Lula defende regulação de big techs durante reunião ministerial

Para o presidente, big techs são “patrimônio americano, não nosso” O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (26) que as grandes empresas de tecnologia norte-americanas, conhecidas como big techs, são “patrimônio americano, mas não são nosso patrimônio”. De acordo com Lula, quem quiser atuar no Brasil tem que seguir a legislação nacional. A declaração ocorre horas após o presidente norte-americano, Donald Trump, emitir nota defendendo a atuação de big techs e ameaçando impor ou aumentar as tarifas de países que adotem impostos ou regulem as atividades de empresas americanas de tecnologia. “As big techs são um patrimônio americano e que ele não aceita que ninguém mexa. Isso pode ser verdade para eles. Para nós, ele é um patrimônio americano, mas não é nosso patrimônio”, disse o presidente durante abertura da segunda reunião ministerial de 2025. “Nós somos um país soberano, nós temos uma Constituição, nós temos uma legislação e quem quiser entrar nesses 8,5 milhões de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo e marítimo, na nossa floresta tem que prestar contas a nossa Constituição e a nossa legislação”, acrescentou. Em discurso recente, Lula já afirmou que vai taxar grandes empresas norte-americanas de tecnologia. No Brasil, discute-se a responsabilidade das plataformas em relação a conteúdos criminosos que circulam nas redes, que vão desde pedofilia e apologia à violência nas escolas, até defesa de golpe de Estado. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, recentemente, que as plataformas devem ser responsabilizadas diretamente por postagens ilegais feitas por seus usuários.

Lula reafirma soberania e diz que Brasil não aceitará ofensas

Presidente rebateu Trump, mas falou em disposição para negociar O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera nesta terça-feira (26) a segunda reunião ministerial de 2025. Ao citar a atual política dos Estados Unidos, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais, ele afirmou que o Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”. Lula orientou seus ministros a defenderem a soberania do país em seus discursos públicos. Para ele, as decisões do presidente estadunidense, Donald Trump, são descabidas. Ainda assim, o governo brasileiro segue à disposição para negociar as questões comerciais. “Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém. É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro”, disse Lula. “É importante que cada ministro, nas falas que fizerem daqui para frente, façam questão de retratar a soberania desse país. Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo e ofensas, petulância de ninguém. Se a gente gostasse de imperador, o Brasil ainda seria monarquia. A gente não quer mais. A gente quer esse país democrático e soberano, republicano”, acrescentou. Exportações O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que está à frente das negociações sobre o tarifaço, também apresentou números atualizados sobre o impacto das medidas no comércio brasileiro. Segundo ele, 35,6% de tudo que é exportado pelo Brasil ao país norte-americano estão sob uma tarifa de 50%. O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas. No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%. Porém, em 6 de agosto, Trump aplicou uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022. Além disso, Alckmin explicou que 23,2% das exportações ao país norte-americano são taxados de acordo com a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial norte-americana, que é aplicada a todos os países, com exceção do Reino Unido. Para aço, alumínio e cobre, por exemplo, a tarifa é de 50%; automóveis e autopeças são taxados em 25%. O restante dos 41,3% de produtos exportados aos EUA tem uma tarifa de 10%. O vice-presidente lembrou que o governo brasileiro atua para socorrer as empresas impactadas pelo tarifaço. No último dia 13, Lula assinou a medida provisória que cria o Plano Brasil Soberano. As medidas incluem uma linha de crédito no valor de R$ 30 bilhões para exportadores, mudança nas regras do seguro de crédito à exportação e em fundos garantidores, suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados (drawback) e compras governamentais de gêneros alimentícios que deixaram de ser exportados. Além disso, a política de comércio exterior do governo é de abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. Ainda hoje, Alckmin e outros ministros embarcam para uma viagem ao México, para tratar do potencial de ampliação do comércio entre os dois países. Segundo ele, há possibilidades nas áreas agrícola, de biocombustível, aviação, energia e industrial. “O presidente Lula tem orientado diálogo permanente, soberania, Brasil não abre mão da sua soberania, Estado de Direito, separação dos poderes, que é a peça basilar do Estado de Direito e, ao mesmo tempo, negociação e diálogo para a gente corrigir essa absoluta distorção da política regulatória”, acrescentou.

