Cidades recebem mutirões para renegociação de dívidas de créditos de rurais

Várias cidades do Norte de Minas, através de uma parceria entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sistema Faemg e sindicatos rurais, recebem mutirões de renegociação de dívidas de operações de crédito rural. O objetivo é dar suporte para a regularização com base nas condições de renegociação previstas na Lei 14.166/2021, que autoriza a liquidação ou parcelamento de contratos com recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO).

O foco dessa primeira etapa de mutirões está nos municípios localizados na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), beneficiários do FNE. Bocaiúva, Brasília de Minas, Espinosa, Jaíba, Janaúba, Januária, Manga, Montes Claros, São Francisco e São João da Ponte estão entre as cidades listadas para os mutirões, que tiveram início no mês de agosto e seguem também em setembro.

Os descontos em cima das dívidas, de acordo com a lei, podem chegar a 90%, a depender do porte do produtor e da localização. Com a repactuação das dívidas, o produtor poderá sair da situação de inadimplemento e se tornar apto a acessar novas linhas de crédito para financiar o custeio e o investimento da sua produção.

Foi o que atraiu, em Manga, cerca de 20 produtores rurais, que buscaram informações para negociação das suas dívidas para seguirem tocando seus empreendimentos na região. Para o presidente do Sindicato Rural da cidade, Luiz Claudio dos Santos Chaves, a proposta é importante e por isso foi logo encampada pela entidade.

“Este evento veio ajudar vários produtores rurais da região que estavam inadimplentes. Muitos produtores já conseguiram essa negociação, e tantos outros se orientaram. Iniciativas como essas são importantes para que o produtor rural não pare, que possa seguir levando comida à mesa do brasileiro, e com isso tenha sempre confiança que poderá investir na sua propriedade, na sua profissão”, destacou o presidente sindical.

Em Montes Claros, foram mais de 30 atendimentos individuais, segundo o Sindicato dos Produtores Rurais. Foram informados valores das dívidas com desconto e enquadramentos legais. “O produtor rural enfrenta muitas adversidades climáticas e infelizmente, muitas vezes, a inadimplência acaba sendo algo inesperado. Dar este suporte e apoio para que finalmente consigam cumprir com suas obrigações junto aos credores é de fundamental importância”, avaliou o presidente do sindicato de Montes Claros e um dos vice-presidentes da Faemg, José Avelino.

Produtor rural da cadeia da pecuária de corte no município de Cônego Marinho, Luiz Walter Vieira Lima participou da ação através do Sindicato de Januária. Ele, que há 20 anos se dedica ao empreendimento rural, considerou a ação importante e positiva, onde conseguiu esclarecer dúvidas que poderão ajudar a manter seu negócio forte.

“O banco sempre tem atenção especial, mas quando envolve o sindicato, a Faemg e demais parceiros fica mais objetivo, soma esforços para debater este assunto. Além disso, a maneira que o sindicato aborda o tema, explica para o produtor, é mais simples, uma linguagem mais fácil. Isso também é importante. Eu participei da ação, me inteirei sobre as condições de renegociação, que no meu caso é uma parcela de um financiamento, e vou levar estes conhecimentos para difundir para os vizinhos que estão na mesma situação e ainda não sabem o que fazer. Porque só assim o produtor poderá seguir trabalhando”, afirmou.

Datas
São esperados ao menos mais três eventos na região neste mês. No dia 21 de setembro será realizado o mutirão em Espinosa. Já em São João da Ponte, o Sindicato Rural faz levantamento de demanda local para agendar o encontro junto ao Banco do Nordeste. A cidade de São Francisco também se prepara para realizar seu evento de negociação de dívidas rurais, que também está na pauta de ações para setembro.

Lembrando que a adesão aos programas de renegociação deverá ser feito até 30 de dezembro deste ano, e o produtor rural pode procurar seu respectivo sindicato para maiores informações e orientações.

Fonte: Jornalista Ricardo Guimarães

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