Imprensa corporativa tenta ligar o banqueiro dono ao PT, mas administração da instituição insolvente e arruinada era feita por figuras ligadas ao ex-presidente de extrema direita preso

– Banco Pleno – Foto: Divulgação

Enquanto as manchetes dos veículos da mídia corporativa tentam, em uma manobra de malabarismo retórico, associar a derrocada do Banco Pleno a figuras do governo do presidente Lula (PT), os documentos oficiais do Banco Central revelam uma realidade bem distinta. A instituição, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC nesta quarta-feira (18), não era apenas um satélite do colapsado Banco Master; ela servia de abrigo para gente do “alto escalão” do governo de Jair Bolsonaro.

Diferente da narrativa que tenta colar a imagem do dono do banco, Augusto Ferreira Lima, aos ex-governadores baianos Rui Costa e Jacques Wagner, do PT, hoje respectivamente ministro da Casa Civil e senador da República, por supostas “amizades”, a estrutura de comando do Pleno era ocupada, de facto e efetivamente, por dois ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro.

A prova documental: O “ninho” bolsonarista no Pleno

O Comunicado n° 43.628, publicado pelo Banco Central em 7 de agosto de 2025, expõe a espinha dorsal da administração da instituição agora liquidada. Nele, consta que a cúpula do banco era formada por nomes centrais do governo anterior.

No Conselho de Administração estava Figura Flávia Carolina Peres Lima (conhecida como Flávia Arruda), ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (SEGOV) de Bolsonaro. Flávia, que controlava a articulação política do Planalto, sentava-se à mesa diretora ao lado do próprio Augusto Lima, que é seu marido.

Na Diretoria Executiva, o comando operacional cabia a Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Bento, que geriu o Ministério responsável pelo Auxílio Brasil durante o período eleitoral de 2022, aparece no organograma oficial como Diretor do banco, dividindo a gestão com Renata Leme Borges dos Santos.WhatsApp Image 2026 02 18 at 15.34.16

O comunicado do Banco Central indicando os dois ex-ministros de Bolsonaro na direção do Banco Pleno

Manobra de blindagem e “fake news” corporativa

O esforço da imprensa tradicional em tentar “nacionalizar” a crise do Pleno puxando o PT para o centro do escândalo ignora o óbvio: a “porta giratória” entre o governo Bolsonaro e o sistema financeiro sob suspeita. O Banco Pleno, assim como o Master e o Will Bank (também liquidados), operava sob uma lógica de insolvência que agora explode no colo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um rombo estimado em R$ 52 bilhões juntando os três casos.

A tentativa de vincular Augusto Lima ao governo atual baseia-se em conexões geográficas frágeis, ignorando que os administradores que assinaram pelos atos da instituição, agora sob investigação na Operação Compliance Zero, eram as mesmas mãos que operavam a máquina pública federal bolsonarista até 2022.

Patrimônio bloqueado e crise sistêmica

Com a decretação da liquidação, o BC determinou a indisponibilidade imediata dos bens de todos os administradores e controladores. Isso inclui não apenas o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de ordens de prisão no âmbito das investigações de fraudes bilionárias, mas igualmente os ex-ministros que integravam o comando da instituição.

O caso do Banco Pleno não é um evento isolado, mas o desdobramento final de um ecossistema financeiro que floresceu sob a sombra de alianças políticas da extrema direita e que, agora, deixa uma conta bilionária para o sistema financeiro nacional pagar.

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