Rogério Correia pede busca e apreensão em gabinete de deputado que exibiu armas na Câmara

Solicitação encaminhada ao presidente da Casa ocorre após parlamentar publicar vídeo segurando armas de fogo O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) encaminhou uma representação ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para solicitar a busca e apreensão de armas de fogo que estariam com o deputado Delegado Caveira (PL-PA). O pedido, encaminhado nesse sábado (3 de maio) menciona, em especial, armamentos de uso restrito que estariam armazenados no gabinete do parlamentar do PL. O pedido ocorre após o Delegado Caveira aparecer, na semana passada, segurando um fuzil calibre 5.56mm e uma pistola calibre .40 nas dependências da Câmara. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar é filmado ao lado do vereador Zezinho Lima (PL-PA) empunhando armas e defendendo o porte para “cidadãos de bem”. Na representação, Rogério argumenta que o ingresso de armas nas dependências da Câmara sem o devido acautelamento prévio e sem autorização da autoridade competente viola diversos dispositivos regimentais da Casa. Diante do episódio, o deputado mineiro solicita que a Polícia Legislativa realize busca e apreensão das armas que possam estar armazenadas no gabinete do parlamentar. O petista ainda pede que a Corregedoria Parlamentar seja acionada e que providências administrativas e penais sejam tomadas, com envio do caso ao Conselho de Ética e à Procuradoria-Geral da República. Em resposta à reportagem, o deputado Delegado Caveira criticou a ação de Rogério Correia, ao afirmar que o colega exige providências “por algo que sequer compreende”. “Sou delegado de polícia e respondo por cada uma das minhas ações”, complementa. O político ainda sugere que o petista estaria “sem pauta” e propõe que ele se dedique, por exemplo, a denunciar “o roubo vergonhoso contra os idosos no INSS” e a cobrar esclarecimentos dos parlamentares que “vão votar sobre a criação de 14 novas vagas de deputados federais — mais cargos, mais gastos e mais peso para o bolso do cidadão”, finaliza.
Cruzeiro derrota o Flamengo e segue no G4 do Campeonato Brasileiro

Ex-camisa 9 flamenguista entrou no fim do jogo e fez o gol da vitória cruzeirense contra o ex-clube Foi com muita emoção que Cruzeiro acabou com um incômodo jejum na noite deste domingo (04/05). Em jogo pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro, a Raposa derrotou o Flamengo por 2 a 1, quebrando um tabu de quase sete anos sem vencer o time rubro-negro. Kaio Jorge e Gabigol marcaram os gols da vitória celeste, enquanto Arrascaeta descontou para o Flamengo. Com o resultado, a Raposa segue na quarta posição, com 13 ponto A partida começou estudada, com ambas as equipes buscando o ataque, mas parando nas bem postadas e atentas defesas. Porém, isso mudou aos 15 minutos. Em contragolpe mortal do Cruzeiro, Kaio Jorge conduziu a bola e, de fora da área, bateu forte, rasteiro, no canto esquerdo, sem chances para Rossi. Nos minutos seguintes, o Flamengo passou a chegar mais no ataque, mas parou em grandes defesas de Cássio. A Raposa ficou postada aguardando mais um contra-ataque e quase marcou novamente, em uma bomba de Kaio Jorge que explodiu no travessão. Mas, aos 45 minutos, a lei do ex castigou o Cruzeiro. Após a zaga celeste afastar um cruzamento da esquerda, a bola sobrou para Gerson pelo lado direito do ataque flamenguista. O volante rolou para a entrada da área, de onde Arrascaeta acertou um belo chute colocado, no ângulo esquerdo de Cássio. 