Haddad: bets ganham fortuna, mas mandam dinheiro para fora do país

Ministro defendeu que sites de apostas paguem mais impostos no país O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (8) que as bets paguem mais impostos no país. Para ele, as casas de apostas virtuais (bets) devem pagar taxas mais elevadas, a exemplo do que ocorre com os cigarros e as bebidas alcoólicas. “O governo anterior tratou as bets como se fosse a Santa Casa de Misericórdia, sem cobrar um centavo de impostos das bets durante quatro anos”, disse ele, em entrevista. “Os caras estão ganhando uma fortuna no Brasil, gerando muito pouco emprego, mandando para fora o dinheiro arrecadado aqui, e que vantagem a gente leva?”, questionou o ministro. “Para mim, tem que tratar as bets na linha do que é o cigarro e a bebida alcoólica. É uma coisa difícil de administrar e há vários casos na história de que, quando proíbe, piora. Temos que enquadrar esse setor de uma vez por todas”, defendeu. De acordo com o ministro, medidas como essa que preveem maior taxação das bets são importantes para o governo.  “Nosso objetivo é um só: depois de 10 anos estamos buscando resultados fiscais robustos para garantir que a economia continue crescendo, com baixo desemprego e inflação em queda. Mas a impressão que dá é que tem algumas pessoas querendo sabotar o crescimento econômico do país a troco da eleição do ano que vem”. IOF Em entrevista na manhã de hoje (8) ao portal Metrópoles, o ministro falou ainda que o impasse entre o governo e o Congresso Nacional pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não pode ser encarado como um “Fla x Flu”, disputa clássica do futebol carioca entre Flamengo e Fluminense. “Esse Fla-Flu não interessa a ninguém. Não vejo as coisas assim. Prefiro pensar institucionalmente”, disse ele. Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu tanto os decretos do Executivo que elevam o IOF quanto o decreto que foi aprovado pelo Congresso Nacional e que derruba essa medida. Para resolver o impasse, Moraes determinou a realização de uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o tema para o próximo dia 15 de julho, em Brasília. Na entrevista de hoje, Haddad disse que não pode se antecipar à decisão que será tomada pelo Supremo em relação ao IOF, mas informou que o governo está trabalhando para que essa questão seja resolvida. Ele ressaltou ainda que o governo está buscando manter o diálogo com o Congresso e afirmou que, em breve, ele deverá se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. “Quando um não quer, dois não brigam. E nós não vamos brigar porque, no caso, nenhum dos dois quer brigar. Não tenho nem o direito de ter as relações estremecidas porque ele é o presidente da Câmara. Ele é um poder institucional e o Brasil depende da boa condução dos trabalhos dele. Eu sou um ministro, não tenho mandato. Mas ele é poder constituído. Nunca saí de uma mesa de negociação. E só saio com acordo”, afirmou Haddad. Imposto de Renda Durante a entrevista, o ministro disse ainda acreditar que o projeto sobre o Imposto de Renda e que prevê isenção para os que ganham até R$ 5 mil será aprovado. Segundo Haddad, o deputado Arthur Lira, que é o relator do projeto sobre o Imposto de Renda, tem se reunido frequentemente com o governo, seja presencialmente ou de forma virtual. “Eu acredito que esse projeto será aprovado com larga margem de apoio”, falou.  

Vício em bets adia graduação de 34% dos jovens em 2025, revela pesquisa com universidades

Impacto das apostas online atinge principalmente classes mais pobres e já afeta também quem está matriculado no ensino superior O vício em apostas online tem interferido diretamente no acesso à educação superior no Brasil. Segundo levantamento da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior), realizado em parceria com a consultoria Educa Insights, 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 35 anos adiaram o início da graduação em 2025 por conta de gastos com apostas em plataformas conhecidas como “bets” — entre elas o popular “jogo do tigrinho”. Os dados foram divulgados pelo portal UOL nesta terça-feira (9). O impacto é ainda mais severo nas regiões Nordeste e Sudeste, onde os índices sobem para 44% e 41%, respectivamente. Entre os jovens das classes D e E — cuja renda familiar gira em torno de R$ 1 mil —, 43% afirmam que precisarão abandonar os gastos com apostas para iniciar um curso superior em 2026. Entre os jovens da classe A, com renda média de R$ 26,8 mil, o número cai para 22%. A pesquisa ouviu 11.762 pessoas entre os dias 20 e 24 de março. Para o diretor-geral da Abmes, Paulo Chanan, os dados revelam um cenário preocupante. “O impacto das bets vai além da captação de novos alunos, afeta a permanência dos que já estão matriculados”, afirma. Segundo ele, a evasão provocada pelas apostas é uma realidade crescente nas universidades. “A crescente popularização das bets impacta justamente o público-alvo da educação superior: brasileiros de 18 a 35 anos.” Além de impedir o início dos estudos, as apostas também comprometem a permanência de quem já está na universidade: 14% dos alunos afirmaram ter atrasado o pagamento das mensalidades ou precisaram trancar a matrícula por causa do vício em bets. No Nordeste, esse índice sobe para 17%. Com base nos dados, a Abmes estima que cerca de 986 mil potenciais universitários devem ficar de fora das instituições de ensino superior neste ano. O motivo principal é o comprometimento da renda desses jovens com os sites de apostas, que hoje dominam o tráfego online no Brasil — já são o segundo maior destino da internet, atrás apenas do Google, superando até YouTube e WhatsApp. A pesquisa também revela que o problema se estende para outros aspectos da vida cotidiana. Entre os entrevistados, 24% afirmaram que deixaram de investir em academias ou atividades físicas para gastar com apostas, enquanto 28% disseram ter abandonado momentos de lazer, como idas a bares e restaurantes, por preferirem usar o tempo e o dinheiro nas plataformas de betting. A crescente influência das apostas levou à instalação de uma CPI das Bets no Senado, que apurou os efeitos econômicos e sociais do setor. Influenciadores digitais populares, como Virgínia Fonseca, foram ouvidos. A relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), chegou a pedir o indiciamento de alguns deles, mas o relatório final foi rejeitado. Ainda assim, Soraya alertou: “Se por um lado observamos um crescimento expressivo entre a população mais pobre e vulnerável, por outro, chama a atenção o número crescente de jovens, muitos com acesso à informação e ao ensino superior, que estão sucumbindo ao vício.” A Abmes evita adotar uma posição contra a regulamentação das apostas, mas defende a criação de políticas públicas de controle, conscientização e responsabilidade. A entidade propõe que o problema seja enfrentado com base em dados e discutido tanto no meio educacional quanto político. Enquanto isso, no Congresso, segue sem previsão a votação do projeto que pretende legalizar cassinos, jogo do bicho e bingos no Brasil. A proposta não aborda diretamente as apostas online, que, para muitos senadores, representam uma ameaça ainda maior. Como afirmou Soraya Thronicke: “Considero o cassino físico menos prejudicial do que o online, que fica 24 horas disponível nas casas de todos os brasileiros.”

João Pedro marca dois e tira Fluminense da Copa do Mundo de Clubes

Atacante revelado pelo Tricolor é destaque na vitória do Chelsea Com direito a lei do ex, o Fluminense foi derrotado por 2 a 0 (ambos gols do atacante brasileiro João Pedro, uma revelação do Tricolor das Laranjeiras) pelo Chelsea (Inglaterra), na tarde desta terça-feira (8) no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e foi eliminado da Copa do Mundo de Clubes. 🔵 CHELSEA VENCE O FLUMINENSE E ESTÁ NA FINAL DA #FIFACWC! — Mundial de Clubes da FIFA 🏆 (@fifaworldcup_pt) July 8, 2025 Desta forma, o Brasil vê cair o seu último representante na competição organizada pela Fifa (após as eliminações de Flamengo, Botafogo e Palmeiras). Já a equipe inglesa aguarda a outra semifinal da competição, que será disputada na próxima quarta-feira (9) por PSG (França) e Real Madrid (Espanha), para conhecer o seu adversário na grande decisão. Lei do ex A equipe comandada pelo técnico Renato Gaúcho encontrou muitas dificuldades no primeiro tempo diante de uma equipe inglesa que sabia o que fazer com a bola no pé. Sem contar com o volante Martinelli, suspenso por acúmulo de cartões amarelos, o Tricolor das Laranjeiras perdeu a maioria das disputas no meio de campo, onde o equatoriano Moisés Caicedo e o argentino Enzo Fernández ditavam o ritmo do Chelsea. Outra arma do time comandado pelo técnico italiano Enzo Maresca era o português Pedro Neto, que realizava grandes jogadas pela ponta esquerda. E foi desta forma que o Chelsea abriu o placar. Aos 17 minutos, Cano vacilou e João Pedro ficou com o domínio para lançar Pedro Neto, que avançou em velocidade antes de levantar a bola na área. Thiago Silva cortou parcialmente e a bola sobrou para o brasileiro João Pedro, que bateu, da entrada da área, para marcar um golaço. Diante de uma equipe superior tecnicamente, o Fluminense tinha muitas dificuldades de criar algo, e encontrou sua melhor oportunidade de marcar aos 25 minutos. Hércules tabelou com Cano e bateu na saída do goleiro Robert Sánchez, mas o lateral espanhol Cucurella chegou antes para cortar. A 'defesa' de Cucurella! 👀#FIFACWC | @ChelseaFC pic.twitter.com/JyqrCiFUae — Mundial de Clubes da FIFA 🏆 (@fifaworldcup_pt) July 8, 2025 Aos 34 o torcedor tricolor teve um sopro de esperança, quando o juiz assinalou pênalti em favor do time das Laranjeiras após a bola tocar no braço de Chalobah. Porém, o francês François Letexier foi chamado pelo VAR (árbitro de vídeo) e anulou sua marcação inicial. Após o intervalo, o time das Laranjeiras viveu seu pior momento no confronto, apresentando muitas dificuldades de manter a posse de bola e vendo o Chelsea dominar as ações. Desta forma a equipe inglesa não demorou a ampliar sua vantagem. Aos 10 minutos o uruguaio Bernal perdeu o domínio da bola e Palmer tocou para Enzo Fernández, que lançou João Pedro na ponta esquerda. O brasileiro avançou, se livrou da marcação e bateu com violência a bola, que morreu no ângulo do gol defendido por Fábio. Criado em Xerém para fazer GOLAÇOS! 💥#FIFACWC | @ChelseaFC pic.twitter.com/adTU1hwo98 — Mundial de Clubes da FIFA 🏆 (@fifaworldcup_pt) July 8, 2025 A partir daí o técnico Renato Gaúcho passou a substituir jogadores de defesa por de ataque e bagunçou de vez a equipe tricolor, que pouco conseguiu fazer diante de um Chelsea muito organizado, que mostrou qualidade para segurar a vantagem, e a classificação, até o apito final.

