A nova pesquisa Atlas/Estadão traz novos números para a disputa ao governo de Minas Gerais. O senador Cleitinho (Republicanos) ainda lidera a corrida eleitoral cravando 39% das intenções dos votos. Em segundo lugar vem o deputado federal Patrus Ananias (PT) com 31%, enquanto a coligação PSDB/PDT, a frente o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, com 8%.

Esses números deixaram de sobressalto o grupo de Kalil, já que ele esperava disputar os votos da centro-esquerda com o candidato do PT. Entretanto, esqueceram que a 11 dias das eleições, surge um elemento, muito comum em corridas no atletismo, que é o chamado sprint.
Explico.
Nas corridas de altas performances, os atletas mantém um ritmo constante até o meio do percurso. Posteriormente, forçam as passadas dalí em diante, isolando um pequeno bloco dos restantes para, finalmente, e faltando apenas 500mts dispararem. Aquele, portanto, que estiver melhor preparado chega na frente. É o sprint.
Assim ocorre também com a política. E neste ponto, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o que sabe melhor explorar essa disparada final por conta da forte mobilização de sua militância, diferencial importante que o partido sempre impôs aos seus concorrentes que teimam em demonstrar força somente nos períodos eleitorais.
O reflexo desses números no quadro político eleitoral pode ser sentido em duas frentes. A primeira é evitar a vitória de Cleitinho já no primeiro turno, forçando uma nova eleição (segundo turno) quando os concorrentes partem para a disputa com as mesmas armas. Segundo, porque mexe no quadro eleitoral nacional, já que o crescimento de Patrus Ananias favorece diretamente o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo maior colégio eleitoral do país, mantendo o atual presidente na ponta das pesquisas.
Enquanto Cleitinho disparou ao ouvir o tiro de largada, e não conseguir aumentar o fôlego, Patrus Ananias mantém um ritmo único, e como todo político da antiga escola de Minas escuta mais do que fala, costurando acordos, construindo pontes, bem ao estilo tancrediano. E por falar no ex-presidente, certa vez, e após uma longa reunião com adversários, na saída foi abordado por um reporte que o perguntou sobre a reunião. “Meu filho, estou rouco de tanto ouvir”, respondeu.
Assim é Minas.
(*) Professor e jornalista