Pai e filho bolsonaristas são alvos de operação da PF por desvio de emendas

O ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que foi líder do governo Bolsonaro (PL) no Senado, e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) são investigados por suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e fraudes em licitações públicas. A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos para investigar suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e fraudes em licitações públicas. Entre os alvos estão o ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que foi líder do governo Bolsonaro (PL) no Senado, e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE). A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e cumpre 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.Segundo o Estadão, investigadores apontam para indícios da atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado licitações para uma empresa ligada ao grupo.Parte dos recursos obtidos nesses contratos seria utilizada para pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Os contratos sob suspeita envolvem valores bilionários e estariam relacionados a repasses destinados ao município de Petrolina, berço político da família Bezerra Coelho e onde Miguel Coelho, outro filho do ex-senador, foi prefeito entre 2017 e 2022.De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da operação é apurar crimes como frustração do caráter competitivo de licitações, fraude em contratos, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.“A investigação aponta para existência de uma organização composta por agentes públicos e privados suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo, com posterior utilização dos valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio”, informou a PF em nota. Quem são os Fernando CoelhoFernando Bezerra Coelho e seu filho são integrantes de uma tradicional família política de Pernambuco, sendo que o pai exerceu diversos cargos ao longo da carreira. Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1987, durante a redemocratização, e chegou ao Senado em 2015. Entre 2011 e 2013, ocupou o Ministério da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff (PT).Após o impeachment, aproximou-se do MDB e integrou a base do governo Michel Temer, além de ter sido líder do governo Jair Bolsonaro no Senado. Seu filho Fernando Coelho Filho também ocupou cargos de destaque, incluindo o Ministério de Minas e Energia durante a gestão Temer.As investigações apontam que as emendas parlamentares destinadas a Petrolina podem ter sido utilizadas como base para o esquema. A cidade concentra a influência política da família e também atividades empresariais ligadas ao grupo. A PF busca agora reunir provas sobre a destinação dos recursos e a eventual participação de servidores públicos e empresários nas irregularidades.Foi em Petrolina também que uma emenda de R$ 22 milhões levantou a suspeita de financiar um empreendimento que atende diretamente aos interesses empresariais da família. Parte da obra passa por um terreno pertencente a uma empresa cujo sócio é irmão de Bezerra; a área foi parcialmente desapropriada, e o valor da indenização ainda está em negociação. A verba financiou 84% do projeto inicial, orçado em R$ 26 milhões.A Operação Vassalos representa mais um capítulo das investigações sobre o uso de emendas parlamentares e o direcionamento de contratos públicos no país.O Supremo Tribunal Federal acompanha o caso devido ao foro privilegiado de alguns dos investigados. Até o momento, não houve manifestação pública dos citados sobre as acusações, e as apurações seguem sob sigilo.
