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“Está nas suas costas”: Lula cobra de Fachin e Gonet sobre crise no STF

Sem citar Moraes ou Mendonça, o presidente afirma que agentes públicos não podem usar suas funções em benefício pessoal O presidente Lula (PT) atribuiu nesta sexta-feira (4) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a responsabilidade de responder à crise que atinge a Corte. “Está nas suas costas, nas costas do Paulo Gonet, a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada”, afirmou no Palácio do Planalto. Ao lado dos dois, Lula disse que a sociedade espera uma reação da cúpula do Judiciário e da Procuradoria-Geral da República. O presidente comparou a situação a uma casa em desordem e cobrou das duas autoridades uma solução institucional. “Eu disse ao meu amigo Fachin: a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Porque, quando os filhos estão em desordem, é quem manda na casa que resolve”, declarou. Lula também afirmou que nenhum ocupante de cargo público pode usar a função em benefício próprio. Sem mencionar Alexandre de Moraes, defendeu que a regra seja aplicada indistintamente. “Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, disse. A declaração ocorreu após a revelação de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, banqueiro e dono do Master. Dois dias antes de ser preso, quando se preparava para viajar ao exterior, Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o país. Lula também não citou André Mendonça, relator do processo relacionado ao banco. Lula também propôs uma nova discussão sobre a estrutura do sistema de Justiça. “Tenho certeza que faremos, para o próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário brasileiro para que o povo possa continuar acreditando na Justiça”, afirmou. O presidente criticou ainda a divulgação seletiva de informações de investigações. “Se a gente não der uma parada nisso, vai perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade brasileira tenha na Justiça”, declarou. Aliados de Lula vinham atribuindo a Moraes atuação decisiva na defesa da democracia quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral em 2022. Em conversas reservadas, petistas reconheciam excessos em decisões do ministro, mas alegavam que as medidas buscavam impedir uma tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Fachin tira pedido de Moraes para incluir André Mendonça no Inquérito das Fake News

O material será autuado em um procedimento próprio, sob responsabilidade do gabinete da Presidência da Corte O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (4), que o pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes contra o ministro André Mendonça deixe de tramitar no chamado Inquérito das Fake News. O material será autuado em um procedimento próprio, sob responsabilidade do gabinete da Presidência da Corte.A decisão foi tomada após Moraes encaminhar a Fachin, na quinta-feira (3), relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal. Os documentos, que se tornaram públicos, apontam supostas irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações “Compliance Zero”, relacionada a possíveis fraudes no sistema financeiro, e “Sem Desconto”, que apura desvios em benefícios de aposentados.Ao remeter os documentos à Presidência do STF, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de possíveis crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e atos de improbidade administrativa envolvendo o colega de Corte. PGR terá cinco dias para se manifestar Fachin estabeleceu um cronograma escalonado para a análise do material. O primeiro a se manifestar será o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que terá cinco dias úteis para apresentar o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Somente depois da manifestação de Gonet será aberto outro prazo de cinco dias úteis para que André Mendonça apresente sua defesa e se manifeste sobre os relatórios encaminhados ao tribunal. A decisão não representa, neste momento, a abertura formal de uma investigação contra Mendonça. Fachin ressaltou que as medidas determinadas têm como objetivo reunir elementos antes de decidir se o pedido apresentado por Moraes deve ou não ser admitido. “As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”, afirmou o presidente do STF no despacho. Caso envolve também relatório sobre Moraes A decisão desta sexta-feira ocorre um dia depois de Fachin adotar procedimento semelhante em outro desdobramento relacionado ao caso Banco Master. Na noite de quinta-feira, o presidente do STF determinou que Alexandre de Moraes, André Mendonça e Paulo Gonet se manifestassem, em cinco dias úteis, sobre um relatório da Polícia Federal que apontou Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e antigo proprietário do Banco Master. As mensagens foram identificadas no âmbito das investigações conduzidas pela PF e passaram a integrar a documentação encaminhada à Presidência do Supremo. Com as novas determinações, os diferentes relatórios relacionados aos ministros passam a ser analisados sob a condução de Fachin, que deverá avaliar os pedidos após receber as manifestações das partes envolvidas. Decisão deve ficar para o fim do mês O calendário estabelecido pelo presidente do STF pode levar a análise definitiva para a segunda metade de setembro. Se os prazos forem cumpridos integralmente, a decisão de Fachin sobre o mérito dos pedidos deverá ocorrer perto do fim do mês, período próximo ao primeiro turno das eleições. A retirada do pedido contra Mendonça do Inquérito das Fake News também estabelece uma tramitação específica para o caso. O relatório encaminhado por Moraes e os documentos produzidos a partir de determinação de Mendonça passarão a ser examinados em um procedimento concentrado diretamente no gabinete da Presidência do Supremo. Fachin, contudo, não antecipou qual será sua decisão sobre a admissibilidade dos pedidos ou sobre o conteúdo das acusações. Por enquanto, determinou apenas a realização das etapas necessárias para instruir o processo antes de uma decisão sobre o mérito.

