Mendes pede à PGR investigação contra senador Alessandro Vieira

Parlamentar pediu indiciamento de ministros na CPI do Crime Organizado
Ex-Prefeito de Buritizeiro usa veículo da Prefeitura para transportar muambas para sua loja

Caminhonete de prefeitura de Buritizeiro foi apreendida com mercadorias ilegais na Fernão Dias. Segundo a PRF, o veículo público era usado para transporte de produtos destinados a loja privada. Quatro pessoas foram detidas e encaminhadas à Delegacia de Polícia Judiciária em Varginha Quatro pessoas foram detidas na manhã desta quarta-feira (15), durante uma operação de combate ao crime na Rodovia Fernão Dias, em Carmo da Cachoeira (MG). Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o grupo estava em uma caminhonete vinculada à Prefeitura de Buritizeiro (MG), que estaria sendo utilizada de forma irregular para fins particulares.Durante a abordagem, os policiais encontraram diversos volumes na caçamba do veículo contendo mercadorias de origem estrangeira, como maquiagens, ferramentas e eletrônicos, sem documentação fiscal válida.Conforme a PRF, apurações iniciais indicam que o veículo, abastecido com recursos públicos e conduzido por um servidor municipal em horário de serviço, teria sido usado para ir até São Paulo (SP) com o objetivo de adquirir produtos destinados ao abastecimento de uma loja privada em Pirapora (MG). Além do motorista, também estavam no veículo outros ocupantes, incluindo servidores públicos municipais, o que, segundo a ocorrência, aponta para o uso de mão de obra custeada pelo poder público em benefício de atividade comercial particular.Ainda segundo a PRF, com base em relatos colhidos no local, a ação teria sido realizada a pedido de um ex-prefeito do município, reforçando os indícios de desvio de finalidade no uso da estrutura administrativa. A situação pode configurar, em tese, crimes como peculato, prevaricação e associação criminosa.Os quatro envolvidos — dois homens, de 70 e 44 anos, e duas mulheres, de 43 e 36 anos —, além do veículo e das mercadorias, foram encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária em Varginha (MG). Após contato com a Receita Federal, foi determinado o envio dos itens apreendidos ao órgão para as providências legais cabíveis. Fonte: G1 Sul de Minas
Wagner Moura integra lista dos mais influentes do ano da revista Time

Dois pesquisadores brasileiros também estão na lista O ator brasileiro Wagner Moura, que recentemente concorreu ao Oscar por sua atuação no filme O Agente Secreto, foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, escolhidos pela revista estadunidense Time. Ele aparece entre as personalidades consideradas como ícone mundial.Além de estar na seleção das pessoas mais influentes do mundo, Moura foi escolhido como uma das quatro capas da revista, ao lado da atriz Zoe Saldaña, do cantor Luke Combs e da atriz e comediante Nikki Glaser.No perfil dedicado ao artista, e intitulado: “Eu falo as coisas. Não tenho medo”. Wagner Moura quer lhe contar a verdade, a revista destaca o posicionamento político do ator, que não teria medo de dizer o que pensa.“Governos vêm e vão”, disse Moura em entrevista à Time, falando sobre os Estados Unidos, país onde vive atualmente.“Mas, para mim, este é o país que acolhe pessoas de todos os cantos, que foi construído sobre a imigração. Claro, o país está polarizado. Mas há uma diferença entre o governo que está no poder agora e a alma do país. Donald Trump representa muito do que os EUA são. Mas os EUA não são apenas isso, nem de longe. Este é o país de Martin Luther King, de Rosa Parks, de tantos outros lutadores pela liberdade que exportaram suas ideias para o resto do mundo.”A revista ainda descreveu o ator brasileiro como alguém que não usa redes sociais, ouve música em vinil e dirige seu próprio Fusca 1959. “Em um mundo cada vez mais digital, que parece se tornar mais inteligente apenas no sentido artificial, ele é o antídoto analógico que nem sabíamos que precisávamos”, diz a Time. Outros dois brasileiros na listaOutros dois brasileiros aparecem na lista de pessoas mais influentes da Time: os pesquisadores Mariangela Hungria da Cunha e Luciano Moreira.Mariangela Hungria da Cunha, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já venceu a premiação do World Food Prize 2025, considerada a mais importante da agricultura mundial, conhecida como o “Nobel” da Alimentação e Agricultura.Ela está na lista de pioneiras pelo desenvolvimento de um trabalho com microrganismos que permitem que as plantações absorvam nitrogênio do ar de forma mais natural. Segundo a revista, as inovações científicas desenvolvidas por ela ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano, além de evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.Já o pesquisador Luciano Moreira foi escolhido na categoria inovadores pelo desenvolvimento e expansão de uma técnica que emprega mosquitos modificados para impedir a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.No ano passado, Moreira já havia entrado na lista Nature’s 10, da revista Nature, por seus trabalhos ligados ao Aedes aegypti.
