Um Brasil de luto que, em meio à sua dor, não foge à luta – Por Isabela Amorim Santiago

Manifestantes em protesto ao governo Bolsonaro, em São Paulo Foto (Reprodução Fotos Públicas)

A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida

Não dá mais. Já não se trata de questão ideológica ou política. Após pouco mais de um ano de pandemia, falar sobre esse assunto sem considerar a vida é ser assassinado ou, no mínimo, é colaborar, direta ou indiretamente, com o genocídio de milhares e milhares de pessoas no nosso país e no mundo.

Na data em que o Brasil supera as 500 mil mortes em decorrência da Covid-19, não há nada o que se comemorar. Quando as pessoas, em meio à uma situação de calamidade pública – onde a exigência maior é pelo distanciamento social e pela não aglomeração – saem às ruas para protestar, é porque algo está muito errado.

É com lágrimas nos olhos e revolta no coração que escrevo isso aqui. Porque eu sei o quão doloroso é perder pessoas que amamos. Só que perder alguém para uma doença que já tem vacina é, no mínimo, vexatório e escandaloso.

Felizmente, esse sentimento não é algo individual, mas, cada vez mais, coletivo. Em diversas cidades do país, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra um governo que se voltou contra sua população e preferiu a mentira a ter que lidar com a realidade.

Os gritos de ‘Fora Bolsonaro’, ‘Vacina no braço, comida no prato’, ‘Auxílio emergencial de R$600’, ‘Vacina para todos já’ foram unânimes de leste a oeste do Brasil. Em diversas cidades protestos em maior ou menor dimensão reverberaram a indignação de um país que vem tendo a educação, a saúde, o cuidado com o meio ambiente sucateados e jogados no lixo.

De São Paulo a Porto Alegre, de Salvador a Brasília, de Manaus a Goiânia, do Rio de Janeiro a BH, ou em cidades como Governador Valadares e Lavras (ambas em Minas Gerais), Maringá e Cascavel (Paraná), Petrolina (PE), Campinas (SP), Feira de Santana (BA) ou até mesmo na minha cidade natal, Teixeira de Freitas (BA) o clamor por justiça, por vacina e pelo fim do atual governo foi ecoado.

A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas e destruindo famílias. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida com urgência.

O negacionismo, o obscurantismo, as teorias conspiratórias, a rejeição à ciência e à lucidez provocaram esse massacre que hoje deixa tantas famílias enlutadas. E quem compactua com este cenário perverso, se não é carrasco, é coveiro.
*Isabela Amorim Santiago é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente integra a equipe de jornalismo do Dom Total

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