeiro dia de seu segundo mandato, Trump assinou uma ordem executiva para limitar esse direito, sem detalhar de forma clara como o governo passaria a conceder a cidadania.A medida fazia parte de um pacote mais amplo de combate à imigração e poderia impedir a cidadania de filhos nascidos nos Estados Unidos de imigrantes ou turistas. O governo Trump argumentava que a cidadania automática incentivava a imigração irregular e o chamado “turismo de nascimento”, quando estrangeiros viajam ao país para ter filhos com cidadania americana.O caso chegou à Suprema Corte por meio de um processo iniciado em New Hampshire e chamado “Trump versus Barbara”. Barbara, uma imigrante hondurenha que mora no estado, processou o governo por considerar inconstitucional a restrição à cidadania americana.Barbara e o marido são imigrantes não documentados e têm três filhos, todos nascidos em Honduras. Ela decidiu acionar a Justiça ao descobrir que estava grávida do quarto filho, que nasceria nos Estados Unidos, mas poderia ficar sem direito à cidadania americana caso a ordem de Trump prevalecesse. O sobrenome dela não foi divulgado publicamente por receio de represálias de apoiadores do presidente. Roberts citou precedente de 1898 contra tese do governo O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, relatou a decisão e citou o precedente de 1898 no caso Wong Kim Ark, filho de chineses nascido nos Estados Unidos. A Corte manteve desde então o entendimento de que a 14ª Emenda garante cidadania a pessoas nascidas em território americano.Roberts escreveu que havia “poucas evidências” para sustentar a “visão drasticamente revisionista” do governo Trump sobre a 14ª Emenda. “Não surpreende, portanto, que, nos 128 anos desde então, tenhamos reiteradamente entendido a regra estabelecida em Wong Kim Ark como garantia de cidadania a todas as crianças nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à sua jurisdição. Não vemos razão para nos afastar dessa interpretação hoje”, afirmou.Em abril, Trump compareceu pessoalmente a uma audiência da Suprema Corte que ouviria argumentos das partes. Foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que um presidente do país foi à Corte para acompanhar um julgamento.Na segunda (29), a Suprema Corte também decidiu outros casos de interesse da Casa Branca. O tribunal permitiu que Trump demitisse uma comissária da Federal Trade Commission, agência independente que regula a concorrência, e ampliou os poderes presidenciais sobre órgãos reguladores.No mesmo dia, a Corte impôs derrotas a Trump ao barrar a demissão de Lisa Cook, diretora do Fed, ao permitir que estados contabilizem votos pelo correio postados até o dia da eleição e recebidos nos dias seguintes, e ao rejeitar pedido do presidente para anular a decisão de um júri que o responsabilizou por abuso sexual contra a escritora E. Jean Carroll e por difamação, com indenização de US$ 5 milhões.

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Brasil envia nesta sexta missão humanitária à Venezuela, anuncia Lula

Apoio foi definido após conversa com a presidenta Delcy Rodríguez O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que enviará nesta sexta-feira (26) um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) com uma missão humanitária para auxiliar nas buscas por desaparecidos na Venezuela. O país foi atingido por dois terremotos no início da noite de quarta-feira (24).“Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano, em avião KC-390 da FAB, que sairá do Aeroporto de Guarulhos, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. Com eles vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas”, escreveu o presidente em uma rede social nesta quinta-feira (25).Lula disse ter conversado por telefone com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, para prestar a solidariedade do governo brasileiro à população venezuelana e definir a melhor forma de apoio ao país vizinho.O presidente informou ainda que outro voo sairá no sábado com mais ajuda. O avião levará equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, 100 purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias.“Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, finalizou. Mais cedo, o Ministério da Saúde do Brasil já havia informado que estava em contato com a Venezuela para enviar ajuda com insumos e pessoal da área da saúde ao país vizinho.Até o momento, as informações apontam que o número de mortos na Venezuela chega a 188. A atualização foi divulgada pelo presidente do Congresso Nacional do país, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez.Segundo ele, mais de 1, 5 mil pessoas foram hospitalizadas. O número, no entanto, tende a ser bem maior do que o divulgado até o momento. De acordo com o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil para reunir informações extraoficiais sobre vítimas, há mais de 40 mil pessoas desaparecidas.Os dois terremotos, de magnitude de 7,5 e 7,2, causaram grande destruição no litoral de Morón, que fica a 160 quilômetros da capital Caracas. A região pertence ao estado de La Guaira, o mais afetado pelos tremores. Prédios, casas e outras edificações desabaram.

