Novamente Rodrigo Cadeirante foi o mais votado em Montes Claros

Ele já é o vereador mais votado da história da cidade. Agora, se tornou majoritário também na eleiçãopara deputado estadual * Por Waldo Ferreira O vereador Rodrigo Cadeirante (PODEMOS) foi eleito deputado estadual com quase 51 mil votos (50.949), sendo o mais votado em Montes Claros, obtendo 35.126 votos. Cadeirante, que já é o vereador mais votado da história da cidade, agora também é majoritário na sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa.Ele exerceu, até então, quatro mandatos consecutivos como vereador em Montes Claros. No cargo, atua com foco em políticas públicas inclusivas, fiscalização de serviços urbanos e defesa de melhorias na infraestrutura da cidade.Em 2024, Cadeirante se tornou o mais votado da história de Montes Claros, alcançando 6.320 votos. Dois anos antes, nas eleições para a Câmara Federal, recebeu 25.709 votos. Agora, como deputado estadual, ele pretende ampliar as pautas já defendidas no município, como a inclusão social, a acessibilidade, a mobilidade urbana e a melhoria dos serviços públicos.Mesmo exercendo mandato de vereador, o que limita sua atuação ao município, Rodrigo Cadeirante sempre teve sua atenção voltada para os problemas que acometem a região, já tendo discutido questões ligadas a mineração, rodovias, oferta de água, saúde e educação. Em Montes Claros, um dos seus principais focos é o transporte público.“Me sinto preparado para mais esse desafio, com a consciência de que minha responsabilidade aumentou. Agora, além de honrar a confiança depositada em mim pela população da minha cidade, também tenho que dar conta das pautas que afligem todos os norte-mineiros e, por que não, os mineiros, porque fui eleito deputado de todo o estado”, disse Rodrigo.Na Assembleia Legislativa, as vagas são distribuídas entre partidos e federações pelo sistema proporcional: o número de cadeiras depende do total de votos que cada legenda recebeu, e não apenas da votação individual de cada candidato.Os deputados estaduais eleitos em 2026 tomam posse em 1o de fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos. * Jornalista
Aos 98 e 80 anos, mãe e filha votam juntas e dão lição de cidadania em Lontra

Dona Maria do Juca e Miria foram às urnas na manhã deste domingo e defenderam o voto como um direito conquistado Aos 98 anos, Maria Rodrigues Ferreira, conhecida como Dona Maria do Juca, não abre mão de um compromisso que cumpre desde que conquistou o direito ao voto. Na manhã deste domingo, ela foi às urnas em Lontra ao lado da filha, Maria Mirines Aquino, a Miria, de 80 anos. Duas gerações, lado a lado, na mesma fila. Para Dona Maria, votar é essencial para a democracia. “Desde que conquistei o direito de votar, nunca deixei de exercê-lo. Ainda mais para votar no Lula, que ajuda muito os pobres. Para mim, isso não é um sacrifício, é uma satisfação”, afirmou. Miria, que acompanhou a mãe, também deixou seu recado: “Tomara que o meu voto ajude o Brasil a continuar no trilho certo. Por isso, não votei apenas no Lula, mas em todo time do Lula”, confessou Míria Prova de vida O voto, além de representar um ato de cidadania, também funciona como prova de vida para o INSS para pessoas com mais de 70 anos. Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que participaram do primeiro turno das eleições deste ano ou planejam votar no segundo turno estão isentos de realizar a Prova de Vida em 2023. O Ministério da Previdência Social informou que este processo será automatizado, através do cruzamento de informações entre a Justiça Eleitoral e a base de dados do INSS. A Prova de Vida é um procedimento anual crucial para confirmar que o beneficiário de pagamentos previdenciários ou assistenciais está vivo, garantindo assim a continuidade desses pagamentos.
Montes Claros recebe seminário para contadores sobre Reforma Tributária

Inscrições estão abertas para evento gratuito que também discute sobre inovação e tecnologia A Reforma Tributária teve início em 2026, ano de teste para a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A partir de 2027, a transição avança com a extinção do PIS e da COFINS, a redução a zero das alíquotas do IPI para a maioria dos produtos e a criação do Imposto Seletivo (IS). Em vista disso, no dia 7 de outubro, o Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais (CRCMG) preparou, para os contadores de Montes Claros e região, o Seminário de Desenvolvimento e Capacitação Profissional do Norte de Minas, com palestras sobre a Reforma Tributária, inovação e transformação digital. O evento faz parte do projeto “CRCMG mais perto de você”, que promove seminários em diferentes regiões do estado, com o objetivo de promover atualização profissional, estimular a troca de experiências e fortalecer o networking entre os participantes. As capacitações são uma forma de ampliar o acesso ao aprendizado, zelar pela qualidade dos serviços contábeis em Minas Gerais e fomentar a representatividade do Conselho no interior do estado. “Fazer com que essa capacitação chegue a todas as regiões de Minas Gerais é uma responsabilidade do CRCMG. A Reforma Tributária está sendo um dos principais temas neste e nos próximos anos. Portanto, queremos estar cada vez mais próximos dos profissionais, levando conhecimento e informação sobre os desafios e mudanças que impactam a Contabilidade. É uma forma de apoiar o desenvolvimento profissional e valorizar a nossa classe”, afirma a presidente Conceição. Essa edição conta com o apoio do Sindicato dos Contabilistas de Montes Claros e a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), entidade em que será realizado o evento. A participação no Seminário de Desenvolvimento e Capacitação Profissional do Norte de Minas, em Montes Claros, é gratuita e garante pontuação no Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC). Ação solidária e inscrição Além da programação técnica, o seminário contará com uma ação solidária: os participantes que desejarem colaborar poderão doar, no dia do evento, um litro de água de coco ou uma lata de leite em pó, que serão encaminhados a uma instituição beneficente de Montes Claros. As inscrições para o seminário são gratuitas e devem ser feitas pelo portal do CRCMG ou pelo hotsitedo evento. PROGRAMAÇÃO: 18h – Credenciamento e café de boas-vindas 19h – Abertura, com a presidente do CRCMG, contadora Maria da Conceição Barros de Rezende 19h15min – Momento “Desenvolvimento Profissional”, com o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CRCMG, contador Daniel Lucas Cardoso 19h30min – Palestra “Reforma Tributária na prestação de serviços: entenda a redução de 30% para os contadores e escritórios de contabilidade”, com João Paulo Fanucchi de Almeida Melo, professor de pós-graduação e graduação 20h30min – Palestra “Do profissional que registra ao contador que transforma”, com Helbert Macedo, especialista em Disrupção e consultor de Inovação; entusiasta da inovação e transformação digital, especialmente em empresas prestadoras de serviço, com enfoque especial em organizações contábeis 21h30min – Encerramento Pontuação no Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC): AUD: 2; PROGP-RT: 2; PERITOS: 2.
Mulher descobre que tinha 9 empregos registrados em cidade onde nunca pisou

Vínculos foram registrados por prefeitura de Sergipe; mineira diz que nunca visitou a cidade e receberá R$ 5 mil de indenização Uma mulher descobriu nove contratos de trabalho registrados em sua Carteira de Trabalho Digital em um município onde afirma nunca ter colocado os pés. Os vínculos apareciam em nome da Prefeitura de Tomar do Geru, em Sergipe, mas, segundo ela, nenhum dos empregos jamais existiu. O caso foi parar na Justiça do Trabalho em Pirapora, no Norte de Minas Gerais. Diferentemente do que costuma ocorrer em ações trabalhistas, a mulher procurou a Justiça não para conseguir o reconhecimento de um vínculo, mas para provar que nunca trabalhou para o município. Segundo o processo, as nove anotações indicavam contratos com a prefeitura sergipana e algumas remontavam a 1999. A trabalhadora afirmou que nunca teve qualquer relação profissional com o município e que nunca sequer visitou Tomar do Geru, cidade com cerca de 12 mil habitantes. Ao descobrir os registros, ela procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência. Na ação, alegou que o uso de seus dados poderia indicar uma fraude administrativa, inclusive porque havia vínculos que permaneciam em aberto.Durante o processo, um representante do próprio município admitiu que a prefeitura não possuía registros de trabalho da mulher nem tinha conhecimento de que ela tivesse prestado serviços à administração municipal.Diante disso, o juiz Pedro Paulo Ferreira, da Vara do Trabalho de Pirapora, reconheceu que os vínculos nunca existiram e determinou a exclusão das nove anotações da Carteira de Trabalho Digital. Indenização e investigação A Justiça também condenou o município a pagar R$ 5 mil por danos morais. Segundo a decisão, registrar relações de emprego inexistentes em um documento oficial configura ato ilícito e uso indevido dos dados pessoais da trabalhadora. O caso ainda será analisado pelo Ministério Público de Sergipe. A Justiça determinou o envio de uma cópia integral do processo ao órgão diante da possibilidade de que os registros falsos estejam relacionados a irregularidades mais graves, inclusive eventual prejuízo aos cofres públicos. A mulher recorreu para tentar aumentar o valor da indenização, mas a Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) manteve os R$ 5 mil. A decisão é definitiva e o processo está atualmente em fase de execução.
Jenipapo vira aposta de bioeconomia para gerar renda a produtores no Norte de Minas