Lula condena ameaça de Trump ao Brics: “Não queremos imperador”

O norte-americano tenta impedir aproximações com o bloco, ameaçando impor tarifas. O presidente brasileiro considera a atitude pouco responsável e nada séria O presidente Lula rebateu, nesta segunda-feira (7), a ameaça de Donald Trump de retaliar com tarifas os países que aderirem às políticas “antiamericanas” do Brics, como classificou o presidente dos Estados Unidos. Em coletiva de imprensa após o encerramento da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro (RJ), Lula disse que nem deveria comentar, pois classifica a postura de Trump pouco responsável e nada séria. Além disso, ressaltou que os países do grupo, assim como o resto do mundo, não precisam de um “imperador” e têm o direito à reciprocidade nas medidas. “Eu sinceramente nem acho que deveria comentar, porque eu não acho uma coisa muito responsável e séria um presidente da república de um país do tamanho dos Estados Unidos ficar ameaçando o mundo através da internet. Não é correto. O mundo mudou: não queremos imperador. Nós somos países soberanos. Se ele achar que pode taxar, os países têm o direito de taxar também. Existe a lei da reciprocidade. Sinceramente, tem outras coisas e outros fóruns para falar com outros países. As pessoas têm que aprender que respeito é bom. Respeito é muito bom. A gente gosta de dar e gosta de receber”, afirma Lula Ao ser questionado sobre a defesa que o mandatário norte-americano fez do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula disse que o Brasil “tem lei, tem regra e tem um dono chamado povo brasileiro, portanto, dê palpite nos assuntos do seu país e não do nosso”, rebate. Sobre a repercussão do tema tarifário dentro da Cúpula, o presidente fez a indicação de que ninguém tocou no assunto: “Não demos nenhuma importância a isso.” Transação em moedas locais Quando questionado sobre o avanço no debate sobre transação entre os países do grupo nas suas próprias moedas, deixando o dólar de lado, Lula afirma que este é um caminho sem volta. “O mundo precisa encontrar um jeito para que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os Estados Unidos ela passa pelo dólar. Mas quando for com a Argentina, com a China, com a Índia, não precisa passar. Quando for com a Europa discute-se em Euro. […] E, obviamente, nós temos toda a responsabilidade de fazer isso com muito cuidado, com a participação dos Bancos Centrais. É uma coisa que não tem volta. Isso vai acontecendo aos poucos até que seja consolidado”, sublinha. IOF Também foi perguntado sobre a questão do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O presidente brasileiro classifica a atuação do Congresso como “totalmente anticonstitucional” ao barrar um decreto do Executivo, e citou exemplos de outros governos em que medidas similares não foram questionadas. Apesar do embate, entende que é uma “divergência política própria da democracia” e que pretende resolver o tema ao buscar um consenso durante a semana. Brics e uma nova abordagem ao multilateralismo Antes das perguntas dos jornalistas, Lula fez um balanço da reunião do Brics. De acordo com o presidente, o encontro foi um dos mais significativos, assim como o realizado no âmbito do G20, também no Rio de Janeiro, em novembro de 2024. Em sua avaliação, o bloco oferece uma nova abordagem para o multilateralismo internacional: “Temos a convicção de que não queremos mais um mundo tutelado. Não queremos mais Guerra Fria ou o desrespeito à soberania. Não queremos mais guerra e, por isso, estamos discutindo profundamente a necessidade de mudanças estruturais, inclusive no Estatuto da ONU, para recriar algo com base nos acontecimentos atuais, e não nos de 1945. Aquele mundo ficou para trás. Os saudosistas do fascismo e do nazismo não estão no Brics. No grupo buscamos fortalecer o processo democrático, o multilateralismo, a paz, o desenvolvimento e a participação social.” O líder brasileiro inclusive reforça o pedido de mudanças no Fundo Monetário Internacional (FMI) como forma de refletir o desejo por um banco de investimento que atenda às necessidades dos países mais pobres, sem levá-los à falência, como tem acontecido: “O modelo de austeridade faz com que as dívidas sejam impagáveis”, alerta. “Guerra contra o Hamas e só matam inocentes, mulheres e crianças?” Lula ainda destaca que, no marco dos 80 anos da Segunda Guerra Mundial, período após o qual os organismos internacionais foram criados, é preciso reforçar o multilateralismo e não o destruir, em um mundo novamente em convulsão. “Estamos vivendo hoje, possivelmente, depois da Segunda Guerra Mundial, o maior período de conflito entre os países. É guerra esparramada para tudo quanto é lado. E o mais grave é que os países do Conselho de Segurança da ONU, que deveriam ser o paradigma para tentar evitar essas guerras, são eles os promotores”, critica. Ao abordar todos os conflitos em curso, o presidente reiterou as críticas ao que acontece em Gaza: “Dizer que aquilo é uma guerra contra o Hamas e só matam inocentes, mulheres e crianças? E cadê a instituição multilateral para colocar um fim nisso? Não existe! A ONU deveria estar condenando, mas a ONU não pode condenar, porque ela está envolvida nisso. Quando eu digo a ONU, é porque tem países no Conselho de Segurança envolvidos nisso, excluindo a China, mas o restante está envolvido, tanto da Europa quanto os Estados Unidos”, explica Lula, ao indicar o motivo de não haver uma interlocução para uma proposta alternativa ao que temos, o que evidencia a necessidade de fortalecimento do grupo por este contexto. “Brics não nasceu para afrontar ninguém” Na fala, o presidente também defende mudanças na governança mundial para que represente de forma equitativa países de todas as regiões do mundo. “O Brics, que não nasceu para afrontar ninguém, é um novo modo de fazer política. Uma coisa mais solidária. Em que o banco esteja muito mais preocupado em ajudar os países em desenvolvimento a se desenvolver. E que na questão ambiental a gente tenha consciência de que a questão do clima é muito séria”, menciona Lula ao rememorar os desastres no Rio Grande do Sul e o mais