Anvisa proíbe canetas emagrecedoras irregulares no Brasil

Medicamentos Gluconex e Tirzedral não têm garantia de qualidade A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A medida também proíbe a comercialização, a distribuição, a importação e o uso dos produtos.“Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.Em nota, a Anvisa destacou que, por se tratarem de produtos irregulares e de origem desconhecida, “não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade”. Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese”.“Profissionais de saúde e pacientes que identificarem produtos das marcas e lotes citados podem entrar em contato com a agência, por meio dos canais de atendimento, ou com a vigilância sanitária local, utilizando os contatos disponíveis no portal da Anvisa.” ParaguaiNa última segunda-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus que vinha do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.O veículo vinha sendo monitorado por suspeita de transportar material ilegal. No momento da abordagem, havia 42 passageiros no ônibus, que foram conduzidos à Cidade da Polícia.Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi preso em flagrante, com grande quantidade de produtos de origem paraguaia colocados à venda irregularmente no território nacional, como anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras, contendo a substância tirzepatida.
Gilmar Mendes dá dura resposta a Zema após ataques ao STF: “contradição é latente”

Ex-governador de Minas defendeu afastamento de Moraes e Toffoli da corte; ministro aponta contradições na narrativa de Zema Nesta quarta-feira (15), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes utilizou as redes sociais para responder publicamente ao ex-governador e pré-candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo), que defendeu o afastamento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli da corte.Gilmar, que também proferiu críticas ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por conta do relatório que tentou indiciar ministros do Supremo e o procurador-geral da República na CPI do Crime Organizado, afirmou que Zema age de maneira dupla frente ao Supremo.Citando as renegociações de dívidas de Minas Gerais julgadas pelo STF, ele mostrou que o ex-governador do estado age de maneira contraditória frente à corte.“É, no mínimo, irônico ver quem já geriu o Estado de Minas Gerais atacar o STF e seus membros após ter, durante sua gestão, solicitado ao Tribunal medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União”, afirma.“O mesmo agente que hoje agride o Tribunal recorreu a ele inúmeras vezes para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União. Sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais”, continuou Gilmar.“A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal. Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse. Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros. É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião”, continuou Veja aqui Não é a primeira vezEm março, Gilmar Mendes criticou Zema, em sessão plenária do Supremo. Segundo ele, governadores recorrem com frequência ao tribunal para obter liminares com impacto fiscal, inclusive para ingresso ou permanência em programas de recuperação fiscal, e depois partem para o ataque contra a Corte.Sem citar nome, Gilmar mencionou “um governador de Minas Gerais” e afirmou que o estado estaria “sobrevivendo” graças a decisões provisórias dadas pelo STF.O pano de fundo do embate é a situação fiscal de Minas Gerais e a disputa recorrente sobre dívida com a União, renegociação e condições de pagamento. Nesta semana uma nota técnica da Secretaria do Tesouro Nacional detalhou períodos de suspensão de parcelas e prorrogações obtidas por Minas por meio de decisões judiciais, incluindo liminares no STF, em um intervalo de 21 meses de suspensão de pagamentos em anos recentes, a partir de ações e pedidos apresentados pelo governo estadual.O tamanho do passivo também aparece como elemento central da controvérsia. Há estimativas diferentes, a depender do recorte e do momento considerado, mas a ordem de grandeza gira em torno de R$ 179 bilhões a R$ 205 bilhões.E como a Fórum já vinha contextualizando em Romeu Zema aumenta em mais de R$ 100 bilhões a dívida de Minas em meio à retórica de gestão técnica, a dívida mineira cresceu fortemente no período recente, e a discussão sobre liminares e encargos tornou-se parte do debate político em Minas, inclusive com críticas à retórica de “gestão técnica” usada pelo governador.
Fim da escala 6×1: saiba o que pode mudar com o projeto do governo e o que está em jogo no país?