Parceria entre Inaes e ADM busca estruturar o extrativismo do jenipapo e gerar renda para produtores do Jequitinhonha e Norte de Minas Com o objetivo de desenvolver um modelo de bioeconomia voltado à valorização de espécies em Minas Gerais, o Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), braço de inovação, inteligência e sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, e a multinacional ADM, por meio do programa de investimento socioambiental ADM Cares, firmaram uma parceria para fomentar o extrativismo do jenipapo, no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas Gerais. A iniciativa busca mapear a ocorrência do fruto, capacitar a mão de obra e gerar uma fonte de renda alternativa para os produtores rurais da região. Atualmente, o jenipapo não é cultivado de forma comercial, sendo uma atividade totalmente extrativista. Sem mercado estruturado, a maior parte da produção das árvores nativas caía no solo e era perdida, o que no passado levou alguns produtores a vender a madeira dessas árvores. O analista de planejamento do Inaes, Guilherme Chaves Andrade, explica que a ADM buscou firmar a parceria com o Sistema Faemg devido à grande capilaridade da entidade no Estado, ao número de produtores alcançados e também à parte de inteligência. “Ficamos surpresos porque o jenipapo, em si, não tem muita aplicação comercial para o produtor. Mas, achamos a parceria muito importante porque é uma maneira de preservar o bioma da região do Jequitinhonha e do Norte de Minas, como também de gerar mais uma fonte de renda para o produtor rural”. A destinação industrial do fruto pela ADM ainda ocorre em caráter experimental para compreender o funcionamento da cadeia de fornecimento extrativista. Embora o jenipapo possua aplicações conhecidas na indústria alimentícia e potencial de uso na indústria química, a destinação exata dos lotes atuais servirá para testes de funcionalidade realizados pela empresa. Como as árvores já estão integradas às propriedades rurais, o trabalho inicial consiste no mapeamento desses ativos por profissionais de campo do Inaes e do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). O projeto também prevê a capacitação dos produtores para realizarem a colheita conforme os padrões exigidos. Desta forma, foi desenvolvido um curso piloto, que aconteceu em Rubim, e foi voltado para a formação de coletores. As turmas contam com, no máximo, oito participantes para garantir o aprendizado prático. “O curso é muito importante. Mobilizamos também o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que trouxe na ementa uma especificação de trabalho em altura para garantir segurança aos profissionais em campo. Eles também aprenderam técnicas de manejo e de colheita, atendendo aos critérios que a indústria precisa”. Os produtores participantes do projeto receberão Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e caixas de armazenamento cedidas pela indústria parceira. As primeiras colheitas experimentais estão sendo organizadas e devem acontecer no final de setembro. Enquanto isso, o Inaes está monitorando o ciclo de safra das árvores para identificar os períodos produtivos ideais nos diferentes biomas da região. Conforme Andrade, a expectativa do projeto é mitigar o êxodo temporário de trabalhadores que migram para outras regiões do Estado para atuar na colheita de café. “Ao gerar renda local a partir de um recurso natural anteriormente subutilizado, a iniciativa visa fixar a mão de obra nas proximidades de suas residências e valorizar a preservação ambiental das árvores de jenipapo nas propriedades”. Fonte: Diário do Comércio
Wagner de Paulo Santiago obtém mais 80% dos votos para reitor da Unimontes