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Venezuela: número de desaparecidos em terremoto pode passar de 40 mil

Mortos sobem para 188, segundo presidente do Congresso venezuelano Subiu para 188 o número de mortos na Venezuela devido aos dois terremotos que atingiram o país no início da noite desta quarta-feira (24). A atualização foi divulgada por Jorge Rodríguez, presidente do Congresso Nacional e irmão da presidente Delcy Rodríguez. Segundo ele, passa de 1.500 o número de pessoas hospitalizadas.Essa quantidade, no entanto, tende a ser bem maior dos que a divulgada até o momento. De acordo com o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil para reunir informações extra oficiais sobre vítimas, há mais de 40 mil pessoas desaparecidas.Na plataforma, a população pode inserir dados sobre desaparecidos como idade, sexo, estado civil e a cidade onde mora. O governo venezuelano não disponibilizou nenhuma ferramenta deste tipo até o momento e não tem uma estimativa de desaparecidos.Segundo levantamento feito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortes pode variar entre 10 mil e 100 mil. O cálculo da entidade leva em consideração a população exposta em áreas atingidas e precariedade das construções. TragédiaOs dois terremotos, de magnitude de 7,5 e 7,2, causaram grande destruição no litoral de Morón, que fica a 160 km de Caracas, capital do país. A região pertence ao estado de La Guaira, o mais afetado pelos tremores. Prédios, casas e outras edificações desabaram.Segundo a imprensa local, oito hospitais foram afetados e os pacientes tiveram de ser transferidos para outras instituições. BrasilOs terremotos na Venezuela foram sentidos em algumas cidades da Região Norte do Brasil, segundo informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB).Os tremores atingiram Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e alguns municípios próximos a essas cidades.Segundo Marcos Ferreira, geofísico e pesquisador do SGB, as magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter são consideradas muito elevadas.“[Esse valores] indicam a liberação de uma enorme quantidade de energia. Além disso, quanto mais rasos os sismos, maior potencial e impacto, pois a energia chega de forma mais direta e rápida à superfície.” Fonte: Agência Brasil

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Petro denuncia irregularidades e cobra apuração na Colômbia

Presidente questiona formulários eleitorais e sistema de contagem; campanha de Iván Cepeda apresentou 57 mil reclamações ao escrutínio oficial O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a questionar nesta segunda-feira (22) o processo eleitoral que apontou, na pré-contagem dos votos, a vitória do candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella sobre o governista Iván Cepeda. Em publicações nas redes sociais, Petro afirmou que existem evidências de irregularidades nos sistemas utilizados durante a apuração preliminar e defendeu que o resultado da eleição só pode ser reconhecido após a conclusão do escrutínio oficial, etapa prevista na legislação colombiana para revisar manualmente os registros de votação. Segundo o presidente, formulários eleitorais conhecidos como E-14 teriam sido alterados após o envio aos sistemas da Registradoria Nacional.  Petro também afirmou que sua equipe identificou mudanças em registros digitais e vulnerabilidades no software utilizado durante o processo eleitoral. “A manipulação eleitoral já está comprovada; não posso afirmar que o que foi descoberto garanta uma vitória eleitoral, mas é um fato”, denunciou Petro. A disputa ocorre em um cenário extremamente apertado. De acordo com a pré-contagem divulgada pela Registradoria, De la Espriella recebeu 12,95 milhões de votos (49,66%), enquanto Cepeda obteve 12,70 milhões (48,70%), diferença de aproximadamente 250 mil votos. A campanha de Cepeda, porém, evitou até o momento falar em fraude eleitoral. Em pronunciamento após a divulgação dos resultados preliminares, o candidato afirmou que sua coligação apresentou 57,1 mil reclamações às comissões eleitorais responsáveis pelo escrutínio. “Estamos em todo nosso direito legal e constitucional de esperar os escrutínios”, declarou Cepeda, acrescentando que reconhecerá o resultado final após a análise das impugnações apresentadas. Na Colômbia, a pré-contagem divulgada na noite da eleição possui caráter apenas informativo e não tem valor jurídico para definir o vencedor. O resultado oficial é produzido durante o escrutínio, processo conduzido por juízes eleitorais que conferem os formulários físicos de votação e analisam recursos apresentados por partidos e candidatos. Petro também criticou setores da imprensa internacional que trataram suas declarações como uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral. O presidente reiterou que aceitará o resultado proclamado ao final do escrutínio, mas insistiu que as denúncias devem ser investigadas. “Somente ao final da apuração dos votos é declarado o vencedor, e eu o reconhecerei. Essa é a lei da Colômbia”, afirmou. Enquanto isso, missões internacionais de observação eleitoral, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA), defenderam que o processo siga seu curso institucional e pediram que a população aguarde a conclusão da apuração oficial.