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Senadores articulam pedido de impeachment de Mendonça com base em relatório de Moraes

Parlamentares afirmam que medida já foi discutida com Alcolumbre e pode ser única alternativa como contrafogo em meio à crise institucional. Interlocutores do presidente do Senado dizem ainda que o ideal seria que possibilidade funcionasse como arma que não precisa ser disparada para amedrontar Senadores passaram a discutir a apresentação de um pedido de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em relatórios de inteligência da Polícia Federal divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta (3). A articulação envolve aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), citado entre os alvos que teriam sido direcionados em investigações, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Ao tornar públicos os documentos, Moraes mencionou a Lei 1.079, conhecida como Lei do Impeachment. O ministro afirmou que os fatos narrados pela PF indicariam, em tese, condutas que podem se enquadrar em improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade, com possível quebra de imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos. Os relatórios tratam da atuação de Mendonça nas relatorias das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes apontou como uma das evidências de “direcionamento de determinados alvos para investigação”, entre eles o próprio magistrado e Alcolumbre, por “motivos pessoais e políticos”, além da indicação prévia de medidas cautelares que a PF apresentaria. Alcolumbre já conversou com interlocutores de confiança sobre a possibilidade de o Senado analisar um pedido de afastamento de Mendonça. Ainda não há definição sobre quem poderia protocolar a iniciativa, que também pode partir de um cidadão, advogado, jurista ou entidade fora do Congresso. Aliados de Alcolumbre avaliam estratégia no Senado Um parlamentar próximo ao presidente do Senado afirmou que diversos senadores consideram a abertura de um processo contra Mendonça uma alternativa possível. “Muitos senadores que conversam com David acham que uma das alternativas que sobrará ao parlamento é deflagrar um processo de impeachment contra o André”, disse. Na avaliação desse interlocutor, a medida pode ganhar força porque Alcolumbre teria se tornado alvo das apurações. Ele afirmou que os documentos detalhariam tentativas de beneficiar alguns investigados, prejudicar outros e investigar o presidente do Senado, em uma apuração que classificou como de “conotação pessoal”. A relação entre Mendonça e Alcolumbre enfrenta tensão desde 2021, quando o então indicado ao STF aguardou por meses a análise de sua indicação no Senado. Alcolumbre presidia a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e só pautou a sabatina após pressão pública e política. Interlocutores de Alcolumbre defendem que um eventual pedido seja apresentado por alguém de fora do Senado. Uma autoridade próxima ao presidente da Casa também avalia que não seria conveniente levar o caso imediatamente a votação, pois uma decisão sobre Mendonça poderia limitar a capacidade de Alcolumbre de barrar pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes.

