Morre ex-deputado Genival Tourinho, que lutou contra a ditadura

Ele teve os direitos políticos cassados na época do regime militar após denunciar a “Operação Cristal”, de atos terroristas O velório será realizado na Assembleia Legislativa, amanhã de manhã. O corpo será cremado em seguida, às 14 horas, na Capital. O ex-parlamentar estava internado no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, desde o dia 8 de setembro. A morte foi causada por insuficiência renal e respiratória. Ele deixou a mulher, Elizabeth Myriam Teixeira Carneiro, três filhos e cinco netos. Quem era ele Nascido em Montes Claros (Norte de Minas), Mário Genival Tourinho formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1958. Exerceu mandato como deputado estadual (1967 a 1971, assumindo como suplente). Entre 1975 e 1982, exerceu dois mandatos na Câmara Federal, onde teve a carreira interrompida depois da perda dos direitos políticos, após ser incluído na Lei de Segurança Nacional. Ele também foi presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Operação Cristal Em agosto de 1980, durante um almoço oferecido ao ex-governador do Rio Leonel Brizola, em Belo Horizonte, Genival Tourinho denunciou a chamada “Operação Cristal”, que envolvia uma série de atentados terroristas no país durante o regime militar. O então deputado apontou que, por trás das ações, como o atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro, estariam três generais – e que a intenção seria jogar a culpa em integrantes da esquerda. Genival Tourinho foi processado pelos militares, incluído na Lei de Segurança Nacional, e teve os direitos políticos cassados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficando impedido de se candidatar á reeleição em 1982. Foi aprovada no Congresso Nacional uma emenda que garantia o retorno da sua elegibilidade naquele ano. Porém, o projeto-lei foi vetado pelo então presidente da Republica, general Joao Baptista Figueiredo. Genival Tourinho relata detalhes da sua denúncia sobre a “Operação Cristal” e sobre o processo de cassação dos seus direitos políticos no livro autobiográfico Baioneta falada, baioneta calada. Na obra, narra uma série de fatos dos “anos de chumbo” e também da sua atuação como advogado na defesa de presos e perseguidos pela ditadura. Repercussão O ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) lamentou a perda do advogado e ex-parlamentar, que era seu amigo pessoal e conviveu com o seu pai, o ex-deputado federal Renato Azeredo. “Genival Tourinho foi um politico corajoso e destemido. Advogado de renome, ele nunca esqueceu suas raízes no Norte de Minas. Particularmente, perdi um amigo e um grande conselheiro”, afirmou Eduardo Azeredo. O ex-ministro das Comunicações e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga também lamentou a morte de Tourinho. “Genival Tourinho foi um homem múltiplo. Advogado responsável e respeitado atuou em grandes processos. Na vida pública sua marca foi a combatividade. Nunca se curvou na ditadura, e jamais negou suas ideias. Grande perda para Minas Gerais e muita saudade para os amigos”, considerou Pimenta da Veiga. O ex-governador mineiro e deputado federal Aécio Neves (PSDB) também publicou nota de pesar. “Lamento profundamente o falecimento do deputado Genival Tourinho, parlamentar mineiro que teve um papel importante no combate à ditadura e no restabelecimento da democracia no país. Genival Tourinho foi uma das grandes lideranças da política mineira, amigo do presidente Tancredo Neves, e deixará muitas saudades a Minas e à sua querida Montes Claros. Transmito o meu respeito pessoal e o abraço de toda a minha família aos seus familiares e amigos”. Fonte Estado de Minas