Brasil e China selam aliança estratégica para corredor ferroviário bioceânico

Acordo assinado em Brasília prevê estudos conjuntos para integrar a malha ferroviária brasileira ao porto de Chancay, no Peru, fortalecendo a cooperação Sul-Sul e a infraestrutura continental Em mais um gesto concreto de aproximação entre os dois gigantes do Sul Global, Brasil e China assinaram nesta segunda-feira (7), em Brasília, um memorando de entendimento para a realização de estudos conjuntos sobre o corredor ferroviário bioceânico, que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico. O projeto, de grande valor geopolítico e logístico, visa integrar ferrovias brasileiras já em operação ou construção ao recém-inaugurado porto de Chancay, no Peru, com infraestrutura financiada por Pequim. O acordo foi firmado entre a estatal brasileira Infra S.A. e o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, braço técnico da maior empresa ferroviária pública do mundo. A cerimônia simbolizou um passo decisivo no avanço de uma parceria que une o Novo PAC brasileiro à Iniciativa Cinturão e Rota chinesa, sob o olhar atento dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping. Corredor Bioceânico: de Ilhéus ao Pacífico com escala na integração continental O corredor ferroviário começará em Ilhéus, na Bahia, pela Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), seguirá por Mara Rosa, em Goiás, ponto de encontro com a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a Ferrovia Norte-Sul, até chegar a Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, ponto de partida da chamada Ferrovia Bioceânica. Daí em diante, o traçado avançará rumo à fronteira com a Bolívia, atravessará Rondônia e o Acre, e cruzará até o porto de Chancay, a cerca de 70 km de Lima. O traçado não é apenas um desenho sobre trilhos: ele representa a integração produtiva e comercial da América do Sul com a Ásia, abrindo novas rotas logísticas para as exportações brasileiras de grãos, minérios e produtos industrializados. Cooperação técnica de longo prazo: um pacto de desenvolvimento O secretário especial da Casa Civil, Maurício Muniz, celebrou o memorando como “o início de uma jornada técnica, institucional e diplomática que visa reduzir distâncias e fortalecer laços”. O presidente da Infra S.A., Leonardo Ribeiro, ressaltou que o projeto reflete uma visão conjunta de longo prazo entre os dois países, “com a expertise ferroviária chinesa se aliando ao potencial brasileiro de escoamento de cargas”. A diretora de Administração e Finanças da Infra S.A., Elisabeth Braga, destacou que a estatal já iniciou os trabalhos para viabilizar o eixo estruturante Fiol–Fico, cujo leilão está previsto para 2026, e que os estudos sobre o trecho internacional contarão com simulações técnicas, análises ambientais e modelagens de investimento. Brics, PAC e Cinturão e Rota: uma convergência estratégica A assinatura do acordo ocorre na esteira da XVII Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, onde o grupo reafirmou, em declaração conjunta, o compromisso com a construção de infraestrutura sustentável e resiliente como eixo do desenvolvimento. A agenda também se encaixa nas diretrizes do Novo PAC, do Plano de Transformação Ecológica e da Nova Indústria Brasil, pilares do governo Lula. Pelo lado chinês, a cooperação se insere na estratégia da Iniciativa Cinturão e Rota, que busca ampliar os corredores de transporte e comércio no mundo em desenvolvimento. Para o diretor-geral da China Railway Group, Wang Jie, a parceria simboliza “a sabedoria e a confiança mútua entre nossos povos”. Desafios logísticos e esperança geoeconômica A integração ferroviária com o Pacífico poderá reduzir drasticamente os custos logísticos de exportação e acelerar o acesso a novos mercados. Hoje, a produção brasileira do Centro-Oeste enfrenta altos custos com transporte rodoviário até os portos do Sudeste. A nova rota — multimodal e transnacional — abre caminho para uma malha mais eficiente, menos poluente e mais estratégica. O desafio agora é garantir que os estudos, a ser conduzidos por técnicos brasileiros e chineses, avancem rapidamente e não fiquem na gaveta como projetos anteriores. A aposta é que, com financiamento estruturado e articulação entre os ministérios do Planejamento, Casa Civil e Transportes, a integração continental torne-se realidade — unindo Ilhéus a Chancay, o Atlântico ao Pacífico, e o Brasil à nova geografia do desenvolvimento global. “Celebramos não apenas trilhos, mas um futuro conectado”, declarou Maurício Muniz. Se concretizado, o corredor bioceânico pode ser o maior projeto logístico da América do Sul no século XXI — e uma chave para reposicionar o Brasil no centro da integração regional e global.

