Ex-ministro pode se lançar ao governo para dar palanque a Lula em MG

Saraiva Felipe é opção para o PSB, que apoia o ex-presidente; Solidariedade também pode ter candidato com benção do PT

Por Luiz Ribeiro – EM

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) avalia a possibilidade de lançar Saraiva Felipe, ex-ministro da Saúde, como pré-candidato ao governo mineiro. Nesta segunda-feira (9/5), Saraiva esteve em uma reunião em Belo Horizonte entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças de partidos que pretendem apoiá-lo na disputa presidencial.

Saraiva pode ser uma opção para dar palanque Lula em Minas caso a aliança com Alexandre Kalil (PSD) não se concretize. Sob reservas, petistas ouvidos pelo Estado de Minas acreditam que a união ao ex-prefeito de Belo Horizonte está cada vez mais distante.

Para preencher a lacuna de candidato de Lula na disputa contra Romeu Zema (Novo), quem também surge é Dinis Pinheiro (Solidariedade), ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele também esteve presente à reunião desta segunda, ocorrida em um hotel na Região Centro-Sul de BH.

A articulação em torno de Saraiva nasceu de uma ala com integrantes antigos do PSB. Quadro histórico do MDB, o ex-ministro se filiou à nova sigla em março deste ano.

Segundo Saraiva, o impasse em torno do apoio do PT a Kalil pode abrir espaço na disputa.

“O certo é que não se arredondou um acordo [PT-Kalil]. Fica uma disputa, um ‘estica e puxa’. Isso abre caminho para que se consolide – não apenas no PSB – um outro grupo para formular propostas para um governo em Minas”, disse, após a reunião com Lula.

Ainda conforme Saraiva Felipe, a reunião de hoje não serviu para apresentar a Lula sua pré-candidatura. Segundo ele, é preciso construir consenso no PSB.

“Estamos em negociações. Para se chegar a uma candidatura, temos que ter unidade do partido em Minas e [no plano] nacional. Mas está caminhando bem. É uma possibilidade”.

Dinis Pinheiro Ex-presidente da ALMG Dinis Pinheiro pode ser alternativa – (foto: Gladyston Rodrigues//EM/D.A Press)

Ala do PT defende Dinis Pinheiro

Paralelamente, também há a possibilidade da formação de um cordão em torno de Dinis Pinheiro.

À reportagem, ele se esquivou de comentar a hipótese de ser pré-candidato ao governo. “É bom rever os amigos, conversar e bater papo. Vim mais para ouvir”, comentou, ao explicar porque se encontrou com Lula e aliados hoje.

Há no PT, porém, quem veja a ideia com simpatia. O Solidariedade é um dos partidos fechados com Lula e, entre os petistas, Dinis é visto como o principal político da sigla.

Embora haja bons olhos direcionados a Dinis, outros interlocutores ouvidos pela reportagem acreditam que a costura não tem potencial para vingar.

Aliança com Kalil tem impasses

Neste momento, o principal entrave para viabilizar a dobradinha Lula-Kalil está na corrida ao Congresso Nacional. O PT não abre mão de lançar o deputado federal Reginaldo Lopes como candidato ao Senado, mas o PSD trabalha em prol da reeleição de Alexandre Silveira.

Uma das possibilidades é que Lula dê apoio informal a Kalil, sem que o PT esteja na coligação. Esse movimento permitiria que Reginaldo e Silveira disputassem a vaga de senador.

O PSB, que cogita Saraiva, também não descarta Kalil. Em março, o partido tentou filiar o ex-prefeito de Belo Horizonte – com direito, inclusive, a esforços do presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. As tratativas, porém, não avançaram.

O presidente do PSB no estado é o deputado federal Vilson da Fetaemg. À época, ele afirmou que, mesmo sem filiar Kalil, a agremiação tinha tendência a caminhar com ele na eleição estadual.

“Queremos participar do governo dele [Kalil] e dar nossas sugestões e opiniões, as fissuras e deficiências do estado, além de onde o governo pode ter um olhar mais abrangente”, considerou.

Três perguntas para José Saraiva Felipe, pré-candidato a governador pelo PSB
EM – O senhor é pré-candidato a governador de Minas pelo PSB?
Saraiva Felipe – Eu assumi (a pré-candidatura a governador). Na verdade, quem decide pela candidatura é a convenção do partido. Mas, um grupo representativo de ex-deputados federais do próprio PSB, como o Mário Assad Junior e o Carlos Mota, foram que lançaram o meu nome (para a disputa do Palácio Tiradentes. Eles lançaram meu nome em uma reunião em Brasília. Então, resolvi assumi essa (pré) candidatura)

EM – O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato a vice de Lula, é do PSB. Isso pesou na articulação para que o partido tenha candidatura ao governo de Minas?
R – Claro. Um partido que tem um candidato a vice-presidente da República com o perfil do ex-governador Geraldo Alckmin não pode ficar nas eleições majoritárias em Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral da Nação e tem papel fundamental na definição da eleição presidencial”.

EM – O senhor pretende caminhar junto com o ex-presidente Lula?
R– Estou vendo as dificuldades (do ex-presidente Lula). Estou vendo que os partidos, por disputas de poder ou por causa de ambições pessoais, não conseguem fechar (montar) palanque e deslanchar a campanha (do ex-presidente petista) em Minas. então, o que PSB encaminhou até agora, é a questão de que o Lula tem esse palanque seguro, esse palanque garantido, sem esse “mimimi, sem disputa de cargos dentro da chapa”.

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