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Alexandre de Moraes abre investigação contra André Mendonça no inquérito das fake news

Decisão cita suspeitas de abuso de autoridade, quebra de imparcialidade e direcionamento de investigações no STF O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (3) o envio ao presidente da Corte, Edson Fachin, de uma decisão e de relatórios da Polícia Federal que apontam, segundo o documento, “fortes indícios” de irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes também levantou o sigilo da decisão e dos documentos mencionados e determinou ciência à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ad loading A decisão foi tomada no Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. Moraes afirma ter recebido da Polícia Federal relatórios de inteligência produzidos após a identificação de supostas irregularidades na condução das duas investigações. Os documentos citam, entre outros, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Nunes Marques. De acordo com a decisão de Moraes, os relatórios indicariam que Mendonça, relator das Petições 15.041, ligada à Operação Sem Desconto, e 15.556, referente à Operação Compliance Zero, teria, “em tese”, adotado condutas que poderiam ser enquadradas como improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. Os apontamentos são acusações contidas nos relatórios reproduzidos pela decisão e não representam condenação ou conclusão definitiva sobre responsabilidade do ministro. Relatórios apontam três grupos de condutas Na conclusão, Moraes divide os fatos atribuídos a Mendonça em três eixos principais: suposta usurpação da direção das investigações da Polícia Federal, condução irregular de tratativas envolvendo acordos de colaboração premiada e direcionamento de alvos para investigação, especialmente Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo a decisão, um relatório da PF sustenta que Mendonça teria avançado sobre atribuições próprias da Polícia Federal e adotado medidas capazes de comprometer a cadeia de custódia do material apreendido. O documento fala em “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial” e em assimetria no tratamento dispensado a investigados. Em outro trecho reproduzido por Moraes, a PF avalia que o juízo relator estaria exercendo “poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”. Entre os efeitos apontados pelo relatório estão o acesso direto ao acervo probatório bruto e a redução da supervisão técnica dos delegados sobre materiais produzidos pela equipe de análise. A decisão registra ainda que a exigência de acesso antecipado aos dados brutos, segundo a avaliação da PF, colocaria o julgador em posição de exploração direta do conteúdo das provas. O relatório afirma que “o resultado prático do comando é a atuação do julgador como investigador”. Colaboração premiada entra no foco da decisão Outro ponto destacado por Moraes diz respeito às negociações para possíveis acordos de colaboração premiada. A decisão cita o artigo 4º, parágrafo 6º, da Lei 12.850/2013 e afirma que a legislação impede a participação do juiz nas negociações entre as partes para formalização do acordo. Na sequência, reproduz relatório segundo o qual Mendonça teria demonstrado comportamento participativo nas tratativas tanto da Operação Sem Desconto quanto da Compliance Zero. Segundo o relatório, em reuniões o ministro teria perguntado sobre o estágio das negociações e sobre elementos apresentados por potenciais colaboradores. O documento também registra relatos de contatos entre Mendonça e defensores de pessoas que negociavam possíveis acordos. O caso de Maurício Camisotti também é mencionado. Conforme o relatório reproduzido na decisão, diante de um impasse entre PF e PGR sobre os benefícios oferecidos, Mendonça teria afirmado que poderia conceder benefícios não previstos em lei a partir de uma proposta da Polícia Federal. Essa afirmação é apresentada no documento como relato produzido no âmbito da PF. Moraes aparece como alvo de suposto direcionamento A parte mais sensível da decisão envolve a alegação de direcionamento de investigações contra integrantes de outros Poderes. Segundo Moraes, os relatórios apontariam que Mendonça teria demonstrado interesse específico na abertura de investigação formal contra ele. Um dos documentos afirma que o relator solicitou “mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido”. Moraes sustenta na decisão que nem a Polícia Federal nem a Procuradoria-Geral da República teriam identificado fato que constituísse infração penal de sua parte. Ainda assim, segundo o ministro, Mendonça teria continuado a buscar elementos relacionados a ele. Outro relatório citado afirma que Mendonça havia perguntado anteriormente sobre informações referentes a Moraes encontradas em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O documento registra ainda a hipótese de que conteúdo sobre o material pudesse ter sido transmitido ao gabinete por integrante da equipe de investigação fora dos autos, sem conhecimento dos demais participantes. A decisão de Moraes afirma também que houve determinação para uma diligência investigatória contra ele e destaca a forma considerada atípica pela qual a ordem teria sido transmitida aos investigadores. Segundo o relatório, integrantes da PF foram chamados ao gabinete de Mendonça e receberam uma cópia física da decisão sem assinatura. A versão assinada, ainda conforme o documento, somente teria sido disponibilizada posteriormente. Para a PF, de acordo com o trecho transcrito na decisão, uma coisa seria identificar pessoas mencionadas em provas para definir a competência jurisdicional; outra seria ordenar o fornecimento integral de mensagens e interações relacionadas a essas pessoas. Essa segunda hipótese é classificada no relatório como “ato de investigação de alcance amplo”. Documento cita Davi Alcolumbre Os relatórios também tratam do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Um dos textos citados por Moraes apresenta a avaliação de que o senador poderia constituir um “provável alvo estratégico”, considerando sua influência sobre a pauta do Senado e, especificamente, sobre pedidos de impeachment contra ministros do STF. A decisão ainda reproduz avaliação da PF sobre possíveis diferenças de tratamento conforme o espectro político das pessoas investigadas. O documento menciona ACM Neto e Fábio Luís Lula da Silva e afirma que situações consideradas semelhantes poderiam estar recebendo “standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”. PF e PGR também aparecem nos relatórios Outro trecho da decisão relata críticas atribuídas a Mendonça ao diretor-geral da Polícia Federal

