Covid-19: queda no ritmo da vacinação em BH pode ter relação com 2022

Ritmo da vacinação desacelerou em Belo Horizonte nos últimos dias – Alexandre Kalil e Romeu Zema são prováveis rivais nas eleições do ano que vem

Uma possível disputa política entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), possíveis rivais nas eleições de 2022, pode ter relação com o ritmo lento de vacinação na capital mineira. Enquanto capitais como Florianópolis , Rio de Janeiro e São Paulo estão imunizando moradores com 50 anos, Belo Horizonte parou nas pessoas com 54. O motivo? O percentual menor repassado pelo governo Zema nas últimas remessas.

Belo Horizonte chegou a figurar entre as cidades do país com a imunização mais acelerada. O desempenho, inclusive, virou tema de propaganda do governo municipal. Porém, a situação mudou após o envio dos últimos lotes. Até então, Belo Horizonte ficava com 14% das vacinas recebidas pelo governo Zema, uma vez que a população corresponde a 12% de Minas Gerais. No lote enviado na semana passada, a capital ficou com pouco mais de 3% do total recebido pelo estado.

Nesta segunda-feira (21), BH ficou com 49 mil das 508.170 doses distribuídas pelo estado, menos de 10% do total. A remessa deve ser usada para ampliar a imunização na capital, mas ainda em ritmo lento se comparada com outras cidades do país.

Na última sexta-feira (18), o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, cobrou do governo estadual medidas efetivas para que mais imunizantes sejam destinados a Belo Horizonte.

A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte informa que 35% das solicitações de internações em leitos de UTI e 25% dos pedidos para os leitos de enfermaria Covid são de pessoas que não moram na capital. “Então, é interesse de Belo Horizonte que pessoas de outras cidades sejam vacinadas. Não estamos brigando com os demais municípios por causa de vacinas, mas cobrando que o governo estadual seja mais pró-ativo”, disse Jackson Machado.

Nota

O governo de Minas divulgou nota sobre a polêmica no último sábado (19). Destacou que a ordem dos públicos prioritários a serem vacinados e os critérios para a definição do quantitativo de doses enviadas aos municípios é deliberado pelo Ministério da Saúde.

“Vale lembrar que a capital mineira recebeu as duas primeiras remessas de vacinas da Pfizer integralmente para o grupo de comorbidades, totalizando 162.630 mil doses a mais do que os outros municípios mineiros. Belo Horizonte recebeu doses correspondentes a 12% da população com comorbidade, enquanto vários municípios receberam quantitativos menores, entre 7% e 8%”, justificou.

O governo estadual diz que, para equilibrar a diferença, “foi apresentada nova metodologia de cálculo associada à base de projeção populacional de 18 a 59 anos do IBGE/FJP de 2020 e legitimada em colegiado, tanto no Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes) quanto em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB SES-MG), espaços que contam com a participação de representantes da SES-MG, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e do Ministério Público (MP)”.

‘Uso político’

No dia 15 deste mês, Jackson Machado levantou a suspeita sobre uso político da pandemia de Covid-19 por parte do governo Zema.

“Historicamente, a gente (BH) tem recebido esse quantitativo de 14% da remessa que chega para o estado. Dessa vez, recebemos 3,3%. O governo não enviou as 50 mil doses a mais que teríamos direito a receber e não nos deu uma explicação. Isso significa dizer que a população de Belo Horizonte foi privada de 50 mil doses. Ou seja, 50 mil pessoas deixaram de ser vacinadas. Não resta dúvida de que isso foi por uso político da vacina”, disse.

A declaração provocou reação imediata no governo estadual, com resposta do secretário Fábio Baccheretti, titular da pasta. “Fiquei muito surpreso porque o Jackson é um secretário muito presente nas discussões comigo e a gente conversa de forma rotineira e não existe nenhum fator político na distribuição de dose. Eu nem participo. O secretário e nem qualquer outro servidor não técnico participa dessa questão de distribuição. A deliberação é feita pela área técnica da secretaria com a área técnica do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, do Ministério Público e Defensoria Pública. que definem, alega.

Dom Total

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