1 a 1. O segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro: trocação entre as duas equipes e defesas se saindo melhor que os ataques. Grande chance mesmo, só aos 30 minutos do segundo tempo, quando Rossi salvou o Flamengo duas vezes seguidas, em chutes de Matheus Pereira e, no rebote, Kaio Jorge. Quando tudo parecia se encaminhar para o empate, aos 48 minutos do segundo tempo, Eduardo sofreu pênalti. Coube a Gabigol ir para a cobrança, e aí a lei do ex sorriu para o Cruzeiro. Na cobrança, o camisa 9 azul parou em defesa de Rossi, mas o rebote voltou para o próprio Gabriel Barbosa, que de pé esquerdo mandou para as redes para dar uma vitória emocionante ao Cruzeiro. FICHA TÉCNICA CRUZEIRO 2 x 1 FLAMENGO Motivo: 7ª rodada do Campeonato Brasileiro Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG) Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO) Auxiliares: Bruno Raphael Pires (GO) e Maira Mastella Moreira (RS) VAR: Wagner Reway (ES)
Papamóvel será transformado em unidade de saúde para crianças em Gaza

Desejo do próprio pontífice será providenciado pela Caritas Jerusalém O veículo utilizado pelo papa Francisco, popularmente conhecido como papamóvel, será transformado de forma que possa servir como uma unidade de saúde móvel para atender crianças na Faixa de Gaza. De acordo com o Vaticano, a adaptação foi um pedido feito pelo próprio pontífice. Em nota, a Santa Sé destacou que o legado de paz deixado por Francisco “continua a brilhar” em um mundo assolado por conflitos. “A proximidade que ele demonstrou aos mais vulneráveis durante sua missão terrena continua irradiando mesmo após sua morte”, completou. O 266º papa, e o primeiro das Américas, morreu no último dia 21 de abril. “Foi seu último desejo para um povo a quem demonstrou tanta solidariedade ao longo do seu pontificado, sobretudo ao longo dos últimos anos”, destacou o Vaticano. De acordo com o comunicado, o pedido foi feito já em meio aos últimos meses de vida de Francisco, que confiou a iniciativa à organização humanitária Caritas Jerusalém. “Em meio à guerra terrível, à infraestrutura em colapso, a um sistema de saúde mutilado e à falta de educação, as crianças são as primeiras a pagar o preço, com a fome, as infecções e outras doenças evitáveis colocando suas vidas em risco”, ressaltou a Santa Sé. “Papa Francisco costumava dizer: ‘Crianças não são números. São rostos. Nomes. Histórias. E cada uma delas é sagrada’ e, com este último presente, suas palavras se tornaram ações.” Ainda segundo o Vaticano, o papamóvel está sendo adaptado com equipamentos para diagnóstico, exame e tratamento – incluindo testes rápidos para infecções, instrumentos de diagnóstico, vacinas, kits de sutura e outros suprimentos considerados vitais para manter a saúde de crianças em zonas de conflito. A equipe que utilizará o veículo em Gaza será composta por médicos e paramédicos, “que alcançarão crianças aos cantos mais isolados de Gaza assim que o acesso humanitário à faixa for restabelecido”, concluiu o comunicado.