Gilmar Mendes suspende penduricalhos de membros da justiça e do MP

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão do pagamento de verbas indenizatórias sem previsão legal, conhecidas como penduricalhos, a integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público em todo o país. A decisão atinge benefícios concedidos com base em legislações estaduais, atos administrativos e normas infralegais. Na decisão, o ministro estabeleceu que os tribunais de Justiça e os Ministérios Públicos estaduais suspendam, no prazo máximo de sessenta dias, o pagamento dessas verbas quando fundamentadas em leis locais. Já os pagamentos baseados exclusivamente em decisões administrativas ou atos normativos secundários deverão ser interrompidos em até quarenta e cinco dias.A medida também se aplica ao Poder Judiciário Federal e ao Ministério Público da União. Segundo o entendimento do ministro, após o término dos prazos fixados, somente poderão ser pagos valores expressamente previstos em leis aprovadas pelo Congresso Nacional, desde que regulamentados, quando necessário, por ato conjunto do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.Gilmar Mendes alertou que, encerrados os prazos, o pagamento de qualquer verba em desacordo com a decisão configurará ato atentatório à dignidade da Justiça. Nesses casos, as condutas deverão ser apuradas nas esferas administrativa, disciplinar e penal, sem prejuízo da obrigação de devolução dos valores recebidos indevidamente.Para o ministro, o regime remuneratório de magistrados e membros do Ministério Público deve obedecer a critérios de uniformidade em todo o território nacional. Ele ressaltou que a atuação do CNJ e do CNMP deve se limitar à regulamentação do que estiver claramente previsto em lei, com indicação precisa da base de cálculo, do percentual aplicado e do teto do benefício.Na avaliação de Gilmar Mendes, as verbas indenizatórias estão sujeitas à exigência constitucional de isonomia. Segundo ele, a ausência de uma normatização nacional tem permitido distorções relevantes, especialmente no âmbito da Justiça Estadual, onde esses benefícios possuem maior abrangência em comparação com a Justiça Federal.O ministro apontou que essa diferença gera disparidades significativas nos valores efetivamente recebidos por magistrados estaduais, quando comparados aos juízes federais. Diante disso, destacou que os subsídios de desembargadores e procuradores-gerais dos Tribunais de Justiça devem permanecer estritamente vinculados aos subsídios dos ministros do STF, respeitando o percentual constitucional.Gilmar Mendes também criticou o que classificou como proliferação descoordenada de verbas indenizatórias, afirmando que esse cenário compromete os princípios que regem o Poder Judiciário Nacional e dificulta o controle sobre a constitucionalidade dos benefícios e sobre os gastos públicos com pessoal.A decisão do ministro reforça entendimento adotado recentemente pelo colega Flávio Dino, que proibiu a edição e aplicação de novas normas que ampliem parcelas remuneratórias e indenizatórias acima do teto constitucional. O Supremo Tribunal Federal deverá analisar o mérito dessa decisão nos próximos dias.
Dino proíbe novas leis que garantam “penduricalhos” acima do teto

Em decisão, ministro do STF complementa regras sobre penduricalhos Em uma decisão complementar proferida nesta quinta-feira (19), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a publicação e a aplicação de novas leis sobre o pagamento a servidores públicos de parcelas remuneratórios e indenizatórias que ultrapassem o Teto Constitucional, os chamados “penduricalhos”. “Essa determinação vale inclusive para a edição de novos atos normativos pelos Poderes ou órgãos constitucionalmente autônomos”, destacou o ministro. Segundo ele, a decisão visa a “esclarecer e complementar” a decisão liminar do último dia 5, quando o ministro determinou a suspensão de pagamentos realizados sem previsão legal expressa. A decisão estende o bloqueio dos pagamentos também ao reconhecimento de supostos direitos retroativos que não eram pagos até a data da liminar original. E mantém o prazo de 60 dias para “todos os órgãos publicarem as verbas remuneratórias e indenizatórias que despendem, com a indicação específica das leis que as fundamentam”, ou da norma que as legitimam, no caso de ato infralegal. A medida se aplica a instituições federais, estaduais e municipais que, na prática, deverão publicar e dar publicidade à folha de pagamento detalhada de seus servidores. Na liminar do último dia 5, Dino já tinha destacado que, “para quem manuseia dinheiro público”, “não bastam expressões genéricas como: “direitos eventuais”; “direitos pessoais”; “indenizações”; “remuneração paradigma”, entre outras constantes de Portais de Transparência”, que devem ser substituídas por indicações precisas que permitam o controle sobre os gastos públicos. Teto Constitucional A determinação ocorre no âmbito de uma ação que contesta o pagamento de verbas a agentes públicos que elevam os vencimentos mensais a patamares superiores ao teto máximo do funcionalismo, atualmente de R$ R$ 46.366,19 (valor que corresponde ao subsídio pago aos ministros do STF). Em sua mais recente manifestação, tornada pública esta manhã, Dino e sua assessoria reproduzem argumentos jurídicos segundo os quais a ausência de uma lei nacional sobre o tema, conforme exigido pela Emenda Constitucional nº 135/2024, impede que órgãos e poderes autônomos criem gratificações ou indenizações por conta própria. O caso agora segue para o referendo do Plenário do STF, que deve apreciar a questão no próximo dia 25, quando já estava agendada a votação da liminar inicial. “No tocante aos agravos e embargos interpostos, aguarde-se a apreciação quanto ao referendo da liminar pelo Plenário do STF, quando serão estabelecidos os contornos da tutela liminar antes deferida e agora complementada”, decretou Dino.
