Relatório Revela Relação de Marcas de Moda Com o Desmatamento da Amazônia

Estudo inédito conduzido pela Stand Earth relaciona mais de 150 marcas de moda com o desmatamento da floresta Amazônica. O produto que liga essa rede: o couro. A pecuária não só é um dos grandes responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) no país, como é também o principal motivo de desmatamento no bioma. Entre os nomes levantados associados ao desmatamento estão: Louis Vuitton, Dior, Guess, H&M, Nike, Zara, Vans, Tiffany & Co e Tommy Hilfiger. Texto – Juliana Aguilera – Imagens – Time Modefica A partir de uma das principais fornecedoras brasileiras, a JBS, a investigação, que ainda está em curso, resultou em mais de 400 conexões individuais da rede de suprimento entre diversas empresas, como curtumes brasileiros, processadores de couro em vários países, fabricantes de produtos e marcas de moda em todo o mundo. No momento da publicação, o documento já conecta mais de 100 marcas. Cerca de 80% do couro bovino produzido no Brasil é exportado para países como: China e Hong Kong (41.6%), Itália (27.3%), Vietnã (9.6%), Taiwan (5.6%), índia (3.5%), Estados Unidos (2.5%) e Tailândia (2.2%). Especializado em pesquisa de cadeia de custódia 1, identificando e rastreando matérias-primas à medida em que se movem por redes produtivas complexas, o Stand.Earth rastreia a destruição ambiental e as violações de direitos humanos relacionados à produção de diversos produtos. O grupo analisou quase 500 mil listas de documentos alfandegários obtidos de cruzamento de dados coletados de diversas fontes, como: dados da alfândega brasileira, vietnamita, chinesa, indiana, paquistanesa; dados estatísticos – como Comex Stat -; sites de processadores de couro; relatórios anuais (principalmente em chinês); apresentações para investidores e relatórios de ESG – Governança Ambiental, Social e Corporativa; postagem em mídias sociais de processadores de couro; lista de divulgação aberta de fornecedores de marcas de moda; o banco de dados Internet Archive e banco de dados de SRG – ”Security Requirements Guide” ou Guia de Requisitos de Segurança, em tradução literal – feito sob medida entre matriz, subsidiária e marca. Curtume e desmatamento A indústria pecuária é o maior impulsionador do desmatamento da floresta amazônica e das florestas tropicais em todo o mundo. O desmatamento causado pela pecuária na Amazônia é responsável por quase 2% das emissões globais de CO2 anualmente, o equivalente às emissões de todos os voos de avião em todo o mundo. E estamos falando apenas da floresta Amazônica, desconsiderando regiões de destaque para a pecuária, como o Cerrado. Ou seja, na realidade, esse valor tende a ser muito maior.   Vale lembrar que a indústria da moda emite 2,1 bilhões de toneladas de GEEs anualmente – 4% das emissões globais que podem ser volumes maiores, tendo em vista a dificuldade em rastrear sua rede, como vemos por aqui. O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com cerca de 215 milhões de animais – o valor supera o da população em 3 milhões. A indústria do couro é lucrativa para os frigoríficos: em 2020, o setor correspondeu a US$ 1,1 bilhão (R$ 6,16 bilhões), ou 18% da receita total – se contabilizado o acumulado do ano até setembro. Um estudo do World Resources Institute descobriu que, de 2001 a 2015, a pecuária foi responsável pela perda de 36% da cobertura vegetal em todo o mundo. O gado substituiu quase o dobro de floresta quando comparado a todas as outras commodities combinadas. Dessa área desmatada, 45% foi brasileira, um total de 21,8 milhões de hectares. Esse valor significa 37 cidades de Brasília ou 4 estados do Espírito Santo e se divide em 70% no bioma Amazônia e 30% no Cerrado. Segundo dados do Terra Brasilis, 6,7 milhões de hectares de floresta foram perdidos na Amazônia na última década (2011-2020). Até novembro de 2021, o bioma contabiliza 11 mil km² desmatados – duas vezes mais do que em 2011 – tendo como destaque o estado do Pará, com 43% do desmatamento, seguido de Mato Grosso, com 18%. O documento do Stand.Earth aponta que existem “evidências que sugerem que a maior parte do desmatamento no Brasil é feito ilegalmente”. O gado substituiu quase o dobro de floresta quando comparado a todas as outras commodities combinadas. Mas como Joana Portugal, autora contribuinte do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e uma das responsáveis pelo capítulo de lacunas de emissões do relatório do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) salienta: “que seja ilegal ou legal, tem emissão de dióxido de carbono”. Logo, ainda que sejam sob terras legalizadas, como acontece no Cerrado, o desmatamento na Amazônia é preocupação para o futuro da floresta, dos povos que nela habitam e de todos nós. O Stand.Earth também afirma que inúmeros estudos e investigações têm demonstrado de forma consistente que a JBS, a maior empresa de carne bovina e couro no Brasil, é também a maior contribuinte para a destruição da floresta amazônica. A análise dos documentos se concentrou no rastreamento do couro exportado pela multinacional, começando com cliente da primeira linha, ou seja, processadores de couro. A  análise também mapeou exportações de couro de todos os seis maiores exportadores (excluindo empresas de logística) para esses mesmos processadores. Rede produtiva de produtos de couro. A rede produtiva da JBS foi exposta a mais de 3 milhões de hectares de desmatamento na última década. Dados de satélite divulgados pela Anistia Internacional ligam a empresa a 91 mil hectares de desmatamento na floresta amazônica entre março de 2019 a março de 2021 – dos quais 81% eram possivelmente ilegais. O grupo ainda afirma que “a quantidade total de desmatamento associado à JBS sobre esse período de tempo é provavelmente muito maior”. A ilegalidade, aliás, tem sido frequentemente associada à multinacional. Exemplos de áreas protegidas invadidas pelo gado ilegal fornecido à JBS incluem: a reservas extrativistas do Rio Ouro Preto e Rio Jaci-Paraná e o território indígena Uru-Eu-Wau-Wau, todas localidades no estado de Rondônia. A reserva do Rio Jaci-Paraná, aliás, passou por grande perda recentemente: junto com o Parque Estadual Guajará-Mirim, a área perdeu cerca de 90% de sua proteção, totalizando menos 219 mil hectares de proteção ambiental. Esse valor equivale às cidades de São Paulo e

