Lula será 2º brasileiro a ser homenageado por Academia Francesa em 390 anos

Fundada em 1635, instituição homenageou apenas 19 chefes de Estado. Primeiro brasileiro foi Dom Pedro II, em 1872. Lula cumprirá outras agendas na França no início de junho O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá uma rara homenagem em junho, na França. Ele será o segundo brasileiro, depois de Dom Pedro II, em 1872, a ter sua importância reconhecida pela Academia Francesa, fundada em 1635 pelo Cardeal Richelieu. A perspectiva é que a homenagem ocorra no início do próximo mês, durante visita do presidente brasileiro à França. Segundo noticiou o jornal O Globo, a iniciativa partiu do escritor Amin Maalouf, secretário Perpétuo da Academia, que tem como patrono o presidente Emmanuel Macron. Em 690 anos de existência, apenas 19 chefes de Estado foram agraciados pela Academia, que serviu de inspiração a Machado de Assis para a criação da Academia Brasileira de Letras. Ainda conforme noticiado, Lula será recebido como membro da instituição. Até lá, será escolhida uma palavra sobre a qual ele e demais convidados debaterão e que pode entrar para o Dicionário da Academia Francesa, com a observação de que contou com a contribuição do presidente brasileiro. A agenda de Lula ainda está sendo fechada, mas ele deverá chegar ao país no dia 3 ou 4 de junho e será recebido por Macron. Em seguida, está previsto um jantar especial no Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês. Também durante a visita, Lula receberá o título de honoris causa da Universidade Paris 8, que fica no subúrbio da capital francesa e é voltada a temas de âmbito social. No dia 7, Lula seguirá para Nice, onde será realizada a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos. Seu retorno ao Brasil deverá ocorrer no dia 9

Lula defende regulação de redes sociais contra cyberbullying após suicídio de criança

Presidente critica falta de controle sobre empresas de aplicativos e defende debate no Congresso sobre o PL das Fake News, que enfrenta resistência da oposição e pressão de gigantes da tecnologia. Durante evento em Campo Verde (MT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a necessidade de regulamentar o uso das redes sociais no Brasil, destacando os efeitos devastadores do cyberbullying e da desinformação. “É preciso discutir com o Congresso a responsabilidade de regular essas empresas. Não pode ser que tudo no país tenha controle, exceto as plataformas digitais”, afirmou, em referência ao chamado PL das Fake News , que tramita no Congresso desde 2024. O presidente mencionou, sem revelar detalhes, o caso de uma menina que cometeu suicídio após sofrer perseguição virtual por colegas . “Esses dias vi uma menina que se matou porque foi acusada e torturada pelos amiguinhos pela internet. Vocês sabem quantas ofensas e provocações uma pessoa recebe online?”, questionou, destacando o “malefício” da propagação de violência e ódio nas plataformas. PL das Fake News: aprovado no Senado, mas travado na Câmara A proposta de regulação das redes sociais, que inclui medidas para combater desinformação e responsabilizar plataformas por conteúdos ilegais, foi aprovada no Senado em 2023 , mas enfrenta obstáculos na Câmara dos Deputados. Em abril de 2024, o texto chegou a ser incluído na pauta com regime de urgência, mas não houve acordo entre partidos devido à pressão de gigantes tecnológicas (como Google, Meta e X) e à resistência da oposição, que considera a proposta uma ameaça à liberdade de expressão. Lula criticou a falta de prioridade do tema no Legislativo: “Precisamos cuidar do povo brasileiro com mais carinho. Se não regulamentarmos isso, vamos continuar vendo tragédias como a da menina, que não suportou a pressão virtual”. Combate às fake news: Lula anuncia viagem pelo país para divulgar ações do governo Além da regulação digital, o presidente anunciou planos de retomar viagens pelo Brasil para combater “mentiras, canalhices e fake news” que, segundo ele, distorcem a imagem de seu governo. “O mês que vem vou começar a andar o país para mostrar a verdade. Chegou a hora de não permitir que a mentira ganhe espaço e que a verdade seja soterrada”, afirmou, dirigindo-se a uma plateia de agricultores familiares. A estratégia busca reforçar o diálogo direto com a população, especialmente em regiões onde a desinformação tem maior alcance, e contrapor narrativas críticas à gestão petista. Investimento no campo: lançamento do Programa Solo Vivo em Mato Grosso Paralelamente à agenda digital, Lula participou do lançamento do Programa Solo Vivo , com investimento de R$ 42,8 milhões para recuperar áreas degradadas destinadas à agricultura familiar em Mato Grosso. A iniciativa visa promover práticas sustentáveis e aumentar a produtividade em pequenas propriedades rurais. O presidente destacou a importância de políticas públicas para o desenvolvimento regional: “O agronegócio precisa seguir avançando, mas com justiça social e respeito ao meio ambiente. Este programa é um exemplo de como o Estado pode transformar realidades”. Desafios na regulação e aposta na educação digital Enquanto o PL das Fake News permanece empatado no Congresso, o governo aposta na mobilização social e na conscientização sobre os riscos das redes sociais. Para especialistas, a regulação equilibrada entre liberdade de expressão e proteção de usuários é essencial para evitar tragédias como a mencionada por Lula. Enquanto isso, programas como o Solo Vivo reforçam o compromisso do Executivo com o desenvolvimento rural, consolidando uma pauta ampla de transformações

