Racismo, arbitragem, Milei, arrogância: torcer contra a Argentina é dever de todo sul-americano

Há uma cascata segundo a qual, por sermos do mesmo continente, devemos torcer para a Argentina na Copa do Mundo após o vexame do Brasil. É uma estupidez. Entre outros motivos, porque a Argentina não se considera do mesmo continente. Há uma cascata segundo a qual, por sermos do mesmo continente, devemos torcer para a Argentina na Copa do Mundo após o vexame do Brasil. É uma estupidez. Entre outros motivos, porque a Argentina não se considera do mesmo continente.A última representante da América Latina no torneio não conta com a torcida de seus vizinhos. Do México ao Chile, passando por Colômbia, Peru, Equador, Uruguai e pela parte sã do Brasil, a eliminação da seleção de Lionel Messi tornou-se quase um objetivo comum.A rejeição mistura rivalidades históricas, favorecimento da arbitragem no torneio, a idolatria idiota em torno de Messi, racismo e o fato de que os argentinos se consideram superiores aos vizinhos. Sim, temos uma velha rivalidade em campo que o saudoso Galvão Bueno explorava.Ocorre que eles nos ainda nos chamam de macaquitos e cantam que viemos “da favela”. Isso não é um detalhe e não é do “folclore futebolístico”.Infantino, o chefão da Fifa, não esconde sua predileção por Messi. Além do assalto contra o Egito, o americano Ismail Elfath foi escolhido como árbitro contra a Inglaterra. Elfath tem um histórico que chama atenção. Desde que Messi chegou ao Inter Miami, em 2023, apitou quatro partidas do craque argentino. O resultado foi perfeito para o camisa 10: quatro vitórias, quatro gols marcados e nenhum tropeço. O caso Enzo FernándezO debate ganhou dimensão internacional após a Copa América de 2024.Durante a comemoração do título, o volante Enzo Fernández apareceu em uma transmissão ao vivo no ônibus cantando, junto com companheiros da seleção, uma música que afirmava que os jogadores da França “jogam pela França, mas são de Angola”.A canção ainda dizia que Kylian Mbappé gostava de travestis, a mãe era camaronesa, o pai nigeriano e que “o passaporte dizia francês”.Em determinado momento do vídeo, um integrante da delegação percebe a gravidade da situação e grita para interromper a transmissão ao vivo, evidenciando que os próprios jogadores sabiam que o conteúdo poderia gerar repercussão. Tarde demais.A canção havia surgido ainda durante a Copa de 2022 entre grupos de torcedores argentinos, mas ganhou repercussão mundial apenas após a divulgação do vídeo de Enzo Fernández.O Chelsea abriu investigação interna contra o jogador, atletas franceses condenaram o cântico e entidades de combate ao racismo classificaram a música como xenófoba, racista e transfóbica, mas ficou por isso mesmo.Durante esta Copa do Mundo, torcedores argentinos foram flagrados dirigindo insultos racistas contra um streamer negro americano em duas partidas da seleção. Chamaram-no de macaco.Também repercutiu a declaração do jornalista argentino Eduardo Feinmann, que afirmou na televisão que “detesta os mexicanos” e que eles têm inveja dos argentinos “não apenas no futebol, mas em tudo”. A fala foi condenada pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum. Messi não é PeléEmbora seja um dos maiores jogadores da história, Lionel Messi é alvo de uma babação de ovo insuportável. A cobertura da imprensa e das transmissões transforma qualquer lance do camisa 10 em um momento extraordinário, criando uma idolatria psicótica. O narrador da CazéTV tem orgasmos múltiplos a cada vez que ele pega na bola ou dê um passe de lado.A relação com o México também ficou abalada após a Copa de 2022, quando um vídeo mostrou uma camisa mexicana no chão do vestiário argentino enquanto Messi retirava as chuteiras. O boxeador Saúl “Canelo” Álvarez acusou o craque de desrespeitar o uniforme mexicano, algo que Messi sempre negou.Anos depois, o próprio argentino reconheceu que aquele episódio alterou a forma como muitos mexicanos passaram a enxergá-lo.Eles são auto-indulgentes. Como persiste no país a ideia de que “não existem negros” e, portanto, não haveria racismo, os argentinos sequer reconhecem o caráter discriminatório de músicas e gestos.A única autoridade do governo que sugeriu um gesto de retratação após o hino atacando a seleção francesa, feita de filhos de imigrantes da África, acabou perdendo o cargo.O então secretário de Esportes da Argentina afirmou, em entrevista, que os jogadores poderiam pedir perdão pelo episódio. A declaração desagradou Milei, que determinou sua demissão.Segundo ele, ninguém poderia dizer “o que os campeões do mundo e bicampeões da América devem fazer ou dizer”.