A medida, que propõe redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição do salário O fim da escala 6×1 – seis dias de trabalho e um de descanso – ganhou novo capítulo após o envio do projeto de lei do governo Lula ao Congresso na noite de terça-feira (14). A medida, que propõe redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição do salário, divide opiniões.De um lado, trabalhadores, parlamentares, centrais sindicais, governo e até alguns empregadores se movimentam em defesa das mudanças, considerando-as naturais frente ao avanço da tecnologia. Também seria uma solução contra o crescente adoecimento dos trabalhadores, que pressiona a Previdência Social.De outro, entidades empresariais, em especial indústria, comércio e serviços, apresentam estudos nos quais teriam prejuízos bilionários com a medida, afetando o PIB (Produto Interno Bruto) e causando desemprego em alguns setores. O QUE PODE MUDAR NA JORNADA COM O PROJETO DO GOVERNO LULA?O projeto enviado pelo governo Lula altera a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O principal ponto é a redução da carga horária semanal, que passa a ter limite de 40 horas, quatro horas a menos que a regra atual. O trabalhador teria direito a dois descansos por semana, mas não há determinação dos dias específicos, apenas indicação de que a folga deve ser, preferencialmente, aos sábados e domingos.Segundo o projeto, a escala valerá também para trabalhadores de comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais e outros. No entanto, as áreas que têm funcionamento especial, como aos sábados e domingos, devem ter escala de revezamento, que deverá ser organizada todos os meses. VEJA AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕESREDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA SEMANAL: – A duração normal do trabalho passa a ter o limite de 40 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diáriasESCALA 5X2: – O projeto prevê que o trabalhador passa a ter direito a dois repousos semanais remunerados de 24 horas seguidas cada. O texto não estabelece dias obrigatórios, mas diz que a folga deve ser, de preferência, aos sábados e domingosSALÁRIO: – A redução da jornada e a garantia dos novos descansos não podem levar à redução nominal ou proporcional dos salários, nem alteração dos pisos salariais vigentes. A regra se aplica a todos os trabalhadores, incluindo os de regimes especiais, trabalho avulso e os de tempo parcialESCALA 12X36: – Fica mantida a escala 12×36 (12 horas de trabalho por 36 horas de descanso), limitada da 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva PARA QUEM VALERÁ A MEDIDA E A PARTIR DE QUANDO?A redução da jornada sem diminuição do salário está prevista para os contratos pela CLT vigentes em todo o país, mas para entrar em vigor precisa ser aprovada na Câmara e no Senado e ter a sanção do presidente LulaA medida abrange trabalhadores no comércio, empregados domésticos, atletas profissionais, aeronautas, radialistas e profissionais da saúde, entre outrosDuas PECs (propostas de emenda à Constituição) chegaram a avançar na Câmara, mas não estão prontas para votação. A Casa deve apresentar o relatório sobre o fim da 6×1 nesta quarta-feira (15). O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que uma mudança desse tipo deve ser por feita por PEC. No Senado, uma outra PEC chegou a ser aprovada na CCJ no fim de 2025, mas tende a ser engavetada.O governo Lula prefere o projeto de lei por ter tramitação mais rápida do que uma PEC, que precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações.A proposta do Planalto faz frente ao principal pedido das centrais sindicais na Marcha da Classe Trabalhadora nesta quarta (15), em Brasília. Os sindicalistas entregarão a Lula e ao presidente da Câmara um documento com 68 itens. O fim da escala 6×1 é a prioridade, seguido de combate ao feminicídio e à pejotização, fortalecimento das negociações coletivas e regulamentação do trabalho por aplicativo.Segundo o artigo 7º da Constituição Federal de 1988, a duração do trabalho normal no Brasil não pode ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais. A compensação de horários e a redução da carga horária podem ser feitas por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho.Nesta terça-feira (14), Lula afirmou não ver sentido no trabalhador ter apenas um dia para descansar. “Não tem mais sentido com o avanço tecnológico que o mundo teve a gente ainda só tem um dia pra descansar. Quando olho na cara de vocês eu vejo as pessoas mais simples do mercado de trabalho nesse país”, disse.Mais cedo, no mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), disse em evento com sindicalistas que há uma tendência mundial de redução de jornada no mundo inteiro, mas destacou que é preciso olhar para as especificidades de cada setor. “Com tecnologia, você faz mais com menos gente, então cada vez você produz mais com menos trabalhadores, é uma tendência mundial da redução de jornada”, disse. ESTUDOS APONTAM PRÓS E CONTRAS DA MEDIDAPara os empregadores, o prejuízo financeiro teria de ser sanado de alguma forma, com compensações. Além disso, as empresas temem a votação de um projeto do tipo em ano eleitoral, por considerarem que mesmo parlamentares da oposição poderão ser favoráveis à medida .Levantamento do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas) feito por Daniel Duque mostra que diminuir jornada sem cortar salário elevaria o custo do trabalho por hora, pressionando empresas a ajustar preços e a demitir.Haveria, segundo o estudo, redução de cerca de 638 mil postos formais, com impactos maiores em setores como construção, comércio e agropecuária, e efeito negativo de 0,7% no PIB.Outro estudo, conduzido pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa e Paulo Peruchetti, também do FGV/Ibre, aponta redução de 6,2% no PIB se a diminuição for de 44 para 36 horas semanais. Como a produtividade do brasileiro cresce 0,5% ao ano, os custos demorariam a ser absorvidos.Já o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que haveria uma elevação do custo da mão de obra
Com Lula e Pacheco, teremos chapa forte em MG, diz Marília Campos, pré-candidata ao Senado

Em pré-campanha, Marília Campos reúne apoiadores em BH e apresenta sua agenda prioritária para o Senado A ex-prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e pré-candidata ao Senado por Minas Gerais, Marília Campos (PT), realizou, na segunda-feira (13), seu primeiro evento aberto na capital mineira desde que o seu nome foi definido para concorrer a uma vaga na Câmara Alta.Com o lema BH abraça Marília, a atividade reuniu lideranças políticas e apoiadores da petista. Um levantamento da AtlasIntel, divulgado no dia 1º de abril, indicou que Marília Campos ocupa, com mais de 20% de intenções de voto, o primeiro lugar entre os preferidos da população mineira para o Senado.“Nós queremos formar uma trincheira para continuar avançando no nosso país e para reconstruir Minas Gerais. As pessoas me perguntam por que eu abri mão de um mandato com uma avaliação positiva de 82% na minha cidade, por que eu renunciei à prefeitura e sou pré-candidata ao Senado. É porque eu quero colocar a minha história e a minha credibilidade à disposição para reconstruir o nosso estado”, destacou a petista, em seu discurso durante o evento. Reforço na chapa de LulaA pré-candidatura é vista com entusiasmo pelos partidos de esquerda, em razão da viabilidade eleitoral, mas também pelo reforço ao palanque de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição presidencial, no estado, que é o segundo maior em tamanho do eleitorado do país.Campos enfatiza que, para ela, as eleições de 2026 serão um momento para debater com a sociedade um projeto de país e de estado que dê prioridade aos interesses públicos e da população trabalhadora.Gestão de Marília Campos tem avaliação positiva de 82% em Contagem“Eu quero usar toda a minha disposição para ajudar na reeleição do Lula. Nós temos que discutir a minha pré-candidatura vinculada a um projeto de Brasil e a um projeto de Minas Gerais. O Brasil está melhor com Lula, porque controlou a inflação, tem crescimento econômico, tem crescimento de emprego, consegue reduzir a desigualdade social, saiu do mapa da fome. O Brasil está melhor porque nós temos um presidente que defende o país e a soberania nacional, que é comprometido com o projeto democrático”, disse Marília Campos, ao defender a importância da reeleição de Lula.Ainda assim, ela reconhece que a eleição nacional não será fácil e que o principal adversário da chapa democrática será, novamente, a extrema direita, com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Para enfrentar a disputa, a pré-candidata ao Senado por MG aposta que, além de propagandear as conquistas obtidas nos últimos quatro anos de governo Lula, é preciso apresentar à população uma perspectiva de futuro.