Montes Claros seleciona cinco entidades para atuar na coleta seletiva

Em 2020, uma média de 234 toneladas de resíduos sólidos foi coletada, por dia, em Montes Claros. Desta forma, é possível identificar a necessidade de se dar um tratamento adequado a esses materiais que são descartados pela população. Estima-se que cerca de 35% deste total é passível de ser reciclado, o que corresponde a 2.458 toneladas por mês. Assim, a Prefeitura de Montes Claros está selecionando, através de um processo de licitação, organizações da sociedade civil para realizar a triagem e posterior comercialização do material coletado. A cidade foi dividida em cinco regiões (central, sudoeste, sudeste, noroeste e nordeste) e cada uma delas terá uma organização da sociedade civil para contribuir na redução da quantidade de resíduos sólidos urbanos encaminhada ao aterro sanitário, aumentando, consequentemente, a quantidade de materiais recicláveis a ser enviada às organizações de catadores. O resultado preliminar do processo selecionou as seguintes entidades: Casa de Acolhimento Amor e Vida; Montesul – Associação Montes Claros de Catadores; Associação Comunitária Recanto das Hortaliças; Associação de Catadores 3 R’s; e Associação de Catadores do Grande Village. Agora, o processo está na fase de apresentação de recursos, e o resultado final será divulgado no dia 12 de janeiro. Além do valor de R$ 96,38 pago por cada tonelada reciclada pelas organizações, também será repassado a elas, por ano, o valor global de R$ 60 mil, para custeio de despesas operacionais como locação de galpão, abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica e outros custos internos inerentes à prestação dos serviços de coleta seletiva. A iniciativa vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010) e da Lei Municipal n° 5.182/2019, que instituiu o Programa Municipal de Coleta Seletiva Solidária e Assistência aos Catadores de Materiais Recicláveis e autoriza a Prefeitura a firmar contratos com cooperativas ou associações para promover a sustentabilidade mediante a gestão dos resíduos recicláveis visando a redução do quantitativo de resíduos domiciliares dispostos no aterro sanitário. Outro objetivo que será alcançado com a medida é o aumento do índice de separação de resíduos para reciclagem, trazendo o reconhecimento e a inclusão do catador na cadeia produtiva, através de uma gestão eficiente e sustentável.

