Presidente diz que decisões do segundo escalão dos EUA são “impensáveis” e afirma que Brasil não aceitará interferência externa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não sabe se recentes atitudes dos Estados Unidos em relação ao Brasil partem diretamente de Donald Trump ou de integrantes da assessoria do presidente norte-americano. A declaração foi dada em entrevista ao Domingo Espetacular, da TV Record, exibida na noite deste domingo (23), no mesmo horário do debate presidencial promovido pela Band.
“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu às vezes tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política que a assessoria”, afirmou Lula. O presidente disse manter uma relação respeitosa com o norte-americano: “A minha conversa com o Trump é muito civilizada. É muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas depois o segundo escalão toma atitudes, sabe, que são impensáveis”.
Lula também afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos nacionais. “A minha ideia é que não podemos aceitar a intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil”, declarou. Segundo ele, o governo brasileiro ofereceu aos Estados Unidos uma parceria no enfrentamento ao crime organizado e entregou a Trump um documento com a proposta.

YouTube player

Outro tema abordado foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou ter manifestado a Trump disposição para uma parceria, mas defendeu que o Brasil deixe de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima. “Só que desta vez, a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celular, para produzir matéria elétrica, para produzir chips”, disse. O presidente acrescentou que deseja manter um comércio “muito, muito sério” com os Estados Unidos.
A entrevista foi gravada neste domingo, no Palácio do Planalto, e exibida pela Record enquanto ocorria o debate da Band. Lula havia informado na sexta-feira que não compareceria ao encontro e, segundo a Folha de S.Paulo, alegou desigualdade de condições, porque a emissora convidou candidatos que não seriam obrigatoriamente contemplados pelas regras para debates. A campanha também avaliava que o presidente seria o principal alvo dos adversários de direita.
As ausências provocaram mudanças no debate. Flávio Bolsonaro também decidiu não participar, e aliados disseram que sua estratégia é comparecer apenas aos encontros que tenham Lula, considerado seu principal adversário. Romeu Zema (Novo) desistiu horas antes, enquanto Augusto Cury (Avante) chegou à Band, mas abandonou o debate em protesto contra as ausências, e depois voltou atrás e compareceu. Com as desistências, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) permaneceram no encontro, em conjunto à Cury.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *