CÁRCERE PRIVADO – Jornalista denuncia Clínica e familiares ao Ministério Público

O jornalista Pedro Ruas Neto, também servidor público municipal da Prefeitura de Montes Claros denunciou maus tratos e irregularidades cometidas por integrantes de sua família, envolvendo internação em clínica terapêutica entre 30 de junho de 2020 e 02 de março deste ano.

A denúncia foi feita ao Ministério Público e o jornalista cita condições precárias da unidade e lembra que ficou incomunicável por mais de seis meses, assistiu espancamentos e disse que a Justiça concedeu medidas protetivas e liminar retirando seus direitos civis sem audiências, comunicados oficiais em favor de sua filha, a advogada Lorrana Ricielle Soares Lima.

Pedro Neto destaca que é a segunda vez que a família dele procede desta forma e que a Clínica Resiliência, mesmo sem documentação para tratamento involuntário, o manteve forçadamente na unidade, por exigência dos familiares. O servidor foi responsável por denunciar a Clínica Resgatando Vidas, que foi fechada em 2013 e, este ano, mostra evidências de tentativa de burlar a lei e mantê-lo institucionalizado além do tempo permitido pela lei, apesar de não existir exames que comprovam o uso de drogas ilícitas. “Quero Justiça, Estou traumatizado e vou acionar as comissões de direitos humanos da Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e comissão de ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por acreditar que a advogada Lorrana Ricielle, minha filha, abusou do poder de sua formação superior para me perseguir”, disse o jornalista.

