Nova espécie de árvore é descoberta na Caatinga no Norte de Minas

Achado científico foi publicada recentemente em uma revista internacional especializada em botânica.

A Caatinga está presente em 11% do território brasileiro, abrangendo a região Nordeste e o Norte de Minas. Estima-se que existam pelo menos 3,2 mil espécies de plantas por lá. (Comunicação UFLA/divulgação)

A Caatinga está presente em 11% do território brasileiro, abrangendo a região Nordeste e o Norte de Minas. Estima-se que existam pelo menos 3,2 mil espécies de plantas por lá. (Comunicação UFLA/divulgação)

Uma nova espécie de árvore da Caatinga foi descoberta em terras mineiras. Os exemplares foram encontrados por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla) em uma região conhecida como Furados, no Norte do Estado. O achado reforça a necessidade de conservação do bioma.

Já catalogada, a Pseudobombax furadense (Bombacoideae, Malvaceae) foi classificada como vulnerável, de acordo com critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), responsável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

O trabalho é feito no Laboratório de Fitogeografia e Ecologia Evolutiva da Escola de Ciências Agrárias (Esal), da Ufla. Ao que tudo indica, a espécie só é encontrada na região – próximo a Montalvânia –, onde lajes de rochas calcárias são formadas, dando origem a uma vegetação muito específica, com poucas e esparsas árvores.

“Ficamos intrigados porque apresentavam algumas características que se assemelhavam a uma espécie já descrita, porém com aspectos diferenciados, como o fato de apresentarem tricomas nas folhas (uma espécie de pelo)”, conta a doutoranda do programa de pós-graduação em Botânica Aplicada, Fernanda Moreira Gianasi.

As amostras foram coletadas em agosto de 2019 e janeiro de 2020. “Descrevemos detalhadamente, a partir de características de flores, folhas, ramos, frutos e sementes. Fizemos a comparação com outras espécies e, assim, notamos que se tratava de uma nova espécie ainda não catalogada”, acrescenta Fernanda.

Novos estudos sobre a biodiversidade da vegetação ainda serão feitos, segundo o coordenador do trabalho, o professor Rubens Manoel dos Santos. O docente reforça que o achado comprova que ainda existe pouco conhecimento sobre a vegetação dessas áreas.

“Ressalta a importância desses ambientes dentro dos afloramentos de calcário para conservação. Nós nem conhecemos todas as espécies arbóreas que ocorrem ali, imagina falar sobre funcionalidade, ecologia e outros grupos de plantas, como epífitas e ervas, dentro desses lugares. É um caminho longo a ser percorrido para entender como são esses ambientes”.

A descoberta foi publicada recentemente na revista internacional Phytotaxa, que é especializada na área botânica.

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