Mineiro de 118 anos que pode se tornar o idoso mais velho do mundo

‘Quem faz o bem, vive mais’, diz Levino da Costa de Jesus, que há um século e 18 anos, se esquiva do que mais teme na vida: a morte Por volta da uma da tarde, um homem de boina azul bebia água à sombra de uma árvore, com uma saciedade invejável. De olhos fechados, sentia o sol tocar a pele, franzindo a testa enrugada. Mais tarde, ele foi à capela e participou de uma sessão de música com os amigos da Instituição Cidade Ozanan, lar para idosos em Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais, onde vive. Foi assim que Levino da Costa de Jesus passou o primeiro dia de vida com 118 anos nessa quarta-feira (7 de maio) — e muito agradecido. “Quem faz o bem, vive mais”, diz ele, exemplo de sabedoria simples, dita em poucas palavras. Há um século e 18 anos, o aposentado se esquiva do que mais teme na vida: a morte. “Tem o bom e o ruim. Morte é ruim”, diz. Um processo para reconhecer Levino como o idoso vivo mais velho do mundo tramita no Guinness World Records desde o ano passado, já que o atual detentor do título é um cearense de 112 anos. Trabalhador rural durante a maior parte da vida, Levino nasceu em 6 de maio de 1907, em Ascensão, na zona rural de Pará de Minas, quando a iluminação ainda dependia de lampiões e o principal meio de transporte era a carroça. Enquanto ele crescia e peregrinava por fazendas de cidades mineiras, como Florestal e Gameleiras, o mundo atravessava duas guerras mundiais, assistia às primeiras viagens ao espaço e via nascer a internet. Os acontecimentos históricos de mais de um século de vida, no entanto, não marcaram Levino tanto quanto a influência de sua mãe, Maria Rita de Jesus — mencionada por ele diversas vezes durante a conversa com a reportagem. “Minha mãe é quem sabe”, diz, quando lhe faltam respostas, referindo-se a Maria Rita no presente. “Ela me dizia que tem o bom e o ruim. Tem a ruindade e a bondade”, repete, como quem transmite um ensinamento. Na certidão de nascimento de Levino, não consta o nome do pai, e ele também não menciona nenhuma figura paterna. O aposentado é, hoje, o último filho vivo de quatro irmãos. Sem ter se casado ou tido filhos, é visitado por um sobrinho, de 73, morador de Belo Horizonte. A história que a equipe da Casa Ozanan conseguiu recuperar sobre Levino de Jesus é contada por meio dos poucos documentos que ele preservou ao longo dos anos: além da certidão de nascimento, está, por exemplo, a carteirinha do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), extinto em 1993. O idoso já não tem mais o bigode que marcou seu rosto por mais de 30 anos — eternizado nas fotos 3×4 das décadas de 1970 a 2012. A leveza no olhar, por outro lado, parece ser um ganho do envelhecimento. Acolhido no lar de idosos desde os 100 anos, após a vizinha que cuidava dele também envelhecer, o aposentado mostrou às assistentes sociais da instituição que, embora já não consiga narrar a própria história, ainda expressa, em gestos, o que considera mais importante. “Seu Levino pode ter se esquecido de vários fatos e pessoas ao longo da vida, mas é impressionante a fé que ele trouxe como bagagem, antes de chegar aqui. Nos momentos de oração, ele retira a boina, em sinal de respeito. Ele tem uma gratidão incomparável, e agradece por qualquer ato, por mais simples que seja”, conta a assistente social Marisa Melo. De fato, entre as poucas certezas que Levino demonstrou durante a conversa com a reportagem, estava a fé: “Sou devoto de Nossa Senhora Aparecida e do Padre Libério”, disse, sem titubear. Apesar de estar em uma cadeira de rodas, o idoso não aparenta ter 118 anos, está bem de saúde e faz uso de apenas quatro medicamentos, para controle de pressão, glicose e sono. No Carnaval do ano passado, recebeu a chave da cidade de Pará de Minas, mais uma prova de como é benquisto pela comunidade. “Levino é sempre alegre, e isso encanta. Quando está quietinho é que estranhamos”, brinca a assistente social Marisa. Para ela, cuidar de um dos homens mais idosos do mundo é uma oportunidade constante de aprender em silêncio. “Levino tem gosto pela vida e vive com tranquilidade. Ele encontra prazer em tudo, mesmo nas coisas mais simples. Com ele, aprendi a sair do automático e a valorizar o essencial — até mesmo o copo d’água de cada dia. Estou começando a acreditar que esse é o caminho para os 118 anos”, palpita. Enquanto Marisa falava, Levino soltava gargalhadas com uma amiga do lar de idosos, Lucia Maria, de 80 anos. O processo para o reconhecimento de Levino da Costa de Jesus como o homem mais idoso do mundo pelo Guinness World Records (GWR), iniciado em 2024, já superou a primeira etapa documental. Agora, a equipe da Instituição Cidade Ozanan tenta reunir evidências da linha do tempo do aposentado — de fotografias a relatos de pessoas que o conheceram. O trabalho, no entanto, esbarra no fato de que muitos já faleceram e, por ter sido trabalhador rural, Levino não acumulou registros fotográficos. Ainda assim, as tentativas seguem. Questionado, o GWR informou que cada recorde possui um conjunto específico de regras e exigências. “A elegibilidade de cada indivíduo e as evidências disponíveis são discutidas com os grupos de pesquisa Super Centenarian, LongeviQuest e Gerontology Research Group”, declarou.