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Saque do Palácio das Mangabeiras vira caso de polícia e Zema debocha

O desaparecimento de itens do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, mobiliza deputados estaduais e já chegou ao Tribunal de Contas de Minas Gerais e à Polícia Federal. O desaparecimento de itens do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, mobiliza deputados estaduais e já chegou ao Tribunal de Contas de Minas Gerais e à Polícia Federal.Uma comissão de deputados estaduais localizou apenas cinco itens do acervo original em visita ao palácio no dia 2 de julho: uma mesa de centro, um piano, duas poltronas e um sofá. Nenhuma outra peça da coleção que pertencia ao espaço apareceu durante a vistoria.O ex-governador Romeu Zema (Novo) negou o sumiço e chamou o acervo de “móveis velhos” em fala à imprensa na sexta-feira (10). “Eu falo que eu economizei, no mínimo, R$ 300, R$ 400 mil por mês morando na minha casa. Se tem alguma coisa de lá que sumiu e não sumiu, um mês de economia paga tudo esses móveis velhos que estavam lá e que estão ainda”, disse.A desativação do Palácio das Mangabeiras como residência oficial integrou a campanha de Zema. Durante o mandato, ele alugou uma casa em Belo Horizonte e planejou instalar no imóvel um “Museu das Mordomias”, projeto que não saiu do papel. Zema deixou o governo de Minas em março.O acervo reunia 1.038 livros restaurados durante o governo de Antônio Anastasia, entre 2010 e 2014. Também não apareceram uma mesa de jantar com 40 lugares, uma cozinha completa, uma sala de cinema com projetor e cadeiras da década de 1940, tapetes, talheres de prata, copos de cristal e outros itens.Os deputados também não encontraram uma lista completa do acervo, o que impede a quantificação das peças desaparecidas. A Codemge, responsável pela administração do espaço, prometeu entregar uma relação dos bens até o dia 16. Veja os cômodos quase vazios após saída de Zema do governo de MG: TCE-MG e Polícia Federal apuram o destino do acervoUm ofício de 2020 registrou a doação de 63 itens do acervo ao governo estadual. Em junho, o secretário de Cultura de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, afirmou que 44 peças estavam com a Polícia Militar e 187 com a Codemge, mas os documentos disponíveis não permitem saber se os números se referem a 294 peças diferentes. Os itens saíram do Palácio das Mangabeiras em 2019, quando o espaço recebeu uma exposição de decoração. Um dos responsáveis pela mostra afirmou que o imóvel já havia sido entregue aos organizadores com apenas alguns lustres e uma mesa, itens que também não apareceram na visita dos deputados.O TCE-MG aceitou, no dia 6, uma denúncia do deputado estadual Leleco Pimentel (PT-MG) para investigar o possível sumiço. No dia seguinte, a deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou notícia-crime à Polícia Federal. “Denúncias e Representações correm em caráter de sigilo, conforme Regimento Interno e legislação vigente”, informou o tribunal.Na representação ao Tribunal de Contas, Leleco afirmou: “As peças consideradas históricas, artísticas ou de relevante valor mobiliário deveriam ser catalogadas (…) Não se tem notícia da devolução de bens quando do término da concessão do Palácio ao evento Casa Cor, tampouco sobre vistorias, laudos de constatação e inventários técnicos a cada término de evento, a fim de assegurar que as características arquitetônicas e os bens tombados remanescentes permaneçam intactos. Os fatos são estarrecedores”.Durante a vistoria, os deputados identificaram infiltrações nas paredes, mofo debaixo de uma pia na cozinha e a retirada do carpete no espaço onde funcionava a sala de cinema. Inaugurado em 1955, o Palácio das Mangabeiras tem projeto de Oscar Niemeyer e paisagismo de Burle Marx; 17 governadores moraram no local, entre eles Juscelino Kubitschek. O governo de Minas Gerais repudiou “especulações” sobre o acervo e afirmou que todos os bens estão cadastrados, inventariados e com localização registrada nos sistemas oficiais de controle patrimonial. A gestão estadual disse que os livros foram incorporados à Biblioteca Pública Estadual como Coleção Biblioteca do Palácio das Mangabeiras e que obras estão sob guarda de equipamentos como o Palácio da Liberdade e o Museu Mineiro.O governador Mateus Simões (PSD) afirmou ao jornal Estado de Minas que o acervo pode ser consultado por requerimento e disse que o palácio recebeu duas edições do Casa Cor para tentar reverter a “situação decrépita” do prédio. A Codemge informou que mantém o mesmo posicionamento do governo estadual.