Após levar ‘pito’ de Moraes e quase ser preso, Aldo Rebelo ataca STF

Veja o que o ex-comunista que virou defensor de extremistas bolsonaristas retrucou. Ele foi fazer gracejos durante julgamento no Supremo e por pouco não foi para a cadeia Por Henrique Rodrigues – Revista Fórum Durante seu depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, no Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira (23), o ex-ministro Aldo Rebelo protagonizou um momento de ânimos exaltados ao tentar fazer ironias e gracejos diante do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em plena audiência sobre a tentativa de golpe de Estado articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A postura provocadora quase lhe rendeu voz de prisão por desacato, já que Moraes precisou o interromper e advertir que a oitiva não era palco para interpretações ou gracinhas, sinalizando que o comportamento poderia ter consequências legais imediatas. Na manhã seguinte, neste sábado (24), em tom de revanche, Rebelo publicou vídeos nas redes sociais atacando diretamente o STF. Acusou a Corte de “legislar” e de “tomar gosto por arbitrar disputas” no Congresso Nacional, afirmando que os ministros agora escolhem “delegados e ministros”, em referência à atuação institucional do Judiciário. “É uma situação quase sem limite”, declarou. “Qual a função do Legislativo, se o Supremo legisla?”, questionou em outro trecho. Aldo Rebelo, que militou por quatro décadas no PCdoB e ocupou postos estratégicos nos governos Lula e Dilma, incluindo os ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Esportes e a chefia da Secretaria de Assuntos Institucionais, abandonou completamente sua trajetória histórica à esquerda. Hoje atua como aliado político da extrema direita bolsonarista. No julgamento em questão, ele prestou depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro e que teria participado de articulações golpistas colocando suas tropas à disposição do então presidente derrotado que não queria deixar o cargo. A tentativa de Rebelo de bancar o intérprete da língua portuguesa ao responder perguntas do advogado Demóstenes Torres escancarou seu novo papel: o de figura pública que repete o tom e as táticas do bolsonarismo, inclusive com confrontos institucionais e desacato ao Judiciário