Robert Francis Prevost é o novo papa da Igreja Católica e escolhe o nome de Leão XIV

Americano tem 69 anos e também possui nacionalidade peruana Papa Leão XIV é o novo líder mundial da Igreja Católica. O cardeal americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi escolhido nesta quinta-feira (08/05) como o 267º pontífice da história do catolicismo. O anúncio foi feito pelo Vaticano por volta das 14h15 de Brasília – 19h15 de Roma. Como ocorreu na eleição dos papas Francisco e Bento XVI, o Conclave deste ano levou dois dias para escolher o novo papa. Por volta das 13h05 – horário de Brasília – desta quinta-feira, uma coluna de fumaça branca foi expelida pela chaminé da Capela Sistina, confirmação de que os cardeais reunidos no templo chegaram a um consenso sobre quem será o novo líder da Igreja Católica. Em uma decisão surpreendente do Conclave, o Vaticano tem seu primeiro pontífice dos Estados Unidos na história. Ele será o líder de 1,4 bilhão de fiéis ao redor do mundo. A ascensão de Leão XIV desfaz a expectativa de que o Vaticano voltasse ao comando de um europeu, após Francisco se tornar o primeiro pontífice latino-americano. Mais especificamente, esperava-se o retorno de um italiano ao poder: o cardeal Pietro Parolin, influente número 2 da Santa Sé, era o favorito. Em seu pronunciamento, Prevost, que também tem nacionalidade peruana, fez em espanhol uma saudação à sua “querida diocese de Chiclayo”. “Permitam-me também uma palavra, uma saudação (…) de modo particular à minha querida diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou seu bispo, compartilhou sua fé”, destacou ele da sacada de São Pedro, no Vaticano. O religioso também agradeceu seu antecessor: “Obrigado, papa Francisco!”.