Países do BRICS se unem para eliminar “doenças da pobreza”

Pesquisas contra essas enfermidades recebem menos investimentos Os países do Brics lançaram oficialmente nesta segunda-feira (7) a Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas (DSDs). O objetivo é fortalecer a cooperação, mobilizar recursos e avançar esforços coletivos para a eliminação integrada dessas doenças, que têm sua incidência agravada pela pobreza, desigualdade social e barreiras de acesso a saúde, o que faz com que sejam mais prevalentes no Sul Global. A ideia é que os países se unam para eliminar doenças que, muitas vezes, não afetam países ricos e, portanto, não são consideradas na destinação de recursos para pesquisas nesses países. A Parceria incluirá as doenças que são reconhecidas como DSDs pelos países membros do Brics, de acordo com as realidades de cada um deles. Entre as doenças citadas ao longo dos encontros que deverão entrar no escopo da ação estão tuberculose, hanseníase, malária e dengue. Até o momento, fazem parte da Parceria os 11 países do Brics ─ Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia – além da Malásia, Bolívia e Cuba, países parceiros do fórum, que também aderiram à medida. Os países deverão se unir para a promoção de pesquisa e desenvolvimento de abordagens inovadoras para saúde, vacinas, prevenção, detecção precoce, diagnóstico e tratamento. Além disso, deverão incentivar investimentos internacionais ampliados, fortalecendo esforços diplomáticos para colocar a eliminação das DSDs no centro da agenda global de saúde e buscando a priorização dessa questão em fóruns multilaterais e regionais. A iniciativa, que foi discutida nas reuniões que antecederam a Cúpula de Líderes do grupo, constou também da Declaração Final da 17ª Reunião de Cúpula, a Declaração do Rio de Janeiro, divulgada neste domingo (6). O tema foi uma das oito prioridades escolhidas pela presidência brasileira do Brics na área da saúde e teve como inspiração o Programa Brasil Saudável, que tem como objetivo enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social. Nesta segunda, o Brics divulgou documento específico que detalha a nova parceria. O texto inclui a utilização de tecnologias inovadoras, como a inteligência artificial, para o combate das doenças. “Para atingir os objetivos da Parceria, os membros promoverão e ampliarão iniciativas existentes voltadas para o fortalecimento do manejo de casos, expansão do acesso a áreas remotas e de difícil alcance, melhoria das condições de saneamento e habitação, combate à desnutrição e à pobreza, e aproveitamento de tecnologias inovadoras — como inteligência artificial, diagnóstico de doenças, terapêuticas, desenvolvimento de medicamentos e vacinas, plataformas digitais interoperáveis, sistemas de notificação harmonizados, mecanismos de detecção precoce, vigilância, intercâmbio de dados em tempo real, regulação e ferramentas integradas de eliminação de doenças”, diz o texto. Objetivos A Parceria terá cinco objetivos principais, alinhados às atividades de organizações internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS): Reforçar sistemas de saúde resilientes e a prestação de serviços essenciais, garantindo o acesso equitativo a vacinas, prevenção, detecção precoce, diagnóstico, tratamento e educação em saúde para DSDs, fortalecendo serviços de saúde comunitária e focando em populações em situação vulnerável nas regiões mais afetadas por DSDs, avançando também na Cobertura Universal de Saúde (CUS); Fortalecer ações intersetoriais sobre os determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde, adotando uma abordagem integral de governo e sociedade; Expandir a colaboração em pesquisa, desenvolvimento, capacitação, inovação e transferência de tecnologia entre os membros, promovendo o compartilhamento de conhecimentos como estratégia para fortalecer a cooperação e impulsionar soluções inovadoras adaptadas às realidades locais para eliminação das DSDs; Advogar pela superação das barreiras financeiras à eliminação das DSDs, mobilizando recursos nacionais e internacionais e promovendo o engajamento com bancos de desenvolvimento, instituições financeiras, doadores e setor privado para garantir mecanismos sustentáveis e inovadores de financiamento; Alinhar posições sobre DSDs no âmbito das organizações internacionais, incluindo agências da Organização das Nações Unidas como a OMS e outros fóruns relevantes, além de partes interessadas do setor privado, facilitando a integração em estruturas mais amplas de cooperação internacional e assegurando alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável globais. Para isso, de acordo com o documento, os países irão recorrer a financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics, além do Banco Mundial e outros Bancos Multilaterais de Desenvolvimento. Os países irão buscar também doadores e o apoio do setor privado por meio de iniciativas público-privadas. O documento estabelece que os primeiros passos para o estabelecimento da parceria serão a realização de seminários técnicos, de atividades de capacitação e treinamento, além de reuniões da rede de pesquisa e engajamento com o NDB e outras instituições financeiras.