Professor já ocupa o cargo de reitor desde 2022. Para o cargo de vice-reitor, o candidato mais votado foi Dalton Caldeira Rocha, com 74,8% dos votos. O professor Wagner de Paulo Santiago obteve 80,06% dos votos e foi o candidato mais votado nas eleições para a escolha da reitoria da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Ele já ocupa o cargo de reitor desde 2022.Em segundo e terceiro lugares na votação ficaram os professores Antônio Alvimar, com 9,5% dos votos, e Ilva Ruas, com 7,2%.Para o cargo de vice-reitor, o candidato mais votado foi Dalton Caldeira Rocha, com 74,8% dos votos. Paulo Eduardo Gomes de Barros obteve 19,5%.Os candidatos mais votados em cada cargo irão compor a lista tríplice, que será encaminhada ao governador de Minas Gerais. Cabe ao governador escolher, entre os nomes da lista, quem irá assumir a reitoria. Antes do envio, há prazo para interposição de recursos e análise pela Comissão Eleitoral. VotaçãoPela primeira vez, a votação no processo eleitoral da universidade foi realizada de forma on-line, por meio do sistema eletrônico SigVoto. A votação ocorreu das 8h às 22h desta quarta-feira (9).Os votos para a escolha do reitor e do vice-reitor são paritários, com os seguintes pesos: professores (70%), servidores técnico-administrativos (15%) e acadêmicos (15%)
TJMG fiscaliza Vara de Montalvânia e afasta o juiz Gabriel Vasconcelos Barrote, temporariamente

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por sua Corregedoria, realizou uma fiscalização especial na Vara Única da Comarca de Montalvânia, entre 24 e 28 de agosto de 2026. O procedimento, chamado oficialmente de correição extraordinária, foi determinado pela Portaria nº 8.898/CGJ/2026 para apurar possíveis irregularidades, denúncias e reclamações relacionadas ao serviço judicial.Durante os trabalhos, juízes designados pelo Tribunal permaneceram na cidade para ouvir advogados, cidadãos e servidores. A apuração, porém, não se limitou aos relatos colhidos. Também envolveu a análise técnica de processos judiciais, decisões, documentos e procedimentos adotados na unidade.Após a análise inicial desse conjunto de informações, o Presidente do Tribunal de Justiça determinou o afastamento cautelar e temporário do juiz Gabriel Vasconcelos Barrote, responsável pela vara, conforme publicação no Diário do Judiciário eletrônico de 9 de setembro de 2026.A medida é preventiva e não representa que já haja condenação definitiva, mas permite que a apuração prossiga com independência e sem possíveis interferências.Durante o afastamento, a comarca ficará sob a responsabilidade do juiz substituto André Chaves Reis, da Comarca de Manga.
ELEIÇÃO NA UNIMONTES – Adunimontes cancela debate por ausência de dois candidatos a reitor