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Aprovação de Lula chega a 48% e supera desaprovação, aponta Quaest

Pesquisa Genial/Quaest mostra 48% de aprovação e 47% de desaprovação; avaliação positiva empata com a negativa em 36% A aprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48% e superou numericamente a desaprovação, registrada por 47% dos entrevistados. Outros 5% não souberam ou não responderam. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho de 2026.Como a diferença entre os dois indicadores é de apenas um ponto percentual, o resultado representa um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Ainda assim, o levantamento mostra uma inversão das posições observadas em junho, quando 47% aprovavam Lula e 48% desaprovavam sua atuação. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026. Aprovação mantém trajetória de recuperaçãoO gráfico histórico da Quaest mostra uma recuperação gradual da avaliação de Lula ao longo dos últimos meses. Em abril, a aprovação estava em 43%, enquanto a desaprovação alcançava 52%. Em maio, os índices passaram para 46% e 49%, respectivamente. Em junho, a distância caiu para apenas um ponto, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação. Agora, em julho, os números se inverteram, com vantagem numérica para os que aprovam o presidente. É a primeira vez, na série apresentada desde julho de 2025, que a aprovação aparece acima da desaprovação.Na avaliação detalhada do governo, 36% classificam o trabalho de Lula como positivo e outros 36% o consideram negativo. A parcela que avalia a administração como regular permanece em 26%, enquanto 2% não souberam responder. Mulheres e idosos registram maior aprovaçãoEntre as mulheres, a aprovação de Lula chega a 50%, contra 44% de desaprovação. No eleitorado masculino, o cenário é inverso: 46% aprovam o presidente e 50% desaprovam.O governo também apresenta resultado favorável entre os brasileiros com 60 anos ou mais. Nesse grupo, 51% aprovam Lula, enquanto 44% desaprovam. Entre os entrevistados de 16 a 34 anos, a aprovação aparece em 48%, contra 46% de desaprovação.Já na faixa de 35 a 59 anos, 46% aprovam e 50% desaprovam o trabalho presidencial. Nordeste concentra maior apoio a LulaO Nordeste continua sendo a região com maior apoio ao presidente. A aprovação alcança 61%, enquanto 35% desaprovam o governo.No Sudeste, 44% aprovam Lula e 50% desaprovam. No Sul, a distância é mais ampla: 37% de aprovação e 58% de desaprovação. No agrupamento formado pelas regiões Centro-Oeste e Norte, os índices são de 46% e 49%, respectivamente.A escolaridade também revela diferenças expressivas. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 58% aprovam Lula e 37% desaprovam. No grupo com ensino médio, a aprovação cai para 43%, enquanto a desaprovação chega a 52%.Entre os brasileiros com ensino superior, 37% aprovam o presidente e 58% desaprovam sua atuação. Aprovação é maior entre famílias de menor rendaEntre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula registra 58% de aprovação e 37% de desaprovação. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, 45% aprovam e 50% desaprovam.Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação fica em 41%, enquanto a desaprovação alcança 54%.Os beneficiários do Bolsa Família também demonstram maior apoio ao presidente. Nesse segmento, 61% aprovam o governo e 32% desaprovam. Entre os que não recebem o benefício, a aprovação é de 45%, ante 51% de desaprovação. Católicos aprovam; evangélicos mantêm resistênciaA pesquisa aponta ainda uma diferença relevante entre grupos religiosos. Entre os católicos, 53% aprovam o trabalho de Lula e 42% desaprovam.No eleitorado evangélico, 37% aprovam o presidente, enquanto 58% desaprovam. Apesar da diferença, a aprovação nesse segmento avançou nove pontos desde abril, quando estava em 28%.Entre os eleitores que se classificam como independentes, aprovação e desaprovação aparecem empatadas em 45%. O grupo havia registrado, em março, 32% de aprovação e 58% de desaprovação. Lula lidera cenários eleitoraisA melhora na avaliação ocorre em paralelo ao avanço de Lula nos cenários para a eleição presidencial. Na pesquisa estimulada de primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador Flávio Bolsonaro.Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos. Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos.