Bolsonaro pode ser preso em 48 horas por plano de fuga para a Argentina

Ex-presidente descumpriu medidas cautelares e planejava pedir asilo político ao governo de Javier Milei, revelam mensagens de celular obtidas pela Polícia Federal A situação de Jair Bolsonaro, que já era ruim, ficou ainda pior. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas, a partir da noite desta quarta-feira (20), para que a defesa do ex-presidente explique as novas evidências de descumprimento de medidas cautelares e um plano de fuga para a Argentina revelado em relatório da Polícia Federal (PF). Caso as justificativas não convençam, o ministro pode decretar sua prisão preventiva, levando-o da prisão domiciliar para uma cela militar em Brasília. No despacho, Moraes foi taxativo: “Diante de todo o exposto, intime-se a defesa de Jair Messias Bolsonaro para que, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, preste esclarecimentos acerca: dos reiterados descumprimentos das medidas cautelares impostas; da reiteração das condutas ilícitas; e da existência de comprovado risco de fuga”. Plano de fuga para a Argentina Entre as novas provas colhidas pela PF está um arquivo encontrado no celular de Bolsonaro, contendo um rascunho de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei. O documento foi salvo em 10 de fevereiro de 2024, dois dias após a deflagração da Operação Tempus Veritatis. Segundo os investigadores, o texto teria sido redigido pela esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Os elementos de prova obtidos pela Polícia Federal indicam que Jair Messias Bolsonaro tinha posse de documento destinado a possibilitar sua evasão do território nacional”, registrou Moraes em sua decisão. Além do arquivo de asilo, mensagens e áudios recuperados pela PF mostram que Bolsonaro discutia estratégias de fuga e articulações com aliados, incluindo o pastor Silas Malafaia e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Descumprimento das cautelares Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, monitorado por tornozeleira eletrônica. Mesmo assim, segundo o relatório da PF, ele trocou celulares após apreensões judiciais e continuou atuando nas redes sociais, em clara violação às restrições impostas pelo STF. Moraes citou ainda conversas com o advogado estadunidense Martin de Luca e uma mensagem enviada pelo ex-ministro Braga Netto como exemplos de novos descumprimentos. “Durante a investigação e com a realização da restauração de dados salvos por meio de backup, a Polícia Federal verificou a intensa atividade de Jair Messias Bolsonaro na produção e propagação de mensagens destinadas às redes sociais, em clara afronta a medida cautelar anteriormente imposta”, afirmou o ministro. Novo indiciamento às vésperas do julgamento As descobertas se deram no âmbito da investigação que levou ao indiciamento da PF contra Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, formalizado na quarta-feira (20), pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de direito. Também foram implicados no caso o blogueiro Paulo Figueiredo e o pastor Silas Malafaia. O relatório final já foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá decidir se apresenta denúncia. Até o fechamento desta reportagem, a defesa do ex-presidente, comandada pelo criminalista Celso Sanchez Vilardi, não havia se manifestado. O novo indiciamento de Bolsonaro ocorre a menos de duas semanas do julgamento histórico do ex-presidente no STF por tentativa de golpe de Estado, marcado para começar em 2 de setembro. Caso Alexandre de Moraes entenda que as explicações da defesa não afastam o risco de fuga e a reincidência em práticas ilícitas, Bolsonaro poderá ser levado da prisão domiciliar diretamente para a cadeia, onde aguardará a decisão do Supremo já atrás das grades.