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Daniel Vorcaro pagou R$ 1,68 milhão a empresa de Ratinho Jr. e Ratinho, garoto-propaganda do Master

A Massa & Massa, constituída para explorar a imagem comercial do apresentador Ratinho, tem o governador do Paraná entre seus sócios e recebeu os repasses em quatro parcelas. É a primeira vez que Ratinho Jr. aparece vinculado a uma das empresas do pai com negócios no banco de Daniel Vorcaro. A empresa Massa & Massa, que tem entre seus sócios o apresentador Carlos “Ratinho” Massa, do SBT, a esposa dele, e três filhos, entre eles o governador do Paraná Ratinho Junior (PSD), recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em quatro parcelas de R$ 420 mil. Os pagamentos foram confirmados pela assessoria do Grupo Massa e vieram à tona a partir de documento anexado ao relatório da Polícia Federal divulgado pelo ministro do STF André Mendonça, que apontava uma das parcelas como pendente. A Massa & Massa foi constituída com o propósito específico de explorar a imagem comercial do apresentador Ratinho. Seu quadro societário reúne o próprio apresentador, sua esposa, o governador Ratinho Junior e outros dois filhos do casal. Foi a essa empresa que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, transferiu R$ 1,68 milhão em quatro parcelas de R$ 420 mil, conforme confirmado pela assessoria do Grupo Massa. Segundo a Folha de S.Paulo, o comprovante de contas a pagar, encaminhado em 14 de julho do ano passado por um membro da tesouraria do Master ao ex-banqueiro Vorcaro, listava empresas com pagamentos pendentes. Entre os CNPJs da lista estavam o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, com saldo pendente de R$ 3,4 milhões, e a Massa & Massa, com uma das parcelas em atraso. É a primeira vez que Ratinho Junior aparece como sócio de uma das empresas do pai com negócios registrados junto ao banco. Em nota, o Grupo Massa confirmou os repasses e apresentou uma justificativa comercial para a relação. Segundo o conglomerado, Ratinho manteve contrato privado de publicidade para uso de sua imagem na promoção do CredCesta, o cartão consignado do Banco Master. O grupo afirmou ainda que, após o pagamento das quatro parcelas, a relação foi encerrada por meio de distrato, motivado por atrasos e pelo “desencontro entre a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos”. A nota do Grupo Massa buscou também contextualizar o momento da contratação: “À época da celebração do contrato, o Banco Master operava regularmente e não havia questionamentos públicos sobre sua idoneidade que impedissem ou desaconselhassem uma relação comercial dessa natureza. A contratação teve caráter exclusivamente comercial e publicitário, vinculada ao uso da imagem do apresentador e à divulgação do CredCesta.” O argumento serve para distanciar o grupo das investigações que recaem hoje sobre o banco, mas não responde à questão central que a revelação coloca: a participação do governador do Paraná como sócio de uma empresa que recebeu pagamentos de uma instituição financeira agora investigada pelo Congresso. O Governo do Paraná, por sua vez, foi direto: afirmou que não vai comentar o caso. Contexto das relações com o Banco Master A Massa & Massa não é a única empresa do universo do Grupo Massa com registros de repasses do Banco Master. Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado indicam que outras duas empresas ligadas ao grupo, a Massa Intermediação e a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, receberam ao menos R$ 24 milhões do banco entre 2022 e 2025. A Massa Intermediação teria recebido cerca de R$ 21 milhões no período, e a Gralha Azul, aproximadamente R$ 3 milhões. A diferença relevante entre essas empresas e a Massa & Massa é societária: o Grupo Massa fez questão de informar que Ratinho Junior não integra o quadro de sócios da Massa Intermediação nem da Gralha Azul. Ainda assim, o volume total de negócios entre o Grupo Massa e o Banco Master, somadas todas as empresas, aponta para uma relação comercial de escala considerável com uma instituição que hoje é alvo de investigação parlamentar. Ratinho também esteve diretamente associado à promoção do CredCesta em campanhas publicitárias: o produto chegou a ser oferecido a servidores públicos no Paraná, mas teve seu uso bloqueado no estado em novembro de 2025.