Patriotas exultam o descenso da Acadêmicos de Niterói como se fosse a queda da Bastilha

Setores da direita e da extrema-direita brasileiras comemorando o rebaixamento de uma agremiação como se tivessem conquistado Stalingrado, tudo porque a escola ousou homenagear Lula * Por Georgino Neto Acabo de chegar de viagem e vejo, assombrado, setores da direita e da extrema-direita brasileiras comemorando o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói como se tivessem conquistado Stalingrado, tudo porque a escola ousou homenagear Luiz Inácio Lula da Silva. É curioso. Passam o ano denunciando a “politização de tudo”, mas, ao menor sinal de alegoria que não lhes agrade, transformam planilhas de jurados em plebiscitos ideológicos. A comissão de frente vira urna eletrônica, o quesito harmonia torna-se termômetro moral e a nota 9,8 é interpretada como voto de protesto. Nunca a hermenêutica carnavalesca foi tão aplicada. A cena é quase um desbunde do conservadorismo moral à brasileira: patriotas exultando diante do descenso de uma agremiação como se fosse a queda da Bastilha. Não se discutem critérios técnicos, evolução, bateria, fantasias, mas a presença simbólica de um personagem político. O rebaixamento deixa de ser resultado artístico e converte-se em catarse partidária. É a estetização da revanche. Lembro-me de Friedrich Nietzsche, que advertia sobre o ressentimento como motor moral de certas paixões. Há algo desse pathos na celebração ruidosa: não é o amor à forma, ao samba, ao rigor plástico; é a satisfação íntima de ver o “outro” punido, ainda que por vias carnavalescas. Troca-se a crítica estética pelo deleite punitivo. O mais fascinante é que muitos dos que comemoram juram defender a liberdade artística, desde que a arte não ouse contrariar suas convicções. Querem um Carnaval apolítico, neutro, higienizado de figuras que despertem paixões. Um Carnaval, portanto, sem história. O que é quase um oxímoro, pois desde os cordões do início do século XX a avenida é palco de crônica social, sátira e comentário político. No fundo, o que se celebra não é a queda de uma escola, mas a ilusão de que a cultura pode ser disciplinada como quartel: quem sai da linha, desce de grupo. O problema é que a arte, como o samba, insiste em escapar da marcha reta. Ela prefere o compasso sincopado, esse território onde a sociedade se vê, às vezes deformada, às vezes exaltada, mas sempre refletida. Se a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada, isso pertence ao regulamento. Já a euforia ideológica diante do fato pertence a outra esfera: a do desejo de domesticar símbolos. E nesse quesito, ironicamente, quem parece ter perdido a harmonia não foi a bateria. -Georgino Neto- *Georgino Jorge de Souza Neto é professor da Unimontes, escritor, diretor do Museu Regional do Norte de Minas, especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutor em Estudos do Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
4º TITULO – Viradouro é a campeã do Carnaval do Rio de Janeiro