Bolsonaro tinha carta com pedido de asilo a Milei, diz PF

Documento foi apreendido no celular do ex-presidente, de acordo com a corporação A Polícia Federal afirma, em relatório que indiciou Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que o ex-presidente teria, em seu celular, um documento endereçado ao presidente da Argentina, Javier Milei, em que ele pede asilo político ao chefe de Estado latino-americano. Bolsonaro foi indiciado pela PF, junto ao seu filho nesta quarta-feira (20). Play Video De acordo com a corporação, na primeira página do documento, que tem 33 laudas, Bolsonaro argumenta que é “um perseguido” por “motivos e por delitos essencialmente políticos”. O documento consta no indiciamento do ex-presidente por coação no curso do processo e por abolição violenta ao Estado Democrático de Direito. A polícia argumenta que Bolsonaro e o filho, que está nos Estados Unidos, atuaram juntos contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) frente ao julgamento do ex-presidente no processo da trama golpista. “De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos. No âmbito de tal perseguição, recentemente, fui alvo de diversas medidas cautelares”, descreve Bolsonaro na carta. A PF ressalta ainda que, cerca de dois meses antes da última edição do documento, o ex-presidente informou ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes que iria viajar à Argentina. “Segundo a defesa de Jair Bolsonaro, o aviso ocorreu devido às diversas investigações nas quais o ex-presidente era alvo. Jair Bolsonaro esteve, então, presente na posse do atual mandatário argentino, em comitiva acompanhada por seu filho Eduardo Bolsonaro, dentre outros aliados”, diz a PF. “Os elementos informativos encontrados indicam, portanto, que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha em sua posse documento que viabilizaria sua evasão do Brasil em direção à República Argentina, notadamente após a deflagração de investigação pela Polícia Federal com a identificação de materialidade e autoridade delitiva quanto aos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito por organização criminosa”, diz a PF.

PF recuperou um mês de conversas apagadas por Bolsonaro

Segundo os investigadores, o caso reforça tentativa de obstrução da Justiça e intimidação a autoridades A Polícia Federal (PF) identificou e recuperou áudios e mensagens apagadas do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo comunicações com o pastor Silas Malafaia e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). A divulgação foi feita nesta quarta-feira (20) . A descoberta foi feita durante análise pericial dos aparelhos e, segundo os investigadores, reforça indícios de tentativa de obstrução da Justiça e intimidação a autoridades no contexto da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. Entre os registros resgatados, estão 11 áudios relacionados à articulação política contra o chamado “tarifaço”. Dois desses áudios, obtidos pela PF, mostram Bolsonaro e Malafaia discutindo medidas e estratégias de reação. De acordo com os investigadores, o tom das gravações sugere mobilização e pressão na política interna. As autoridades avaliam agora o conteúdo como parte das investigações sobre ações do ex-presidente e de aliados que possam ter configurado tentativas de interferência em órgãos do Estado e no processo democrático. REDES SOCIAIS Áudios de Malafaia e Bolsonaro viram memes nas redes sociais Internautas destacam que pastor tem “boca suja” e criticam os palavrões falados por ele; Malafai ainda xingou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Silas Malafaia é a desonra da igreja evangélica, finalmente o capiroto vai pra jaula pic.twitter.com/GsJPPpnqK1 — DilmaDebochada_ (@eudilminha_) August 20, 2025 E esse áudio do Silas Malafaia pro Bolsonaro? Cara, nem parece que é pastor. Tá mais pra gangster. O vocabulário do cara, palavrões, ódio carregado… pic.twitter.com/z2jb8QOF13 — Jéferfon Menezes (@JefinhoMenes) August 20, 2025 petra costa vendo as últimas notícias sobre o malafaia depois que o doc já tá lançado pic.twitter.com/OeR5VGPGgO — daniel duncan (@daniduncan) August 20, 2025 Em um único dia de agosto Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram indiciados e a polícia fez busca e apreensão na casa do pastor Silas Malafaia. A melhor notícia desse mês é sempre a próxima pic.twitter.com/BK819r0XWB — Matheus (@matheuscaseca) August 20, 2025 Silas Malafaia no seu momento mais religioso: pic.twitter.com/DRO7oVOR7x — Rodrigo Luis Veloso (@rodrigoluisvelo) August 21, 2025 Vocês estão se esbaldando com os áudios do Silas Malafaia ao Bolsonaro, mas gosto mesmo é desse aqui do saudoso Boechat ao Silas Malafaia que, a propósito, completa 10 anos. Estamos velhos. pic.twitter.com/tucGE30E0w — Alexandre Reis (@alexreis25) August 21, 2025 Por que Silas Malafaia está sendo investigado? O pastor foi oficialmente incluído no inquérito que apura possíveis manobras para obstruir o julgamento no STF sobre a tentativa de golpe de Estado. A PF o associa como articulador de sanções internacionais (como o “tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky) com o intuito de pressionar o Judiciário; Em 20 de agosto, ao desembarcar no Aeroporto do Galeão (RJ), Malafaia teve seu celular apreendido e seu passaporte retido como parte das medidas cautelares determinadas pela PF. Ele também está proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados; O relatório da PF que recomendou o indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de direito também inclui Malafaia como parte das ações associadas à interferência no julgamento da trama golpista no STF; A PF detectou que Malafaia, junto com Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo, teria tido atuação relevante na tentativa de interferir politicamente no Supremo Tribunal Federal por meio da articulação de sanções econômicas e judiciais contra o Brasil