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“Dani”, “lindão”, “estamos na guerra juntos”: áudios mostram conversa entre Nikolas Ferreira e Vorcaro

Áudios revelam intimidade entre o deputado bolsonarista e o banqueiro em suposta negociação sobre ativo de minério Um áudio enviado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostra o parlamentar pedindo ajuda para encaminhar uma demanda de seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, relacionada à liberação de “um ativo minerário”. A informação foi revelada pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, que teve acesso à troca de mensagens. No áudio, enviado em 30 de março de 2025, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e “lindão”, diz que gostaria de ter mais proximidade com o banqueiro e afirma que estava repassando o contato de uma pessoa de sua confiança. “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”, disse Nikolas no áudio. Vorcaro respondeu minutos depois com um áudio de visualização única. Em seguida, Nikolas agradeceu e enviou o contato de Thiago Faria. O banqueiro respondeu: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas afirmou que iria “dar banho na pequena agora” e completou: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa terminou com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”. No dia seguinte, 1º de abril de 2025, Nikolas informou ao banqueiro que Thiago estaria em Brasília e que “qualquer horário ele estará disponível”. Vorcaro respondeu um dia depois: “Deixa comigo”. As mensagens não permitem concluir se o banqueiro efetivamente ajudou no pedido relacionado ao ex-assessor do deputado. No mesmo áudio, Nikolas também pediu desculpas a Vorcaro por publicações feitas em abril de 2024, quando criticou um evento financiado pelo Banco Master em Londres, com a presença de ministros do STJ, STF e TSE. O deputado afirmou ter conversado com o pastor Valadão sobre o episódio e disse que não sabia que se tratava do “Banco do Dani”. “Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”, afirmou Nikolas. A coluna informou ter enviado cinco perguntas a Thiago Faria e a Nikolas Ferreira. Faria respondeu que o deputado estava em campanha e que não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse. Em áudio enviado ao ICL, Faria afirmou ainda que conhece Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte e declarou que trabalhava na área de mineração. “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, disse. O nome de Thiago Rodrigues de Faria ganhou destaque meses depois da troca de mensagens, após ser citado em apurações relacionadas à Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025. A investigação da Polícia Federal mirou um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e resultou em 22 prisões preventivas. Segundo reportagem do jornal O Estado de Minas, Faria teria atuado como intermediário, por meio de um contrato de confidencialidade, em uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF. Uma das empresas mencionadas é a Gmais Ambiental. A Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia tinha um contrato assinado em janeiro de 2025 com a Gmais. O acordo previa remuneração de 25% do lucro total, estimado entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões, caso fosse obtida autorização para retomada de mineração em uma área e posterior venda de uma lavra. Em trecho do inquérito da PF reproduzido pela reportagem, os investigadores afirmam: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”. O contrato entre a Gmais e a empresa ligada ao ex-assessor de Nikolas também envolvia, segundo a reportagem, a mineração Topázio Imperial, detentora dos direitos minerários de uma lavra onde fica a barragem Água Fria, apontada como uma das sete estruturas com maior risco de rompimento no Brasil. À época, a operação estava suspensa por ação do Ministério Público Federal. Ainda conforme a PF, o grupo investigado pretendia vender a lavra da Topázio para exploração. Para isso, seria necessário liberar a empresa, titular dos direitos minerários em Ouro Preto, no distrito de Rodrigo Silva