Escola de samba trouxe um samba-enredo em homenagem a Ciça, mestre de bateria da própria escola A escola de samba Unidos do Viradouro venceu o Carnaval do Rio de Janeiro de 2026, conquistando seu quarto título. A escola atingiu 270 pontos e se sagrou campeã. A Viradouro cantou a vida e obra de Mestre Ciça, mestre de bateria da própria escola, um dos personagens mais queridos do Carnaval carioca, que está em plena atividade.“Niterói está em festa. Nem sei o que dizer”, disse mestre Ciça, ao portal UOL.O desfile foi considerado um dos mais emocionantes do Carnaval carioca deste ano. Além de irreverente. Mestre Ciça conduziu a bateria, depois utilizou uma moto para voltar ao último carro alegórico, onde era integrante para a homenagem, ao lado da atriz Juliana Paes.Mestre Ciça começou no carnaval como passista em 1971, na Unidos de São Carlos (atual Estácio de Sá). Ele esteve à frente da bateria da Estácio de Sá entre 1988 a 1997. Durante o ano de 1998 ele foi diretor de bateria da Unidos da Tijuca. A chegada à Viradouro se deu em 1999. Foi Ciça que no carnaval de 2007, organizou um desfile com a bateria indo até o recuo da passarela do samba em cima de um carro alegórico.A Beija-Flor de Nilópolis ficou em segundo lugar, com 269.9 pontos, com um samba-enredo sobre o Bembé, a maior festa de candomblé de rua do mundo.Vila Isabel (3º), Salgueiro (4º), Imperatriz Leopoldinense (5º) e Mangueira (6º) completam o desfile das campeãs no próximo sábado (21).A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acabou rebaixada, com 264.6 pontos.
Lula sanciona, com vetos, reajuste salarial para cargos do Legislativo

Penduricalhos vetados permitiam salários acima do teto constitucional O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou as leis que reajustam os salários e reestruturam as gratificações de servidores do Legislativo.Lula vetou trechos que previam os chamados penduricalhos, que permitiriam o pagamento acima do teto constitucional, que hoje é de R$ 46.366,19.Os textos, aprovados pelo Congresso Nacional, foram publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18): leis nº 15.349 (Câmara dos Deputados), nº 15.350 (Senado Federal) e nº 15.351 (Tribunal de Contas da União).“A sanção parcial mantém recomposição prevista para 2026 e moderniza as carreiras. Foram vetados escalonamentos após o atual mandato, licença compensatória com possibilidade de indenização acima do teto e regras que contrariavam a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explicou a presidência da República, em comunicado.Os chamados penduricalhos, que foram vetados, são os aumentos graduais nos salários de 2027, 2028 e 2029; pagamentos retroativos de despesas continuadas; e a criação de uma licença compensatória que previa dias de folga que poderiam ser convertidos em dinheiro no caso de atividades extras, como sessões noturnas, auditorias e plantões.Lula também vetou regras que previam forma de cálculo semestral para aposentadorias e pensões.Foram mantidos os dispositivos que estabelecem a recomposição remuneratória para 2026 nas três carreiras do Legislativo.Além disso, foi criada uma gratificação de desempenho para os servidores efetivos tanto da Câmara quanto do Senado que vai variar de 40% a 100% sobre o maior vencimento básico. Ela substituiu a gratificação em vigor e está sujeita ao teto constitucional.No caso do TCU, houve ampliação do número de cargos, elevação dos níveis de funções de confiança e a exigência de nível superior para todos eles. Os cargos efetivos nas três instituições ainda ficam reconhecidos como carreiras típicas de Estado, o que dá mais segurança jurídica a esses servidores.