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França é eliminada da Copa e perde chance de igualar recorde de Brasil e Alemanha

Franceses sonhavam com o possível tricampeonato do Mundial, mas ficam para trás A principal favorita para o título da Copa do Mundo, a França foi eliminada na semifinal do torneio. Com isso, os franceses perderam a chance de igualar recorde da Seleção Brasileira e da Alemanha de jogar três finais de Mundial seguidas.Os franceses não só chegaram na final da Copa do Mundo de 2018, mas como também foram campeões do torneio. Em 2022, a França voltou a chegar na decisão do Mundial, mas dessa vez foram derrotados pela Argentina, nos pênaltis. AlemanhaA Alemanha foi a primeira seleção a chegar em três finais consecutivas de Copa do Mundo. Os europeus disputaram a decisão do torneio em 1982, 1986 – vice em ambas – e 1990 – onde foi campeã em cima da Argentina. BrasilA Seleção Brasileira também conquistou o feito, pouco tempo depois. Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil conquistou o tetracampeonato da Copa do Mundo.Em 2002, o Brasil voltou a ser campeão do mundo. A Seleção Brasileira chegou na final, pela terceira vez consecutiva, e derrotou a Alemanha por 2 a 0, conquistando o pentacampeonato.

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PF aponta atuação de Eduardo Cunha em esquema de emendas e vê aval da cúpula da Câmara