“Derrotamos a PEC da Blindagem, avançamos na questão da isenção do imposto de renda e poderemos avançar ainda mais com o fim da jornada 6 por 1. Mas será que todos esses avanços vão garantir que a gente desponte muito à frente do candidato da direita? Como está a subjetividade do nosso povo? Eu sinto que as pessoas estão ligadas no presente. Mas, mais do que o presente, elas querem uma esperança de futuro. Elas querem otimismo em relação ao futuro”, analisa Marília Campos.Ela ainda afirma que sua pré-campanha e campanha servirão para, além de defender e informar a população sobre os feitos do governo federal, dialogar com amplos setores, unificar a esquerda e disputar as narrativas.“Estamos vendo investimento público em todas as áreas, na infraestrutura, saúde, assistência, etc. Mas nosso desafio é resgatar a esperança, no modo de fazer política, em como dialogar com todos os setores. Nós temos que trazer o empresariado. Quem é que também cresceu nesse país com as políticas que o Lula implementou? A atividade econômica”, destaca. Perspectivas para Minas GeraisDurante o evento de pré-campanha, Marília Campos também destacou a importância da eleição federal para o contexto específico de Minas Gerais e defendeu o nome do senador Rodrigo Pacheco, recém filiado ao PSB, para o governo do estado.Pacheco ainda não oficializou sua pré-candidatura, mas é o nome defendido por Lula para ocupar a cadeira de chefe do Executivo mineiro. Junto ao presidente, ele articulou uma resposta para a dívida de MG com a União, por meio da criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Durante as gestões de Romeu Zema (Novo), o montante devido pelo estado cresceu mais de 60%, chegando a aproximadamente R$ 200 bilhões.“Nós sabemos que Minas cresce quando Lula é presidente. Lula foi quem deu as cartas para que Rodrigo Pacheco pudesse negociar, pelo menos parcialmente, uma solução para a dívida do estado, que sangra os cofres públicos do povo mineiro. A minha defesa sempre foi e continua sendo que Pacheco seja o nosso candidato a governador. Nós teremos um palanque forte, com Lula, Pacheco e Marília Campos”, enfatizou a pré-candidata.A petista também sinalizou outras pautas que ganharão centralidade em sua caminhada ao Senado, como a defesa da autonomia e distribuição de recursos aos municípios, o combate à violência contra as mulheres, o enfrentamento a todas as formas de disctiminação e preconceitos, além do fortalecimento da democracia. “Nós vamos lutar a partir de agora para construir a vitória que o Brasil precisa e o nosso estado também”, finalizou. Evento representativoO evento em Belo Horizonte contou com a presença de dirigentes partidários do PT, PV, PCdoB, PSB e Psol, além de parlamentares, como os deputados estaduais e federais Beatriz Cerqueira (PT), Bella Gonçalves (PT), Leninha (PT), Miguel Ângelo (PT), Ricardo Campos (PT), Virgílio Guimarães (PT), e os vereadores Bruno Pedralva (PT-BH), Edmar Branco (PCdoB-BH), Iza Lourença (Psol-BH), Luiza Dulci (PT-BH), Pedro Rousseff (PT-BH), Adriana Souza (PT-Contagem), Moara Sabóia (PT-Contagem), Marcela Menezes (PT-Ribeirão das Neves), Suzane (PT-Santa Luzia), entre outros.Também participaram do encontro ex-ministros, como a ex-ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, e lideranças históricas da política mineira, como Jô Moraes, Luiz Dulci e André Quintão.
Em MG, mulheres do sertão transformam memória ancestral em dança e protagonismo

2ª edição do encontro cultural e político Aquilombar-se foi realizada na Chapada Gaucha (MG) O distrito de Serra das Araras, na Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, foi tomado por cantigas, rodas e histórias compartilhadas durante a segunda edição do Aquilombar-se, no último sábado (11). O encontro reuniu mulheres de comunidades quilombolas e tradicionais do território do Grande Sertão Veredas em um movimento que articula cultura, memória e fortalecimento coletivo.A atividade integra o projeto Relembranças: Memórias Dançadas de um Tempo Velho, realizado pelo Instituto Rosáceas com financiamento da Fundação do Banco do Brasil. A iniciativa envolve mulheres das comunidades de Barro Vermelho I, Buraquinhos, Morro do Fogo e Serra das Araras, e aposta na dança, no canto e na oralidade como instrumentos de resgate e transmissão de saberes ancestrais.Durante o encontro, apresentações culturais revelaram tradições que atravessam gerações e que, segundo as participantes, nem sempre tiveram visibilidade fora dos territórios. Para Evanilde Ferreira, da comunidade de Barro Vermelho, o projeto representa uma oportunidade inédita de reconhecimento.