Trump diz que Elon Musk só existe graças a subsídios e sugere corte imediato

Donald Trump afirma que Musk teria de fechar suas empresas sem os subsídios públicos e que os EUA economizariam uma fortuna Reuters – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta terça-feira que o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) avalie os subsídios recebidos pelas empresas de Elon Musk, CEO da Tesla, com o objetivo de cortar gastos. As declarações de Trump vieram após Musk, o homem mais rico do mundo, renovar suas críticas na segunda-feira ao amplo pacote de corte de impostos e gastos promovido por Trump. Musk prometeu trabalhar para derrotar parlamentares que apoiaram a medida após fazerem campanha prometendo limitar os gastos públicos. “Elon pode ter recebido mais subsídios do que qualquer ser humano na história, de longe, e sem subsídios, Elon provavelmente teria que fechar as portas e voltar para casa, na África do Sul. Sem mais lançamentos de foguetes, satélites ou produção de carros elétricos, e nosso país economizaria uma FORTUNA. Talvez devêssemos fazer o DOGE dar uma boa e dura olhada nisso? MUITO DINHEIRO A SER ECONOMIZADO!!!”, escreveu Trump em publicação na plataforma Truth Social, referindo-se ao DOGE. Musk respondeu na rede X, sua própria plataforma: “Estou literalmente dizendo para CORTAR TUDO. Agora”. Trump já havia ameaçado cortar subsídios e contratos governamentais de Musk no início de junho, quando o relacionamento entre os dois se deteriorou publicamente nas redes sociais devido ao projeto de lei que, segundo analistas independentes, pode aumentar a dívida dos EUA em cerca de US$ 3 trilhões. As empresas de Musk incluem a SpaceX, que atua como contratada do governo e já possui cerca de US$ 22 bilhões em contratos federais, além da Starlink, sua unidade de satélites. A ruptura com Trump também afetou o mercado da Tesla: em 5 de junho, as ações da montadora perderam aproximadamente US$ 150 bilhões em valor de mercado, o maior recuo diário da história da empresa — embora já tenham se recuperado desde então. Nesta terça-feira, os papéis da Tesla negociados em Frankfurt caíram 5%. Após semanas de silêncio, Musk voltou ao debate no sábado, quando o Senado retomou a discussão sobre o pacote de gastos, chamando-o de “completamente insano e destrutivo” em nova publicação na X. Na segunda-feira, ele voltou a criticar os congressistas que prometeram conter os gastos, mas votaram a favor da medida: “Deveriam abaixar a cabeça de vergonha!”. E completou: “E eles vão perder as primárias no ano que vem, nem que seja a última coisa que eu faça neste planeta”. Musk voltou a defender a criação de um novo partido político, afirmando que os gastos bilionários do projeto indicam que “vivemos em um país de partido único – o PARTIDO DO PORKY PIG!!”. As críticas de Musk marcam uma guinada drástica após o bilionário ter investido quase US$ 300 milhões na campanha de reeleição de Trump e liderado a controversa iniciativa de corte de custos do DOGE durante o atual governo. Musk argumenta que o projeto aumentaria significativamente a dívida pública e eliminaria as economias que ele afirma ter gerado com a atuação no DOGE. Ainda não está claro qual a influência de Musk sobre o Congresso nem o impacto de suas críticas na tramitação da proposta. No entanto, líderes republicanos têm demonstrado preocupação de que o conflito intermitente com Trump prejudique as chances do partido de manter a maioria nas eleições legislativas de meio de mandato em 2026.