Eduardo Bolsonaro é desmentido pelo governo de Trump

Deputado licenciado afirmou que funcionário do governo norte-americano viria ao Brasil em uma ação contra Alexandre de Moraes Eduardo Bolsonaro anunciou que funcionário do governo Trump viria ao Brasil tratar de sanções ao ministro Alexandre de Moraes =crédito: BBC GeralO governo americano desmentiu a informação divulgada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a vinda de um funcionário do presidente Donald Trump para o Brasil em missão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi revelada pelo jornalista e correspondente internacional Jamil Chade. Nos últimos dias, o parlamentar e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) associou a viagem de David Gamble, coordenador do escritório de sanções do Departamento de Estado, teria viagem marcada para tratar sobre medidas contra Moraes e outras autoridades brasileiras. Ainda segundo Jamil Chade em seu blog no Portal UOL, há sim uma viagem programada de um funcionário do governo de Trump ao Brasil. O objetivo, no entanto, seria o estabelecimento de um acordo de cooperação entre os dois países em ações de combate ao crime organizado. O blog de Chade afirma que o governo americano enviará uma delegação à capital brasileira para uma série de reuniões com objetivo de promover programas de sanções dos Estados Unidos contra o terrorismo e o tráfico de drogas. A viagem faz parte de uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Neste ano, a interação já resultou em uma operação da polícia americana que culminou na prisão de 18 brasileiros suspeitos de realizar atividades vinculadas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no país estrangeiro. Eduardo Bolsonaro esteve mais nos EUA do que na Câmara em 2025 Desde março, Eduardo Bolsonaro anunciou que não retornaria ao Brasil e permaneceria nos Estados Unidos como parte de uma missão estratégica de atacar autoridades do país onde ele foi eleito deputado federal e do qual seu pai foi presidente. O foco central de Eduardo é Alexandre de Moraes, mas há um interesse geral em enfraquecer o STF. Direto da terra do Tio Sam, o deputado licenciado já chegou a anunciar missões como o mapeamento de bens dos ministros da Suprema Corte no exterior.
Trump fala em expulsar democratas do Congresso

Em nova investida, Trump pede que republicanos expulsem democratas por “crimes eleitorais”, enquanto rejeita rumores de novo impeachment O presidente Donald Trump sugeriu que os republicanos no Congresso deveriam expulsar os legisladores democratas em resposta a um movimento ainda incipiente de impeachment, que não foi endossado pela liderança do partido. Em uma longa publicação no Truth Social na noite de quinta-feira (1º), Trump escreveu: “Os democratas estão realmente fora de controle. Eles perderam tudo, especialmente a sanidade! Esses lunáticos da esquerda radical estão novamente obcecados com essa coisa de ‘impeachment’. Já conseguiram que dois congressistas sem relevância, totalmente desequilibrados, ficassem falando em ‘impeachment’ de DONALD J. TRUMP.” “Os republicanos deveriam começar a pensar em expulsá-los do Congresso por todos os crimes que cometeram, especialmente durante as eleições”, continuou Trump, chamando os democratas de “pessoas muito desonestas que não deixam nosso país se curar” e “verdadeiros lixos, que odeiam nosso país e tudo o que ele representa.” “Talvez devêssemos começar a jogar o mesmo jogo contra eles e expulsar os democratas pelos muitos crimes que cometeram”, acrescentou. Entre os democratas, não há consenso sobre a ideia de um terceiro impeachment contra Trump. Pete Aguilar, presidente do caucus democrata na Câmara, disse ao Semafor que o impeachment “não é um exercício que estamos dispostos a realizar”. Na semana passada, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o impeachment estava “muito distante para ser considerado uma opção viável no momento”. Não há evidências de que os democratas tenham cometido crimes contra Trump, como ele alegou em sua publicação, citando especificamente o senador Adam Schiff. No entanto, o ex-presidente deixou claro sua sede de vingança e, desde que retomou o poder, tem agido para concretizá-la, seja por meio de diretrizes nas redes sociais, seja usando o aparato do governo federal que agora controla. Em março, após meses de ameaças durante a campanha, Trump tentou anular os perdões concedidos a membros do Comitê do 6 de Janeiro, que ele havia apontado como alvos de possíveis processos. “Os ‘perdões’ que o Sonolento Joe Biden deu ao Comitê Não Selecionado de Bandidos Políticos, e muitos outros, são aqui declarados NULOS, INEXISTENTES E SEM EFEITO”, escreveu no Truth Social. Embora