O ser humano é um animal que depende de transformar a natureza no seu meio de vida

* Por João Figueiredo A nossa qualidade de vida depende do que fazemos com a natureza ao nosso redor. Um antigo professor da Unimontes, Omar, hoje falecido, dizia que a natureza sempre se vinga de toda agressão contra ela: com inundações, secas causticantes, vendavais, temporais, enfim, todo mal que fazemos a ela nos é devolvido… Uma das agressões mais comuns contra a natureza está na forma que descartamos o lixo que produzimos. Eis aqui um exemplo do que está sendo feito na comunidade de Espigão de Cima. As lixeiras coletivas estão cheias de lixo solto, desensacado, inclusive lixo orgânico; os matagais estão cheios de lixo sintético, inclusive sob os pequizeiros. Ora, lixeiras coletivas são para acomodar lixo sintético para que o caminhão o leve para o Aterro Sanitário. Matagais devem ser preservados para permitir o desenvolvimento da flora e da fauna local, para um convívio sustentável conosco. Mato sem lixo produz ar puro! NA ROÇA, LIXO ORGÂNICO DEVE SER TRANSFORMADO EM ADUBO E LIXO SINTÉTICO DEVE SER COLOCADO NAS LIXEIRAS COLETIVAS. É uma questão de civilização, uma questão de educação, é um ato de cidadania cuidar para que lugar continue agradável e saudável para se viver, para nós, nossos netos, bisnetos, trinetos, etc. É preciso aprender a viver em sociedade, ser educado e ensinar, pelo exemplo, civilização e educação às gerações futuras. * Jornalista

Escultura na Serra do Curral, em BH, homenageia ambientalista Hugo Werneck

Com a vida dedicada ao meio ambiente, Hugo Werneck é eternizado na capital (foto: TJMG/Divulgação) ARTE E ECOLOGIA – Obra “O espalhador de passarinhos” será inaugurada no Parque Serra do Curral nesta segunda-feira (13/12) Homenagem ao ambientalista, precursores da consciência ecológica, ex-presidente da Associação de Parques e Zoobotânica de Belo Horizonte e defensor da criação de importantes áreas verdes em Minas, como os parques Nacional da Serra do Cipó e Estadual do Rio Doce. Esse homem é Hugo Eiras Furquim Werneck (1919-2008), que, na segunda-feira, 13, às 9h, será destacado com a inauguração da obra de arte “O espalhador de passarinhos”. Instalada no Parque Serra do Curral, na Região Centro-Sul de BH, a escultura é uma criação do artista plástico Gu Ferreira. O evento contará com representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), além de organizações e empresas parceiras, celebrando, junto à família de Hugo Werneck e aos responsáveis pela criação da obra, a importância da arte, da inclusão e do desenvolvimento sustentável. A instalação é a primeira ação do Programa Caminhos, iniciativa que visa a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social no município de Belo Horizonte, por meio do acesso ao trabalho, à cultura e à arte. Nesta fase inicial, foram contempladas quatro pessoas: Daniel Rocha, Ercílio Deziderio, Aleci Barbosa e Elbert de Moura, encaminhadas pelo Instituto de Apoio e Orientação a Pessoas em Situação de Rua (Inaper). Eles colaboraram na construção da obra, contando com o apoio técnico de Paulo César Aguiar e do artista plástico Gu Ferreira, que tem uma trajetória de atuação em projetos de mesmo perfil na Prefeitura de Montes Claros, no Norte de Minas, como coordenador de Educação Ambiental. Gu Ferreira trabalha na transformação de sucatas em obras de arte e ensina o ofício a reeducandos do sistema prisional. O Programa Caminhos é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre o TJMG, o MPMG, o MPT e a PBH. A iniciativa tem a parceria do Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS) e patrocínio da ArcelorMittal Brasil, Cemig, AVG Siderurgia, Cedro Mineração, Bemisa e Sindiextra e o apoio da Associação do Ministério Público de Minas Gerais, Associação dos Magistrados Mineiros, Nepomuceno Soares Advogados Associados e Dinorá Carla Sociedade Individual de Advocacia. Em 2022, o programa atenderá 20 pessoas, que passarão por um acompanhamento psicossocial, por formações de desenvolvimento pessoal, capacitações profissionais, oficinas de arte e ações que visam a empregabilidade. SERVIÇO Inauguração da obra de arte “O Espalhador de Passarinhos” Local: Parque Serra do Curral, que fica na Avenida José do Patrocínio Pontes, 1951 – Bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte Data: 13/12/2021 Horário: 9h Via Estado de Minas

Quem é Txai Suruí, a jovem indígena brasileira que luta por seu país na COP26?

