Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015, ano em que foi preso por envolvimento no escândalo conhecido como Fifagate

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, morreu na madrugada deste domingo (21), aos 93 anos, em São Paulo. Ele passou mal em casa na noite de sábado e foi levado ao Hospital Sírio-Libanês, mas não resistiu e faleceu na unidade hospitalar. Marin enfrentava problemas de saúde nos últimos meses, agravados por um AVC sofrido no fim de 2023.
Figura conhecida tanto pela influência quanto pelas controvérsias no esporte e na política, Marin vivia de forma reservada na capital paulista desde que deixou a vida pública. O velório está marcado para a tarde deste domingo na capital paulista.
Da política ao escândalo internacional
José Maria Marin construiu uma trajetória marcada por influência nos bastidores, envolvimento com o regime militar e, sobretudo, pelo escândalo de corrupção que abalou o futebol mundial: o Fifagate.
Filho de imigrantes espanhóis e com formação em Direito pela USP, Marin iniciou sua carreira política nos anos 1960, quando foi eleito vereador em São Paulo pelo extinto Partido de Representação Popular (PRP), ligado ao integralismo. Com a ditadura militar, filiou-se à Arena e ocupou cargos de destaque, como deputado estadual, vice-governador e, por dez meses, governador de São Paulo, substituindo Paulo Maluf. Foi nessa época que ganhou fama de aliado fiel do grupo político de Maluf, chegando a ter as contas de seu governo reprovadas e sendo envolvido em suspeitas de má gestão de recursos públicos.
No futebol, presidiu a Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1988, e, em 2012, assumiu a presidência da CBF após a renúncia de Ricardo Teixeira. Sua gestão à frente da entidade foi marcada por denúncias de corrupção e práticas obscuras nos bastidores do esporte.
A queda veio em 2015, quando Marin foi preso na Suíça durante uma operação coordenada pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos EUA, no escândalo que ficou conhecido como Fifagate. Ele foi acusado de participar de um esquema de suborno e lavagem de dinheiro em contratos relacionados a transmissões e eventos esportivos. Extraditado para os Estados Unidos, foi condenado à prisão e permaneceu detido até 2020, quando foi autorizado a cumprir o restante da pena em prisão domiciliar no Brasil, devido ao seu estado de saúde.
Outro episódio que o marcou publicamente ocorreu em 2012, quando foi flagrado por câmeras de televisão colocando no bolso uma medalha da Copa São Paulo de Futebol Júnior destinada a um jogador do Corinthians. Embora a Federação Paulista tenha tentado justificar o ato, a cena virou motivo de piada e alimentou a imagem de “corrupto” que pesava contra o então dirigente.
Ao retornar ao Brasil, Marin vendeu bens para arcar com custos judiciais, incluindo uma mansão em área nobre de São Paulo.