nenhum membro do Congresso tenha sido acusado pelo governo Trump, a Casa Branca parece estar se habituando a usar o sistema de justiça para retaliar rivais políticos. Na semana passada, o FBI fez questão de prender publicamente a juíza de Milwaukee Hannah Dugan, acusando-a de obstruir a prisão de um migrante indocumentado. O governo também abriu uma investigação contra Chris Krebs, ex-diretor da Agência de Segurança Cibernética, que em 2020 desmentiu as alegações falsas de fraude na eleição que Trump perdeu. A retaliação está apenas começando. Na quarta-feira, o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, foi questionado por um repórter sobre por que o governo não “prende os líderes” de cidades e estados santuário “por abrigar e proteger imigrantes ilegais, inclusive terroristas, da deportação”. A resposta de Homan só pode ser interpretada como uma ameaça: “Espere para ver o que está por vir.” Com informações de Rolling Stone*
Após fraude no INSS, Lupi pede demissão do Ministério da Previdência

Atual secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz assume cargo O ministro da Previdência, Carlos Lupi, acertou sua saída do cargo, nesta sexta-feira (2), após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília. Em seu lugar, o Palácio do Planalto anunciou ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da pasta. O agora ex-ministro, que é presidente nacional do PDT, anunciou a saída do governo em uma postagem nas redes sociais. “Tomo esta decisão com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento nas investigações em curso, que apuram possíveis irregularidades no INSS. Faço questão de destacar que todas as apurações foram apoiadas, desde o início, por todas as áreas da Previdência, por mim e pelos órgãos de controle do governo Lula. Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”, escreveu Lupi. Segundo o Planalto, a exoneração de Lupi e a nomeação de Wolney serão publicadas ainda nesta sexta em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). A troca no comando do Ministério da Previdência ocorre uma semana após a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrarem uma operação conjunta que apura um suposto esquema de descontos não autorizados de mensalidades associativas em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação aponta que as irregularidades começaram em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro, e prosseguiram nos últimos anos. “Continuarei acompanhando de perto e colaborando com o governo para que, ao final, todo e qualquer recurso que tenha sido desviado do caminho de nossos beneficiários seja devolvido integralmente. Deixo meu agradecimento aos mais de 20 mil servidores do INSS e do Ministério da Previdência Social, profissionais que aprendi a admirar ainda mais nestes pouco mais de dois anos à frente da Pasta. Homens e mulheres que sustentam, com dedicação, o maior programa social das Américas”, prosseguiu Carlos Lupi. pic.twitter.com/UT4tqWuw8F — Carlos Lupi 🇧🇷🌹 (@CarlosLupiPDT) May 2, 2025 Mudanças no INSS O caso já havia resultado na exoneração do então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e no afastamento de quatro dirigentes da autarquia e de um policial federal lotado em São Paulo. Deputados de oposição protocolaram, na última quarta-feira (30), um requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os sindicatos envolvidos na fraude do INSS. Pressionado pela oposição, Lupi chegou a prestar depoimento durante sessão da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, também da Câmara dos Deputados, realizada na terça-feira (29), mas sua permanência à frente da pasta acabou ficando insustentável. A PF informou ter reunido indícios da existência de irregularidades em parte dos cerca de R$ 6,3 bilhões que a cobrança das mensalidades associativas movimentou apenas entre 2019 e 2024. Nos dias seguintes, a CGU e o próprio INSS tornaram públicos os resultados de auditorias realizadas desde 2023, que também apontavam inconsistências e problemas relacionados ao tema. Suspensão e devolução Logo após a deflagração da operação da PF, o INSS suspendeu todos os descontos oriundos dos acordos com as entidades. Para reaver o dinheiro retroativo aos anos anteriores, a Advocacia-Geral da União (AGU) montou um grupo para buscar a reparação dos prejuízos. Esse grupo se reuniu na tarde desta sexta, na sede da AGU, envolvendo o próprio advogado-geral da União, Jorge Messias; o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção e o novo presidente do INSS, nomeado há dois dias. Na última quinta-feira (30), em pronunciamento nacional por ocasião do Dia do Trabalhador, Lula prometeu que os prejudicados serão ressarcidos.