Conferência Nacional do Meio Ambiente prepara o Brasil para a COP 30

Depois de 11 anos o país volta a realizar a conferência. Marina Silva destaca que a participação social é fundamental para a formulação de políticas públicas Em novembro acontece em Belém, Pará, a COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). Como forma de preparar o caminho até o encontro global, começou na terça-feira (6), em Brasília (DF), a 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente (5ª CNMA). Na abertura a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância da reunião para reforçar a governança participativa sobre o tema. “Essa conferência é uma demonstração de que a mobilização da sociedade é fundamental na formulação e implementação das políticas públicas”, disse. O Conferência vai até sexta (9) e tem como tema “Emergência Climática: o Desafio da Transformação Ecológica”. São esperados 3 mil representantes de todos os estados, sendo 1500 delegados. Marina ainda ressaltou a decisão do presidente Lula em recuperar as conferências, em diversas áreas, para trazer de novo a população para dentro das decisões do governo. Nesse sentido, a participação popular nas políticas públicas do meio ambiente é essencial para um processo de reconstrução, uma vez que a área foi desarticulada pelo governo Bolsonaro. COP30 A mobilização da 5ª CNMA é parte da organização que irá culminar na COP30. Marina afirmou que a Conferência no Brasil deverá ser um referencial histórico. Para isso acontecer o Brasil deve liderar pelo exemplo, resolvendo contradições internas e acelerando o processo de transição energética e ecológica. Dessa maneira, entende que é fundamental que os países cumpram o que foi pactuado no Acordo de Paris, que é não ultrapassar em 1,5ºC o aumento a temperatura média do planeta em relação ao período anterior à Revolução Industrial. Também estiveram na abertura o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; os ministros Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência da República), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Márcia Lopes (Mulheres).