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Brasil e Interpol apostam em aliança contra o crime organizado

Autoridades discutiram, na França, ações conjuntas e coalizão na América do Sul. No G7, Lula também tratou do tema e defendeu o enfrentamento ao crime com soberania Em reunião realizada em Évian-les-Bains, na França, paralelamente à Cúpula do G7, o Brasil e a Interpol avançaram na articulação para a criação de uma coalizão de combate ao crime organizado transnacional na América do Sul. A ação é um desdobramento de acordo de cooperação técnica assinada entre o País e a organização internacional em fevereiro. Ao mesmo tempo, do ponto de vista político, foi uma sinalização concreta de que o País está comprometido com a pauta, ao contrário do que o governo de Donald Trump tentou fazer crer ao decidir classificar organizações criminosas brasileiras como narcoterroristas. O encontro, de caráter técnico, foi realizado na terça-feira (16) e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava no país para participar da reunião do G7. Durante a cúpula, Lula abordou o tema, salientando que o combate aos crimes transnacionais é “parte da agenda de desenvolvimento”, mas que deve levar em conta “o respeito à soberania dos Estados”. O presidente disse, ainda, que “o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas” e que “valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”. Brasil e Interpol Na reunião técnica entre Brasil e Interpol, foram tratados aspectos como os trabalhos desenvolvidos pela organização em âmbito global, com foco especial nas ações concretas a serem implementadas na América do Sul. “Utilizando o escritório da Interpol para a América do Sul, na cidade de Buenos Aires, com tecnologia, bases de dados, equipes especializadas e um projeto do Ministério da Justiça coordenado pela Polícia Federal, vamos reunir os 12 países sul-americanos em um grande esforço conjunto para o enfrentamento ao tráfico de drogas e de armas, aos crimes ambientais e a todos os demais delitos que possam ser investigados de forma integrada nesse esforço coletivo”, explicou Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, após o encontro. De acordo com o governo, além dessa estrutura na Argentina, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, funcionará como um polo complementar de atividades, com foco específico na segurança da região amazônica. Difusão Prateada e crimes financeiros Outro ponto de pauta foi a Difusão Prateada, iniciativa lançada em 2025 pela Interpol, pela qual os países membros podem solicitar informações sobre bens relacionados a atividades criminosas — como fraude, corrupção, tráfico de drogas, crimes ambientais, entre outros —, bem como apreensão, confisco ou recuperação, conforme as leis nacionais. “No ano passado, retiramos mais de R$ 10 bilhões do crime organizado. Com esta nova iniciativa e esta parceria, será possível ampliar essa capacidade operacional e alcançar patrimônios ocultos em diferentes países”, disse Rodrigues. O enfrentamento ao crime financeiro também foi abordado na reunião. Segundo o diretor-geral da PF, estão em andamento tratativas com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras instituições financeiras para reforçar os mecanismos de segurança e confiabilidade do setor. Rodrigues disse que a medida acrescentará uma camada extra de verificação de confiabilidade ao sistema, permitindo que as instituições financeiras consultem as bases de dados da PF. Ele também apontou que outro foco é “avançar para o acesso às bases de dados da Interpol, a fim de ampliar ainda mais a confiabilidade do nosso sistema financeiro e dos mecanismos de controle e de conhecimento do cliente”. Na reunião, também foi destacada a luta do Brasil para avançar na regulação das redes sociais, elemento central para o combate aos mais variados tipos de crime que se utilizam dos meios digitais. Nesse sentido, o diretor-geral da PF salientou o papel do ECA Digital na proteção de crianças e adolescentes, bem como a implantação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Cyber, a Cyberfico, estrutura ligada à PF pela qual será possível receber dados e fazer o tratamento e difusão para o enfrentamento de delitos dessa natureza.