Vitória do meio ambiente: acordo retira mineração da Serra do Curral

Além do fim da extração de minérios e qualquer outra atividade afim na mina Granja Corumi, está prevista a recuperação da área A Empabra (Empresa de Mineração Pau Branco) vai interromper sua atividade predatória na mina Granja Corumi, localizada na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG). Não se trata, porém, de uma decisão espontânea ou consciente. O fim das operações se deve a um acordo judicial concluído na quinta-feira (12). Além da Empabra, participaram das negociações o Ministério Público de Minas Gerais, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Instituto Guaicuy. O acordo, firmado pela Justiça de Belo Horizonte, é uma rara, mas louvável vitória do meio ambiente nestes tempos em que o Brasil sofre os impactos de uma série de extremos climáticos. Além do fim da extração de minérios e qualquer outra atividade afim, está prevista a recuperação da área da Granja Corumi. O terreno será então doado à Prefeitura de Belo Horizonte, que vai anexá-lo ao Parque das Mangabeiras. A pedido do Ministério Público Federal, uma auditoria independente deve produzir relatórios sobre o fechamento da mina e analisar se a Empabra está cumprindo tanto a legislação ambiental quanto os termos do acordo. Os relatórios serão encaminhados aos órgãos de fiscalização competentes. Todo esse processo é necessário devido ao criminoso histórico da empresa mineradora. Desde 1990, ano do tombamento da Serra do Curral como patrimônio da capital mineira, a degradação da Granja Corumi está em refluxo – mas jamais cessou. Um acordo firmado junto ao Ministério Público em 2007 obrigou a Empabra a recuperar a área, que estava com a integridade ambiental ameaçada. No documento, citava-se, ainda, o risco de deslizamentos e vazamentos. Como a empresa não cumpriu o acordado, suas atividades foram temporariamente embargadas em 2018. Enquanto retardava as ações de recuperação da área, a Empabra também acumulou inúmeros processos trabalhistas. Também em 2018, no rastro do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a Câmara Municipal de Belo Horizonte instalou uma comissão parlamentar de inquérito para tratar da degradação da Serra do Curral. A CPI da Mineração foi presidida pelo então vereador Gilson Reis (PCdoB), que é biólogo e ambientalista. “A companhia estava destruindo parte da serra de Belo Horizonte, explorando minério sem respeitar a legislação”, afirmou Gilson, em fevereiro de 2019, no dia da votação do relatório final da CPI. Segundo ele, “a área explorada pela Empabra – equivalente a 550 piscinas olímpicas – é quatro vezes maior que a autorizada pela prefeitura de Belo Horizonte”. Após realizar 32 reuniões e ouvir mais de 30 pessoas, a comissão aprovou, por unanimidade, o relatório. Seu conteúdo denunciava não apenas as irregularidades da mineradora – mas também a cumplicidade e a omissão do Poder Público. “O que acontece em Minas Gerais é a flexibilização das leis e protocolos para que ocorra a exploração em sua plenitude, sem respeitar o impacto ambiental ou a população local”, sintetizou Gilson. As ilegalidades jamais não cessaram. Em outubro de 2023, a Agência Nacional de Mineração proibiu a extração de minérios na Granja Corumi. Já neste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte interditou toda a mina e proibiu qualquer atividade da empresa – que foi autuada por crime ambiental e multada. Em agosto, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais foi na mesma linha e vetou a exploração de minério de ferro, bem como o transporte de materiais na Mina Corumi. O novo acordo judicial deixa claro que a Empabra, do alto de seus quase 60 anos de crimes ambientais, está cercada e não tem mais alternativa na Justiça. O governo ultraliberal de Romeu Zema (Novo) continua liberando a exploração na Serra do Curral para outras empresas. Mas o desfecho do caso Empabra deve inibir o “libera geral”.

Por que o Brasil não consegue avançar em políticas para pessoas com deficiência?