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Cármen Lúcia vira voto decisivo em disputa sobre Moraes no caso Master

STF está dividido e Cármen Lúcia será voto de Minerva sobre Moraes · 4 ministros são favoráveis à apuração e 3 são contra; A ministra Cármen Lúcia aparece como potencial voto decisivo numa eventual análise do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Um levantamento do Poder360 aponta quatro ministros favoráveis à apuração e três contrários, mas não se trata de um placar produzido por votação ou de posições formalizadas publicamente por todos os integrantes da Corte.Edson Fachin, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça estariam no grupo favorável à investigação. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin seriam contrários. Cármen Lúcia é apontada como indefinida. A reportagem afirma ainda que Moraes e Dias Toffoli devem se declarar suspeitos caso o tema chegue ao plenário, mas essa hipótese ainda não se materializou em declarações de impedimento no processo.Um voto de Cármen Lúcia contra a investigação produziria um empate por 4 a 4, resultado que favoreceria Moraes. O cenário depende, porém, da própria configuração do julgamento e das posições que efetivamente forem apresentadas quando o Supremo analisar a questão. André Mendonça e Alexandre de Moraes André Mendonça pediu que o caso seja submetido ao plenário. Antes disso, deve concluir o relatório sobre a apuração, o que é esperado para o início da próxima semana. Caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, definir os próximos passos e eventual inclusão do assunto na pauta. Até agora, não há data formalmente marcada para uma votação.A movimentação ocorre em meio a uma disputa interna sobre a validade dos atos praticados por Mendonça no caso Master. Ministros próximos a Moraes calculam ter maioria para anular medidas do relator, enquanto Mendonça defende a continuidade da apuração.Fachin afirmou nesta quarta-feira (2) que os fatos revelados exigem encaminhamento institucional e que ainda analisa tanto os questionamentos sobre a condução de Mendonça quanto os elementos surgidos no material da Polícia Federal. Enquanto o presidente do STF não anunciar as medidas e o processo não chegar efetivamente ao plenário, o alegado 4 a 3 permanece como uma fotografia de bastidor, e não como resultado de julgamento.