Seguem abaixo a denúncia formulada ao MP e parte das provas

Montes Claros 30 de agosto de 2021

À Promotoria Pública

Senhores promotores,

Sou Pedro Ruas Neto, identidade MG 5.124.071, CPF 748678226-04, residente à Avenida João XXIII, 1252, Bairro Edgar Pereira, Montes Claros. Pela terceira vez venho a público fazer denúncias contra Clínicas Terapêuticas, sem poupar, desta vez, injustiças e até mesmo irregularidades cometidas por estas instituições e por meus familiares, por alguns motivos que suspeito e outros que desconheço.
Em 2012 relatei atrocidades cometidas pela Clínica Resgatando Vidas, que foi fechada pela Justiça, quando sofri espancamentos, mesmo assim poupei a família, no caso uma irmã, Ana Heloiza Rodrigues Mendes e o cunhado, José Altamiro Santos Soares, que me doparam e chegaram a lesar meu patrimônio, recebendo meus alugueis e me mantendo em condições de cárcere privado, Estes últimos residem à Rua 03, número 60, Bela Paisagem, em Montes Claros e têm comércio, ou seja, a loja Heloiza Variedades, na Rua Padre Gangana, 196, Bairro Santos Reis. A advogada Lorrana Ricielle tem escritório e reside na Rua Belvinda Ribeiro, no mesmo Bairro,
Desta feita, em 2021, os dois, aliados a minha filha, a advogada Lorrana Ricielle Lima Ruas, repetiram as ações, novamente de forma irregular, com medidas consideradas por mim mais graves. Dia 30 de junho, autorizada por Lorrana Ricielle, que é advogada e não morava comigo, a Clínica Resiliência, propriedade de pessoa conhecida como Lucas Northon, residente na Avenida Presidente Kenedy, número 500 e que não era (ou não é) habilitada para resgate, me segurou e levou a força para a unidade das Cabeceiras, a cerca de 12 quilômetros de Montes Claros. Fugi na segunda quinzena de agosto e fui novamente resgatado de forma irregular, com aval de minha filha e sem estar bêbado ou drogado. Afirmo que nunca foi feito exame toxicológico de sangue que possa comprovar uso de drogas ilícitas por minha pessoa. Quando fui internado, estava trabalhando rotineiramente na Prefeitura, conforme posso provar através de folha de ponto assinada diariamente. Diga-se de passagem que eles forçaram a todos que estavam internados a assinar um termo de voluntário, através de opressão e espancamento. Lá permaneci até novembro, quando houve uma visita do Ministério Público e, depois de relatar minha situação e ter esperança de que seria retirado de lá juntamente com outros injustiçados, fui transferido para uma unidade sem as mínimas condições de higiene, no meio de um matagal, na cidade de Janaúba. A unidade janaubense, alugada, possuía goteiras, esgoto a céu aberto e as condições de alimentação e alojamento eram péssimas, sem falar nos espancamentos praticados tanto nas Cabeceiras quanto em Janaúba e mortes de idosos, por falta de assistência.
Fiquei lá até o dia 02 de março deste ano, quando surpreendentemente a Clínica me deu alta, ao que tudo indica sem a permissão da minha filha, que me internou. Curiosamente, descobri que o contrato feito com a Clínica era de seis meses, portanto, fiquei em situação irregular (ou cárcere privado) por dois meses, em fevereiro e março e surpreendentemente tive descontados cerca de 07 (sete) dias do meu pagamento da Prefeitura de Montes Claros, de 15 a 22 de fevereiro, o que, acredito, por uma forma de burlar a lei. Ou seja, simularam uma alta e um retorno à clínica que não ocorreram conforme documentação que possuo e posso provar.
Denuncio, ainda, que fiquei por seis meses incomunicável, segundo a clínica, por exigência da minha filha. Durante os seis meses, também só recebi uma embalagem de 500 gramas de leite em pó e um pacote de bolachas, bem como sabonetes e cremes dentais. Nada de shampoo, creme de pele ou outros produtos necessários a um pessoa como eu, que possuo 52 anos de idade e passava o dia inteiro na Clínica, trabalhando em faxina ou na cozinha, só com um café com bolo, almoço e jantar. Diga-se de passagem que os almoços e jantares, muitas vezes eram apenas arroz, feijão, fígado ou frango. Nada de verduras ou outros alimentos, apesar das belas filmagens que faziam para divulgar, o que a lei, pelo que conheço, proíbe, por causa da necessidade de anonimato. Quebrei dois dentes na Clínica e a família se negou a realizar o tratamento. Tive que fazer e pagar as extrações depois que sai da Clínica, apesar da advogada Lorrana Ricielle estar recebendo meus vencimentos e aluguéis.
Fui surpreendido ao descobrir que havia uma liminar me interditando, sem que houvesse e nunca houve audiência ou comunicado da Justiça, neste sentido. Em 2118, a Justiça também deu uma medida protetiva para a minha filha sem me comunicar, fato reconhecido até mesmo pelo judiciário. Tenho documento em mãos.
Outro fato importante são os anexos a este texto: o médico da clínica fala que eu tenho comorbidades e estava sendo medicado. Mentira: nunca tomei remédios na Clínica. Voltei a trabalhar dia 23 de agosto deste ano, porque já tinham enviado atestado à Medicina de trabalho desde 22 de fevereiro, numa clara demonstração que estavam utilizando estratégias para me manter institucionalizado.
Sou uma pessoa produtiva. Entre janeiro e o início de julho construí um apartamento no terceiro andar do prédio em moro e trabalhei normalmente. Tenho propriedades e e fui lesado financeiramente. Em resumo: está fácil institucionalizar uma pessoa, receber seus vencimentos, apropriar de seus bens e utilizar uma pequena parcela para pagar as mensalidades em clínicas brasileiras, que, ao que tudo indica, são comandadas por verdadeiros mafiosos e lobos travestidos em cordeiros, com apoio de familiares invejosos e maldosos, Apesar da curatela concedida sem audiência e da interdição, também fui surpreendido por outra medida protetiva sem audiência. Um contraste: concede-se curatela e medida protetiva. Em março, ao procurar minha filha para saber informações sobre minhas contas, porque estava interditado, fui preso e fiquei encarcerado por quase uma semana.
Enfim, acredito que sofri injustiças, que houve abandono de curatela, fui difamado, caluniado, estou depressivo e traumatizado.peço justiça e estou à disposição do Ministério Público para provar estes fatos e irregularidades (ou crimes) e outros cujos documentos estão em anexo ou em meu poder.
Informo, ainda, que esta denúncia e os anexos serão enviados à Comissão de ética da OAB e, se necessário, vou constituir advogado para me representar e pedir salvo conduto, medidas cautelares e outras, uma vez que já fui, por duas vezes, espancado por minha filha, traiçoeiramente pelas costas, no centro de Montes Claros, na Rua Barão do Rio Branco e na Avenida Artur Bernardes, em Montes Claros.
Pensei bastante ao tomar esta decisão e sei dos riscos que estou correndo, por causa das ações de ameaças que sofri, a partir de 2012, pelo então proprietário da Clínica Resgatando Vidas, o senhor Toney Tomaz da Silva. Agora, peço Justiça, denunciou inclusive familiar, no intuito de ter paz e prosseguir minha vida, sem riscos de ser institucionalizado ou “abduzido” por causa de interesses escusos. Cópias deste documentos e dos anexos estão sendo repassadas para a Comissão de recursos da Câmara Municipal de Montes Claros, Assembleia Legislativa e para a Imprensa. Coloco-me à disposição para esclarecimentos necessários.