Capacitismo estrutural e falta de representatividade emperram avanços, aumentando exclusão e desigualdade Historicamente, negamos a sua existência e produzimos violência ao invés de cuidado A Carta de Brasília – Pessoas com Deficiência na Luta por Equidade aponta o capacitismo estrutural como raiz do atraso e denuncia que, apesar dos avanços nas leis, o que está previsto no papel reflete pouco na sociedade. Pessoas com deficiência são grandes vítimas da desigualdade e da violação de direitos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no ano passado, mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência é de 19,5%, enquanto o índice geral do Brasil é de 4%. A participação na força de trabalho também é bastante desigual: 29% ante 66%. Em entrevista ao podcast Repórter SUS, a pesquisadora Laís Costa, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), reafirma o abismo que existe entre o avanço de políticas sociais das últimas décadas e o alcance dessas ações na vida das pessoas com deficiência. “O capacitismo resulta na discriminação das pessoas com deficiência e é uma coisa muito arraigada. Se nos perguntarmos por que outras lutas avançaram e essa não, foi maturidade de luta mesmo. É muito difícil convencer – e o verbo é convencer – de que aquele ser humano tem um direito humano, porque aquele ser humano, ele continua numa categoria de sub-humano, de menos humano.” Segundo ela, o Brasil não estabeleceu um pacto federal para combater e acabar com o capacitismo. A representatividade é insuficiente, inclusive na política. O cenário afeta diretamente as ações do Sistema Único de Saúde (SUS). “A saúde é muito capacitista. Isso porque trabalhadores de saúde são formados sem ter na sua grade esse conhecimento sobre quem são as pessoas com deficiência, como funcionam seus corpos. Sem entender que nós, historicamente, negamos a sua subjetividade. Nesse processo, negamos a sua existência, e produzimos violência em vez de cuidado.” O alerta da Carta de Brasília também aponta o peso que a estrutura da sociedade exerce na exclusão de pessoas com deficiência. “Sistemas econômicos, políticos e sociais predatórios e autoritários estimulam guerras, crimes ambientais, violência urbana e rural, acidentes de trabalho, desnutrição e fome, também seguem gerando deficiências, especialmente na juventude negra, nas comunidades indígenas e entre os grupos mais empobrecidos.” O Repórter SUS é uma parceria entre o Brasil de Fato e a escola Politécnica de saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.

Aumento da Selic pelo BC tem motivação política, defende economista

No Central do Brasil desta quinta (19), José Luis Oreiro explica que não há embasamento técnico na decisão do Copom Em reunião ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) resolveu aumentar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. O aumento acontece pela primeira vez em dois anos. Com isso, a Selic fica em 10,75% ao ano, com previsão de chegar a 11,5% até janeiro de 2025. O motivo seria uma expectativa de alta na inflação. Em entrevista ao programa Central do Brasil desta quinta-feira (19), o economista José Luis Oreiro afirma que a medida não faz sentido no atual momento do país, levando em consideração que as expectativas dos agentes do mercado financeiro para a inflação em 2024 (4,35%) e 2025 (3,95%) estão abaixo do limite de tolerância de 4,5%, segundo a última edição do boletim Focus publicada no dia 12 de setembro de 2024. “Eu não sei de onde estão tirando essa informação de que há um descontrole, uma desancoragem das expectativas de inflação. Pelo contrário, se a gente observar a inflação acumulada em 12 meses, ela caiu entre julho e agosto. Então, realmente não há nenhum embasamento técnico, com base no protocolo do regime de metas de inflação, que justifique um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic que vai custar aos cofres públicos R$ 13 bilhões em 12 meses”, explica Oreiro. Para o economista, as principais motivações para elevação da taxa são políticas. “O motivo político é que se quer por uma trava na expansão do PIB brasileiro para reduzir as possibilidades de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Aos agentes do mercado financeiro, não interessa ter um presidente de esquerda por mais quatro anos, principalmente agora que a agenda do governo, em termos de controle fiscal, é por intermédio de aumento de impostos sobre os mais ricos. Em segundo lugar, a taxa de juros, quando aumentada, gera ganhos financeiros significativos para os rentistas – para o pessoal da Faria Lima, para os bancos, etc.” Lula indicou Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central. O economista ainda deve passar por sabatina, mas tudo indica que ele deve assumir o comando da instituição em 2025. Apesar disso, Oreiro acredita que não ocorrerão grandes mudanças em relação à política de aumento da taxa de juros. “Eu até teria alguma esperança de mudança na política monetária se o Galípolo tivesse mantido o discurso que ele tinha há cinco, seis meses atrás – houve uma reunião do Copom em que a divisão entre os membros da diretoria do Banco Central foram cinco diretores que votaram por uma redução de 0,25%, e quatro que votaram pela redução de 0,5%. Entre esses quatro estava o Galípolo. Então me causa espécie ver que em tão pouco tempo o Galípolo se converteu para o lado dos que defendem aumento de taxa de juros. Talvez ele veja isso como uma condição sine qua non para assumir o cargo de presidente do Banco Central. Agora, se ele acha que uma vez estando na presidência do Banco Central ele vai poder se comportar de maneira diferente do que ele está fazendo nos últimos dois meses, isso é de uma ingenuidade inacreditável”, finaliza Oreiro.

