Com a lorota de querer “consertar o Brasil”, o servidor público é seguidor do influenciador Pablo Marçal (PRTB) e tem longo histórico de postagens com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Polícia não se convence com versão de servidor preso por ataques a ônibus na Grande SP
Identificado como o principal responsável por uma onda de vandalismo contra ônibus na Grande São Paulo, o servidor público aposentado Edson Aparecido Campolongo, de 68 anos, foi levado na manhã de terça-feira (22) à Delegacia Seccional de São Bernardo do Campo, informa o Metrópoles. Segundo informações da Polícia Civil, o homem confessou ter realizado ao menos 18 ataques desde junho.
Campolongo, que mantém perfis ativos no Instagram e Facebook, é seguidor do influenciador Pablo Marçal (PRTB) e tem longo histórico de postagens com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. No último domingo (20), publicou um vídeo manipulado, atribuindo a Lula uma suposta oposição aos valores cristãos.
Em outra publicação, datada de 8 de outubro, Campolongo aparece filmando ônibus no centro de São Paulo. Visivelmente exaltado, afirma: “Vocês vão fazer o que dá vida depois que o Lula colocar o Boulos aqui em São Paulo? (…) Se você não sair para a guerra, meu irmão…”.
Durante o depoimento, segundo o delegado seccional Domingos Paulo Neto, o investigado justificou suas ações como tentativa de “consertar o Brasil”. Em suas palavras, teria agido para “tirar o país do buraco”.
Desde 12 de junho, pelo menos 530 ônibus do sistema municipal foram danificados na capital paulista, de acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transportes (SMT) e a SPTrans. Já a Artesp, responsável pela fiscalização dos ônibus intermunicipais, contabilizou 291 casos de vandalismo entre 1º de junho e 21 de julho.
Levantamento da Polícia Civil indica que, entre 21 de maio e 5 de julho, a zona sul da capital liderou o número de ocorrências, com 85 ataques. Na sequência vêm as zonas oeste (65), leste (19), centro (16) e norte (6).
As avenidas com maior concentração de casos incluem a Engenheiro Armando de Arruda Pereira, Interlagos, Cupecê e Brigadeiro Faria Lima. Os ataques ocorreram com maior frequência entre quintas-feiras e sábados — sendo a quinta-feira o dia mais comum.
Empresas mais afetadas incluem Vidazul Transportes, Viação Grajaú, Sambaíba, Campo Belo, Via Sudeste e Mobibrasil — esta última com cerca de 30% dos casos registrados
– A Polícia Civil de São Paulo não se deu por satisfeita com o depoimento de Edson Campolongo. Embora o suspeito tenha afirmado que sua motivação era “consertar o Brasil”, os investigadores acreditam que há razões mais profundas por trás dos atos de vandalismo.
Campolongo foi preso após uma investigação conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que o identificou por meio de imagens de câmeras de segurança e da movimentação de um carro oficial do governo, um Volkswagen Virtus branco. O veículo era usado por ele no deslocamento entre Taboão da Serra, onde reside, e diversos pontos onde os ataques aconteceram — incluindo São Bernardo do Campo, Santo André e São Paulo.
Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Domingos Paulo Neto, o carro em questão era usado no transporte diário do chefe de gabinete da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), órgão onde Campolongo trabalha há mais de 30 anos como motorista. “Ele é motorista do chefe de gabinete [do CDHU]. Servia esse chefe há cerca de um ano. Por coincidência, este chefe de gabinete mora em São Bernardo e trabalha em um órgão público no centro de São Paulo”, afirmou o delegado.
Apesar de Campolongo alegar que escolhia os alvos “aleatoriamente” e que agia por conta própria, a Polícia Civil encontrou indícios que levantam dúvidas sobre sua versão. No depoimento, ele também disse ter recrutado o irmão, Sergio Aparecido Campolongo, de 56 anos, que teria participado de pelo menos dois ataques. Ambos tiveram prisão preventiva solicitada.