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‘Pedaladas fiscais’: cai o castelo de cartas do impeachment de Dilma

TCU anulou, em 1º de setembro, punições impostas ao ex-secretário do Tesouro Arno Augustin. Além da reparação jurídica, é necessário o desagravo político a ele Por Raul Pont e Olívio Dutra (*) Dez anos depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, uma decisão da Justiça Federal abre as portas para a reparação de uma das injustiças daquele processo. No dia 1º de setembro, foram anuladas as punições impostas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao ex-secretário do Tesouro Nacional Arno Augustin no caso das chamadas “pedaladas fiscais”. Com isso, cai por terra o castelo de cartas (marcadas) que serviu de abrigo ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Arno foi secretário do Tesouro nos governos Lula e Dilma e acabou transformado em bode expiatório de um processo que teve papel central na construção política e jurídica do impeachment. Antes dele, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, também já havia obtido a anulação das decisões do TCU. O ponto principal da decisão é simples: o TCU puniu Augustin com base em uma interpretação adotada apenas em 2015, aplicando-a a fatos ocorridos anteriormente. Até então, os atrasos nos repasses da União a bancos públicos não eram considerados operações de crédito proibidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mais do que isso: a atuação de Arno Augustin estava respaldada por entendimentos da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Durante uma década, Arno Augustin,Guido Mantega e Dilma Rousseff carregaram uma acusação que atingiu suas trajetórias e imagem pública. As “pedaladas fiscais” foram apresentadas como demonstração de grave irregularidade e utilizadas para dar sustentação ao processo que afastou uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de brasileiros. É um passo importante, mas insuficiente. Além da reparação jurídica, é necessário o desagravo político a Augustin, um gestor público honesto e competente, que sempre tratou as finanças públicas com seriedade, tanto na Prefeitura de Porto Alegre, no Governo do Estado do RS quanto no Governo Federal.É necessário um desagravo popular à Dilma Rousseff, uma mulher honesta que lutou pelo Brasil e pela democracia desde a sua juventude. Arno Augustin merece ter reconhecida sua trajetória de compromisso com o serviço público e de lealdade ao projeto político que ajudou a transformar o Brasil. Dilma Rousseff merece Justiça. O povo brasileiro merece saber a verdade. (*)Raul Pont é ex-prefeito de Porto Alegre Olívio Dutra é ex-governador do Rio Grande do Sul

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André Mendonça teve encontro secreto com Daniel Vorcaro