A activista indígena Walelasoetxeige Paiter Bandeira Suruí, conhecida como Txai Suruí, da etnia paiter-suruí, na COP26 de Glasgow, em 1º de novembre de 2021 (Oli SCARFF/AFP) Ministros de países desenvolvidos pedem reuniões com a jovem, que recebe ligações do Vaticano, mas é ameaçada por bolsonaristas Txai Suruí tem 24 anos, está perto de se formar em Direito e pertence à tribo brasileira paiter-suruí. Na COP26 de Glasgow os indígenas não estão entre os negociadores, mas graças a seu discurso na abertura do evento, Txai virou uma das estrelas da reunião. Há 10 dias, Txai concede entrevistas, os ministros de países desenvolvidos pedem reuniões com a jovem e ela recebe ligações do Vaticano. Também recebe ameaças de morte e mensagens “racistas”, afirmou em entrevista. Mas ela confessa que no fundo gostaria de não estar em Glasgow. “Espero não ter que vir mais aqui. Espero que as pessoas se reúnam aqui (na COP) para falar sobre as coisas bonitas que conseguiram, sobre a justiça climática”, declarou. Txai procede de uma família muito ativa na luta pelos direitos do povo suruí no estado de Rondônia. Seu pai, Almir Narayamoga, se tornou cacique da tribo com apenas 17 anos, lutou contra os madeireiros ilegais, foi ameaçado de morte e teve que sari de seu estado por vários meses, assim como sua mãe. Txai segue agora os mesmos passos. Este ano ela apresentou, ao lado de outros jovens, uma ação contra o Estado brasileiro por não cumprir suas metas climáticas. E por isto também foi ameaçada. Mensagens racistas, de ódio “Temos ideias para adiar o fim do mundo. Acabemos com as mentiras”, pediu em inglês diante dos líderes mundiais na COP26. Txai denuncia que o presidente Jair Bolsonaro a criticou depois do discurso. “Estou recebendo várias mensagens racistas e mensagens de ódio porque eles não gostam que a gente venha aqui e fale a realidade do Brasil”, disse. “Eu não tenho medo porque, na verdade, a nossa realidade e a realidade dos povos indígenas no Brasil é muito mais perigosa do que as mensagens na internet”, completa. Mas em seu retorno ao Brasil, ela deve receber proteção, afirma, sem entrar em detalhes. “O meu estado é um dos mais bolsonaristas e um dos mais perigosos para ativistas de direitos humanos e do meio ambiente”, explica. Txai exibe um sorriso tranquilo nos corredores da sede da COP26. Ela usa um traje típico de seu povo e fala com serenidade sobre sua luta. “Eu perdi um amigo por causa dessa luta, a gente já perdeu muitos líderes indígenas do Brasil por causa dessa luta”, afirma. “O governo brasileiro pratica uma política assassina”, declara. Txai afirma que na reserva dos suruí, em Sete de Setembro, mais de 6 mil cabeças de gado pastam sem permissão. O território precisa ser vigiado constantemente, pois as invasões são incessantes. “Mas falar da Amazônia também é falar de uma situação mundial”, explica. “Os povos indígenas estão abertos a receber ajuda”, completa. A COP26 reúne apenas os Estados parte. Os indígenas mal conseguiram em outro fórum recente, o Congresso Mundial da Natureza, organizado em Marselha, ter sua própria categoria de membros. Txai disse que não espera retornar a outra COP, mas que gostaria de ver os indígenas como parte integrante das negociações. “Os outros países têm que entender que podem ajudar os povos indígenas do Brasil sem ofender nossa soberania”, disse. Txai se considera tão indígena como brasileira. Ao ser questionada o que a levou a estudar Direito, responde sem hesitar. “O Direito me escolheu”. Seus pais a estimularam a fazer a matrícula na faculdade em Porto Velho, capital de Rondônia. Ela afirma, com orgulho, que foi autorizada a fazer a matrícula quando ainda não havia concluído o Ensino Médio. Txai está a apenas um semestre do fim do curso. A ação judicial contra o Estado está apenas começando, em seu retorno ao Brasil ela terá muito trabalho pela frente. Também planeja se casar e gostaria de voltar a morar em sua aldeia de Lapetanha. Ela afirma que gostou de Glasgow, “mas faz muito frio”, admite, com seu sorriso. AFP

Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai formam ‘Mercosul da COP’

Objetivo do grupo é acompanhar os repasses para os mais pobres para combater os efeitos das mudanças climáticas. Governo participa de painel sobre o clima e destaca ações do PEAA (Ag. Pará) O Paraguai trocou a Associação Independente da América Latina e Caribe (Ailac) para integrar o grupo Mercosul, agora completo, durante as negociações da Convenção do Clima em Glasgow (COP-26). A posição do país será oficializada nesta quinta-feira de acordo com a delegação brasileira, durante a Reunião Ministerial do Mercosul, prevista para ocorrer no meio da manhã. Até a adesão do Paraguai, o trio Brasil, Argentina e Uruguai (que formavam a sigla ABU) haviam formado um grupo para ter mais força nas negociações da COP. Com o quarteto formado, o conjunto dos países agora leva o mesmo nome do bloco comercial. A intenção é a de que o grupo permaneça unido para as próximas reuniões de COPs. Os quatro países se reúnem agora em um nova frente – a das questões climáticas – num momento em que há problemas internos no grupo na área comercial, com o Brasil pressionando por mudanças no bloco. Um dos principais objetivos do grupo é acompanhar, em conjunto, os repasses dos países desenvolvidos para os mais pobres para combater os efeitos das mudanças climáticas. O ministro do Meio Ambiente brasileiro, Joaquim Leite, vem cobrando o fato de que o acerto de US$ 100 bilhões por ano, feito durante a COP de Paris para iniciar em 2020, não foi cumprido. Agora, inclusive, ele diz que o montante é insuficiente e espera mais recursos disponíveis dos países ricos. Agencia Estado