FLOPOU – Ninguém quis o retrato de Jair Bolsonaro em leilão

Pintura do rosto de Bolsonaro não atraiu nenhum lance em leilão de obras de arte Um sinal dos tempos atuais. Com lance mínimo de R$ 4 mil, um retrato do ex-presidente Jair Bolsonaro não seduziu nenhum colecionador de arte. A obra, assinada pelo renomado artista plástico Daniel Lannes, fez parte dos 220 lotes oferecidos pela Galeria Blombô, no site de leilões Iarremate. O leilão do retrato do ex-capitão, no entanto, flopou — e a obra não deve ser reapresentada nos próximos leilões da Blombô. De acordo com a galeria, foram vendidas 75% das obras em dois dias de leilão, segunda e terça-feira (28 e 29). A obra de maior destaque foi uma escultura da artesã Conceição dos Bugres. A peça foi arrematada por R$ 440 mil. Via Estado de Minas
Lula escolhe procurador federal como novo presidente do INSS

Gilberto Waller substituirá Alessandro Stefanutto, que foi demitido O procurador federal Gilberto Waller Júnior será o novo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), informou nesta noite o Palácio do Planalto. Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nomeação foi assinada pela ministra-chefe substituta da Casa Civil, Miriam Belchior. O ato será publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União. Tradicionalmente, a nomeação do presidente do INSS cabe ao ministro da Previdência Social. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Waller Júnior tem pós-graduação em Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro. Ele entrou no INSS como procurador em 1998, tendo ocupado os cargos de corregedor-geral de 2001 a 2004 e subprocurador-geral de 2007 a 2008. Waller também trabalhou na Controladoria-Geral da União (CGU), onde ocupou o cargo de ouvidor-geral da União de 2016 a 2023. Atualmente, ele é corregedor da Procuradoria-Geral Federal, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU). O procurador federal assumirá o posto de Alessandro Stefanutto, demitido do cargo após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal revelar a existência de um esquema de fraudes no órgão entre 2019 e 2024, que descontou indevidamente contribuições de aposentados e pensionistas a entidades e organizações sociais. No mesmo dia da operação, a Justiça Federal determinou o afastamento de Stefanutto, por omissão diante de denúncias de fraudes nos repasses às entidades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a exoneração de Stefanutto na mesma noite. Desde a última quinta-feira (24), a diretora de Orçamento, Finanças e Logística do INSS, Débora Aparecida Floriano, ocupava a presidência interina da autarquia. Além de Stefanutto, a Justiça determinou o afastamento de cinco servidores do órgão, posteriormente demitidos. Na terça-feira (29), o juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 15ª Vara Federal Criminal de Brasília, autorizou a quebra de sigilo telemático de Stefanutto. Segundo o magistrado, o fim do sigilo permite o aprofundamento das investigações do esquema de descontos em aposentadorias e pensões.