Datafolha em BH: Tramonte tem 28% das intenções de voto e Fuad 18%

O candidato Mauro Tramonte (Republicanos) segue na liderança da disputa eleitoral para a Prefeitura de Belo Horizonte, com 28% das intenções de votos, mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (19). No levantamento anterior, de 5 de setembro, ele apareceu com 29%. O atual prefeito, Fuad Noman (PSD), disputa o segundo lugar com Bruno Engler (PL), ambos com 18%, das intenções de voto. Na apuração anterior, os candidatos tinham 14% e 13%, respectivamente. A candidata Duda Salabert (PDT) somou 9%, ante 12% na edição do início do mês. Os demais candidatos são: Rogerio Correia (PT), com 6%, antes 8%; Carlos Viana (Podemos) manteve os 5%; e Gabriel (MDB) alcançou 3% das intenções de voto, antes eram 2%. Lourdes Francisco (PCO), Wanderson Rocha (PSTU) e Indira Xavier (UP) não pontuaram. Os entrevistados que declararam a intenção de votar nulo, branco ou em nenhum candidato somam 7%. Na edição anterior eram 8%. Aqueles que ainda não sabem em quem votarão no dia 6 de outubro somaram 5% ante 8% da última apuração. Espontânea Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores, Tramonte somou 17%, ante 15% na última apuração; Engler conseguiu 13% da preferência dos eleitores, em 5 de setembro eram 8%; Noman ficou com 12% e antes tinha 7%; Salabert aparece com 5 e antes eram 6%; e Correia somou 3% (5% na edição anterior). O percentual daqueles que ainda não sabem em quem votar sobe para 38% na sondagem espontânea (48% na última apuração). A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo e pela Rede Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o código MG-07919/2024. Foram ouvidos 910 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou menos. O nível de confiança é de 95%.

Cemig publica edital para captação de projetos de inovação em eficiência energética