Projeto que aumenta número de deputados é aprovado e segue para o Senado

Ampliação de 513 para 531no número de deputados responde a decisão do STF e leva em conta crescimento populacional verificada pelo Censo A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (6), por 270 votos a favor e 207 contra, projeto de lei complementar (PLP) que amplia de 513 para 531 o número de vagas na Casa legislativa, em conformidade com o aumento populacional ocorrido nos últimos anos e demonstrado pelo Censo 2022. Ao mesmo tempo, estados que perderiam representação, de acordo com a redistribuição proposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram suas bancadas mantidas. A garantia da proporcionalidade entre a população de um estado e sua representação parlamentar consta na Constituição. O relator do projeto, Damião Feliciano (União Brasil-PB), argumentou que o acréscimo foi “modesto”, de 3,5%, na comparação com o aumento demográfico, que foi superior a 40% nas últimas quatro décadas. O PLP foi votado após aprovação do regime de urgência, apreciado horas antes. Para virar lei, ainda precisará passar pelo Senado. Se aprovado, substituirá a Lei Complementar 78/93. Nesse caso, a nova conformação passa a valer a partir de 2027. Com a proposta, ganham novas vagas os estados do Pará (4); Santa Catarina (4); Amazonas (2); Mato Grosso (2); Rio Grande do Norte (2); Paraná (1); Ceará (1); Goiás (1) e Minas Gerais (1). Além do cálculo padrão segundo a população local, foram feitos ajustes nos estados do Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Norte, de maneira a assegurar a proporcionalidade e evitar que um ente federativo com população maior tivesse menos representantes que outro com uma menor. STF O Projeto de Lei Complementar aprovado pela Câmara responde a determinações advindas de ação acatada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2023. Naquela ocasião, o Supremo julgou procedente uma ação do governo do Pará, que apontou omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados de acordo com a mudança populacional, como previsto na Constituição. A corte determinou que o Congresso deveria aprovar, até 30 de junho de 2025, a redistribuição de vagas de acordo com o Censo de 2022, sob pena de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizá-la. Usando como base a lei de 1993, a decisão do STF previa a manutenção dos 513 deputados federais com redistribuição de 14 cadeiras. Com isso, alguns estados teriam suas bancadas diminuídas: o Rio de Janeiro perderia quatro cadeiras; Paraíba, Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul teriam duas a menos cada um; já Pernambuco e Alagoas deixariam de ter uma vaga cada um. Ao criar novas vagas, o PLP ora aprovado extinguiu a redistribuição, de maneira que os estados mantiveram suas vagas. Maiores bancadas regionais Segundo a Câmara, a bancada do Norte foi a que mais cresceu (de 65 para 71), seguida pelo Sul (de 77 para 82). A primeira corresponde hoje a 12,67% da Câmara, e a segunda equivale a 15%. A partir de 2027, o Norte será 13,37% da Casa, e o Sul terá 15,44%. Apesar de aumentar sua bancada em três deputados (151 para 154), o Nordeste passa de 29,43% para 29% na nova composição com mais parlamentares. O mesmo acontece com o Sudeste (de 179 para 180), que diminui de 34,89% para 33,89%. Já o Centro-Oeste aumenta de 7,99% (41 deputados) para 8,28% (44 representantes). O ajuste no número de deputados federais também incidirá sobre as assembleias legislativas, já que, por lei, o parlamento estadual deve ter o triplo da representação do estado na Câmara, com uma trava de 36. Se atingido esse número, o total será os 36 mais o quanto passar de 12 na bancada federal. De acordo com a Diretoria-Geral da Câmara, a criação de novas cadeiras terá um impacto orçamentário de R$ 64,8 milhões ao ano, a ser absorvido pelas previsões orçamentárias de 2027. Outro impacto que deverá ser alocado é o de emendas parlamentares que os novos representantes passarão a ter direito de indicar no âmbito do Orçamento da União. Veja abaixo como ficará cada bancada na Câmara dos Deputados, após a aprovação da criação de 18 novas vagas pelos deputados federais Acre: continua com 8 vagas Alagoas: continua com 9 vagas Amapá: continua com 8 vagas Amazonas: ganha duas vagas, saindo de 8 e saltando para 10 Bahia: continua com 39 vagas Ceará: ganha uma vaga, saindo de 22 e saltando para 23 Distrito Federal: continua com 8 vagas Espírito Santo: continua com 10 vagas Goiás: ganha uma vaga, saindo de 17 para 18 Maranhão: continua com 18 vagas Mato Grosso: ganha duas vagas, saindo de 8 e saltando para 10 Mato Grosso do Sul: continua com 8 vagas Minas Gerais: ganha uma vaga, saindo de 53 e saltando para 54 Pará: ganha quatro vagas, saindo de 17 e saltando para 21 Paraíba: continua com 12 vagas Paraná: ganha uma vaga, saindo de 30 para 31 Pernambuco: continua com 25 vagas Piauí: continua com 10 vagas Rio de Janeiro: continua com 46 vagas Rio Grande do Norte: ganha duas vagas, saindo de 8 e saltando para 10 Rio Grande do Sul: continua com 31 vagas Rondônia: continua com 8 vagas Roraima: continua com 8 vagas Santa Catarina: ganha quatro vagas, saindo de 16 e saltando para 20 São Paulo: continua com 70 vagas Sergipe: continua com 8 vagas Tocantins: continua com 8 vagas

Economia Pujante – Redes de franquia alavancam economia em Montes Claros

A maior cidade do Norte de Minas Gerais tem se destacado na geração de empregos. Dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgados no final de abril mostraram que os três primeiros meses do ano apontaram um saldo positivo na geração de empregos. Entre janeiro e março de 2025 foram admitidos 13.887 trabalhadores no município e demitidos 13.460, o que gerou um saldo positivo de 427 empregos. Entre os setores que mais empregam em Montes Claros estão os de serviço, construção e comércio. A facilidade na abertura de empresas e os incentivos têm possibilitado a abertura de diversas empresas, ocasionando a expansão dos empregos. As condições favoráveis fizeram com que algumas dessas empresas se consolidassem e se tornassem franquias. Empresas como a Barrys, LAAE e Oral Center estão entre as que extrapolarem os limites do município e se consolidaram como franquias, com atuação em todo o país. A Barrys, empresa do ramo das sorveterias, possui atualmente 17 franquias em 7 estados. Já a rede de laboratórios LAAE, que explora o serviço de análise de águas, está atualmente com 10 franquias. Outra rede com origem em Montes Claros é a Oral Center, que conta atualmente com 91 franquias pelo país. Reconhecendo o desempenho das empresas de Montes Claros, a franquia Oral Center foi reconhecida com o Selo de Excelência em Franchising (SEF) 2025 da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Além disso, a Oral Center também foi agraciada com o Prêmio ABF Destaque Franchising 2025, que reconhece as melhores práticas do franchising em diversas categorias. A cerimônia de premiação acontecerá nesta sexta-feira (09), no WTC Golden Hall, em São Paulo. Para o Secretário de Aceleração Econômica de Montes Claros, Glenn Andrade, a expansão das empresas montes-clarenses reflete o bom momento da cidade. “Hoje a cidade possui 100 mil empregos formais. Isso é possível graças à segurança para se empreender. Hoje é possível abrir uma empresa em 10 horas na cidade. A desburocratização favorece para a construção de números positivos”, explica.

