Número de mortes causadas pela Covid-19 pode ser três vezes maior que o relatado, diz OMS

 Vista aérea túmulos em cemitério de Manaus, de vítimas da covid-19 Foto (Michael Dantas/AFP)

Relatório da entidade aponta que a Covid-19 provocou no ano passado pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas

O excesso de mortes provocado pela pandemia é entre duas e três vezes maior que os óbitos atribuídos à Covid-19 desde a detecção dos primeiros casos no fim de 2019 na China, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante a publicação de seu relatório anual sobre as estatísticas de saúde no mundo, a OMS informou que a Covid-19 provocou no ano passado pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas. Mas o balanço oficial de óbitos atribuídos ao coronavírus no fim de 2020 era de 1,8 milhão.

“Isto corresponde a estimativas similares, que previam que o número total de mortes seria ao menos duas a três vezes maior que o balanço oficial de mortos por covid-19”, afirmou Samira Asma, vice-diretora geral responsável por dados na OMS.

De acordo com os cálculos, a especialista acredita que a pandemia provocou até o momento “de seis a oito milhões” de mortes diretas e indiretas.

“A pandemia de Covid constitui uma ameaça importante para a saúde e o bem-estar das populações de todo o mundo”, destacou.

Samira Asma afirmou ainda que a OMS está trabalhando com os países para determinar qual é o “verdadeiro balanço humano da pandemia e, assim, estar melhor preparada para a próxima urgência”.

A diferença entre os que especialistas denominam de “excesso de mortes” e o balanço oficial de óbitos vinculados à Covid-19 é provocada por vários fatores.

Alguns países notificam as mortes com atraso, assim como algumas pessoas morrem sem passar por nenhum teste de diagnóstico. Outras falecem de outras doenças que não foram tratadas, por medo de comparecer ao centro de saúde ou por causa das medidas de confinamento.

“O excesso de mortes nos apresenta uma imagem melhor, pois aponta os efeitos diretos e indiretos”, declarou William Msemburi, analista no departamento de dados da OMS.

AFP

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