Ministro do STF defende Moraes e diz que atacá-lo virou “esporte da moda”

Magistrado afirma que Brasil virou “vale-tudo” após servidores da Receita Federal vazarem dados da esposa do colega Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa de Alexandre de Moraes após reclamações sobre a decisão que autorizou operação da Polícia Federal no inquérito sobre vazamento de dados de integrantes da Corte e familiares. Ao comentar a reação ao caso, ele afirmou que os ataques ao colega viraram “esporte da moda”.Segundo a coluna de Carla Araújo, o mesmo magistrado argumentou que a quebra de sigilo sem autorização judicial não pode ser relativizada. Para ele, esse “é o problema do ‘vale tudo’ que virou o Brasil”. E completou: “Até quem poderia ter razão perde a razão”.O ministro argumentou que, como a apuração envolve possível violação de dados de membros do próprio Supremo, caberia à Corte decidir sobre o caso. Segundo ele, pelo critério de prevenção em temas que atingem o STF como instituição, o relator natural seria Moraes.Ainda de acordo com o magistrado, o vazamento pode ter diferentes motivações. “O vale tudo também tem essa dimensão financeira”, disse, ao mencionar que a divulgação de dados poderia ocorrer tanto para venda quanto por “motivos ideológicos”. A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) divulgou nota pública manifestando “preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal”.A Receita Federal também se pronunciou, afirmando que não tolera desvios, “especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”. O órgão informou que existe “prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente”.Sob reserva, o ministro criticou a versão apresentada pelo auditor que alegou ter acessado, por engano, o nome da enteada de Gilmar Mendes. Para ele, a justificativa não elimina a gravidade do episódio.O magistrado também rebateu a tese de que o caso deveria tramitar na primeira instância. “Significaria dizer que desceria e subiria, pois a primeira instância não pode apurar eventuais indícios de crimes dos próprios ministros do STF. Só a PGR pode opinar e só o STF pode decidir”. Ainda assim, reconheceu as limitações do modelo atual: “É o que temos. Um horror sem fim”.
Ministros veem Fachin isolado e relatam desconfiança interna após caso Toffoli

Após a reunião que confirmou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, ministros do Supremo Tribunal Federal relataram um ambiente interno marcado por desconfiança e avaliaram que o presidente da Corte, Edson Fachin, se encontra politicamente isolado dentro do tribunal. Segundo relatos, o episódio aprofundou tensões já existentes entre os integrantes do colegiado.Pelo menos quatro ministros manifestaram insatisfação com a condução adotada por Fachin ao dar seguimento a um relatório produzido pela Polícia Federal que mencionava um membro do próprio Supremo. Para esses magistrados, o documento deveria ter sido arquivado de forma imediata, sem prosperar como arguição formal, uma vez que não houve supervisão judicial prévia.Durante a conversa reservada realizada na quinta-feira, Fachin teria insistido em mais de uma ocasião para que a arguição de suspeição contra Dias Toffoli fosse levada a julgamento em plenário já na sexta-feira seguinte. A postura foi recebida com forte resistência por parte de colegas, que avaliaram a iniciativa como uma exposição pública indevida de um ministro da Corte.Na avaliação de integrantes do tribunal, submeter um ministro a esse tipo de julgamento imediato equivaleria a lançá-lo à pressão pública, situação considerada incompatível com a expectativa institucional em relação ao papel do presidente do STF. A percepção dominante foi a de que caberia à presidência agir para preservar o colegiado em um momento sensível.A petição apresentada pela Polícia Federal sugere hipóteses criminais envolvendo Toffoli no contexto das investigações sobre o Banco Master. O Supremo autuou o documento como arguição de suspeição, e Fachin solicitou manifestação formal do colega citado. Embora a nota pública divulgada após a reunião tenha sido assinada por todos os ministros, sinalizando unidade externa, os debates internos revelaram divisões claras.Segundo relatos, formaram-se dois polos distintos: de um lado, Fachin e a ministra Cármen Lúcia; de outro, os demais integrantes do tribunal. Para esses ministros, o isolamento do presidente se agrava pela ausência de garantias de que ele adotará postura de defesa institucional dos pares diante de eventuais novas crises, especialmente em um ano eleitoral.Auxiliares de Fachin, por sua vez, argumentam que o presidente reconhece a importância do chamado espírito de corpo no Supremo, mas ressaltam que a agenda de ética é prioridade absoluta de sua gestão. Na visão do entorno do ministro, ignorar o relatório da Polícia Federal seria inviável, dado o potencial explosivo do conteúdo, classificado como extremamente sensível.A reunião resultou em um acordo político interno. O Supremo divulgou uma nota reafirmando a integridade de Toffoli e a