“Sem o evento, nós não teríamos a oportunidade de ter saia, blusa, vestido, calçado e ser filmada, ser levada para longe. Às vezes a gente fazia aqui, mas não tinha a oportunidade de ser mostrada. Para mim, ficou tudo maravilhoso, tudo lindo”, afirmou.Além das apresentações, o projeto também inclui a produção de um documentário construído a partir do olhar das próprias mulheres. Elas participam de todas as etapas do processo audiovisual, da direção à atuação, garantindo autonomia na forma como suas histórias são contadas. A iniciativa ainda envolve a confecção de figurinos por costureiras locais, gerando renda e valorizando o trabalho artesanal. ‘Mulheres do sertão podem muito’A idealizadora e coordenadora do projeto, Marta Andrade, explica que o trabalho é resultado de um processo contínuo de escuta e reconstrução de memórias iniciado há mais de três anos.“Criamos espaços de troca para que essas mulheres pudessem falar sobre como é ser mulher no sertão. Nesse processo, as danças e cantigas foram sendo retomadas. É uma lembrança que passa pelo corpo”, destaca.Segundo ela, muitas dessas tradições estavam adormecidas e foram reativadas a partir das vivências coletivas.“As mulheres foram se fortalecendo e retomando essas práticas, transmitindo para filhas e netas. É um saber que segue de voz em voz, de corpo a corpo, fortalecendo o território”, afirma.O Aquilombar-se, de acordo com Marta Andrade, é um espaço político de encontro, onde as mulheres celebram conquistas e também debatem os desafios enfrentados no sertão, marcado por desigualdades históricas e vulnerabilidades socioambientais.“É um evento de resistência, de fortalecimento e de celebração. Eu tenho dito muito que mulheres do sertão não podem tudo, mas podem muito. E isso vale para qualquer lugar”, conclui. Brasil de Fato MG
Bets acentuam dívidas e geram crise silenciosa no Brasil

Com bilhões drenados, apostas digitais pressionam famílias, desafiam a economia e podem influir nas eleições de 2026 O avanço das apostas online no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno de consumo para se tornar um problema estrutural da economia. Elas estão pressionando o orçamento das famílias e gerando um nível de endividamento que pode impactar no desenvolvimento da nação.Foi nesse contexto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom no último dia 8 de abril ao afirmar, em entrevista ao ICL Notícias: “Se depender de mim, a gente fecha as bets”.No campo político, disputas são reorganizadas em torno da regulação do setor. Com bilhões drenados mensalmente para plataformas digitais e sinais claros de deterioração financeira entre os mais vulneráveis, cresce a avaliação de que o país enfrenta uma nova frente de crise social silenciosa.A declaração de Lula, a mais enfática até agora do chefe do Executivo, aquece o debate sobre o futuro das apostas online no país. A fala não é isolada. Ela ecoa a preocupação com um fenômeno que, segundo estudos recentes, já é o principal motor do endividamento das famílias brasileiras e que superam até os tradicionais juros abusivos do crédito rotativo. Descontrole financeiro X betsLevantamento da FIA Business School, escola de negócios vinculada à Universidade de São Paulo (USP), e do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (Ibevar), divulgado no fim de 2025, mostrou que o vício em apostas online já figura como a causa número um para o descontrole financeiro dos lares brasileiros.O retrato se agravou em fevereiro deste ano, quando o Procon São Paulo revelou que 39,7% dos apostadores se endividaram depois de começar a usar as plataformas. O perfil predominante desse novo endividado é masculino (61,8%), jovem (82,5% têm até 44 anos) e de baixa renda (38,6% ganham até dois salários mínimos).O impacto no orçamento familiar é brutal: cerca de 30% dos jogadores gastam mais de R$ 1 mil por mês em bets, dinheiro que deixa de ir para alimentação, educação e lazer.O resultado dessa sangria aparece nos números oficiais de inadimplência. Em fevereiro de 2026, o Brasil atingiu a impressionante marca de 81,7 milhões de CPFs negativados, segundo dados do Serasa.Com o comprometimento da renda das famílias atingindo 29% em média, economistas alertam para efeitos em cascata na economia. O consumo tende a se contrair, especialmente em bens não essenciais, o que pode pressionar para baixo a arrecadação de impostos indiretos (ICMS, IPI, PIS/Cofins).Além disso, o governo já foi obrigado a lançar programas caros de renegociação de dívidas – como o Desenrola – e o próprio crescimento do PIB corre o risco de ficar comprometido se a inadimplência não for controlada. Lucro alto e imposto baixoDiante desse cenário, o governo Lula tenta, há mais de um ano, aumentar a carga tributária sobre as bets. Em 2025, as apostas online movimentaram R$ 30 bilhões em receita bruta (GGR) — o valor que as casas embolsam após pagar os prêmios aos apostadores. Desse montante, o governo arrecadou R$ 