Folha tem oportunidade de se responsabilizar e reparar apoio à ditadura

Investigação mostra que empresa colaborou com a violência da ditadura. Agora, jornal tem oportunidade de reparar danos à democracia Por Cezar Xavier, do Portal Vermelho Imagem do documentário Folha Corrida, dirigido por Chaim LitewskiA história do Grupo Folha durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) revela um capítulo obscuro, cuidadosamente omitido de sua narrativa pública. Enquanto a empresa consolidou uma imagem de defensora da democracia durante a abertura política, uma investigação minuciosa expõe como o grupo não apenas colaborou com a repressão, mas também lucrou com ela — e, desde então, trabalhou para apagar essas marcas de sua memória institucional. O Portal Vermelho entrevistou a professora de Comunicação Flora Daemon, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que destacou a oportunidade que a empresa tem de assumir suas responsabilidades (assim como fez o The Guardian), reparar os erros graves cometidos e seguir uma nova trajetória comprometida com novos valores. Em vez disso, tem sido a defensora de uma suposta “ditadura branda”, vocalizadora de personalidades como Jair Bolsonaro e seus ataques à democracia e silenciadora da investigação e suas provas contundentes da violenta colaboração com a repressão militar. (Leia ao final trechos da entrevista da pesquisadora) Durante dois anos, a equipe coordenada por Ana Paula Goulart Ribeiro (UFRJ), e composta por Flora Daemon (UFRRJ), Amanda Romanelli (PUC-SP), André Bonsanto Dias (UEM), Joëlle Rouchou (Fundação Casa de Rui Barbosa) e Lucas Pedretti (UERJ) aprofundou as investigações sobre denúncias levantadas no âmbito da Comissão Nacional da Verdade. A pesquisa resultou em um inquérito aberto pelo Ministério Público Federal, na série documental Folha Corrida, além do livro A Serviço da Repressão: Grupo Folha e Violações de Direitos na Ditadura (Editora Mórula), já nas livrarias. A série teve a estreia do seu primeiro episódio neste domingo (27) na plataforma do ICL. Colaboração sistêmica e apagamento da memória Documentos inéditos, depoimentos de agentes da repressão e relatos de vítimas revelam que a Folha emprestava carros de distribuição de jornais ao DOI-Codi e ao Dops, usados em prisões, torturas e até assassinatos, como o da emboscada da Rua João Moura (SP). Além disso, policiais ligados ao delegado Sérgio Fleury, símbolo da violência do regime, tinham acesso privilegiado às redações do grupo, atuando como espiões e intimidando jornalistas. A Folha também se beneficiou economicamente do contexto ditatorial. A “preços módicos”, adquiriu empresas como a Última Hora e a TV Excelsior, sufocadas politicamente, e recebeu recursos da Usaid — agência norte-americana vinculada à estratégia anticomunista — para modernizar sua estrutura gráfica. Enquanto isso, jornalistas da casa eram perseguidos, demitidos por “abandono de emprego” durante prisões ou expostos em reportagens que divulgavam seus dados pessoais, facilitando sua vulnerabilidade. Apesar dessas evidências, a Folha construiu uma narrativa de “jornal da abertura democrática”, apagando seu papel anterior. “Eles dançavam conforme a música”, afirma Daemon, referindo-se à estratégia de Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, fundadores do grupo, que adaptaram o discurso conforme os ventos políticos. A batalha na Justiça e a oportunidade de reparação Em 2024, a pesquisa de Daemon — compilada no livro A Serviço da Repressão e na série documental Folha Corrida — subsidiou um inquérito do Ministério Público Federal (MPF) que investiga o grupo. A Folha, hoje, responde judicialmente, podendo seguir caminhos como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), modelo adotado pela Volkswagen em 2021 após ser condenada por colaborar com a repressão. Para Daemon, esse é um momento crucial: “A Folha tem a chance de reconhecer seu passado, como fez o The Guardian ao reparar danos ligados à escravidão. Ela pode ser pioneira em transparência no Brasil”. No entanto, até agora, a empresa mantém silêncio sobre as acusações, limitando-se a afirmar que “tudo já foi dito em publicações históricas”. O papel da memória e da sociedade A professora ressalta que a responsabilização não apaga os méritos do jornal, mas é essencial para evitar a repetição de eufemismos como “ditabranda”. “A sociedade precisa saber que a Folha não foi apenas conivente, mas parte ativa da repressão”, destaca. O documentário Folha Corrida , com depoimentos inéditos de mais