Sebastião Salgado, ícone da fotografia, morre aos 81 anos

  Morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado, um dos nomes mais respeitados da fotografia mundial. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Salgado sofria complicações de uma malária adquirida nos anos 1990. Salgado vivia em Paris, onde passou boa parte de sua vida profissional. Nascido em Aimorés, no interior de Minas Gerais, em 1944, Salgado iniciou sua carreira na fotografia em 1973, após abandonar uma promissora trajetória como economista. Desde então, percorreu mais de 100 países registrando imagens que marcaram o fotojornalismo pelas fortes dimensões humanas e sociais. Salgado ganhou reconhecimento internacional por projetos de longa duração que documentaram temas como migrações, trabalho, fome, conflitos e a relação do homem com o meio ambiente. Seu olhar, sempre empático e tecnicamente impecável, influenciou gerações de fotógrafos e provocou reflexões profundas sobre a condição humana. Em 2014, sua vida e obra foram retratadas no documentário O Sal da Terra, codirigido por Wim Wenders e por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado. O filme foi premiado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, consolidando o legado do fotógrafo também fora do universo da fotografia. Sebastião Salgado deixa dois filhos Sebastião Salgado na prosa sobre o diabo e a extrema direita *  Por Xico Sá Além de gênio da fotografia, o artista mineiro era contador de histórias de personagens do Brasil Real “O que dizer desse metal amarelo e opaco que leva homens a abandonar seus lares, vender seus pertences e cruzar um continente a fim de arriscar suas vidas, seus corpos e sua sanidade por causa de um sonho?”, perguntava, em momento de reflexão sobre suas aventuras no Brasil, o fotógrafo Sebastião Salgado, em 2019, ao inaugurar uma exposição, no Sesc Paulista, com fotografias inéditas sobre o garimpo de Serra Pelada. Indignado com o festival de notícias sobre devastações de partes da Amazônia durante o governo Bolsonaro, o fotógrafo blasfemava contra o presidente da época. No seu mineirês imbatível ­ — mesmo depois de tantos anos fora do Brasil —, Salgado dizia um rosário de adjetivos impublicáveis contra o então ocupante do Palácio do Planalto. Para completar o escárnio, coisa na linha dos resmungos de Riobaldo (no livro “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa), o artista recitava os apelidos do demo, referindo-se ao mesmo todo-poderoso da extrema direita naquele período: “O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejo.” Desabafos à parte contra Bolsonaro, voltemos a subir os barrancos de Serra Pelada. Esse era um dos seus assuntos prediletos em entrevistas e nas raras mesas de bares nas quais dei sorte de tê-lo como companheiro de prosa. Foi uma foto do formigueiro do garimpo que o ajudou a consagrar no mundo. O New York Times colocou a imagem entre as 25 que definem a ideia de era moderna. Não é pouca glória. Salgado preferia, no entanto, relembrar das sagas fantásticas de personagens que saíram em busca do ouro na Amazônia. Histórias como a do garimpeiro José Mariano dos Santos, conhecido como “Índio”, que extraiu 1.183 quilos de ouro dos barrancos de Serra Pelada, no Pará. Uma fortuna do tamanho de um prêmio da Mega-Sena especial da Virada. Em uma das tantas aventuras vividas por Índio, a mais conhecida é essa, segundo lembrava o fotógrafo. Um dia ele sentiu discriminado pela aparência no balcão de uma empresa aérea em Marabá, enquanto tentava adquirir uma passagem. No momento de revolta, não teve dúvida: pegou três sacas de dinheiro e fretou um boeing da Transbrasil para viajar sozinho com a tripulação até o Rio de Janeiro, onde encontraria uma paixão amorosa, Terezinha — dançarina que havia se apresentado em um show no garimpo com o cantor Sidney Magal. Poucos tiveram a sorte deste aventureiro que se tornou personagem de programas de TV e documentários de cinema, mas Serra Pelada ficou na memória do país com a sua imagem única de um formigueiro humano por onde passaram cerca de 100 mil brasileiros. Somente no primeiro ano de funcionamento, foram 30 mil homens em busca de riqueza. Trinta mil homens e raríssimas mulheres. Elas eram proibidas de buscar o sonho dourado. Isso não impediu que Raimunda Conceição se fantasiasse de “cabra macho”, com bigode e tudo, na tentativa de encontrar a fortuna. O eldorado brasileiro acabou juntando os destinos de Índio e de Raimunda. Depois de uma vida de extravagância, incluindo uma temporada no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, ele casou com a ex-garimpeira infiltrada, e que viria a ser sua décima terceira mulher na vida. Raimunda pegou um Índio sem um grama de ouro, mas sustentou o marido até a sua morte, em 2015, vítima de um derrame aos 61 anos de idade. Ela segue firme sobre a mesma terra onde arriscou a própria pele na corrida pela riqueza. O maior garimpo a céu aberto do mundo começou com uma pepita de ouro encontrada, ao acaso do acaso, por um morador da fazenda Três Barras, no final de 1979. A notícia se espalhou de boca em boca e começou a atrair milhares de pessoas. Em pouco tempo, a vegetação havia sido destruída pelos aventureiros — daí se deu o nome de Serra Pelada ao lugar. O fenômeno da mineração durou de 1980 a 1992. Diante da invasão de garimpeiros, o governo federal determinou que outro Sebastião, o major Curió, fosse o comandante do pedaço, responsável pela organização e disciplina. O cargo representava um prêmio pelos serviços prestados na Guerrilha no Araguaia (1967-1974) — ele ficara famoso pela perseguição, tortura e morte de militantes do PC do B. A primeira ordem de Curió foi proibir a presença de mulheres e de bebida alcóolica na área. O motivo: evitar que o lugar virasse uma zona, segundo suas palavras. O trabalho do mandachuva lhe rendeu ouro e o mandato de deputado federal, em 1982. Com