validade de todos os atos por ele praticados até então. Em contrapartida, o ministro optou por deixar a relatoria do processo, justificando a decisão pelo interesse institucional e pelo bom andamento dos trabalhos da Corte.O desgaste de Fachin com parte dos colegas, no entanto, não se restringe ao episódio do Banco Master. Antes disso, o presidente já havia enfrentado resistência ao propor a elaboração de um código de conduta para os ministros do STF, inspirado no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha.A proposta prevê, entre outros pontos, a divulgação obrigatória de valores recebidos por ministros em razão da participação em eventos e palestras. Embora tenha recebido apoio de presidentes de outros tribunais superiores e de ex-presidentes do Supremo, a iniciativa encontrou oposição interna, sobretudo dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.O vazamento de trechos da reunião reservada também contribuiu para aprofundar o clima de desconfiança. Segundo um ministro ouvido pela Folha de S.Paulo, a divulgação de falas literais evidenciou que o STF atravessa um momento de fragilidade e falta de coesão.A reunião contou apenas com a presença dos dez ministros, sem assessores. Fora de Brasília, Luiz Fux e André Mendonça participaram por videoconferência, enquanto os demais estiveram reunidos presencialmente no gabinete da presidência, em um encontro considerado decisivo para a atual dinâmica interna da Corte.
Banco Pleno, liquidado pelo BC, era dirigido por 2 ex-ministros de Bolsonaro

Imprensa corporativa tenta ligar o banqueiro dono ao PT, mas administração da instituição insolvente e arruinada era feita por figuras ligadas ao ex-presidente de extrema direita preso Enquanto as manchetes dos veículos da mídia corporativa tentam, em uma manobra de malabarismo retórico, associar a derrocada do Banco Pleno a figuras do governo do presidente Lula (PT), os documentos oficiais do Banco Central revelam uma realidade bem distinta. A instituição, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC nesta quarta-feira (18), não era apenas um satélite do colapsado Banco Master; ela servia de abrigo para gente do “alto escalão” do governo de Jair Bolsonaro. Diferente da narrativa que tenta colar a imagem do dono do banco, Augusto Ferreira Lima, aos ex-governadores baianos Rui Costa e Jacques Wagner, do PT, hoje respectivamente ministro da Casa Civil e senador da República, por supostas “amizades”, a estrutura de comando do Pleno era ocupada, de facto e efetivamente, por dois ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro. A prova documental: O “ninho” bolsonarista no Pleno O Comunicado n° 43.628, publicado pelo Banco Central em 7 de agosto de 2025, expõe a espinha dorsal da administração da instituição agora liquidada. Nele, consta que a cúpula do banco era formada por nomes centrais do governo anterior. No Conselho de Administração estava Figura Flávia Carolina Peres Lima (conhecida como Flávia Arruda), ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (SEGOV) de Bolsonaro. Flávia, que controlava a articulação política do Planalto, sentava-se à mesa diretora ao lado do próprio Augusto Lima, que é seu marido. Na Diretoria Executiva, o comando operacional cabia a Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Bento, que geriu o Ministério responsável pelo Auxílio Brasil durante o período eleitoral de 2022, aparece no organograma oficial como Diretor do banco, dividindo a gestão com Renata Leme Borges dos Santos. O comunicado do Banco Central indicando os dois ex-ministros de Bolsonaro na direção do Banco Pleno Manobra de blindagem e “fake news” corporativa O esforço da imprensa tradicional em tentar “nacionalizar” a crise do Pleno puxando o PT para o centro do escândalo ignora o óbvio: a “porta giratória” entre o governo Bolsonaro e o sistema financeiro sob suspeita. O Banco Pleno, assim como o Master e o Will Bank (também liquidados), operava sob uma lógica de insolvência que agora explode no colo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um rombo estimado em R$ 52 bilhões juntando os três casos. A tentativa de vincular Augusto Lima ao governo atual baseia-se em conexões geográficas frágeis, ignorando que os administradores que assinaram pelos atos da instituição, agora sob investigação na Operação Compliance Zero, eram as mesmas mãos que operavam a máquina pública federal bolsonarista até 2022. Patrimônio bloqueado e crise sistêmica Com a decretação da liquidação, o BC determinou a indisponibilidade imediata dos bens de todos os administradores e controladores. Isso inclui não apenas o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de ordens de prisão no âmbito das investigações de fraudes bilionárias, mas igualmente os ex-ministros que integravam o comando da instituição. O caso do Banco Pleno não é um evento isolado, mas o desdobramento final de um ecossistema financeiro que floresceu sob a sombra de alianças políticas da extrema direita e que, agora, deixa uma conta bilionária para o sistema financeiro nacional pagar.
