É seu Wan Dyck, se eu soubesse… * Por  Gustavo (Tatá) Dumont

Se eu soubesse que aquele homem, de semblante sereno,
voz baixa e sorriso fácil não seria imortal.
Se eu soubesse que aquele ser de coração bom,
de aperto de mão firme, não estaria para sempre entre nós.
Se eu soubesse que nossas vidas perderiam parte do seu brilho.
Que Bocaiuva perderia um homem que se doou por este lugar.
Que perderíamos um prefeito, em que as pessoas confiavam, se sentiam seguras.
Perderíamos um homem caridoso, alegre, desprovido de quaisquer vaidades.
Ahh seu Wan Dyck… Se eu soubesse que a dor da saudade fosse tão forte, quebraria a lei natural da vida e partiria primeiro.
Talvez os mais jovens nunca irão entender o que o homem Wan Dyck representou para este lugar . Talvez nem ele mesmo um dia soubesse. Construiu escolas, ruas, avenidas e pontes. As pontes inúmeras de madeira em tempos remotos e outras tantas de concreto. Mas a maior e melhor delas foi à ponte da união. Reconstruiu a história política unindo as pessoas com um pensamento que somente os genuínos homens públicos possuem.
Com a sua partida eu não imaginava a herança que me deixas te. De saber que pelos cantos deste chão Norte Mineiro, és uma referência de retidão, dignidade e bons exemplos.
Já no alto dos 90 anos, lembro bem quando era cumprimentado, principalmente pelas pessoas mais simples. Colocava a mão no meu ombro e dizia: – Fico feliz, mesmo não sendo mais prefeito e receber o carinho das pessoas. Mal sabia ele que estas pessoas é que sentiam também honradas pela sua atenção. E todas elas contavam alguma estória em que o prefeito Wan dyck, o homem, o amigo estivesse presente.
E via em seus olhos o brilho, de quem passou por este plano, e cumpriu sua tarefa. Fez o bem. Somente o bem.
Há quem diga, que ele foi e será o eterno prefeito. O prefeito dos prefeitos. Mas a prefeitura de portas abertas, a prefeitura onde achava o sr Wan Dyck pronto para atender, dos mais letrados aos mais humildes, essa não existe a tempos.
Na verdade, o cargo de prefeito, nada mais foi do que uma ferramenta para que ele fizesse mais. Para que pudesse construir um futuro digno, onde as pessoas pudessem criar e educar seus filhos em uma terra boa. Essa terra que ele tanto amava e que tanto fez.
Adversários políticos. Esse termo pra ele não existiam. Eram amigos. Todos. O respeito e a educação sempre foram a pauta principal de sua vida tanto pública quanto pessoal.
No dia da sua morte, a cidade chorou. Mas chorou por inteiro. Era como se cada família de nossa cidade estivesse perdendo um ente querido.
Ahhh seu Vandico, como era chamado por muitos, se eu soubesse que nunca mais as coisas seriam as mesmas. Que nunca mais veríamos o bom e velho prefeito descendo a rua com a pastinha debaixo do braço, cumprimentando as pessoas na rua, e diga se passagem, cumprimentando pelo nome. Isso ahh é uma pena, não existe mais.
Se eu soubesse que tudo passaria de forma tão rápida, eu faria muita coisa diferente. Ame seus pais, abrace os, não tenham vergonha de falar o quanto eles são importantes.

Ahh meu amigo, meu prefeito, meu pai…..
Quanta falta você nos faz.

* Jornalista

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