Depois de duas décadas, inicia-se a execução de R$ 2,6 milhões contra Jairo Ataide

O ex-prefeito de Montes Claros recebeu salários acima do teto constitucional e superior à de ministros do STF entre 1998 e 2000, durante seu primeiro mandato (1997–2000). Mais de 21 anos depois de ajuizada, uma Ação Popular movida contra o ex-prefeito de Montes Claros, Jairo Ataíde Vieira, chega a uma fase decisiva: o cumprimento de sentença. O processo, que tramitou durante mais de duas décadas na Justiça mineira, resultou na condenação do ex-prefeito por ter recebido remuneração acima do teto constitucional e superior à de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 1998 e 2000, durante seu primeiro mandato (1997–2000). A execução foi requerida pelo Município de Montes Claros em março de 2025, com a apresentação de planilha de cálculo atualizada que aponta um valor a ser ressarcido de R$ 2.674.557,43. A Justiça determinou a citação de Jairo Ataíde para pagamento voluntário, sob pena de bloqueio de bens. Mais de duas décadas entre a denúncia e a cobrança A Ação Popular foi proposta em novembro de 2003 pelo advogado Antonio Adenilson Rodrigues Veloso. Ele faleceu antes de ver a ação terminar. Segundo ele, o então prefeito vinha recebendo valores acima do teto constitucional, entre R$ 8 mil e R$ 12.720, fixado à época com base na remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da clareza das provas e da concordância do Ministério Público quanto à ilegalidade, o processo se estendeu por mais de duas décadas, passando por instrução, sentença de mérito, manifestações do MP, recursos e, por fim, a fase de execução, que se iniciou apenas em 2025. Remuneração do prefeito era superior à de ministro do STF Conforme demonstrado nos autos, Jairo Ataíde recebia, mensalmente, R$ 13.500,00, além de ajudas de custo semestrais de R$ 6.750,00. Em meses como outubro de 1998 e dezembro de 1999, os valores pagos ao prefeito ultrapassaram em muito o teto constitucional, chegando a mais de R$ 33 mil em um único mês. A sentença reconheceu que houve violação frontal ao artigo 37, XI, da Constituição Federal, que estabelece o teto remuneratório no serviço público. Com isso, a Justiça determinou o ressarcimento integral dos valores recebidos indevidamente, com correção monetária e juros legais. MP corroborou a tese da ilegalidade O Ministério Público de Minas Gerais atuou como fiscal da lei e se manifestou pela procedência da Ação Popular, apontando que o recebimento acima do teto constitucional configura enriquecimento ilícito e lesão ao erário, independentemente de dolo ou má-fé do agente público. Processo nº 1040200-55.2003.8.13.0433

Alckmin entrega ao Papa convite para visitar o Brasil durante a COP30

Vice-presidente assistiu à missa que celebrou pontificado do novo Papa O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, entregou ao Papa Leão XIV, uma carta na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convida para uma visita ao Brasil, em especial para a COP30, a ser realizada em Belém (PA), no mês de novembro. De acordo com a assessoria da Vice-Presidência, a entrega da carta foi neste domingo (18), após Alckmin ter assistido à missa que celebrou o pontificado do novo Papa. Na carta, Lula também lembrou que as relações entre Brasil e Santa Sé completarão 200 anos em 2026. A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP). É um encontro anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças climáticas. Neste ano, a COP30 será sediada no Brasil será na capital paraense. “Quero destacar a honra de representar o governo brasileiro no início do pontificado do Papa Leão XIV, trazer os cumprimentos do presidente Lula ao chefe de Estado do Vaticano e ao líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana. E trouxe o convite do Presidente Lula para o Papa Leão XIV para visitar o Brasil, especialmente, na COP30 em novembro em Belém”, disse Alckmin durante o encontro. Segundo o vice-presidente, que está em Roma desde sábado (17), ao promover a paz, o Papa Leão XIV traz uma “grande esperança para toda a humanidade”. O vice se reuniu com os cardeais brasileiros e com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, na embaixada do Brasil da Santa Sé. Alckmin retorna ao Brasil ainda neste domingo