Mensagens indicam que magistrado já sabia dos problemas do Master antes de reunião de duas horas em instituto fundado por ele em SP Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam uma articulação de semanas para aproximá-lo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que culminou em uma reunião reservada em 14 de março de 2025, em São Paulo. O encontro ocorreu no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado e, segundo os registros de deslocamento do banqueiro, durou aproximadamente duas horas. O material foi obtido pelo jornalista Paulo Motoryn e publicado originalmente na newsletter Noites Húngaras, no Substack. As conversas mostram que a aproximação foi conduzida principalmente pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), que mantinham contato com Mendonça e atuaram para organizar encontros com Vorcaro. A articulação começou em 7 de fevereiro de 2025. Naquela tarde, Ciro tentou ligar várias vezes para Vorcaro e, depois das chamadas não atendidas, escreveu: “Opa”, “me liga” e “Tô [com] André M.”. No dia seguinte, Ciro encaminhou ao banqueiro uma fotografia em que aparecia ao lado de André Mendonça. Segundo a reportagem, a imagem teria sido feita em uma unidade da Alfaiataria Vasco Vasconcelos, empresa com endereços em Brasília e São Paulo. Logo depois, o advogado enviou um áudio de seis segundos: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”. As mensagens não esclarecem qual trabalho Ciro dizia estar realizando para Vorcaro nem se havia algum contrato formal do advogado com o banqueiro, o Banco Master ou empresas ligadas ao grupo. O diálogo mostra, porém, que Ciro apresentava sua proximidade com Mendonça como parte de uma atuação em favor de Vorcaro. Ciro Rocha Soares é advogado e sócio do escritório Rocha Soares Advogados Associados, em Salvador. Entre 2016 e 2017, foi ouvidor do Ministério do Turismo. As conversas também revelam que a relação entre ele e Vorcaro não era estritamente profissional. Os dois se tratavam como irmãos e trocavam mensagens de amizade e sobre assuntos familiares. Essa proximidade aparece em uma conversa de 16 de fevereiro, quando Ciro procurou novamente o banqueiro. “Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado. Logo depois, acrescentou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”. Vorcaro respondeu com um ponto de interrogação e, posteriormente, sugeriu: “Marca quarta”. Na mesma sequência de mensagens, Ciro reclamou, em tom amistoso, que Vorcaro havia sido “o único amigo” que não telefonara em seu aniversário. O banqueiro explicou que quase compareceu à comemoração, mas teve um problema envolvendo os filhos. “Você é meu irmão caçula, meu protegido”, respondeu Ciro. Vorcaro, por sua vez, chamou o advogado de “irmão, anjo da guarda, parceiro, amigo de verdade” e afirmou: “Se não fosse você eu não estaria de pé”. “Dei uma balançada nele” Depois da troca de mensagens pessoais, Ciro enviou a Vorcaro um áudio de 1 minuto e 39 segundos em que detalhou sua interlocução com André Mendonça. O advogado contou que o ministro havia feito uma homenagem a ele durante sua festa de aniversário e citou também a presença do ministro do STF Kassio Nunes Marques e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. “O André Mendonça fez uma homenagem pra mim do caralho no aniversário. O Kassio, o Gonet, puta merda, enfim, foi bacana”, disse. Em seguida, Ciro voltou ao assunto envolvendo Vorcaro: “O André quer te receber. Acho que eu dei uma balançada nele naquele assunto.” O advogado não explicou naquele momento o que seria “aquele assunto”. Mais adiante no mesmo áudio, porém, fez referência direta aos problemas enfrentados pelo Banco Master perante o Banco Central. “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo, me pediu até pra levar o Otto. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha, Cezinha já tinha falado com ele.” A gravação indica, portanto, que havia ao menos duas linhas de interlocução com Mendonça antes do encontro com Vorcaro: uma conduzida por Ciro e outra por Cezinha de Madureira. Segundo o próprio advogado, os dois já haviam falado ao ministro sobre uma situação envolvendo o Banco Central. Ciro também disse que iria a Brasília e depois seguiria para São Paulo, onde seria internado no Hospital Sírio-Libanês. Ele propôs encontrar Vorcaro no Banco Master antes da reunião com Mendonça. “Se quiser, eu passo no banco, a gente conversa”, sugeriu. Primeira tentativa de encontro fracassou Em 17 de fevereiro, Ciro voltou a procurar Vorcaro e afirmou que estava saindo de Brasília. “Dani, estou saindo de BSB agora. Estava numa reunião. Preciso falar com você hoje. Podemos marcar às 18h”, escreveu. Os dois fizeram uma ligação de 18 segundos. Pouco depois, Ciro informou que estava “subindo”, indicando que teria chegado ao local combinado. Às 19h08, enviou outra mensagem: “Cezinha confirmou às 16h de quarta”. A quarta-feira seguinte era 19 de fevereiro. O conjunto das mensagens indica que Ciro fazia referência a um encontro com André Mendonça que estava sendo organizado para aquele dia. Na data marcada, o advogado pediu a Vorcaro que Bruno Bianco Leal também comparecesse. Bianco comandou a Advocacia-Geral da União entre agosto de 2021 e janeiro de 2023, sucedendo justamente André Mendonça na chefia da instituição durante o governo de Jair Bolsonaro. Após deixar o serviço público, passou a atuar na iniciativa privada e posteriormente integrou a defesa de Vorcaro. “Ô, Dani, deixa eu te falar aqui, pede ao Bruno Bianco chegar aqui quatro e meia, pode ser? Que aí a gente faz uma apresentação aqui. Ou quatro e vinte”, disse Ciro em áudio. A reunião prevista para as 16h, porém, não ocorreu como planejado. A apuração da newsletter conferiu a agenda e os registros da sessão do plenário do STF daquele 19 de fevereiro e verificou que Mendonça estava em Brasília, participando presencialmente do julgamento durante a tarde. As mensagens não esclarecem se a reunião foi cancelada ou apenas remarcada. Menos de

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