Antes da chegada da primavera, Bolsonaro deverá ver o sol nascer quadrado

PAPUDA À VISTA – STF define data para julgamento de Bolsonaro e quadrilha golpista: 2 de setembro Presidente da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cristiano Zanin já teria definido o dia 2 de setembro, uma terça-feira, para dar início ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e do núcleo crucial da organização criminosa que tentou um golpe de Estado no Brasil. Zanin reservou as terças-feiras do mês de setembro para levar o caso a julgamento: foram convocadas sessões para os dias 2 e 9 de setembro, das 14h às 19h, para o julgamento da ação penal referente à trama golpista. Ficaram agendadas, ainda, sessões extraordinárias nos dias 2, 3, 9, e 10, das 9h às 12h, e 12 de setembro, das 14h às 19h. Na quinta-feira (14), Alexandre de Moraes comunicou Zanin sobre a liberação do processo para entrar na pauta, após o recebimento das alegações finais da defesa de Jair Bolsonaro. “Considerando o regular encerramento da instrução processual, o cumprimento de todas as diligências complementares deferidas, bem como a apresentação de alegações finais pela Procuradoria-Geral da República e por todos os réus, solicito ao excelentíssimo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, dias para julgamento presencial da presente ação penal”, escreveu o relator, Moraes, no despacho. O núcleo crucial é composto por Bolsonaro; o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Augusto Heleno; o ex-ajudante de ordens, Mauro Cid; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e o ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. Negação Na quarta-feira (13), adefesa de Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) suas alegações finais no processo em que é acusado de participar da trama para promover um golpe de Estado e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E negou as acusações. “Em momento algum Jair Bolsonaro praticou qualquer conduta que tivesse por finalidade impedir ou dificultar a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo contrário, sempre defendeu e reafirmou a democracia e o Estado de Direito”, afirma o documento, que tem quase 200 páginas. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro exerceu papel de líder da organização criminosa que articulou a tentativa de golpe e seria o principal beneficiário caso o plano fosse bem-sucedido. A defesa, porém, alega que “o réu jamais aderiu a qualquer suposta conspiração” e que “as acusações são fruto de ilações e interpretações distorcidas de atos e falas descontextualizados”. Os advogados do ex-presidente sustentam que “não há nos autos prova idônea que demonstre que Jair Bolsonaro tenha, de qualquer forma, atentado contra o livre exercício dos Poderes constitucionais, tampouco instigado terceiros a fazê-lo”. Nas alegações finais apresentadas em julho, a PGR pontua que o ex-presidente instrumentalizou o aparato estatal e operou em “esquema persistente” de ataque às instituições públicas após o resultado das eleições presidenciais. “Com o apoio de membros do alto escalão do governo e de setores estratégicos das Forças Armadas, mobilizou sistematicamente agentes, recursos e competências estatais, à revelia do interesse público, para propagar narrativas inverídicas, provocar a instabilidade social e defender medidas autoritárias”, disse o procurador-geral da República Paulo Gonet. Punhal Verde e Amarelo Entre os pontos centrais, a defesa contesta a acusação de liderança nos atos de 8 de janeiro de 2023. “Os invasores de 8 de janeiro, por essa narrativa, precisam de um chefe. De um líder. Nem a parcial Polícia Federal enxergou essa liderança. Nenhum dos réus afirmou a existência da liderança do ora Peticionário”, diz o texto. Segundo os advogados, “não há uma única prova” que vincule Bolsonaro ao plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, aos “Kids Pretos” ou diretamente à invasão das sedes dos Três Poderes. Contudo, de acordo com a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, o plano “Punhal Verde Amarelo” foi arquitetado e levado ao conhecimento do então presidente da República, “que a ele anuiu, ao tempo em que era divulgado relatório em que o Ministério da Defesa se via na contingência de reconhecer a inexistência de detecção de fraude nas eleições”. “O plano se desdobrava em minuciosas atividades, requintadas nas suas virtualidades perniciosas. Tinha no Supremo Tribunal Federal o alvo a ser ‘neutralizado’. Cogitava o uso de armas bélicas contra o ministro Alexandre de Moraes e a morte por envenenamento de Luiz Inácio Lula da Silva”, ressalta a denúncia da PGR. Queixa contra a imprensa O documento também critica o que chama de “era das narrativas” e o papel da imprensa no caso. “Uma parte expressiva do país, a maioria da imprensa, não quer um julgamento, quer apenas conhecer a quantidade de pena a ser imposta”, argumenta a defesa, acrescentando que reportagens com “fontes não identificadas” especularam datas e locais de prisão, o que reforçaria um “julgamento antecipado”. Sobre a chamada “minuta golpista”, a PGR afirma que Bolsonaro teria aprovado um decreto para prender autoridades e intervir no TSE, mas a defesa rebate: “De todo modo, é certo que não houve assinatura de decreto algum, não resultando, dali, qualquer ação, quanto mais efetivamente armada.” Nas alegações finais enviadas ao STF, a Procuradoria-Geral da República afirmou haver provas de que a minuta de decreto golpista foi apresentada por Bolsonaro ao Alto Comando do Exército. “É certa, também, a realidade da convocação do Alto Comando do Exército para apresentação, pelo presidente da República, de medidas de exceção que impediriam a posse do novo governo eleito”, afirmou a PGR. Delação de Mauro Cid Outro ponto abordado nas alegações finais da defesa do ex-presidente é a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Os advogados questionam provas obtidas a partir da delação e afirmam que a acusação “selecionou apenas as provas que interessavam, ignorando elementos que poderiam beneficiar o réu”. Para eles, a denúncia carece de base concreta, e a análise dos autos “revela um vazio probatório e narrativo”. O julgamento do caso no STF deve ocorrer nas próximas