Desfile em homenagem a Lula tem ‘Bozo preso’ e Temer ‘roubando’ faixa de Dilma

Enredo da Acadêmicos de Niterói sobre petista abriu a 1ª noite no Rio, que também teve tributo a Ney Matogrosso e temas afro-brasileiros A trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o tema do enredo que marcou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, neste domingo (15). A escola levou para a Marquês de Sapucaí uma narrativa biográfica e política do ex-sindicalista de Garanhuns (PE), eleito três vezes para presidir o país pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” percorreu a saída do Nordeste, a experiência como metalúrgico no ABC paulista, a liderança sindical, as campanhas presidenciais e o retorno ao Palácio do Planalto. A agremiação, fundada em 2018, levou para a avenida alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à anulação das condenações que impediram Lula de disputar as eleições de 2018, que teve Jair Bolsonaro (PL) como vencedor. O ex-presidente de extrema direita foi retratado na figura do palhaço Bozo, que estava atrás de grades e com tornozeleira eletrônica, em referência à prisão pela condenação por tentativa de golpe. Em outro carro, uma encenação mostrou Michel Temer retirando simbolicamente a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em alusão ao golpe sofrido pela ex-presidenta em 2016. O desfile combinou esses episódios a elementos simbólicos ligados à ideia de reconstrução nacional, com destaque para a comissão de frente e para alas coreografadas que representaram momentos da história política recente. Lula assistiu à passagem da Acadêmicos de Niterói pela avenida ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD). Outros destaques Após a Acadêmicos de Niterói, que abriu a primeira noite de desfiles no Rio, outras três escolas desfilaram seus enredos na Sapucaí: Imperatriz Leopoldinense: “Camaleônico” A Imperatriz homenageou o cantor Ney Matogrosso, apresentando um desfile inspirado em sua trajetória artística. O enredo abordou diferentes fases da carreira do artista, desde o período nos Secos & Molhados até a consolidação como intérprete solo. Alas e alegorias representaram elementos ligados à performance, à teatralidade e à construção estética que marcam a presença de Ney nos palcos. A comissão de frente introduziu o tema com encenação coreografada, e os carros alegóricos organizaram visualmente os momentos da narrativa biográfica. Portela: “O Mistério do Príncipe do Bará” A Portela levou à avenida um enredo inspirado em referências afro-brasileiras, com destaque para elementos simbólicos ligados à figura de Bará. O desfile foi estruturado em alas que desenvolveram o tema de forma sequencial, enquanto os carros alegóricos apresentaram representações visuais associadas à espiritualidade e à tradição cultural evocadas no samba. A águia, símbolo da escola, apareceu integrada à concepção visual do cortejo. Mangueira: “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra” A Mangueira apresentou um enredo dedicado à figura de Mestre Sacacá, personagem associado à cultura amazônica. O desfile foi organizado em setores que exploraram referências à região Norte e à presença negra na Amazônia. A comissão de frente apresentou o conceito do enredo, e os carros alegóricos desenvolveram os aspectos culturais e simbólicos mencionados no samba-enredo, com alas coreografadas acompanhando a narrativa ao longo da pista Brasil de Fato