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Diferença apertada mantém indefinido resultado da eleição no Peru

Com mais de 91% das atas processadas, Keiko Fujimori mantém vantagem estreita sobre Roberto Sánchez; votos das regiões rurais ainda podem alterar resultado O Peru segue sem definição sobre quem será o próximo presidente do país após um segundo turno marcado por diferença apertada entre a candidata da extrema direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com 91,5% das atas processadas pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) até a manhã desta segunda-feira (8) Keiko aparecia com 50,329% dos votos válidos, contra 49,671% de Sánchez. A diferença entre os dois candidatos era de cerca de 113 mil votos. Apesar da vantagem da candidata do Fuerza Popular, o cenário segue aberto no país andino porque parte significativa dos votos ainda pendentes vem das regiões rurais e andinas, onde Sánchez concentra sua principal base eleitoral Os votos já contabilizados pertencem majoritariamente a Lima e às grandes cidades da costa peruana, redutos históricos do fujimorismo. Nas regiões rurais, conhecidas no país como “Peru profundo”, o candidato de Juntos por el Perú, de esquerda, obteve desempenho superior ao da adversária. A cautela também é alimentada pelo fato de que a contagem rápida divulgada pela Ipsos após o fechamento das urnas projetou Sánchez numericamente à frente, com 50,3% dos votos, contra 49,7% de Keiko. A disputa repete um padrão observado nas eleições de 2021, quando Pedro Castillo derrotou Keiko Fujimori por margem apertada após a chegada dos votos do interior. Naquele pleito, o resultado foi seguido por semanas de disputas judiciais, pedidos de anulação de atas e acusações de fraude sem provas apresentadas pelo fujimorismo. O secretário-geral da associação Transparencia, Omar Awapara, afirmou que ainda não é possível declarar um vencedor e alertou que o resultado oficial poderá demorar semanas para ser concluído. Após a divulgação dos primeiros números, Roberto Sánchez afirmou que aguardará o resultado oficial da ONPE e defendeu o peso eleitoral das regiões historicamente marginalizadas do país. “Nós estamos em condições de respeito irrestrito aos resultados oficiais”, declarou o candidato de Juntos por el Perú. Segundo ele, os votos do “Peru profundo” ainda estão subrepresentados na contagem parcial. Sánchez também comemorou o desempenho de sua candidatura nas regiões indígenas e rurais. “Nossos povos quéchuas, aimaras e amazônicos decidiram recuperar o governo para o povo”, afirmou. Do lado de Fujimori, dirigentes do Fuerza Popular pediram mobilização dos fiscais partidários para acompanhar a validação das atas eleitorais e a defesa dos votos da candidata. Mais de 27 milhões de peruanos foram convocados às urnas para escolher o presidente que governará o país entre 2026 e 2031.  O próximo mandatário assumirá em meio a uma década de forte instabilidade política, marcada por sucessivas destituições presidenciais, confrontos entre Congresso e Executivo e aumento da desigualdade social no país andino. A votação deste domingo ocorreu de forma relativamente tranquila em comparação com o primeiro turno realizado em abril, quando houve atrasos na entrega de material eleitoral e necessidade de ampliação da votação em algumas regiões. Autoridades eleitorais e observadores internacionais afirmaram que não houve incidentes graves durante a jornada eleitoral e pediram respeito aos resultados oficiais da ONPE.