Fabiano Santos prepara carta de renúncia à presidência dos Correios

Sob pressão da Casa Civil para executar plano de reestruturação com fechamento de agências e demissões, dirigente da estatal decide entregar o cargo a Lula O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, elaborou uma carta em que coloca seu cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante do aumento da pressão por parte da Casa Civil para a execução de um plano de reestruturação da estatal. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Fabiano, que está à frente da empresa desde 2023 e tem mandato até agosto, relatou a diretores da estatal que a exigência da Casa Civil inclui o fechamento de agências em todo o país, com o objetivo de gerar uma economia de cerca de R$ 1 bilhão. A proposta se soma aos R$ 800 milhões estimados com o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que prevê o desligamento de aproximadamente 4 mil funcionários. Com o fechamento de unidades, o número de demissões pode chegar a 10 mil. Resistência a cortes e missão social da estatal Fabiano resiste à ideia de demissões em larga escala, especialmente num momento em que os Correios ampliam sua atuação em comunidades historicamente desassistidas. Apenas no Rio de Janeiro, mais de 50 favelas foram contempladas com novas agências nos últimos meses. Segundo ele, as mudanças propostas ferem o papel social da estatal e comprometem seu compromisso com a inclusão. Em reuniões internas, o presidente dos Correios afirmou que as medidas colocam em risco os avanços da empresa em regiões periféricas e prejudicam trabalhadores em um momento de difícil recuperação econômica para muitos brasileiros. Rui Costa nega defesa de demissões Procurado pela Folha, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou por meio de sua assessoria que “nunca defendeu demissão em massa” na estatal. Em conversas com aliados, ele tem defendido a “racionalização dos gastos” como meta principal, sem entrar em detalhes sobre o impacto social das medidas exigidas. Apesar das negativas públicas, fontes internas confirmam que a Casa Civil tem pressionado por uma reformulação estrutural com foco em corte de custos e aumento de eficiência. A avaliação no governo é que a situação financeira dos Correios exige uma resposta urgente. Prejuízo bilionário e cobiça política Os Correios fecharam 2024 com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, que a atual gestão atribui principalmente às mudanças nas regras de importação de produtos internacionais de pequeno valor, popularmente conhecidas como “taxa das blusinhas”. A nova tributação impactou fortemente o fluxo de encomendas internacionais, um dos principais segmentos da estatal nos últimos anos. Mesmo em crise, a empresa continua sendo alvo de interesse político. Partidos como o União Brasil disputam espaço de influência sobre os Correios, que recentemente conseguiram um empréstimo junto ao Banco do Brics e planejam investir R$ 5 bilhões em modernização e ampliação de seus serviços nos próximos anos. A possível saída de Fabiano Silva dos Santos reacende a disputa por cargos de comando em empresas públicas e pode abrir espaço para novas indicações políticas, em um momento de negociações delicadas no Palácio do Planalto.