Outubro Rosa: conheça relação entre agrotóxicos e o câncer que mais mata mulheres no Brasil

Agricultoras expostas a pesticidas têm câncer de mama mais jovens, com mais agressividade e pior prognóstico, diz estudo Agricultoras que se expõem a pesticidas sem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados tendem a desenvolver subtipos mais agressivos de câncer de mama, com piores prognósticos de tratamento. O câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil, e a necessidade de prevenção é o mote da campanha Outubro Rosa. No sudoeste paranaense, região produtora de alimentos, a incidência e letalidade desse câncer são maiores que a média nacional. Pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Francisco Beltrão (PR), observaram essa tendência ao longo dos últimos seis anos. Ao se deparar com as estatísticas, a médica e pesquisadora Carolina Panis analisou as especificidades da região e levantou hipóteses. “Quando olho um câncer no laboratório, não consigo dizer se ele foi causado por agrotóxico ou não. Então, a gente trabalha com epidemiologia, olhando para a história dessas pessoas. Quando fazemos esse movimento, fica muito claro: elas têm câncer mais jovens, têm tipos de câncer raros na população geral, e um câncer extremamente agressivo”, ressalta. Doutora em Patologia, Carolina Panis foi a campo e ficou espantada com a dinâmica de aplicação dos venenos. A maioria dos agricultores passam centenas de horas por ano em contato com pesticidas sem proteção. Cabe às mulheres preparar a substância e dar suporte ao marido e aos filhos, que geralmente assumem a tarefa da pulverização. O papel desempenhado por elas é um dos diferenciais do sudoeste paranaense em relação a outras regiões produtoras. “A mulher pega o potinho onde está o agrotóxico sem luva, sem EPI nenhum. Nosso levantamento mostrou que 94% dessas mulheres se expõem dessa forma: preparando esse ativo para o filho ou o marido aplicar, ou ainda lavando as roupas”, relata a médica. “Elas colocam a roupa que o homem trabalhou o dia inteiro dentro da máquina de lavar junto com a roupa do bebê, junto com a toalha de banho. Então, a família toda é exposta.” A pesquisadora da Unioeste lembra que o relevo da região é acidentado, o que dificulta o uso de tratores nessa tarefa. A aplicação é feita por meio de bombas de pulverização, que os agricultores carregam nas costas. “As mães colocam a bomba nas costas do filho. Elas praticamente tomam um banho de pesticida nesse momento, porque a bomba vaza com o impacto nas costas. E esse menino passa o dia inteiro aplicando com a roupa molhada, contaminado”, descreve Carolina Panis. A contaminação por agrotóxicos se dá por meio da pele e do aparelho respiratório. O incômodo e o desconforto das roupas, máscaras e botas para pulverização, especialmente em dias de calor, estão entre os motivos citados para não utilização dos EPIs. Bola de neve Em mais de 90% das propriedades rurais do sudoeste do Paraná, predomina a agricultura familiar. Embora os pesticidas sejam comumente associados aos grandes monocultivos do agronegócio, milhões de camponeses são reféns da narrativa de que só se produz comida com veneno. Por falta de informação e de assistência técnica, os cultivos orgânicos, sem agrotóxico, ainda são minoria. O Brasil tem 5 milhões de pequenas propriedades rurais e apenas 25.345 produtores orgânicos, segundo o Ministério da Agricultura – em 2011, eram 8 mil. Um dos entraves é que muitos programas de financiamento estão atrelados à aquisição de pesticidas. “Lembro de uma roda de conversa do Outubro Rosa em que uma agricultora viúva me disse: ‘Depois que meu marido faleceu, fui ao banco para fazer um financiamento para produzir alimentos. Eu não queria comprar o pacote de venenos, mas disseram que, sem ele, eu não ia ter acesso ao seguro, e sem seguro não tem financiamento’. Então, é uma bola de neve, que torna muito difícil fugir dessa lógica”, relata Panis. Ubirani Otero, chefe da Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, lembra que há outros fatores consolidados cientificamente como causadores de câncer de mama, para além dos agrotóxicos. A especialista afirma que não existe nível seguro de exposição a agentes cancerígenos, portanto o uso de EPIs não garante proteção total. “Agrotóxicos vêm sendo associados a vários tipos de câncer, especialmente no sistema hematológico, sistema nervoso central, estômago, e várias outras localizações”, diz. Otero observa que o desenvolvimento da agroecologia oferece possibilidades de mudança gradual dos modelos produtivos no campo. “Até os anos 1960, a proteção da lavoura das pragas e dos insetos era feita com recursos naturais. É o que preconiza a agroecologia. Com a evolução da indústria de agrotóxicos, muito desse conhecimento – que era passado de pai para filho – foi perdido, e precisa ser resgatado”, avalia. Agressividade e tratamento difícil O câncer de mama tem quatro subtipos. O menos agressivo e com melhor prognóstico é o luminal A. Este é o mais comum no Brasil e no mundo. No sudoeste do Paraná, o luminal A é minoria: entre 60% e 70% dos diagnósticos são dos subtipos mais agressivos, de pior prognóstico: luminal B, HER2 positivo e triplo negativo. O estudo da Unioeste aponta que esse perfil diferenciado tem relação com a exposição ocupacional aos pesticidas – e com o papel das mulheres na dinâmica da aplicação. As pesquisas lideradas por Carolina Panis mostram ainda que os agrotóxicos são fator determinante para quimiorresistência. Em outras palavras, a quimioterapia costuma ser menos eficaz em pacientes que manuseiam e têm contato frequente com esses ativos sem proteção, como as agricultoras familiares do sudoeste do Paraná. Em novembro de 2018, o médico Daniel Rech, orientado por Panis, publicou uma dissertação de mestrado sobre o tema. A partir das amostras de 127 pacientes com câncer de mama, identificou-se que 25,8% eram luminal A, 38,7% luminal B, 8,1% triplo positivo e 19,4% HER2. “Houve um predomínio de pacientes jovens inseridas nos subtipos mais agressivos, e 50% das pacientes encontram-se abaixo dos 50 anos”, diz o texto. Consumidores também têm risco? A equipe da Unioeste não se debruçou sobre os riscos de quem consome