4 bilhões em tributos.A briga para elevar a taxação, no entanto, tem sido um campo minado. Em outubro de 2025, a Medida Provisória 1303 – que previa alíquotas mais agressivas, de até 18% sobre a receita bruta – foi barrada no Congresso, numa derrota do governo liderada pela oposição bolsonarista.A MP caducou. Uma meia vitória veio depois, com a Lei Complementar 224/2025, que elevou a tributação de 12% para 15% a partir de 2026, com previsão de aumentos graduais.O problema, avaliam especialistas, é que mesmo a nova alíquota ainda é baixa se comparada ao padrão internacional. Enquanto o Brasil passará a cobrar 15%, Nova York, nos Estados Unidos, taxa em até 51% sobre o lucro das apostas. A França aplica 33%, o México 30%, Portugal até 25% e a Holanda elevou sua alíquota para 34,2% em 2025, com nova alta prevista para 2026.“O Brasil virou paraíso fiscal das bets, e a conta está sendo paga pelas famílias mais pobres”, resume um técnico do Ministério da Fazenda que preferiu não se identificar. A máquina de propaganda e a suspeita de desinformaçãoParte da dificuldade do governo em avançar na regulação, segundo analistas, explica-se pelo poder de fogo do setor. As bets viraram os maiores anunciantes do país. Só em publicidade na TV aberta, paga, rádio e streaming, investiram mais de R$ 1,4 bilhão em 2025.No futebol, a presença é avassaladora: 18 dos 20 times da Série A têm uma casa de apostas estampada na camisa, gerando mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios máster. Clubes como Flamengo (Betano) e Corinthians (Esportes da Sorte) fecharam contratos milionários.No Rio Grande do Sul, apesar das bets não figurarem atualmente e momentaneamente nas camisas de jogo da dupla GreNal, elas não estão alheias as competições.Entre os maiores anunciantes do futebol brasileiro, as bets aparecem regularmente nas placas de LED ao redor dos gramados, financiando os mais variados campeonatos e transmissões.O dinheiro, porém, não está apenas nos estádios e na TV aberta. Relatórios do Itaú Unibanco estimam que os gastos totais com marketing do setor chegam a impressionantes R$ 8,8 bilhões por ano. E há suspeitas de que parte desses recursos esteja sendo desviada para um front mais obscuro: a desinformação política.Desde o início de 2026, circularam denúncias de que casas de apostas – especialmente as que operam de forma irregular ou com laços políticos com a oposição – estariam patrocinando páginas de fofoca e perfis nas redes sociais para disseminar ataques ao governo Lula.Quando ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a mencionar publicamente que, após a decisão do governo de regular e taxar o setor, as empresas passaram a financiar “campanhas de mentiras”, como a falsa taxação do Pix, para desgastar a administração federal. A suspeita é que essas ações busquem não apenas proteger os lucros do setor, mas também influenciar as eleições presidenciais de 2026.A declaração de Lula de que “fecha as bets se depender dele” encontra, porém, limites práticos. O próprio presidente reconheceu que a decisão final depende do Congresso Nacional.Enquanto
‘Máfia das Próteses’: uma década após operação, STF nega trancamento de ação penal em Montes Claros

Ministra Cármen Lúcia rejeitou pedido da defesa e manteve processo que apura pagamento de mais de R$ 355 mil em propinas a médico A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta segunda-feira (13) seguimento ao habeas corpus impetrado pela defesa de dois ex-representantes comerciais da multinacional Biotronik, por envolvimento em um esquema de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. O caso foi descoberto em 2015 e ficou conhecido como Máfia das Próteses.A decisão mantém o curso da ação penal que apura crimes de corrupção ativa e organização criminosa. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), funcionários da empresa alemã teriam pago mais de R$ 355 mil em propinas a médicos para que eles utilizassem preferencialmente stents e outros materiais cardiológicos da marca, no intuito de maximizar vendas e lucros da empresa.O caso que chegou ao STF envolve Edilson Feliciano Fonseca Ferreira e Warley da Silva Gusmão, que atuaram como representantes comerciais da Biotronik na região. O MPF aponta que eles participaram de um esquema que pagava “bonificações” ao médico hemodinamicista Gustavo Oliveira de Albuquerque em troca da utilização preferencial de stents e outros materiais cardiológicos fornecidos pela empresa.A denúncia descreve que cerca de 80% dos procedimentos realizados pelo hemodinamicista no período no Hospital Dilson Godinho, em Montes Claros, eram