Blog do Rovai – Lula decide arriscar pra não perder sem lutar

A decisão que Lula tomou foi, certamente, fruto de muita reflexão. O presidente sabe que o que está em jogo é, de alguma forma, como vai encerrar a vida pública O destino deste terço final do terceiro mandato de Lula está amarrado ao resultado da batalha que se inicia hoje. O presidente deu sinal verde na tarde de ontem para que a AGU judicialize a decisão da Câmara impedindo o aumento do IOF, o imposto dos ricos. Se o STF fizer o seu trabalho, a votação que derrubou o decreto presidencial vai ser considerada ilegal e o imposto continuará valendo. Dez entre dez juristas sérios dizem que a Constituição é clara neste aspecto e que o STF não terá como interpretá-la de outra forma. A vitória no Supremo, porém, não significará uma vitória imediata do governo Lula. Pode ser também o início de uma guerra de fim de mandato que exigirá do presidente espírito de luta e capacidade de articulação dos seus melhores momentos na política para não se transformar naquilo que os americanos chamam de pato manco, um político em fim de mandato sem força alguma e predestinado a um fim melancólico. Leia também Derrota acachapante no Congresso escancara infidelidade da base do governo Contra quem é a guerra? Hugo Motta não age por si. Ele representa o establishment brasileiro que não quer mais Lula e o PT no comando do governo federal. E que já escolheu Tarcísio para presidente a partir de 2026. Caberia a Lula, na visão deste setor, agradecer por ter tido a oportunidade de encerrar sua carreira política com dignidade em 2026 e lançar um candidato para ser derrotado pelo governador de São Paulo. Mas Lula olhou no espelho e parece não ter reconhecido na sua imagem alguém que aceitaria isso passivamente. Sua história não combina com o que as elites decidiram para ele desde que subiu com dona Lindu num pau de arara e foi parar no Guarujá, litoral paulista, à procura do pai que abandonara a família no sertão. Este Lula não morreu e tampouco se aposentou. Este é o recado que está sendo dado com a decisão de ir à guerra contra o centrão para não ser refém dele neste terço final deste mandato. Vai dar certo a estratégia? Esta é uma questão que não está pacificada. Dentro do próprio PT há quem ache que o presidente deveria tentar negociar mais antes desta cartada pela judicialização. Mas Lula avalia que Hugo Motta passou de todos os limites e que se mostrar fraqueza será engolido pelo processo. Decidiu que se tiver que ser derrotado, será lutando. A decisão de Lula implica de alguma forma numa disputa que o PT tem tradição. A de opor os interesses dos mais pobres com a ganância dos mais ricos, que não aceitam pagar nenhum centavo a mais para garantir projetos que melhorem a vida do povo. Mas será que o PT ainda sabe conversar com o novo povão brasileiro formado em tempos de redes digitais e com forte influência da teoria da prosperidade do pentecostalismo e do discurso neoliberal do empreendedorismo como salvação? Há muita gente no próprio PT que avalia que não. Que o tempo passou na janela e que o próprio Lula não viu, como na Carolina de Chico Buarque. Há um outro setor que avalia exatamente o contrário. Que a partir do governo ainda é possível o PT tentar se reencontrar com as velhas bases e garantir um novo mandato para Lula, quando haveria tempo para reconstruir um projeto popular de nação mais à esquerda. Sem arriscar agora, o campo progressista estaria entregando tudo de bandeja para os setores mais fisiológicos e conservadores. E isso seria também o fim do lulismo e do próprio petismo como alternativa de poder. A decisão que Lula tomou ontem foi, certamente, fruto de muita reflexão. O presidente sabe que o que está em jogo é, de alguma forma, como vai encerrar a vida pública. E optou por ir à luta. Ele sabe que isso pode lhe custar muito caro, mas não viu alternativa melhor. As cartas estão lançadas. E Lula, cá entre nós, não é um jogador qualquer. O outro lado também terá que calcular seus riscos. Hugo Motta também pode ter o destino de um Severino Cavalcanti ou de um Eduardo Cunha. Alguém precisa avisá-lo disso. Blog do Rovai

Olimpíada de Matemática premia quase 8.500 estudantes de todo o país

Edição teve participação recorde de mais de 18,5 milhões de estudantes A cerimônia nacional de premiação da 19ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) entregou nesta segunda-feira (30) medalhas para 8.496 estudantes de instituições públicas e privadas. Outros 51.002 estudantes receberam certificados de menção honrosa. Houve representantes de 5.564 municípios brasileiros (99,9%), de todas as unidades federativas. Ao todo, 56.513 instituições participaram desta edição. Foram premiados 683 estudantes com medalha de ouro, 1.962 com prata e 5.851 com bronze. Na divisão por tipo de instituição, 500 estudantes das escolas públicas conquistaram medalhas de ouro, enquanto 183 foram para a rede privada. Entre os estados, São Paulo teve o maior número de medalhas de ouro (158), seguido de Minas Gerais (93) e Rio Grande do Sul (71). Segundo o Ministério da Educação (MEC), a olimpíada deste ano teve recorde de participação, com mais de 18,5 milhões de estudantes. O evento, que ocorreu em um hotel da Zona Oeste do Rio de Janeiro, é promovido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). “Esse é um caso de sucesso. Não à toa há milhões de meninos e meninas que participam. E a gente quer mais é garantir que isso transforme a vida dessas crianças. É um esforço enorme das famílias que se envolvem nessa maratona, em que os alunos se apaixonam e vão em busca desse aprendizado”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos. “A matemática não é nenhum bicho papão. É algo acessível desde que a gente consiga criar métodos e estímulos que aproximem ciências que parecem complexas, mas que toda pessoa tem a possibilidade de aprender”, complementou. Os medalhistas serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC), e poderão aprofundar conhecimentos em matemática. Integrantes das escolas públicas terão direito a bolsa de R$ 300. “Esse é um exemplo de política pública adotada pelo governo federal, que, depois de 20 anos, claramente é uma política de sucesso, que está mudando vidas de jovens de todo o país e que está pronta para mais 20 anos de sucesso”, disse o diretor-geral do IMPA Marcelo Viana. Novo programa O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou, durante o evento, o lançamento do programa Compromisso Nacional Toda Matemática. Por meio dele, o governo federal pretende estimular ações que melhorem a qualidade do ensino de matemática e o desempenho dos estudantes. “Sabemos das dificuldades que a rede pública tem no aprendizado de matemática. O último Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] mostrou que mais de 70% dos alunos com 15 anos que fazem a prova não têm aprendizagem adequada. Imagine o desafio que temos no Brasil? Vamos, agora, lançar esse programa para apoiar a formação de professores, e ajudar técnica e financeiramente as redes de ensino básicas”, disse o ministro. Santana disse que ouviu professores, dirigentes escolares e secretários de educação para formular o programa. E que o MEC pretende reduzir desigualdades regionais e articular os sistemas de avaliação educacional da educação básica para a tomada de decisões nas redes de ensino.