STJ condena Vale a indenizar o que recebeu por usina parada devido tragédia de Mariana

A hidrelétrica Risoleta Neves está inoperante desde a tragédia de Mariana (Felipe Werneck – Ascom/Ibama) Mineradora recebeu mais de R$ 500 milhões da Aneel desde 2016 por hidrelétrica Risoleta Neves, destruída com rompimento da barragem O Superior Tribunal de Justiça (STJ) impôs uma dura derrota à mineradora Vale e decidiu que a companhia terá que devolver cada centavo que tem recebido mensalmente, desde 2015, por uma hidrelétrica de sua propriedade que não entrega energia há seis anos. A Vale já recebeu mais de R$ 500 milhões desde novembro de 2015, por uma geração de energia que deixou de entregar naquele ano, a partir das turbinas de sua hidrelétrica Risoleta Neves, na região de Mariana (MG), porque a usina foi destruída pela lama da tragédia da Samarco, que tem a própria Vale como sócia. Nesta quarta-feira, 6, porém, o colegiado de 15 ministros do STJ decidiu, por unanimidade, que a companhia não tinha direito de receber os pagamentos, que vinham sendo feitos pelas demais hidrelétricas do país e os consumidores de energia. Com a decisão, prevaleceu o pedido da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já havia solicitado, em 2016, a paralisação dos pagamentos, mas viu seu pleito parar na Justiça, porque a Vale insistia em continuar a receber os recursos. A hidrelétrica Risoleta Neves pertence ao consórcio Candonga, do qual a Vale é dona de 77,5% e a Cemig, de 22,5%. Em maio deste ano, após essa situação ser denunciada em reportagem, a Vale se reuniu com representantes da Aneel e da Câmara dos Deputados. A empresa, que tinha sido convocada para prestar esclarecimentos sobre o assunto no Congresso, conseguiu suspender a audiência pública, sob o argumento de que iria desistir do processo judicial. Além disso, a empresa se dispôs a devolver todo o montante recebido. O acordo chegou a ser celebrado pelo diretor-geral da Aneel, André Pepitone, que participou do encontro com a empresa. “Tratamos de uma proposta de acordo formulada pela Vale no processo judicial. A Aneel vê isso com entusiasmo, pois conseguimos eliminar mais uma judicialização no setor”, disse Pepitone à reportagem, na ocasião. A empresa, porém, não abriu mão do processo e seguiu na disputa judicial para continuar a ter direito de manter a usina em um mecanismo do setor elétrico – bancado pelo consumidor de energia – que é acionado apenas em situações em que há problemas com escassez hídrica. Nessa quarta, a Vale foi derrotada. O presidente do STJ, ministro Humberto Martins, relator do caso e que chegou a rejeitar o pedido da Aneel em outubro de 2020, hoje mudou de ideia. “Reavaliando a situação em julgamento, verifica-se que a manutenção da usina como integrante do MRE (Mecanismo de Realocação de Energia, que centralizada os pagamentos à empresa) causa, na verdade, grave dano à ordem administrativa e econômica”, disse. “A usina Risoleta Neves vem sendo mantida artificialmente, recebendo valores de compensação financeira mesmo sem gerar energia há mais de cinco anos.” A Advocacia-Geral da União (AGU) já havia se manifestado no processo como assistente da Aneel, apontando “grave lesão à ordem econômica, jurídica e institucional, concernente ao setor elétrico brasileiro”. Em seu voto proferido nesta quarta, Martins lembrou o fato de que a Vale é sócia da Samarco, empresa que causou um dos maiores desastres ambientais da história, responsável por inviabilizar as operações da hidrelétrica. A usina ficava no caminho da barragem do Fundão, que rompeu e causou a morte de 19 