Projetos captados receberão recursos para desenvolver ações em diferentes setores da sociedade A Cemig publicou, nesta quinta-feira (19/09), o edital do 1º processo de captação de projetos de inovação com foco em eficiência energética. Realizada pelo Programa de Eficiência Energética (PEE) da companhia, que é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A iniciativa foi anunciada hoje durante o 20° Congresso Brasileiro de Eficiência Energética COBEE – em São Paulo. O edital vai proporcionar a oportunidade de a sociedade colocar em prática projetos-pilotos que irão beneficiar as cidades e negócios com a implantação de soluções inéditas de eficiência energética. Conforme explica o engenheiro de Eficiência Energética da Cemig, Matheus Herzog, o processo seletivo tem como objetivo fomentar projetos, tecnologias e soluções inovadoras para que se tornem uma realidade e possam se integrar às ações de eficiência energética já existentes e amplamente difundidas, proporcionando novos meios de reduzir o desperdício de energia em toda sociedade. Esses projetos propostos devem ser capazes de responder a uma questão-chave: como atender ao aumento da demanda de energia de uma forma sustentável. “É urgente pensar na redução do desperdício de energia nos diversos setores, sejam nas cidades ou na atividade rural. E esse novo processo de captação de projetos é a uma das formas que trabalhamos no Programa de Eficiência Energética da Cemig para ampliar e tornar democrático o acesso a recursos que irão culminar em ações efetivas para esse fim”, afirma Herzog. Desafios propostos Pensando na diversidade de setores que podem ser beneficiados com a implantação de projetos, o edital prevê desafios organizados com base no potencial de eficiência energética e tecnologias emergentes. Além disso, o documento foca nas demandas estratégicas da Cemig e do estado de Minas Gerais, sendo eles: cidades eficientes, edificações eficientes, indústria eficiente, agronegócio eficiente, vilas e comunidades eficientes, sistemas de saneamento eficientes, iluminação pública eficiente, gestão eficiente da energia e educação em eficiência energética. Entre as diferentes propostas esperadas, estão a implantação de tecnologias modernas em cidades, prédios, indústrias, empresas de saneamento e residências em substituição a outras obsoletas; ações educacionais ou metodologias de conscientização sobre o uso sustentável da energia; tecnologias de gestão energética sistemas de automação; iniciativas de arquitetura bioclimática; fontes alternativas de energia e armazenamento; telegestão da iluminação pública; entre outros. Ainda com foco no agronegócio, estão previstas a aplicação de tecnologias de automatização, digitalização e eletrificação, além da implantação de sistemas de armazenamento de energia, sensores, fontes alternativas, sistemas eficientes de irrigação, estufas e armazéns inteligentes, sistemas de refrigeração e ventilação, sistemas de estocagem, por exemplo. Prazo para inscrição de projetos O prazo para submissão das propostas vai até 18 de dezembro. Os resultados serão divulgados até 30 de janeiro do próximo ano. Os interessados poderão consultar o regulamento e seus anexos no site do Inova Cemig. Programa de Eficiência Energética Os Desafios de Inovação em Eficiência Energética fazem parte do Programa de Eficiência Energética da Cemig. Assim como no caso desse processo seletivo, o objetivo do Programa é promover o uso sustentável da energia elétrica e melhorias na qualidade de vida dos mineiros, principalmente nos tempos atuais, em que as mudanças climáticas trazem cada vez mais desafios à humanidade. Em mais de 25 anos de existência, o PEE da Cemig já investiu mais de R$ 1 bilhão e promoveu ações em todos os 774 municípios da área de concessão da companhia. Para se ter uma ideia da relevância do Programa, em todo esse tempo ele já foi responsável pela economia de 7.423 giga whats-hora (GWh), energia suficiente para abastecer, durante um ano, cerca de 3,5 milhões de clientes. Outro dado importante é que, no período de 25 anos, a companhia contribuiu para que 520 mil toneladas de CO2 não fossem liberadas na atmosfera. Em uma leitura mais prática, o valor é equivalente ao carbono absorvido por 3,7 milhões de árvores da mata atlântica em 20 anos. Crédito das fotos: Cemig/Divulgação