China, UE e Argentina suspendem compras de carne de frango do Brasil

Foco de gripe aviária foi detectado no Rio Grande do Sul A China, a União Europeia (UE) e a Argentina suspenderam, nesta sexta-feira (16), as importações da carne de frango brasileira, inicialmente por 60 dias. A medida foi tomada após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar a detecção de um caso de vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em matrizeiro de aves comerciais localizado no município de Montenegro (RS). Apesar do foco regionalizado, as restrições da China e do bloco europeu abrangem todo o território nacional, por conta das exigências nos acordos comerciais de ambos com o Brasil. A China é o maior comprador da carne de frango brasileira, com embarques de 562,2 mil toneladas em 2024, cerca de 10,8% do total. Já a União Europeia é o sétimo principal destino das exportações nacionais, com mais de 231,8 mil toneladas comercializadas no ano passado, que representou 4,49% do total. Os dados são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). No caso da Argentina, cujo volume de importação de carne de frango do Brasil não está entre os maiores, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) do país vizinho decidiu suspender preventivamente as importações de produtos e subprodutos brasileiros de origem avícola que dependem da comprovação de que o país está livre da gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP). Além disso, o governo argentino afirmou que está tomando medidas de biossegurança e vigilância sanitária de estabelecimentos avícolas para reduzir o risco de ingresso. O foco da gripe aviária ocorreu a cerca de 620 quilômetros (km) da fronteira entre os dois países. Em nota, o Mapa disse que vai seguir o que está previsto nos acordos comerciais vigentes. “Reafirmando o compromisso de transparência e de responsabilidade com a qualidade e sanidade dos produtos exportados pelo Brasil, as restrições de exportação seguirão fielmente os acordos sanitários realizados com nossos parceiros comerciais”, informou. Restrição regionalizada A pasta destacou que tem trabalhado para que as negociações de acordos sanitários internacionais com os países parceiros reconheçam o princípio de regionalização, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), restringindo a exportação aos 10 quilômetros de raio do foco. No entanto, a própria pasta pondera que os países costumam adotar diferentes critérios de regionalização, que podem variar entre restrições locais ou regionais. Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Filipinas, por exemplo, já aprovaram a regionalização para IAAP, o que deve evitar um impacto muito generalizado nas exportações. Depois da China, esses cinco países são os maiores compradores da carne de frango brasileira, respondendo, juntos, por 35,4% do total exportado em 2024, segundo ABPA. Maior exportador de carne de frango do mundo, o Brasil vendeu 5,2 milhões de toneladas do produto, em diferentes formatos, para 151 países, auferindo receitas de US$ 9,9 bilhões. Mais de 35,3% de toda a carne de frango produzida no Brasil é destinada ao mercado externo. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 78% dessas exportações. No ano passado, um foco da doença de Newcastle (DNC), que atinge aves silvestres e comerciais, também foi identificado no Rio Grande do Sul e, após as medidas sanitárias adotadas, o próprio Ministério da Agricultura e Pecuária comunicou à Organização Mundial de Saúde Animal sobre o fim da doença, cerca de 10 dias depois. Sem risco Mais cedo, o Mapa já havia enfatizado que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos. “A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas (vivas ou mortas)”, garantiu a pasta.