STF deve barrar tentativa da Câmara de blindar Ramagem e Bolsonaro

Para integrantes da Corte ouvidos pela Folha de S.Paulo, decisão da Câmara é inconstitucional e extrapola os limites previstos na Constituição Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliaram que a decisão da Câmara dos Deputados de suspender a ação penal contra Alexandre Ramagem (PL-RJ) e, indiretamente, beneficiar o presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus do processo da tentativa de golpe de Estado, fere princípios constitucionais. A leitura predominante entre os magistrados é de que a medida aprovada pelos deputados, na noite de quarta-feira (7), invade competências do Judiciário e deve ser revertida, segundo aponta reportagem da Folha de S. Paulo. O projeto recebeu 315 votos favoráveis e 143 contrários, sustando o andamento da ação penal contra Ramagem sem mencionar diretamente o parlamentar, mas criando margem para interpretações que beneficiariam também Bolsonaro. Ministros do Supremo alertam que a Câmara só tem autoridade para intervir em ações penais relacionadas a crimes cometidos por deputados após a diplomação, o que limitaria a análise legislativa a apenas dois dos cinco crimes atribuídos a Ramagem. Zanin deixou posição clara em ofício enviado à Câmara A reação do STF à decisão da Câmara tem como base recente manifestação do ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, que conduziu o julgamento do processo. Zanin enviou um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reforçando que o Legislativo só pode deliberar sobre crimes cometidos por parlamentares após o início do mandato. No caso de Ramagem, isso restringiria a atuação da Câmara aos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Outros três crimes imputados a ele — associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito — teriam ocorrido antes da diplomação e, por isso, estariam fora do escopo de deliberação do Congresso. O novo ofício enviado por Zanin veio após a publicação da ata do julgamento, com o objetivo de esclarecer a delimitação das competências constitucionais. Câmara vê interferência e eleva tensão entre os Poderes A resposta do Supremo incomodou setores da Câmara. Integrantes da cúpula da Casa criticaram o novo ofício de Zanin, alegando interferência do Judiciário nas prerrogativas do Legislativo. Parlamentares vêm se queixando desde 2024 de um suposto desrespeito do STF à autonomia dos Poderes. Para os ministros ouvidos pela Folha, trata-se de uma estratégia política. Eles consideram que a Constituição é explícita quanto aos limites de atuação do Legislativo em ações penais, e que a narrativa de “invasão de competências” busca mobilizar parlamentares diante do avanço de investigações criminais contra seus pares. Ramagem reage com discurso político e ataca o Supremo Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Ramagem discursou em tom de enfrentamento ao STF e buscou angariar apoio entre colegas: “Não é apenas ativismo judicial exacerbado, há clara usurpação das nossas competências legislativas. (…) Estou servindo hoje de joguete casuístico do STF”, afirmou. “Se fazem comigo, podem fazer isso com vocês algum dia, inclusive colegas de esquerda.” A fala de Ramagem, como destacado pela Folha de S.Paulo, foi lida como uma tentativa de ampliar a base de apoio à sua defesa, transformando sua situação em um símbolo de resistência à suposta judicialização da política. Supremo aposta em constitucionalidade para conter reação política Mesmo com o aumento da pressão política, a avaliação interna no STF é de que o projeto aprovado na Câmara não tem respaldo jurídico e será barrado. Os ministros destacam que o Judiciário apenas cumpriu o que determina a Constituição ao informar à Câmara sobre o recebimento da denúncia, e que a atuação da Corte foi transparente e limitada à sua função institucional. A crise entre Judiciário e Legislativo, porém, tende a se aprofundar à medida que o Supremo avance no julgamento das ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Para os magistrados, a resposta institucional deve se manter firme, com base no respeito às normas constitucionais e à separação entre os Poderes