Cemig identifica queimadas próximas de linhas de alta tensão

Com ferramenta de monitoramento via satélite, a identificação ocorre antes das ocorrências Nova função permite reduzir o tempo de interrupção ou até mesmo evitar desligamentos a clientes causados por queimadas Reduzir o tempo de resposta para ocorrências com queimadas, garantindo o rápido restabelecimento do sistema elétrico. Com esse objetivo, o setor de Meteorologia da Cemig desenvolveu um sistema que monitora, via satélite, focos de calor a uma distância de até 1,5 km das Linhas de Distribuição e de Transmissão da companhia. A importância da integração entre o setor de Meteorologia da Cemig e os Centros de Operação da Distribuição (COD) e do Sistema (COS) vai além dos alertas relacionados às queimadas. A Cemig possui uma equipe de meteorologistas para monitoramento em tempo real das condições climáticas da sua área de concessão, que abrange 774 municípios mineiros. Dessa forma, os profissionais produzem boletins, avisos e alertas meteorológicos que são enviados aos Centros, que conseguem tomar ações focadas na região, como por exemplo, mobilizar as equipes – com uma antecipação de até quatro horas – para regiões que serão mais impactadas. No ano de maior impacto por causa das queimadas para o setor elétrico da Cemig, o Geopat (Sistema de Monitoramento Meteorológico da Alta Tensão) contribuiu para minimizar os prejuízos devido aos focos de incêndio na rede elétrica, e está sendo usado para garantir o fornecimento de energia para os mais de 9 milhões de clientes da companhia. De acordo com a empresa, a utilização da nova funcionalidade possibilita reduzir o tempo de interrupção relacionadas a focos de incêndio dos clientes ou até mesmo, evitar os desligamentos. Inspeção via satélite De acordo com o meteorologista da Cemig, Arthur Chaves, o sistema de monitoramento recebe informações de uma rede de satélites orbitais, que mapeiam, por meio de sensores térmicos, os focos de calor no território mineiro. Assim, o setor de Meteorologia da empresa cruza esses dados com as coordenadas georreferenciadas das Linhas de Distribuição e de Transmissão de energia de alta tensão. Segundo o engenheiro do Centro de Operações da Cemig, Felipe Mendonça Ildefonso, “por meio desse monitoramento, o COD recebe um alerta de queimada próxima às nossas linhas de distribuição e então aciona as equipes em campo para realizarem uma inspeção no local e, caso necessário, realizarem o atendimento preventivo, com o objetivo de evitar algum desligamento”, afirma. “Quando a equipe chega no local indicado pelo satélite e encontra uma queimada em andamento, que causou ou pode causar algum dano às nossas torres de alta tensão, ela informa ao COD para que sejam iniciados os procedimentos para analisar a possibilidade de transferir os clientes conectados àquele sistema para outro circuito. Dessa forma, a Cemig evita a interrupção de energia, e as equipes em campo podem realizar a manutenção”, completa. Com os alertas, o COD da Cemig consegue acompanhar, por meio do sistema de monitoramento climático, a situação das queimadas próximas ao sistema elétrico de alta tensão em tempo real e atuar de forma preventiva, quando possível. “Toda a sociedade é penalizada com as queimadas. Cidades inteiras podem ter interrupções no serviço, o que pode impactar hospitais, serviços de abastecimento de água, bancos, centros comerciais, indústrias e comércios. Por isso, a Cemig investe para que possa reduzir os impactos desse tipo de ocorrência em sua área de atuação”, salienta Felipe Ildefonso. Utilizado também no sistema de transmissão, o sistema auxilia o COS – Centro de Operação do Sistema na avaliação dos desligamentos das linhas de extra alta tensão, tornando o processo de restabelecimento do fluxo de energia mais seguro e ágil. Alerta traz agilidade no restabelecimento do serviço à população No dia 30 de agosto, o Geopat emitiu um alerta para o COD da Cemig sobre duas torres da Linha de Distribuição Alfenas 1 – Areado 2 69kV, no Sul de Minas. Imediatamente, foram acionadas equipes de campo, que chegaram ao local e constataram que uma das torres havia sido danificada por uma queimada, o que prejudicou o fornecimento de energia para mais de 18 mil clientes. Para restabelecer a energia o mais breve possível para os clientes, foram mobilizados diversos recursos emergenciais da Cemig, como geradores móveis. Dessa forma, as equipes de campo trabalhavam ininterruptamente, durante toda a madrugada para realizar a substituição da torre danificada e a recomposição da rede. “O alerta do Geopat foi muito importante para que a equipe chegasse ao ponto exato da torre danificada, reduzindo o tempo de inspeção na região para a identificação do defeito. Assim, foi possível tomar a decisão de enviar geradores para que a maior parte dos clientes fosse restabelecida rapidamente, enquanto a manutenção da estrutura acontecia”, explica o engenheiro do COD. Com esses alertas, o COD aciona as equipes de campo para inspeção e ao chegar nos pontos indicados, os colaboradores tem mais facilidades para identificar o impacto da queimada na rede da companhia. Neste caso, as equipes conseguem atuar proativamente e atenuar o dano ao sistema, evitando assim o desligamento aos clientes daquele sistema. Fonte e fotos: Cemig

