Jornais internacionais destacam festa durante posse de Lula e fuga de Bolsonaro

New York Times afirma ter conversado com procurador que acredita ter “provas suficientes” para condenar Bolsonaro

A posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo presidente da República é notícia mundo afora. As festividades em Brasília, as primeiras movimentações do novo governo, assim como a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de não participar da cerimônia de transmissão do poder, foram destaque na imprensa internacional.

A capa do jornal The New York Times desta segunda-feira (2) levou uma foto de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto com a seguinte manchete: “Brasil empossa Lula como líder; perdedor está ausente”.

Na reportagem, a publicação dos Estados Unidos (EUA) destaca que a eleição de Lula “marca uma onda esquerdista na América Latina, com seis dos sete maiores países da região elegendo líderes esquerdistas desde 2018”.

A publicação também ressaltou que Bolsonaro acordou no dia da posse “a milhares de quilômetros de distância, em uma casa alugada de propriedade de um lutador profissional de artes marciais mistas a alguns quilômetros da Disney”.

O The New York Times afirma ter conversado com “amigo próximo” de Bolsonaro que afirmou que o ex-presidente deve ficar na Florida, nos EUA, por um a três meses para ver se o governo Lula irá incentivar investigações contra ele.

A publicação ressalta ainda que existem diversos processos abertos para investigar o ex-presidente e diz ter conversado com um “procurador federal” que afirma que o Ministério Público teria “provas suficientes” para condenar Bolsonaro.

Já o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, destacou com um texto da AFP a promessa de Lula de “lutar pelos pobres” em sua posse, que finalizou o “governo divisivo” e de “extrema-direita” de Jair Bolsonaro.

“O veterano esquerdista de 77 anos, que já liderou o Brasil de 2003 a 2010, prestou juramento perante o Congresso, coroando uma notável recuperação política do metalúrgico que se tornou presidente menos de cinco anos depois de sua prisão por acusações controversas – que depois foram anuladas”, disse o South China Morning Post.

A catadora Aline Souza foi responsável por colocar a faixa presidencial em Lula / Ricardo Stuckert

O texto destacou a massiva participação popular, que “vibrou” com Lula e também acompanhou um festival de música que contou com shows da “lenda do samba Martinho da Vila até a drag queen Pabllo Vittar”.

O espanhol El País, por sua vez, destacou no título: “O regresso de Lula devolve o Brasil ao mundo”. A publicação afirmou que durante quatro anos o Brasil “brigou com seus vizinhos, rompeu laços com os EUA e atacou o comunismo chinês” e que agora existe uma expectativa da retomada da diplomacia brasileira.

“Pequim enviou seu vice-presidente, Wang Qisha, a Brasília no domingo, à frente de uma delegação de alto nível, que evidenciou a importância que os dois países atribuem às suas relações comerciais. 27% de todas as exportações brasileiras vão para a China”, escreveu o El País.

Já os Estados Unidos optaram por enviar uma delegação de “segunda linha”, diz o jornal espanhol, liderada pela Secretária do Interior dos Estados Unidos, Deb Haaland.

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