de 40 fontes, busca justamente disputar essa memória. Enquanto a justiça avança em sigilo, a pressão pública será determinante. “Se a Folha assumir sua história, abre-se um precedente para outras empresas. Se não, perpetua-se a impunidade”, conclui Daemon. A resposta do grupo, agora, definirá não apenas seu legado, mas o compromisso do Brasil com a verdade. Leia a entrevista: Vermelho: Qual era a tarefa da equipe de pesquisa, exatamente? Flora Daemon: A partir da orientação do Ministério Público Federal, a ideia era fazer uma investigação de caráter mais incisivo, buscando evidências, provas, indícios, por meio de técnicas de jornalismo investigativo, técnicas de pesquisa, de história oral, cruzando várias metodologias. E o propósito disso tudo era subsidiar um eventual inquérito do Ministério Público Federal. Então, ao longo de dois anos, a gente investigou o Grupo Folha e, ao final desse processo, a gente destinou esse relatório robusto para o MPF, que avaliou e entendeu que havia o suficiente para conformar o inquérito. Então hoje a Folha está sendo implicada na justiça a partir da nossa investigação. A gente está falando de um grupo de comunicação muito poderoso, que tem um histórico importante na sociedade brasileira e que conseguiu reposicionar a sua imagem de maneira muito eficiente. Quando a gente fala sobre ditadura, imprensa e meios de comunicação, as pessoas dificilmente pensam em Folha de São Paulo. É impressionante como a Folha não aparece no imaginário social. Seria importante também a gente fazer com que a sociedade conhecesse essa história a fundo, disputando as memórias por meio do audiovisual. Assim, desde o primeiro momento, gravamos todos os depoimentos de todas as mais de quarenta fontes, para constituir um documentário. Vermelho: Esse projeto faz parte de uma coisa maior, que envolve a indenização da Volkswagen. E aí eu queria que você situasse a pesquisa dentro desse esquema maior. Flora Daemon: A gente tem um movimento muito único na história do Brasil. A Volkswagen foi implicada na justiça por conta da sua colaboração efetiva e perseguição a funcionários durante a ditadura. E essa é uma luta antiga dos trabalhadores vitimados, que com muito esforço conseguiram implicar a Volkswagen na justiça depois de um trabalho extenuante
Desemprego no primeiro trimestre atinge menor nível da série histórica

Taxa de 7% reflete melhora no mercado de trabalho, com aumento no rendimento médio e crescimento em setores-chave da economia Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgados nesta quarta-feira (30 de abril) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2025 caiu para 7% — o menor índice já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado representa uma queda significativa em relação aos 7,9% do mesmo trimestre em 2024 e supera o anterior recorde de 7,2%, observado em 2014. Apesar do leve aumento sazonal de 0,8 ponto percentual em comparação com o último trimestre de 2024, o mercado de trabalho mantém trajetória positiva. “O bom desempenho dos últimos trimestres não é comprometido pela variação sazonal. A taxa atual é a mais baixa já registrada para um primeiro trimestre”, destacou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE. Mercado formal estável, mas informalidade recua O número de trabalhadores com carteira assinada permaneceu estável (39,4 milhões), enquanto o emprego sem carteira no setor privado recuou 5,3%, com 751 mil pessoas a menos nessa condição. “A retração ocorreu principalmente em setores como construção, serviços domésticos e educação”, explicou Beringuy. Por outro lado, houve crescimento em diversos segmentos na comparação anual: Indústria geral: +3,3% (431 mil pessoas) Comércio e reparação de veículos: +3,1% (592 mil) Transporte e armazenagem: +4,4% (253 mil) Tecnologia e serviços profissionais: +4,1% (518 mil) Administração pública e saúde: +4% (713 mil) Rendimento médio atinge recorde O rendimento médio do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.410, valor mais alto da série histórica, com alta de 1,2% no trimestre e 4% no ano. Os maiores aumentos foram observados em: Agricultura e pesca: +4,1% (R$ 85 a mais) Setor público e saúde: +3,2% (R$ 145) Na comparação anual, os destaques ficaram com construção civil (+5,7%, ou R141)eservic\cosdomeˊsticos(+3,6141)eservic\cosdomeˊsticos(+3,6 45). Os números reforçam a recuperação gradual do mercado de trabalho, com geração de empregos formais e melhora na remuneração, embora desafios como a redução da informalidade ainda persistam.