Lideranças femininas de Montes Claros buscam se fortalecer

O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking dos países com maior presença de mulheres em cargos de liderança, divulgado pela empresa global de consultoria Grant Thornton. De acordo com a 20ª edição do estudo Women in Business: Pathways to Parity (Mulheres no Mundo Corporativo: Caminhos para a Paridade), as mulheres ocupam 37% dos cargos de liderança sênior das empresas no Brasil. Os números corroboram com o que já é visível em nosso cotidiano: as mulheres estão ocupando os espaços e tendo mais oportunidades de demonstrar suas capacidades de gestão e liderança. Em Montes Claros não é diferente. No último sábado, mais de 30 lideranças femininas se reuniram no estande da empresa Novo Nordisk, na 29ª Feira Nacional da Indústria, Comércio e Serviços (Fenics). O momento, mediado pela mentora, empresária e jornalista Ariane Galdino, foi realizado pela segunda vez consecutiva durante o evento. De acordo com ela, a proposta é, principalmente, promover o networking entre representantes de diferentes setores. “Esse crescimento coletivo é fundamental para que possamos construir um futuro para as carreiras e para os negócios”, diz. Eduarda Porcino, fundadora do projeto Filhas de Frida, canal informativo de combate à violência doméstica e familiar, foi uma das participantes do encontro. Para ela, a articulação em rede – grupos de mulheres, empreendedoras, instituições – é vital na transformação social que precisamos. “Afinal, a sociedade se beneficia com essas discussões porque a cultura, a política e as instituições precisam se direcionar para um caminho que coloque as mulheres como protagonistas das próprias histórias, e em rede é mais fácil propor, construir, cobrar e avaliar políticas públicas efetivas nesse sentido”, valida. A multinacional Novo Nordisk fomentou várias rodas de conversa durante a 29ª Fenics, todas com intuito de extrapolar temas importantes que geram conexão entre os participantes e fomentam possibilidades de outros debates. “Toda a equipe da Novo que esteve nestes dias de feira se dedicou para que esses momentos fossem além de produtivos e inesquecíveis, oportunidades para realização de networking”, comentou, durante o evento, a gerente de relações institucionais e comunicação da empresa, Cristiane Peres. Outras ações de fortalecimento das lideranças femininas já estão sendo colocadas em prática na cidade. A mentora Ariane Galdino quer, também, transformar essa iniciativa em uma audiência pública na Câmara Municipal. “É uma forma de dar mais visibilidade aos temas que são tão importantes para nós mulheres, como o combate à violência, os direitos das mulheres, e as notícias das comissões no Congresso. Além disso, podemos discutir o que está acontecendo em nossa cidade, especialmente com os coletivos e entidades que atuam nessa área”, relata. “Agora estamos aguardando os próximos passos e torcendo para que isso se concretize logo, porque é uma oportunidade de fortalecer ainda mais essa rede de apoio e troca entre as mulheres da nossa comunidade”, finaliza. Ponto de encontro entre empresários e comunidade Nesta edição da Fenics, a palavra “conexões” foi bastante citada nos depoimentos de empresários, especialmente do segmento institucional, visto que não realizam a venda direta de seus produtos. Além de ser uma plataforma de negócios, a Feira também proporciona aos visitantes a chance de conhecer de perto as inovações das empresas locais e regionais. Foram mais de 80 mil visitantes e cerca de R$100 milhões em negócios no evento realizado pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços, que já se prepara para a 30ª edição, no próximo ano. Para a presidente da ACI, a advogada Gislayne Lopes Pinheiro, o sentimento é de missão cumprida e muita gratidão por todos que acreditaram no projeto. “A satisfação de expositores e visitantes na 29ª Fenics não apenas manteve, mas elevou o padrão de excelência que a feira tem construído ao longo dos anos. A feira promete continuar sendo um marco no desenvolvimento econômico da região”, avalia. Fonte: Jornal Gazeta