Deputado Gilvan da Federal tem mandato suspenso por três meses

Parlamentar deu declarações ofensivas contra deputada Gleisi Hoffmann Por 15 votos favoráveis e quatro contrários, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu nesta terça-feira (6) afastar o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) do mandato por três meses. O deputado foi representado pela direção da Casa devido a “declarações gravemente ofensivas, difamatórias e desonrosas contra a deputada licenciada Gleisi Hoffmann.  Durante reunião da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, no dia 29 de abril, o deputado se referiu à deputada dizendo “que devia ser uma prostituta do caramba”. Segundo o relator da proposta, deputado Ricardo Maia (MDB-BA), a atitude de Gilvan foi incompatível com o decoro parlamentar. “Os fatos vão além de uma simples divergência política ou de um embate retórico acalorado”, considerou Maia. “As manifestações ultrapassam os limites da liberdade de expressão parlamentar, com ataques pessoais e desqualificação moral, por meio de termos ofensivos e desrespeitosos, que ferem a dignidade das autoridades atingidas e comprometem os valores institucionais da Câmara dos Deputados”, disse o relator. O relatório diz ainda que a punição é uma medida cautelar proporcional e necessária para conter abusos “que afrontam a função representativa, desmoralizam o Parlamento e ameaçam a integridade do processo legislativo”. Inicialmente, a punição pedida pela Mesa Diretora da Casa determinava o afastamento cautelar do mandato por seis meses. Mas o relator recomendou a suspensão por três meses. Segundo Maia, a pena traduz uma resposta firme e simbólica à gravidade dos fatos. “Trata-se de medida legítima, proporcional e necessária, que visa preservar a dignidade da representação parlamentar e zelar pela integridade da instituição legislativa perante o povo brasileiro”, argumentou. A decisão da Comissão será encaminhada para a mesa diretora da Casa, que definirá o início da punição. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Defesa Em sua defesa, o deputado Gilvan disse que o processo era inepto, pois não havia citado diretamente a deputada. Gilvan argumentou ainda que o pedido de afastamento foi feito de forma açodada “Instaurou-se um processo sancionador, desprovido de provas cabais a demonstrar a quebra de decoro do Reclamado, consubstanciadas unicamente em indícios que maculam a finalidade do objetivo traçado”, disse. Durante a sessão, o deputado disse ainda que mudaria o comportamento. “Aquela mudança de comportamento que me comprometi já comecei a fazer aqui no Conselho de Ética”, disse. Outros casos Gilvan já foi agente de outros atos violentos. Durante outra sessão da Comissão de Segurança Pública, na Câmara dos Deputados, o parlamentar desejou a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita ao comentar a ausência de provas acerca dos planos de assassinatos de Lula, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em 2022. O plano foi descrito em denúncia oferecida pela PGR contra acusados de tentativa de golpe de Estado, em fevereiro deste ano. O episódio levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a encaminhar uma notícia de fato à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando providências cabíveis contra o deputado.