Casamento entre mulheres cresce 5,9% e é recorde em 2023, mostra IBGE

Já entre homens, houve recuo de 4,9% No ano de 2023, houve 7 mil registros de casamento civil entre mulheres no Brasil. Esse número representa aumento de 5,9% em relação a 2022, sendo o maior já registrado na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) específica para uniões homoafetivas, iniciada em 2013. O recorde anterior era de 2022, com 6,6 mil celebrações. O dado faz parte do levantamento Estatísticas de Registro Civil, divulgado nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. A quantidade de matrimônios entre mulheres em 2023 fez o Brasil registrar o recorde de casamento entre pessoas de mesmo sexo, que atingiu 11,2 mil, aumento de 1,6% em relação a 2022. No entanto, ao se observar apenas os dados de união entre homens, percebe-se recuo. Foram 4.175, o que significa 4,9% a menos que em 2022. O IBGE não leva em conta casos de união estável e chegou aos números por meio de informações coletadas em quase 20 mil cartórios e varas judiciais espalhados pelo país. Desde 2013, o número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo praticamente se multiplicou por três: 2013: 3,7 mil 2023: 11,2 mil Em todos os anos, o número de casamentos entre mulheres é maior do que entre homens. Em 2023, elas representaram 62,7% do total de matrimônios homoafetivos. O ano de início da série do IBGE, 2013, é o mesmo em que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou a Resolução 175, de 14 de maio, que impede cartórios de se recusarem a converter uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo em casamentos. A medida do CNJ veio na esteira de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2011, que igualou as uniões homoafetivas às heteroafetivas. Até então, os cartórios precisavam de autorização judicial para celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo. Menos casamentos O levantamento do IBGE revela também que houve 929,6 mil casamentos entre pessoas de sexos diferentes em 2023. Somando com os homoafetivos, o Brasil chega à marca de 940,8 mil casamentos, redução de 3% na comparação com 2022. Esse patamar faz o país voltar à tendência de queda no número de uniões civis. Em 2015, foram 1,137 milhão, quantidade que foi se reduzindo até 1,025 milhão em 2019. Em 2020, ano impactado pela pandemia de covid-19, que forçou o isolamento social, foram 757 mil. O número voltou a subir em 2021 e 2022, para, novamente, regredir em 2022.   EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE CASAMENTOS NO BRASIL 2015 1,137 milhão 2019 1,025 milhão 2020 757 mil 2021 932,5 mil 2022 970 mil 2023 940,8 mil Esses dados fizeram com que a taxa de nupcialidade – número de casamentos em relação a cada grupo de 100 mil pessoas de 15 anos ou mais de idade – fosse de 5,6 em 2023. Em 1980, o índice era mais que o dobro, 12,2. Em 2020, ano de eclosão da pandemia, era 4,5. De acordo com a gerente da Pesquisa de Registro Civil, Klivia Brayner de Oliveira, a redução no número de casamentos pode ter relação com mudanças na sociedade. “Uma sociedade mais líquida”, diz. “Não é mais uma exigência das famílias, da sociedade, que a pessoa seja casada no civil. A pessoa tem mais liberdade para decidir se quer casar, se quer uma união estável – seja em cartório, seja de forma informal. Muitas vezes, o casamento é acompanhado de despesas, então as pessoas, às vezes, não querem assumir essas despesas”, completa Klivia. Uma decisão do STF de 2017 determinou que a união estável e o casamento possuem o mesmo valor jurídico em termos de direito sucessório, tendo o companheiro os mesmos direitos a heranças que o cônjuge (pessoa casada). Uma diferença é que a união estável não altera o estado civil, a pessoa continua solteira, divorciada, viúva, por exemplo. Idade Em 2023, a idade média dos cônjuges solteiros que se casaram com pessoas do sexo oposto era de 29,2 anos para mulheres e 31,5 anos para os homens. Ao observar os casais de mesmo sexo, a idade média era de 34,7 anos entre homens e 32,7 entre mulheres. O IBGE identificou que os brasileiros estão se casando mais velhos. Ao analisar os casamentos entre pessoas de sexo diferente, foi revelado que: Em 2003, 13% dos casamentos tinham cônjuge homem com 40 anos ou mais; Em 2023, eram 31,3%. Em 2003, 8,2% dos casamentos tinham cônjuge mulher com 40 anos ou mais; Em 2023, eram 25,1%. Outra tendência notada pelos pesquisadores nos casamentos entre pessoas de sexos diferentes é a queda na participação de solteiros. Em 2003, 86,9% dos registros eram como ambos solteiros. Em 2023, essa marca caiu para 68,7%. Em 2003, 12,9% dos registros eram com pelo menos um dos cônjuges divorciado ou viúvo. Em 2023, essa marca caiu para 31,1%. Divórcios A Pesquisa Estatísticas do Registro Civil revela que em 2023, o Brasil teve 440,8 mil divórcios, sendo 81% deles judiciais (360,8 mil) e 18,2% extrajudiciais (79,6 mil). O total de dissoluções cresceu 4,9% ante 2022, quando foram registrados 420 mil divórcios.   EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE DIVÓRCIOS NO BRASIL 2009 174,7 mil 2010 239 mil 2011 347,6 mil 2018 385,2 mil 2022 420 mil 2023 440,8 mil A taxa geral de divórcios – número de divórcios para cada mil pessoas de 20 anos ou mais – apresenta tendência de crescimento: 2016: 2,4 2019: 2,5 (último ano antes da pandemia) 2020: 2,1 2021: 2,5 2022: 2,8 2023: 2,8 A pesquisadora Klivia de Oliveira aponta que mudanças na legislação brasileira ajudam a explicar o crescimento do número de divórcios. “Desde 2010, existe uma facilidade, se você quer se divorciar, não precisa se separar, ter um processo de separação de um ou dois anos para depois pedir o divórcio”, contextualiza. “A legislação acompanhou a mudança dos valores da sociedade”, completa. “Também as pessoas estão, talvez, menos presas a questões sociais. Hoje você aceita normalmente. Uma pessoa quer se divorciar, se divorcia”, conclui a pesquisadora. Os homens se divorciaram em idades mais avançadas que as mulheres. Enquanto eles tinham, em média, 44,3 anos no momento da dissolução, elas tinham 41,4 anos. A pesquisa mostra que