Clínica suspeita de maus-tratos a pacientes é interditada, em Taiobeiras

Sete pessoas, com idades entre 34 e 48 anos, incluindo proprietários e funcionários, foram presas Uma clínica de reabilitação clandestina foi interditada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na terça-feira (17/9) em Taiobeiras, no Norte do estado, após 60 internos — entre dependentes químicos e pessoas com deficiência física e mental — serem expostos a condições degradantes. Alguns dos atendidos no estabelecimento foram encontrados com sinais de agressões, informou a instituição policial nesta quarta-feira (18/9). Sete pessoas, com idades entre 34 e 48 anos, incluindo proprietários e funcionários, foram presas durante a operação, que contou com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Funcionários da Vigilância Sanitária e das secretarias de Saúde e Assistência Social também acompanharam os trabalhos. As autoridades chegaram ao local após receber denúncias anônimas relatando maus-tratos no estabelecimento, situado na comunidade de Lagoa Grande, área rural do município. Os policiais não foram atendidos quando solicitaram a abertura do portão e, por isso, tiveram que escalar um muro com cerca de arame. Ao fazer a checagem do ambiente, as autoridades constataram que os internos viviam em situação precária. Segundo a Polícia Civil, as vítimas relataram que estavam passando fome e eram impedidas de deixar o local. Elas disseram ainda que sofriam ameaças, com o objetivo de deixá-las com medo e evitar que as agressões fossem denunciadas aos familiares. As famílias pagavam mensalmente entre R$ 1,2 mil e R$ 1,4 mil pelas internações, informou a PCMG. Em caso de quebra de contrato, a multa era de R$ 3 mil. “Um dos internos contou que foi agredido pelo grupo de apoio ao paciente no mesmo dia em que chegou ao local. A agressão resultou em dores no corpo e hematomas. Por isso, conforme explicou, teria ficado 20 dias sem ter contato com os familiares para que eles não percebessem as agressões. O paciente relatou também a existência de um ‘quarto do pensamento’, onde ficavam presos”, detalha a PCMG, acrescentando que 40 internos dormiam em um quarto e 20 em outro cômodo. Na clínica, havia ainda uma ala feminina, onde as mulheres eram mantidas separadas. “Elas contaram que também eram agredidas, dopadas com medicações e sofriam maus-tratos. Além disso, afirmaram que ninguém poderia sair do local e, caso tentassem, eram punidas com tapas, chutes, socos e pauladas”, completa a instituição policial. Os presos foram conduzidos ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça. Além do crime de maus-tratos, eles poderão responder por cárcere privado. Os internos ficaram sob a responsabilidade dos órgãos municipais até serem entregues aos respectivos familiares.

Governo entra com primeira ação por danos climáticos contra a Amazônia

AGU cobra R$ 635 milhões de infratores ambientais por danos climáticos no Pará. Advocacia quer individualizar e quantificar infrações que intensifiquem gases do efeito estufa A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apresentaram, nesta segunda (16), a primeira ação por dano climático do país. A AGU acionou a Justiça Federal do Pará contra cinco fazendeiros que teriam invadido e desmatado parte do Parque Nacional do Jamanxin, no estado da região Norte do país. A medida é a primeira de uma série de ações do governo federal para punir os infratores ambientais. Segundo a AGU, por meio de queimadas, teriam sido atingidos 7.075 mil hectares da unidade de conservação, localizada na Floresta Amazônica. Os custos da reparação ambiental foram estimados em R$ 635 milhões e calculados a partir do custo social da emissão de gases do efeito estufa resultantes dos danos ambientais. A quantidade de emissões provocada pela degradação na área, de acordo com a ação, foi estimada em 1.139.075 toneladas de carbono. A chamada “ação por dano climático” ainda é pouco utilizada no país. Normalmente, as ações ambientais requerem recuperação da área desmatada e o pagamento de danos morais coletivos em razão dos danos causados ao meio ambiente. Agora, a AGU vai além. O órgão está identificando individualmente cada infração ambiental que resultou diretamente nas emissões dos gases poluentes e que , consequentemente, contribuíram para agravar a emergência climática. Nesse tipo de ação, o cálculo é feito em cima de índices da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – segundo o qual cada tonelada de carbono custa € 60, ou R$ 324 considerando cotação do euro comercial a R$ 5,40. Durante a fiscalização, os agentes do ICMBio flagraram cerca de 3 mil cabeças de gado nas áreas desmatadas. Os animais não tinham registro na vigilância agropecuária do Pará. As fazendas irregulares foram multadas e embargadas pelo instituto. Durante a cerimônia de anúncio da propositura da ação, o advogado-geral da União, Jorge Messias, garantiu que o governo federal será rigoroso na punição de crimes ambientais. “O governo federal terá tolerância zero contra os infratores ambientais. Nós não toleraremos, de forma alguma, qualquer tipo de infração ambiental, principalmente em áreas de conservação e de preservação”, afirmou. O cálculo do prejuízo foi avaliado a partir do custo social da emissão de gases estufa na área danificada. Estima-se que 1.139.075 toneladas de carbono tenham sido emitidas nos 7.075 hectares danificados da unidade de conservação.