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China reforça apoio ao Brasil e amplia cooperação diante de tensões

Com as tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros internacionais, o Brasil tem contado com o respaldo da China A China reafirmou nesta terça-feira (2) seu apoio à soberania, independência e autonomia do Brasil e manifestou disposição para ampliar a cooperação bilateral em diversas áreas. A declaração foi feita durante o Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, em um momento marcado pelo aumento das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e parceiros internacionais.O posicionamento foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, que destacou a importância das relações entre os dois países e ressaltou o interesse chinês em fortalecer os laços com o Brasil e com as demais nações da América Latina e do Caribe.Segundo Wang Yi, a China tem sido uma parceira confiável da região e está preparada para aprofundar a cooperação em diferentes setores. O chanceler afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania nacional, na preservação de sua independência e na busca por maior desenvolvimento econômico e social.A manifestação ocorre em meio às recentes ameaças dos Estados Unidos de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros que não sejam considerados estratégicos para o mercado norte-americano. Nesse cenário, a aproximação entre Brasília e Pequim ganha ainda mais relevância no contexto das relações comerciais e diplomáticas internacionais.Durante o encontro, Wang Yi defendeu o avanço da construção de uma comunidade de interesses entre China e Brasil, com o objetivo de enfrentar desafios externos, fortalecer os processos de modernização das duas economias e ampliar a cooperação entre os países do chamado Sul Global.O ministro chinês também propôs a expansão dos intercâmbios em áreas como cultura, educação, turismo, esportes, comunicação, juventude e cooperação entre governos locais. Além disso, reiterou a importância da coordenação entre os dois países em organismos multilaterais, incluindo a Organização das Nações Unidas e o BRICS.Representando o governo brasileiro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil compartilha do interesse chinês em ampliar a cooperação prática e fortalecer a coordenação internacional. Vieira reiterou ainda o compromisso brasileiro com o princípio de “Uma Só China”, posição diplomática que reconhece o entendimento de Pequim de que Taiwan faz parte do território chinês.O encontro reforça a parceria estratégica entre Brasil e China em um momento de transformações na economia global e de crescente disputa comercial entre as principais potências mundiais.

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Estado de S. Paulo retrata Flávio Bolsonaro como mordomo de Trump

Editorial do jornal afirma que senador agiu de forma subserviente ao buscar foto na Casa Branca em meio ao escândalo Daniel Vorcaro O jornal O Estado de S. Paulo publicou um duro editorial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), retratando o parlamentar como um “mordomo da Casa Branca” após sua visita ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O texto afirma que a principal intenção do filho de Jair Bolsonaro era obter uma fotografia ao lado do líder norte-americano para tentar fortalecer sua imagem política junto à direita brasileira. No editorial intitulado “O mordomo da Casa Branca”, o Estadão sustenta que a imagem produzida durante o encontro expõe uma postura de “subserviência” de Flávio Bolsonaro em relação a Trump. Segundo o jornal, a fotografia teria sido usada como instrumento para tentar dar “sobrevida” a uma candidatura considerada fragilizada dentro do próprio campo bolsonarista, especialmente após os desdobramentos envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.“O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo”, escreveu o jornal.O Estadão também afirma que, longe de transmitir imagem de liderança de Estado, Flávio apareceu em posição de submissão diante do presidente norte-americano. “Na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump”, diz o editorial.A publicação argumenta ainda que o comportamento do senador contrasta com aquilo que se espera de um chefe de Estado brasileiro nas relações internacionais. “Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo”, afirma o texto.O editorial amplia as críticas ao clã Bolsonaro ao associar a aproximação com Trump a interesses políticos familiares. Segundo o Estadão, Flávio não teria representado o Brasil no encontro, mas sim os interesses de sua família, especialmente os de Jair Bolsonaro, descrito pelo jornal como estando em prisão domiciliar após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.A publicação também menciona a presença de Eduardo Bolsonaro na articulação da visita. O deputado licenciado, que vive atualmente no Texas, é acusado pelo jornal de atuar para deteriorar as relações entre Brasil e Estados Unidos com o objetivo de pressionar Trump a agir politicamente em favor de Jair Bolsonaro.O texto recorda ainda o episódio em que Trump impôs tarifas comerciais ao Brasil, movimento interpretado como tentativa de pressionar o País em relação à situação jurídica de Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, posteriormente o presidente norte-americano teria percebido vantagens em manter diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “dinâmico”.O editorial também questiona a versão apresentada por Flávio Bolsonaro sobre o encontro. O senador afirmou ter discutido com Trump temas como terras raras, crime organizado, tarifas comerciais e até a saúde de Jair Bolsonaro. No entanto, o jornal observa que nem o site oficial da Casa Branca nem as redes sociais de Trump registraram a reunião.“Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais”, conclui o Estadão.