Gilberto Gil notifica padre que insultou Preta com intolerância religiosa

Padre é investigado na polícia por conta das falas consideradas preconceituosas. Diocese diz que sacerdote prestará todos os esclarecimentos Gilberto Gil notificou extrajudicialmente, nesta quinta-feira (14), a Diocese de Campina Grande e o padre Danilo César, da Paróquia de Areial, na Paraíba, por declarações feitas durante uma missa que relacionaram a morte de Preta Gil a religiões de matriz africana. As informações são do G1. O caso provocou repercussão nacional, gerou indignação de entidades religiosas e resultou na abertura de um inquérito policial por intolerância religiosa. A notificação, confirmada pela equipe do cantor, cobra retratação pública formal no mesmo canal onde a missa foi transmitida. Gil argumenta que, passados mais de 15 dias do episódio, não houve pedido de desculpas ou contato com a família. O documento também solicita a responsabilização eclesiástica do sacerdote, com adoção de medidas disciplinares no prazo de dez dias úteis. Em nota, a Diocese de Campina Grande afirmou que o padre prestará esclarecimentos aos órgãos competentes. O religioso, até o momento, não foi localizado para comentar o caso. A polêmica começou durante a homilia de um culto realizado no domingo (27), na cidade de Areial, no chamado 17º Domingo do Tempo Comum. Ao falar sobre pedidos de saúde e sofrimento, o padre disse: “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”. A notificação enviada por Gilberto Gil afirma que, ao comentar o caso, o padre desqualificou religiões de matriz africana, referindo-se a elas como “forças ocultas” e manifestando desejo de que “o diabo levasse” seus praticantes. O texto aponta “enorme desrespeito” ao luto da família e à memória de Preta Gil, além de destacar que a conduta configura crime previsto no Código Penal, com pena de dois a cinco anos. Para o músico, a gravidade aumenta por ter sido dita durante função sacerdotal, o que pode incentivar a intolerância entre fiéis. A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, de Areial, classificou as falas como preconceituosas e registrou o primeiro boletim de ocorrência contra o padre. O presidente da entidade, Rafael Generiano, declarou que condena as declarações e pediu providências. Outros dois boletins de ocorrência pelo mesmo fato foram registrados. Segundo a Polícia Civil, o inquérito é conduzido pela delegada Socorro Silva, que já iniciou a oitiva de testemunhas. O padre ainda será ouvido. O prazo para conclusão é de 30 dias, podendo ser prorrogado conforme a necessidade das investigações.

Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, é preso em operação do MP

Ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos; além dele, outro empresário e um fiscal de tributos estadual também foram presos O empresário Sidney Oliveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, foi preso na manhã desta terça-feira (12) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria da Fazenda do Estado. As informações são do jornalista César Tralli, da TV Globo. A reportagem tenta contato com a empresa. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC) e tem como objetivo desarticular um grupo acusado de favorecer empresas do varejo em troca de propina. Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão temporária: o de um fiscal de tributos estadual, apontado como principal operador do esquema, e os de dois empresários beneficiados, Sidney Oliveira e um executivo da Fast Shop.

Augusto Melo sofre impeachment e deixa presidência do Corinthians

Ex-presidente do clube é afastado após votação histórica e é alvo de denúncias criminais relacionadas a contrato de patrocínio com empresa de apostas Augusto Melo foi definitivamente afastado da presidência do Corinthians após uma segunda votação de impeachment realizada neste sábado (9). Melo já estava afastado temporariamente desde maio, quando o Conselho Deliberativo aprovou sua destituição em primeira instância. A votação mobilizou cerca de 2 mil associados do clube. O resultado final foi expressivo: 1.413 votos favoráveis ao impeachment, contra 620 contrários, além de quatro votos em branco ou nulos. Play Video Com a conclusão do processo, cabe agora a Romeu Tuma Júnior, presidente do grupo responsável pela condução do impeachment, convocar novas eleições. Desta vez, a escolha será indireta, ou seja, restrita aos conselheiros do Corinthians, com mandato previsto até dezembro de 2026. O atual presidente interino, Osmar Stabile, deve oficializar sua candidatura nos próximos dias e é apontado como principal favorito para assumir a presidência do clube. A saída definitiva de Augusto Melo ocorre em meio a uma investigação policial sobre irregularidades no contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a empresa de apostas Vai de Bet. A Polícia Civil apontou irregularidades na intermediação do acordo, que envolvia um valor bilionário. Por conta disso, Melo, juntamente com Marcelo Mariano dos Santos, Sérgio Lara Muzel de Moura e Alex Fernanda André, virou réu por crimes como associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Outros envolvidos respondem apenas por lavagem de dinheiro

Motta pede o afastamento de Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante e mais 12 deputados

Presidente da Câmara dos Deputados enviou à Corregedoria da Casa os pedidos de suspensão de 6 meses dos mandatos dos parlamentares denunciados O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou nesta sexta-feira (8) o pedido de afastamento por até seis meses de 14 deputados da oposição que organizaram o motim e de uma deputada governista, acusada de agressão. O pedido de Hugo Motta será encaminhado ao Conselho de Ética, que analisará caso a caso e deliberará sobre as respectivas punições. Entre os acusados estão os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sóstenes Cavalcantes (PL-RJ), que lideraram o motim. Motim na Câmara teve ao menos 2 bolsonaristas armados na chegada de Motta A deputada Camila Jara (PT-MS), que foi acusada pelo PL de ter agredido Nikolas Ferreira, não foi denunciada pela Mesa Diretora. Os deputados denunciados por Motta são: Marcos Pollon (PL-MS) Zé Trovão (PL-SC) Júlia Zanatta (PL-SC) Marcel van Hattem (Novo-RS) Paulo Bilynskyj (PL-SP) Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) Nikolas Ferreira (PL-MG) Zucco (PL-RS) Allan Garcês (PL-TO) Caroline de Toni (PL-SC) Marco Feliciano (PL-SP) Bia Kicis (PL-DF) Domingos Sávio (PL-MG) Carlos Jordy (PL-RJ) Em nota, a Mesa Diretora da Câmara afirmou que “se reuniu nesta sexta-feira, 8 de agosto, para tratar das condutas praticadas por diversos deputados federais nos dias 5 e 6. A fim de permitir a devida apuração do ocorrido, decidiu-se pelo imediato encaminhamento de todas as denúncias à Corregedoria Parlamentar para análise.”