Pré-campanha de Zema mira STF, critica ministros e vê vantagem política em confronto com Gilmar Mendes, que fez a seguinte declaração sobre Zema: “Se começarmos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso?”

A pré-campanha presidencial de Romeu Zema (Novo) decidiu intensificar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aposta que a reação do ministro Gilmar Mendes pode gerar dividendos políticos. A estratégia envolve ampliar ataques à Corte, reforçar o discurso contra ministros e explorar a ofensiva judicial como elemento central da narrativa eleitoral.
Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Zema pretende dobrar a aposta contra Gilmar Mendes e outros integrantes do STF, a quem tem se referido como “intocáveis”. A movimentação ocorre após o ministro acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para incluir o ex-governador de Minas Gerais no inquérito das fake news.
O embate ganhou força depois da divulgação de vídeos em que Zema aponta supostos acordos entre ministros do STF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional, no contexto do caso Master. A reação de Gilmar Mendes foi interpretada por aliados do pré-candidato como um fator positivo para sua campanha.
Entre integrantes do entorno político de Zema, a ofensiva do ministro é vista como um reforço ao perfil “antissistema” que o ex-governador busca consolidar. A avaliação é de que a eventual inclusão no inquérito das fake news pode fortalecer o discurso de que o Judiciário estaria atuando como um poder político.

Gilmar diz que errou ao citar “boneco homossexual” de Zema

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu ter errado ao citar a homossexualidade como exemplo de possível ofensa ao comentar os limites de sátiras políticas. A retratação ocorreu na noite de quinta-feira (23), depois de uma entrevista ao Metrópoles sobre a troca de acusações entre o decano da Corte e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo.

Durante a entrevista, Gilmar falava sobre o vídeo “Os Intocáveis”, feito por inteligência artificial e publicado por Zema nas redes sociais, em que ministros do STF aparecem representados por fantoches.
Ao defender que homens públicos devem responder por conteúdos que atinjam instituições e pessoas, o ministro citou uma hipótese envolvendo o ex-governador.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? É isso que precisa ser avaliado”, disse Gilmar.
Horas depois, o ministro usou o X para admitir o erro. “Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, afirmou

A entrevista foi concedida às jornalistas Manoela Alcântara e Marília Ribeiro. Nela, Gilmar também explicou por que pediu a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi feito após a publicação do vídeo em que o ex-governador usa fantoches para simular diálogos entre Gilmar e Dias Toffoli.
Na queixa-crime, o decano afirma que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
O ministro também classificou a produção como “deep-fake”, feita com “sofisticada edição profissional”, e diz que a publicação teria “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.

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