pessoas, com o lançamento de milhares de toneladas de rejeito de minério de ferro sobre a floresta e o Rio Doce. A lama varreu 40 municípios, até chegar ao Atlântico, no litoral do Espírito Santo. “Nesse sentido, todo o prejuízo econômico suportado pelos consumidores cativos de energia elétrica resulta em benefício para a mesma empresa, que seria a causadora do desastre ambiental”, disse Martins. “Assim, a manutenção da decisão judicial que afastou o ato da Aneel e manteve a usina Risoleta Neves no MRE causa grave distorção do quadro regulatório, impondo prejuízo econômico aos consumidores, e beneficiando indiretamente a mesma empresa causadora dos danos ambientais.” Procurada pela reportagem, a Vale declarou que, “como integrante do Consórcio Candonga, a Vale vai avaliar os termos da decisão (ainda não publicada)”. Segundo a empresa, independentemente do resultado da ação, “a Vale já apresentou proposta à Aneel para neutralizar os efeitos financeiros da aplicação do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE)”. No dia 10 de setembro, dois dias após reportagem do Estadão informar que a companhia tinha decidido manter o processo judicial, a Vale declarou, por meio de nota, que apresentou proposta à Aneel sobre caso envolvendo a usina hidrelétrica Risoleta Neves que prevê o pagamento de todos os valores decorrentes da paralisação da unidade. A mineradora disse que os pagamentos, que incluirão período 5 de novembro de 2015 até dezembro de 2022, ocorrerão independentemente do resultado da ação movida pelo Consórcio Candonga contra a Aneel. “Os valores retroativos, já repassados à usina, serão corrigidos, estimados em cerca de 781 milhões de reais, e pagos na contabilização do primeiro mês posterior à data de início de vigência do Termo de Compromisso”, informou a Vale. A empresa declarou, na ocasião, que o prazo de dezembro de 2022 foi estipulado devido à expectativa de retorno de operação da usina Risoleta Neves, que passa por obras de recuperação realizadas pela Samarco, joint venture da própria Vale com a BHP. Agência Estado

ECO-RECICLA – Câmara Municipal de Montes Claros aprova Ecocrédito para reciclagem

Os vereadores de Montes Claros aprovaram, nesta terça-feira (5), o projeto que cria um programa de incentivo a ações de reciclagem na cidade, denominado “Eco-Recicla” A Câmara Municipal de Montes Claros, aprovou o “Ecocrédito de Reciclagem Eco-Recicla”, programa de crédito ambiental que tem o objetivo de incentivar o cidadão a praticar a coleta seletiva de resíduos recicláveis, promover a preservação ambiental e contribuir para a inclusão social de catadores nos programas voltados às ações ambientais. O Eco-Recicla é de iniciativa do prefeito Humberto Souto (Cidadania). Conforme o projeto, para participar do Eco-Recicla o cidadão deverá entregar os resíduos recicláveis nos ecopontos oficiais e receberá o crédito ambiental por quilo de resíduo depositado. Através desse programa, qualquer cidadão montes-clarense poderá encaminhar material para os galpões de reciclagem em troca de um “ecocrédito”, que será administrado através de um aplicativo e poderá ser abatido, no final do período, no valor da Taxa de Limpeza de Resíduos Sólidos (TLRS). O objetivo é incentivar a coleta seletiva de resíduos recicláveis, promovendo a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, além de contribuir para a inclusão social dos catadores de material reciclável. Atualmente, a Prefeitura de Montes Claros recolhe sete mil toneladas por mês de lixo das residências, sendo que, desse total, ao menos duas mil toneladas podem ser recicladas.