custeados pelo SUS. Os pagamentos, segundo o órgão, foram realizados entre agosto de 2012 e fevereiro de 2015 e totalizaram mais de R$ 355 mil, repassados por meio de notas fiscais fraudulentas de uma empresa de consultoria do próprio médico. O caminho até o STFA defesa dos ex-representantes tentou, em diversas instâncias, trancar a ação penal sob o argumento de que a denúncia seria inepta, ou seja, que não descreveria de forma suficiente a conduta individual de cada réu. A tese ganhou fôlego quando o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), acolheu o pedido e determinou o trancamento do processo.O MPF recorreu da decisão. Em outubro de 2025, na Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, o relator votou pelo improvimento, seguido por dois ministros. O ministro Og Fernandes, no entanto, pediu destaque e levou o caso para o plenário presencial. Na nova sessão, dois ministros mudaram de posição, formaram maioria e determinaram a retomada da ação penal.A defesa questionou a mudança de votos sem fundamentação expressa e apontou ainda uma contradição: a mesma Sexta Turma manteve o trancamento da ação penal em relação à corré Simone Renata Spitzner, que era gerente regional de vendas da Biotronik e, segundo a própria acusação, ocupava posição hierarquicamente superior aos dois representantes comerciais.Os advogados sustentaram que seria ilógico manter a persecução penal contra subordinados quando a ação foi trancada para quem comandava o esquema. “Resta claro, portanto, que a guinada no entendimento da Sexta Turma do STJ acerca desses fatos, ao dar provimento ao agravo regimental do Ministério Público Federal, representa verdadeiro constrangimento ilegal, sobretudo porque não foi externada a fundamentação que motivou a mudança repentina dos votos dos ministros”, argumentou. A decisão de Cármen LúciaAo analisar o caso, a ministra, no entanto, rejeitou os argumentos. Na decisão de 29 páginas, Cármen Lúcia reproduziu longos trechos da denúncia para demonstrar que a peça acusatória descreveu com detalhes o suposto esquema, o papel de cada envolvido e os elementos de prova reunidos pelo MPF, incluindo a colaboração premiada do próprio médico, notas fiscais, planilhas de pagamentos e autorizações de internação hospitalar.Para a ministra, a denúncia atendeu os requisitos legais ao narrar as condutas imputadas, o período dos fatos, os valores envolvidos e a forma como os pagamentos eram operacionalizados. Cármen Lúcia considerou que trancar a ação penal neste momento seria prematuro, já que a análise mais aprofundada sobre o nexo entre os pagamentos e os procedimentos do SUS deve ocorrer durante a instrução processual.A relatora também apontou falha técnica, pois a defesa não juntou a íntegra do acórdão do STJ, apenas ementas. O STF entende que cabe ao impetrante apresentar todas as peças necessárias. Sobre a mudança de voto, Cármen Lúcia afirmou que, em julgamentos colegiados, a adesão à divergência sem fundamentação autônoma é prática ordinária, presumindo-se que o julgador incorporou os fundamentos do voto que acompanhou. A máfia das prótesesO caso foi um desdobramento da Operação Desiderato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2015, que investigou a atuação de empresas de material cardiológico no pagamento de propinas a médicos em Montes Claros. A Biotronik, multinacional com sede na Alemanha, foi condenada em 2024 a pagar R$ 15 milhões de indenização por dano moral coletivo em ação por violação à Lei Anticorrupção.O MPF apurou que, somente entre 2010 e 2015, a empresa pagou cerca de R$ 2,5 milhões em bonificações a quatro médicos hemodinamicistas na cidade, que atuavam predominantemente pelo SUS. Em uma ação penal anterior sobre os mesmos fatos, mas envolvendo outros médicos, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) havia reconhecido a inépcia da denúncia e determinado o trancamento parcial do processo. E agora?A nova denúncia, porém, foi considerada pelas instâncias ordinárias como distinta e mais detalhada, uma vez que foca especificamente na relação com o médico Gustavo Albuquerque. Com a decisão de Cármen Lúcia, a ação penal prossegue na 1ª Vara Federal de Montes Claros. A defesa já havia sido intimada para apresentar alegações finais.Na petição enviada ao STF, os advogados argumentaram ainda que havia um “perigo na demora” (periculum in mora). Eles sustentaram que se o processo em Montes Claros seguisse para julgamento antes de uma decisão da Corte, os réus estariam sob ameaça iminente de condenação. Ainda cabe agravo regimental da decisão da ministra para a Primeira Turma do STF.