Relatório enviado ao STF afirma que assessora da Presidência da Casa operacionalizava indicações de recursos e atribui ao ex-deputado influência equivalente ou superior à de parlamentares em exercício A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e dava respaldo a indicações de emendas parlamentares atribuídas ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), mesmo sem que ele ocupasse cargo eletivo.Play Video As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles, que teve acesso ao relatório encaminhado pela PF ao Supremo. Cunha é investigado por supostamente ter interferido na indicação de pelo menos 29 emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de mais de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara. PF aponta atuação de servidores da Câmara Segundo os investigadores, Eduardo Cunha utilizava servidores da Câmara para direcionar recursos federais de acordo com seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. A investigação atribui papel central à assessora da Presidência da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. De acordo com a PF, ela seria responsável por operacionalizar o encaminhamento das emendas e organizar a destinação dos recursos. Tuca passou a exercer essa função durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu no cargo após a posse do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A assessora foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro de 2025. Em um dos trechos mais contundentes do relatório, os investigadores afirmam que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Eduardo Cunha. Investigação cita “altíssimo grau de promiscuidade” Para a Polícia Federal, a atuação identificada durante a investigação revela um “altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”. O relatório sustenta que as provas reunidas permitem “concluir que Eduardo Cunha opera como agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional”. A PF também afirma que a suposta interferência do ex-deputado desvirtuaria a finalidade das emendas parlamentares, que deveriam atender a demandas apresentadas por representantes eleitos. “Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, diz o relatório. A Câmara dos Deputados foi procurada pelo Metrópoles para comentar as conclusões da investigação, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original. Relação política com Hugo Motta Eduardo Cunha é apontado nos bastidores da Câmara como um dos aliados políticos de Hugo Motta e também de Arthur Lira. Foi durante a gestão de Cunha na Presidência da Câmara que Motta ganhou maior projeção nacional. Por indicação de Leonardo Picciani, então filiado ao MDB, o parlamentar paraibano assumiu o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras. A CPI contribuiu para o desgaste do governo da então presidente Dilma Rousseff e antecedeu o processo de impeachment, cuja abertura foi admitida pela Câmara em abril de 2016. Hugo Motta votou a favor da instauração do processo. Parlamentares também recordam que Motta contratou Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha e atualmente deputada federal, para prestar serviços de marketing político. Na ocasião, Motta declarou que os pagamentos haviam sido realizados com recursos próprios. Conversas citam “Arthur” e “Hugo” O relatório da Polícia Federal informa ainda que a primeira conversa encontrada entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek em um aplicativo de mensagens ocorreu em setembro de 2025. Segundo os investigadores, Cunha aparentava lamentar uma situação e mencionava contatos com pessoas identificadas como “Arthur” e “Hugo”. Partes da conversa, no entanto, teriam sido apagadas por Mariângela, o que impediu a PF de determinar o contexto integral do diálogo. “Tive ontem com Arthur. Hugo me ligou a noite. Enfim, tentando ajudar. Mas Arthur tem razão”, escreveu Eduardo Cunha, segundo o relatório. A Polícia Federal não afirmou, no trecho divulgado, que as pessoas citadas na mensagem eram necessariamente Arthur Lira e Hugo Motta. O documento registra apenas que não foi possível esclarecer o contexto devido à exclusão de partes da conversa. Defesa nega irregularidades Eduardo Cunha negou ter indicado irregularmente as emendas investigadas. Em nota, afirmou que os recursos foram “oficialmente apresentados e indicados por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”. A defesa sustenta que o ex-deputado apenas participou de articulações políticas legítimas e informou que recorrerá da decisão que determinou o bloqueio de seus bens. “Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”, afirmaram os advogados. Cunha também nega ser o responsável formal pelas indicações. A investigação prossegue no Supremo sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

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Professores da Unimontes pedem a Mateus Simões incorporação das gratificações ao salário-base da categoria

Categoria se reuniu com o governador em Montes Claros e cobrou uma pauta histórica dosprofessores * Por Waldo Ferreira A diretoria da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes) está na expectativa de um aceno positivo do governador Mateus Simões a respeito da incorporação das gratificações ao salário-base dos professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg).O encontro com Simões, que escreveu um novo capítulo à novela envolvendo as incorporações, ocorreu durante a estadia dele em Montes Claros, para onde foi transferida simbolicamente a capital de Minas Gerais, no final de junho. A diretoria da entidade entregou ao governador documento no qual apresenta a importância da incorporação das gratificações como forma de atenuar a estrutura precária dos salários dos professores da universidade.De acordo com o presidente da Adunimontes, Wesley Helker Felício Silva, a reunião foi mais um passo para tentar resolver problemas relacionados à estrutura salarial da categoria. Contudo, frisa que as articulações nesse sentido continuam e uma das estratégias é pressionar os deputados estaduais, especialmente os representantes da região.A reunião com Mateus Simões buscou dar desfecho favorável a um imbróglio que já dura 10 anos. O pedido para incorporar as gratificações, como “pó de giz” e a “GDPES”, é um dos principais pontos constantes do acordo judicial que pôs fim à greve da categoria em 2016 e que foi homologado na Justiça em 2018. Apesar disso, o governo do estado segue descumprindo o que foi acordado, o que tem provocado reações das representações de professores.“A incorporação das gratificações ao vencimento básico dos professores evita que eles tenham que trabalhar doentes, em muitos casos com doenças graves, já que ao se afastarem para cuidarem da sua saúde perdem parte significativa do seu salário”, explica Wesley. Segundo ele, o mesmo acontece com profissionais que se afastam para cursos de qualificação.“Na prática, os professores são punidos por adoecerem ou por se qualificarem para posteriormente contribuir com a própria instituição. Desde o último concurso, a Unimontes vem sistematicamente perdendo professores efetivos, em virtude da precariedade da estrutura do nosso salário. Por isso, precisamos mudar essa realidade e, para isso, precisamos do apoio de todos que defendem a Unimontes”, conclamou o dirigente sindical. * Jornalista

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