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Papa Leão XIV pede perdão pelo apoio histórico da Igreja à escravidão

Um pedido público de perdão pelo papel histórico da Santa Sé na legitimação da escravidão, foi feito pelo papa Leão XIV, nesta segunda-feira (25). Na encíclica “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), o pontífice afirmou que a atuação do Vaticano durante séculos representa uma “ferida na memória cristã” e reconheceu que antigos papas autorizaram a subjugação e a escravização de povos considerados “infiéis”.O documento, primeiro texto doutrinário publicado por Leão XIV desde o início de seu pontificado, aborda os impactos da inteligência artificial e das transformações tecnológicas na sociedade.Ao tratar do tema, o papa relacionou o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas a novas formas de exploração associadas à revolução digital, incluindo trabalhos não regulamentados ligados à extração de minerais usados na fabricação de chips para sistemas de IA.Leão XIV destacou que papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico de escravizados, mas afirmou que nenhum pontífice havia reconhecido diretamente o papel institucional da própria Santa Sé na autorização dessas práticas.“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu o papa. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”Na encíclica, o papa citou decretos do século XV que concederam respaldo religioso à expansão colonial europeia. Entre eles está a bula “Dum Diversas”, publicada em 1452 pelo papa Nicolau V, que autorizava o rei de Portugal e seus sucessores a “invadir, conquistar, combater e subjugar” “sarracenos, pagãos e outros infiéis”. O texto também permitia reduzir essas populações à “escravidão perpétua”. Outro documento citado foi a bula “Romanus Pontifex”, emitida três anos depois e usada posteriormente como base para a chamada Doutrina da Descoberta, teoria utilizada para justificar a ocupação colonial de territórios na África e nas Américas.Segundo o texto, as permissões concedidas por Nicolau V foram posteriormente confirmadas ou renovadas pelos papas Calisto III, Sisto IV e Leão X. O Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta em 2023, mas não anulou oficialmente as bulas papais relacionadas ao tema.A Santa Sé sustenta que o documento “Sublimis Deus”, publicado em 1537, reafirmou que povos indígenas não deveriam ser privados de liberdade ou escravizados. Mesmo assim, Leão XIV afirmou que a demora da Igreja em condenar a escravidão precisa ser reconhecida publicamente.O pontífice lembrou ainda que o papa Leão XIII foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão, em 1888, período em que vários países já haviam abolido a prática.“Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de ‘infiéis’”, escreveu. “Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar desvinculados”, completou.Leão XIV também afirmou que a Igreja precisa agir diante das novas formas de exploração relacionadas à tecnologia digital. Segundo ele, a instituição deve condenar práticas ligadas ao trabalho degradante e à exploração econômica para evitar novos pedidos de perdão no futuro.O papa ainda possui histórico familiar ligado diretamente ao tema: de acordo com pesquisa genealógica publicada por Henry Louis Gates Jr., sua árvore genealógica inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos. Em 1985, João Paulo II já havia pedido perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados praticado por cristãos, mas sem citar diretamente o papel dos antigos papas.

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