Aprovação de Lula sobe e popularidade de Bolsonaro despenca

Pesquisa LatamPulse mostra recuperação do presidente na comparação com mês anterior A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu 1,2 ponto percentual em abril, enquanto sua rejeição caiu 3,5 pontos, segundo a pesquisa Latam Pulse divulgada nesta segunda-feira (28) pela AtlasIntel e Bloomberg. Os dados indicam uma reversão da tendência negativa registrada desde abril de 2024. Com a melhora, Lula registra seu melhor saldo entre avaliações positivas e negativas desde dezembro do ano passado, reduzindo a diferença para -4 pontos percentuais. A avaliação do governo federal também apresentou melhora, com aumento de 2,8 pontos nas avaliações positivas e queda de 1,9 ponto nas avaliações negativas. Lula reverteu um saldo negativo de 8 pontos percentuais e passou a ter uma vantagem positiva de 6 pontos, enquanto Jair Bolsonaro saiu de uma situação de empate técnico em março — com 49% de desaprovação e 48% de aprovação — para um saldo negativo de 11 pontos em abril, com 55% de desaprovação e 44% de aprovação. Em um eventual primeiro turno com os mesmos candidatos de 2022, Lula e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. Bolsonaro manteve 45,1% das intenções de voto, enquanto Lula subiu de 40% para 44,2%. A pesquisa Latam Pulse ouviu 5.419 pessoas no Brasil entre 20 e 24 de abril. A margem de erro é de um ponto percentual.