Por unanimidade, STF torna mais sete réus por trama golpista

Já chega a 21 o número de réus, entre eles Jair Bolsonaro A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (6) tornar réus mais sete denunciados pela trama golpista durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por unanimidade, os cinco ministros do colegiado aceitaram denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o núcleo 4 da trama, formado por militares do Exército e um policial federal que são acusados de organizar ações de desinformação para propagar notícias falsas sobre o processo eleitoral e ataques virtuais a instituições e autoridades por meio da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O caso ficou conhecido como “Abin Paralela”. Os votos foram proferidos pelos ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. Com a decisão, viraram réus os seguintes denunciados: Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército); Ângelo Martins Denicoli (major da reserva do Exército); Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente do Exército); Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército); Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército); Marcelo Araújo Bormevet (policial federal); Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal) Os acusados vão responder por cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça, contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Relator O placar do julgamento foi obtido com o voto do relator, Alexandre de Moraes. Segundo o ministro, a denúncia da PGR “descreveu satisfatoriamente” que os acusados contribuíram para divulgação notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e contra o sistema eleitoral pelas redes sociais. “Houve a distribuição, a produção de notícias fraudulentas de ataque contra o Poder Judiciário, ao STF, ao TSE, à lisura das eleições, à questão das urnas eletrônicas. Os denunciados fizeram parte dessa estrutura, dentro de uma organização criminosa”, afirmou. Moraes também disse que a denúncia da PGR apontou a utilização do software de monitoramento FirstMile para monitorar ilegalmente desafetos de Bolsonaro. O ministro citou que as investigações descobriram que um dos acusados realizou 887 pesquisas ilegais por meio do programa. “Os elementos reunidos indicam que o grupo infiltrado na Abin ali se instalou no início do mandato Jair Bolsonaro, em 2018, e foi autor de ataques virtuais de alvos diversos que contrariavam interesses”, disse. O relator também apontou que os alvos dos ataques virtuais eram escolhidos a partir das declarações públicas de Bolsonaro. “As ações ganham ainda mais relevo quando observada a consonância entre os discursos públicos de Jair Messias Bolsonaro e os alvos escolhidos pela célula infiltrada na Abin”, completou. Moraes argumentou ainda que as investigações também mostram a atuação do grupo para realização de ataques virtuais ao então comandante do Exército, general Freire Gomes, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Batista Júnior, por não aderirem à proposta de golpe. “A instrumentalização dessas mensagens é para coação do comandante-geral do Exército por parte de outros militares. Por que isso? Porque ele se negou a aderir ao golpe de Estado”, concluiu. Cármen Lúcia Durante o julgamento, a ministra Cármen Lúcia também condenou a divulgação de desinformação e disse que a mentira virou mercadoria nas redes sociais. “É a mentira como commodity. Virou um bem, paga-se por isso, há quem ganhe, há quem faça. A mentira como commodity para comprar a antidemocracia”, afirmou. Ação penal Com a aceitação da denúncia, será aberta uma ação penal na Corte. A abertura marca o início a instrução processual, fase na qual os advogados poderão indicar testemunhas e pedir a produção de novas provas para comprovarem as teses de defesa. Os acusados também serão interrogados ao final dessa fase. Os trabalhos serão conduzidos pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Após o fim da instrução, o julgamento será marcado, e os ministros vão decidir se o ex-presidente e os demais acusados serão condenados à prisão ou absolvidos. Não há data definida para o julgamento. Em caso de condenação, a soma das penas para os crimes passa de 30 anos de prisão. Defesa Durante o julgamento, os advogados rebateram as acusações e pediram a rejeição da denúncia. Réus Até o momento, foram julgadas as denúncias contra os núcleos 1, 2 e 4, totalizando 21 réus. Em março deste ano, por unanimidade, o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados também viraram réus. Ainda serão analisadas as denúncias contra os núcleos 3 e 5