Com falta de chuvas frequentes, Pantanal sofre maior seca dos últimos 36 anos

A seca, cada vez mais frequente, altera todo o clico ecológico do bioma (TV Globo/Reprodução) Levantamento mostra como a maior planície úmida do planeta tem se tornado cada vez mais seca Por Duda Menegassi ((o))eco Um Pantanal cada vez mais seco e castigado pelo fogo, esse é o retrato dos últimos 36 anos de acordo com o levantamento realizado pelo MapBiomas, que analisou as mudanças na cobertura do bioma entre 1985 e 2020. Enquanto a primeira cheia registrada na série histórica, que ocorreu entre 1988 e 1989, resultou numa superfície total de água e campos alagados de 5,8 milhões de hectares, a última cheia da série, registrada em 2018, ocupou uma superfície 29% menor, de apenas 4,1 milhões de hectares entre áreas de água e de campos alagados. Em 2020, a soma dessas áreas foi de 1,5 milhões de hectares, a menor cobertura dos últimos 36 anos. Um dos principais rios do Pantanal, o Taquari, cujas nascentes estão no Planalto, na região central do país, é uma das testemunhas do avanço da seca no bioma. Em menos de 30 anos, o rio foi obrigado a mudar de curso e deixar para trás mais de 150 quilômetros de leito seco. De acordo com a análise do MapBiomas, a expansão das atividades agropecuárias associadas à falta de proteção dos rios e das nascentes, intensificaram a deposição de sedimentos na planície – o Pantanal – e aceleraram o assoreamento de parte do curso d’água. A construção de hidrelétricas, que afetam o ciclo hídrico natural, também são fatores que contribuem para o desequilíbrio dos rios. Os dados, obtidos através de imagens de satélite e mapas de cobertura de uso e solo no Brasil, fazem parte da Coleção 6 do MapBiomas e foram divulgados em webinar transmitido no Youtube. Em 2020, o Pantanal ainda possuía 83,8% da sua extensão de áreas naturais, com predomínio das vegetações campestres (40,3%), seguido por formações florestais (19,1%) e formações savânicas (14,1%). A superfície de água e de campos alagados juntas somavam pouco mais de 10% da cobertura do bioma até o ano passado. Já as pastagens, ocupavam 16,1% da área do bioma em 2020. Desde 1985, as áreas de uso antrópico no bioma mais que dobraram (+261%) e se estenderam por mais 1,8 milhões de hectares, o equivalente em áreas naturais perdidas no período. O levantamento também observou toda a Bacia do Alto Paraguai, que inclui não apenas o Pantanal, mas também áreas de Cerrado e da Amazônia, e onde estão as principais nascentes e rios que alimentam a planície pantaneira. Em 2020, 40% da bacia estava ocupada por uso agropecuário. Desde 1985, atividades como a pastagem e a agricultura avançaram na região, com expansão de 5,4 milhões de hectares e 1,3 milhões de hectares, respectivamente. No caso da agricultura, isso representa quase a triplicação da área ocupada pela atividade em 1985. “A conservação do Pantanal, sua cultura e seu uso tradicional dependem dos ciclos de inundações e dos rios que nascem na região do Planalto, onde ficam as cabeceiras da Bacia do Alto Paraguai”, explica Eduardo Rosa, do MapBiomas. Pantanal é o bioma que mais queimou nos últimos 36 anos O fogo e a cicatriz deixada por ele na paisagem pantaneira também foram destaques no levantamento do MapBiomas, afinal de contas, a vegetação cada vez mais seca é o combustível perfeito e torna todo o bioma mais suscetível ao fogo. De acordo com a análise, nos últimos 36 anos, em média 8.053 km² queimaram anualmente no Pantanal, o equivalente a 5,3% da área do bioma ou mais de 5 vezes a área da cidade de São Paulo em chamas todo ano. Quase a totalidade do fogo (93%) ocorreu em áreas naturais – sendo três quartos do total sobre vegetação campestre e savanas – e apenas 7% em zonas de uso humano. De todos os biomas brasileiros, o Pantanal foi o que mais queimou nos últimos 36 anos: com mais da metade do bioma (57,5%) foi atingida pelas chamas pelo menos uma vez no período. Destas, mais da metade, cerca de 67%, queimaram mais de uma vez. Em 2020 foram mais de 2,3 milhões de hectares queimados, o maior registro do milênio e o segundo maior desde 1985 – perde apenas para as queimadas do ano de 1999.