O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou no domingo (02) um vídeo em que usa a audiência do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos para voltar a questionar vacinas e medidas sanitárias adotadas na pandemia de Covid-19.

Deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Reprodução

Anthony Fauci, que dirigiu o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) durante a crise sanitária, prestou depoimento ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado na quarta-feira (29). Ele invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA e não respondeu a perguntas dos senadores, um direito que impede a produção de provas contra si e não representa admissão de culpa.
No vídeo, Nikolas afirmou que parlamentares tiveram acesso a diários e documentos pessoais atribuídos a Fauci. “Tudo isso começou por conta do Senado ter tido acesso aos seus diários e documentos pessoais que mostravam uma nítida diferença entre aquilo que ele conversava de forma privada e as suas decisões públicas quanto à pandemia”, disse.
O deputado também reproduziu uma fala do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., segundo a qual Fauci teria “mentido sobre tudo”, incluindo vacinação, imunidade, máscaras e distanciamento social. A gravação não apresenta comprovação independente para essas acusações.

Alegações sobre vacina e hidroxicloroquina
Nikolas disse que os documentos indicariam que Fauci teve um problema pulmonar depois de tomar uma vacina contra a Covid-19 e teria escondido a informação. “Eles descobriram pela primeira vez que, depois do Fauci ter tomado a vacina, ele teve um efeito colateral pulmonar e escondeu de todo mundo”, alegou. Não há comprovação pública de que qualquer problema de saúde do médico tenha relação causal com a vacinação.
O parlamentar também defendeu novamente a hidroxicloroquina e sustentou que o medicamento “poderia ter salvado milhões de pessoas”. Ele afirmou que Fauci considerava o remédio seguro e pretendia disponibilizá-lo, mas mudou de posição após o então presidente Donald Trump endossar o uso da substância.
A Organização Mundial da Saúde desaconselhou a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 após estudos clínicos com mais de 10 mil pacientes não apontarem redução de mortes nem benefício clínico relevante. A entidade também não recomenda o medicamento como prevenção da doença.
Em outro trecho, Nikolas questionou Fauci sobre o uso de tecidos fetais em pesquisas ligadas às vacinas. Relatórios dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos informam que os imunizantes contra a Covid-19 não contêm tecidos fetais.
Ao citar o relatório final de uma comissão da Câmara dos Representantes sobre a resposta dos EUA à pandemia, o deputado repetiu críticas a máscaras, distanciamento e lockdowns. O mesmo documento concluiu que a Operação Warp Speed, criada no primeiro governo Trump para acelerar o desenvolvimento de vacinas, foi bem-sucedida e que os imunizantes “indiscutivelmente salvaram milhões de vidas” ao reduzir casos graves e mortes por Covid-19.

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