Concha acústica vai consolidar Montes Claros como a cidade da arte e da cultura

Com o objetivo consolidar o compromisso da Prefeitura de Montes Claros com a área da cultura, firmando ainda mais Montes Claros como a “cidade da arte e da cultura”, a construção da Concha Acústica (cenário com uma superfície de base semicircular e boca parabólica), iniciativa do saudoso secretário Paulo Ribeiro e projetada pelo arquiteto Luiz Cláudio Duarte, o Cascão, está sendo intensificada para a realização de eventos, atendendo a carência da cidade por espaços públicos culturais. Com recursos do município, no valor de R$ 1.873.782,04, através do IPTU, ISS, IPVA, taxas etc. a concha acústica servirá como um ponto de encontro para a comunidade, promovendo a participação cívica e social, e ser palco de eventos comunitários, reuniões ao ar livre, atividades educacionais e programas envolvendo escolas e organizações locais, que poderão usufruir do novo espaço gratuitamente. A concha acústica está sendo construída na Praça dos Jatobás, região sul de Montes Claros, ao lado do Parque Guimarães Rosa. Concha acústica Uma concha acústica é uma estrutura projetada para melhorar a qualidade do som em locais abertos, refletindo o som do palco para a plateia. Ela é frequentemente usada em concertos ao ar livre, jardins e outras áreas externas onde a acústica natural não é ideal. As conchas acústicas podem ser fixas ou móveis, e sua forma e materiais são cuidadosamente escolhidos para otimizar a reflexão do som. Fonte/Secom-Prefeitura de Montes Claros

Márcia Lopes deve assumir o Ministério das Mulheres nesta semana

Petista foi convidada por Lula e se reúne com o presidente nesta segunda para selar sua volta ao primeiro escalão A assistente social e ex-ministra Márcia Lopes deve ser anunciada ainda nesta semana como nova titular do Ministério das Mulheres. O convite foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (2), por telefone, e confirmado pela própria Márcia em entrevista no sábado (3). “Recebi sim [o convite] e estarei em Brasília já na segunda-feira. À tarde falarei com o presidente Lula”, afirmou. A informação foi revelada inicialmente pelo site PlatôBR e reforça os sinais de uma nova fase da reforma ministerial que Lula promete implementar em 2025. No mesmo dia do convite, o presidente se reuniu por cerca de 20 minutos com a atual ministra, Cida Gonçalves, que deixou o Palácio do Planalto sem falar com a imprensa, indicando que a transição está em curso. Filiada ao PT desde os anos 1980, Márcia Lopes tem uma trajetória consolidada nas políticas sociais do partido. Ela ocupou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em 2010, durante o segundo mandato de Lula. Também foi uma das coordenadoras do grupo técnico de assistência social no governo de transição em 2022, ao lado da ministra do Planejamento, Simone Tebet, e da ex-ministra Tereza Campello. Márcia é irmã de Gilberto Carvalho, atual secretário nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência. A troca no comando do Ministério das Mulheres deve marcar a sexta mudança no primeiro escalão do governo apenas em 2025. Na última sexta-feira, o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão em meio à crise provocada por denúncias de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Wolney Queiroz, então secretário-executivo da pasta, foi nomeado ministro no mesmo dia. Outras mudanças relevantes ocorreram ao longo do ano. Em abril, Juscelino Filho (União Brasil) deixou o Ministério das Comunicações após denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva. Pedro Lucas (União Brasil-MA) foi anunciado como substituto, mas recusou o cargo 12 dias depois, forçando o governo a nomear Frederico Siqueira, então presidente da Telebras. Ainda em janeiro, Lula trocou o comando da Secretaria de Comunicação da Presidência, nomeando Sidônio Palmeira no lugar de Paulo Pimenta (PT-RS). Em fevereiro, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi substituída por Alexandre Padilha, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais para dar lugar a Gleisi Hoffmann, ex-presidente nacional do PT. O retorno de Márcia Lopes ao governo reforça o compromisso de Lula com políticas públicas voltadas à proteção e promoção das mulheres e ocorre em meio a um processo mais amplo de reorganização política e administrativa da gestão federal. A reunião desta segunda-feira (6), em Brasília, deve oficializar sua nomeação.