Lula firma maior pacote de acordos com a China e reforça parceria com Xi

Em visita a Pequim, presidente Lula sela aliança estratégica com Xi Jinping, assina quase 30 acordos e garante R$ 27 bilhões em investimentos para o Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita de Estado à China, consolidou nesta terça-feira (13) a maior rodada de acordos bilaterais de seu terceiro mandato, com a assinatura de quase 30 atos formais, o anúncio de R$ 27 bilhões em investimentos e a reafirmação de uma parceria estratégica com o presidente Xi Jinping. Ao lado do líder chinês, Lula defendeu o multilateralismo, criticou o protecionismo comercial dos Estados Unidos e afirmou que a relação Brasil-China “nunca foi tão necessária”. Os dois presidentes também divulgaram declarações conjuntas sobre a crise na Ucrânia e sobre os princípios da segurança internacional, defendendo soluções pacíficas e diálogo como instrumentos de resolução de conflitos. Em meio ao agravamento das tensões geopolíticas e à fragmentação das cadeias globais, Lula relembrou a agenda intensa mantida com a China nos últimos meses e reforçou o papel da parceria sino-brasileira como pilar de estabilidade. “Retorno a Pequim apenas seis meses depois de receber o companheiro Xi Jinping para uma visita de Estado histórica em Brasília. A relação entre o Brasil e a China nunca foi tão necessária”, declarou. O encontro bilateral ocorre em um momento de instabilidade geopolítica crescente, com a guerra tarifária entre Estados Unidos e China afetando o comércio global e ameaçando as cadeias de abastecimento. Para Lula, a cooperação com Pequim deve servir como eixo de estabilidade, construído sobre bases de complementaridade econômica, solidariedade no Sul Global e resistência ao unilateralismo. Xi Jinping destacou que a amizade sino-brasileira tem bases “sólidas e duradouras”, e que os dois países estão comprometidos em aprofundar suas relações em todas as frentes. Investimentos chineses consolidam novo ciclo de cooperação bilateral Durante o Fórum Empresarial Brasil-China, realizado nesta terça, em Pequim, foram anunciados investimentos de R$ 27 bilhões no Brasil por parte de empresas chinesas. O destaque ficou por conta da montadora GAC Motors, que injetará R$ 6 bilhões para expandir suas operações e iniciar exportações para América do Sul e México. Já a gigante do setor de entregas Meituan investirá R$ 5 bilhões no aplicativo Keeta, com promessa de geração de 4 mil empregos indiretos e 100 mil diretos. Outros aportes incluem R$ 3 bilhões da CGN em um hub de energia renovável no Piauí e até R$ 5 bilhões da Envision para erguer o primeiro parque industrial net-zero da América Latina, voltado à produção de hidrogênio verde, amônia verde e SAF (combustível sustentável para aviação). A rede de sorvetes Mixue, com forte presença na Ásia, investirá R$ 3,2 bilhões para iniciar atividades no Brasil, com expectativa de 25 mil empregos até 2030. Na área de infraestrutura, a mineradora Baiyin Nonferrous investirá R$ 2,4 bilhões na compra da mina de cobre Serrote, em Alagoas. Também estão previstos novos acordos nas áreas de semicondutores (Longsys), mobilidade (DiDi), farmácias e IFAs. Em seu discurso, Lula celebrou a confiança dos investidores chineses e afirmou que “o Brasil tem segurança jurídica, institucional e ambiental para se tornar um dos maiores polos industriais sustentáveis do mundo”. O presidente destacou que o volume de iniciativas e a velocidade das tratativas com a China revelam não apenas afinidade política, mas também uma metodologia de cooperação inédita entre países em desenvolvimento. “Nunca um número tão grande de projetos foi discutido de maneira sistemática em tão pouco tempo. Os primeiros resultados concretos já podem ser constatados”, disse. Investimentos anunciados por empresas chinesas no Brasil: GAC Motors: R$ 6 bilhões para expansão industrial e exportações para América do Sul e México Meituan (app Keeta): R$ 5 bilhões para operação de delivery no Brasil, com previsão de até 100 mil empregos indiretos Envision: até R$ 5 bilhões para construção de parque industrial net-zero (SAF, hidrogênio verde e amônia verde) CGN (estatal chinesa de energia): R$ 3 bilhões para criação de hub de energia renovável no Piauí Mixue (sorvetes e bebidas): R$ 3,2 bilhões para iniciar operações no Brasil e gerar até 25 mil empregos até 2030 Baiyin Nonferrous: R$ 2,4 bilhões para aquisição da mina de cobre Serrote, em Alagoas Windey Technology + SENAI: criação de centro de P&D em energia renovável (valor não divulgado) Empresas farmacêuticas: criação de centro de excelência em vacinas e plataforma de produção de IFAs (valor não divulgado) Longsys: investimento no setor de semicondutores (valor não divulgado) DiDi (dona do 99): expansão das operações de mobilidade e tecnologia no Brasil (valor não divulgado) Infraestrutura e logística ganham centralidade nas relações bilaterais A agenda de cooperação com foco em infraestrutura também avançou. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, empresas chinesas da construção civil demonstraram interesse direto no leilão do Túnel Santos-Guarujá, previsto para agosto, com investimentos estimados em mais de R$ 6 bilhões. Além disso, foram assinados compromissos que preveem quase R$ 5 bilhões para modernização dos portos públicos brasileiros. Na aviação, foi firmada parceria com a Universidade da Aviação Civil da China, com foco na modernização da gestão aeroportuária. O governo também negocia a ampliação de voos diretos e a venda de aeronaves da Embraer ao mercado chinês. A meta é transformar o Brasil em hub logístico regional, ligando o Atlântico ao Pacífico por meio de corredores de exportação, com forte participação chinesa nas obras da FIOL e da Transnordestina. Para o ministro Silvio Costa Filho, a aproximação com a China oferece não apenas financiamento e tecnologia, mas uma visão estratégica comum sobre o papel do Brasil no comércio internacional. “Todo o debate que nós fizemos foi para ampliar o volume de movimentação através dos nossos portos com o mercado chinês e asiático. A China é uma grande janela de oportunidades para o mercado brasileiro”, afirmou. A atualização do plano logístico nacional visa reduzir custos e acelerar o escoamento da produção de grãos, carne e minério. Lula afirmou que as “Rotas de Integração Sul-Americanas são mais que corredores de exportação: são vetores de desenvolvimento regional”. Já a China reforçou que vê o Brasil como parceiro essencial no