Atenciosamente,

Pedro Ruas Neto
99936 8951
Jornalista e servidor público

 

O outro lado
Como o ECN não conseguiu ouvir as pessoas citadas nesta matéria, fica aberto o espaço, através do e-mail: noticias@emcimadanoticia.com, para publicar suas versões, a qualquer momento.

Comentário

Na manhã desta segunda-feira (20-09-2021), a Clínica Resiliência postou o seguinte esclarecimento:

“Nota de esclarecimento

Clínica Resiliência sobre denúncias de maus tratos e irregularidades.

Sobre denúncia feita ao Ministério Público pelo Jornalista e ex interno da clínica por dependência química Pedro Neto, negamos qualquer tipo de maus tratos ou irregularidades nas nossas dependências.
A clínica resiliência possui um nome conceituado no mercado e atende à todos os pacientes e famílias com uma equipe Multidisciplinar 24 h.
A internação do Senhor Pedro Neves foi assistida pela advogada Lorrana Ricielle que é sua filha e teve concedida pela Justiça uma liminar retirando os direitos civis de seu pai.
A internação de Pedro todas as vezes foi efetuada com o aval de sua filha Lorraine, onde o mesmo se encontrava em uso de drogas ilícitas e álcool, comprovadas por fotos feitas pela própria clínica no dia do resgate do paciente, e que serão fornecidas ao Ministério Público.
A clínica resiliência Possui uma infra-estrutura para esportes, lazer, boa alimentação com acompanhamento nutricional, equipe médica e enfermagem 24 h, terapeutas 24 h, onde seria impossível o mesmo afirmar espancamento ou agressão de qualquer natureza.
O contrato feito para internação do paciente foi de 3 meses, assim como estipula a lei, podendo ser prolongado caso o paciente recaía em uso novamente, como foi o caso.
Sobre a alimentação servida na clínica, todos os dias são postadas fotos reais para as famílias. Toda alimentação oferecida é rica em legumes, frutas e hortaliças, muitas DOADAS inclusive pelos feirantes do Ceasa de Montes Claros.
Todos os pacientes recebem um Enxoval completo com todos os itens de higiene pessoal. Nossa unidade possui câmeras instaladas onde podemos provar que todas essas denúncias são Falsas.
A Clínica Resiliência esta a disposição das autoridades e das famílias a qualquer momento para que os fatos sejam averiguados.Iremos tomar as devidas providências civis para essa difamação com a nossa clínica.
Att Equipe Resiliência”

1 Comentário

  • Nota de esclarecimento Clínica Resiliência sobre denúncias de maus tratos e irregularidades.

    Sobre denúncia feita ao Ministério Público pelo Jornalista e ex interno da clínica por dependência química Pedro Neto, negamos qualquer tipo de maus tratos ou irregularidades nas nossas dependências.
    A clínica resiliência possui um nome conceituado no mercado e atende à todos os pacientes e famílias com uma equipe Multidisciplinar 24 h.
    A internação do Senhor Pedro Neves foi assistida pela advogada Lorrana Ricielle que é sua filha e teve concedida pela Justiça uma liminar retirando os direitos civis de seu pai.
    A internação de Pedro todas as vezes foi efetuada com o aval de sua filha Lorraine, onde o mesmo se encontrava em uso de drogas ilícitas e álcool, comprovadas por fotos feitas pela própria clínica no dia do resgate do paciente, e que serão fornecidas ao Ministério Público.
    A clínica resiliência Possui uma infra-estrutura para esportes, lazer, boa alimentação com acompanhamento nutricional, equipe médica e enfermagem 24 h, terapeutas 24 h, onde seria impossível o mesmo afirmar espancamento ou agressão de qualquer natureza.
    O contrato feito para internação do paciente foi de 3 meses, assim como estipula a lei, podendo ser prolongado caso o paciente recaía em uso novamente, como foi o caso.
    Sobre a alimentação servida na clínica, todos os dias são postadas fotos reais para as famílias. Toda alimentação oferecida é rica em legumes, frutas e hortaliças, muitas DOADAS inclusive pelos feirantes do Ceasa de Montes Claros.
    Todos os pacientes recebem um Enxoval completo com todos os itens de higiene pessoal. Nossa unidade possui câmeras instaladas onde podemos provar que todas essas denúncias são Falsas.
    A Clínica Resiliência esta a disposição das autoridades e das famílias a qualquer momento para que os fatos sejam averiguados.Iremos tomar as devidas providências civis para essa difamação com a nossa clínica.
    Att Equipe Resiliência

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