Motivada pela desistência dos professores Antônio Alvimar e Ilva Ruas, a Associação dos Docentes daUnimontes (Adunimontes) decidiu cancelar o debate entre os candidatos a reitor da Universidade Estadualde Montes Claros (Unimontes), que seria realizado na manha de terça-feira (8), no auditório do Centro deCiências Biológicas e da Saúde (CCBS). Avilmar, que já foi reitor, e Ilva, atual coordenadora do curso de economia da universidade e vice-reitora na gestão dele, alegaram dúvidas sobre a isenção no processo eleitoral para não comparecerem e pediram esclarecimentos à reitoria, referentes à inobservância do que prevê o novo Estatuto da Unimontes.Em nota à comunidade, os candidatos questionam a razão pelas quais o documento, aprovado pelo Conselho Universitário (Consu) em 2022 e ratificado pelo Conselho Estadual de Educação em 2025, com efeito retroativo a 2023, ainda não foi aplicado. A questão é especialmente relevante, pois o novo Estatuto produz efeitos diretos sobre o atual processo eleitoral. O ponto central é a impossibilidade de reeleição para reitor e vice-reitor, cujo descumprimento beneficia Wagner de Paulo Santiago e Dalton Caldeira, atuais reitor e vice.Na nota, manifestam “preocupação e indignação com fatos que colocam em dúvida a necessária confiançano processo eleitoral, especialmente quanto à isonomia na atuação da Comissão Eleitoral, à segurança eauditabilidade do sistema de votação e à ausência de esclarecimentos sobre a atual situação do novo Estatuto da Universidade”.A nota menciona ainda o fato de a Justiça ter reconhecido a existência de “contradição interna” no regramento do pleito estabelecido pela resolução do Consul, que, no calendário eleitoral, fixa o encerramento da apuração para a noite do dia 9 e a sessão de homologação do resultado para o dia seguinte, 10, reduzindo para poucas horas o prazo recursal de 2 dias que a própria resolução assegura aos candidatos a partir da ciência da decisão da junta apuradora.Wagner, candidato à reeleição compareceu ao CCBS, acompanhado do vice.O presidente da Adunimontes, Wesley Felício, esclareceu que diante da recusa dos outros dois postulantes, o debate ficou inviável, visto que a intenção era propiciar à comunidade universitária a oportunidade de ouvir as propostas de todos os candidatos a reitor e fazer questionamentos.De acordo com ele, a entidade, bem como o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Sind-Saúde, parceiros na realização do evento, foram pegos de surpresa com as desistências, comunicada apenas horas antes do debate, no final da noite de segunda-feira.Felício lamentou o desfecho, reforçando que toda a estrutura para a realização do encontro foi pensada e montada durante dias, inclusive com a definição das regras, acordadas com todos os candidatos.Wesley Felício explicou ainda que existe na resolução publicada pela comissão eleitoral a possibilidade de, na ausência dos demais candidatos, realização de uma entrevista com a chapa presente, mas justificou que toda a estrutura e roteiro foram preparados pensando no debate. A possibilidade da entrevista foi reivindicada pelas candidaturas da situação, mas Wesley Felício argumentou que, como a desistência dos dois outros candidatos ocorreu de forma imprevista e em cima da hora, a diretoria não achou oportuno a realização da sabatina, porque não havia estrutura para tal. “Desde o início pensamos num confronto de ideias. Não havendo essa possibilidade, a diretoria optou pela não realização da entrevista”, esclareceu.“Tanto que adentramos a madrugada discutindo o que fazer diante do imprevisto. Como toda nossa mobilização era para o debate, não cogitamos a realização de uma entrevista, até porque não tínhamos preparado estrutura para tal”, reforçou. “Trabalhamos muito, realizando inúmeras reuniões até altas horas da noite para viabilizar esse momento. Por isso, estamos todos frustrados. Nesse sentido e dentro do espírito democrático que norteia a atuação da Adunimontes, gostaria de lembrar aos colegas professores nossa luta para acabar com a lista tríplice, um dos problemas mais profundos da universidade, que distorce o processo eleitoral”, disse o presidente da entidade, se dirigindo ao público. O desejo da Adunimontes de levar o debate à comunidade universitária esbarrou em problemas desde a primeira data definida para o encontro – 2 de setembro. A começar por uma resolução exigindo que a comissão eleitoral seja notificada da realização do debate 5 dias antes. A entidade já havia feito ampla divulgação nas redes sociais, mas em reunião com as candidaturas, no dia 1º de setembro, foi solicitado que a data fosse readequada à resolução, o que obrigou ao adiamento do debate para o dia 8. A eleição para reitor e vice-reitor da Unimontes ocorre nessa quarta-feira, dia 9.
41º Festivale em Botumirim celebra a resistência das mulheres do Vale do Jequitinhonha

Cristina Gonçalves, Déa Trancoso, Marlice Machado, Jovença Pereira Costa e Vilma Baracho são as homenageadas O 41º Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (Festivale) será realizado do dia 28 de julho ao dia 1º de agosto em Botumirim, no Alto Jequitinhonha, com programação gratuita e protagonismo feminino como fio condutor.O evento homenageia a atriz e diretora de teatro Cristina Gonçalves (Mostra de Teatro); a narradora, compositora, cantora e pesquisadora Déa Trancoso (Festival da Canção); a tecelã Marlice Machado (Feira de Artesanato); a mestra da Folia de Reis Jovença Pereira Costa (Mostra de Cultura Popular); e a poetisa Vilma Baracho, in memoriam (Noite Literária).As homenageadas são mulheres que tecem, cada uma à sua maneira, a trama da resistência cultural do Vale, inclusive contra a misoginia do meio artístico. Talvez tenha sido por isso que um dos organizadores do Festivale, Luciano Silveira, ao convidar Déa para ser homenageada, tenha afirmado: “Agora são elas”.“Passarinho pintadinho, o tenor da laranjeira”, já canta Déa Trancoso. E não é que existe um passarinho assim na serra de Botumirim? Cor-de-canela, mais clara no ventre, com os olhos e manchas azuis nas asas — uma das aves mais raras do planeta, que passou 75 anos julgada extinta até ser reencontrada em 2015. É a Rolinha do Planalto, Columbina cyanopis, passarinho pintadinho de verdade, tenor das árvores da Serra do Espinhaço.O Vale sempre foi esta efervescência de saberes — criações da terra que se aprendem com a mão, olhando e fazendo junto. Saberes que se fazem voz no canto de Déa Trancoso, mãos no tear de Marlice Machado, corpo no palco de Cristina Gonçalves, fé na folia de Jovença Pereira Costa, palavra na poesia de Vilma Baracho. É essa mesma resistência — teimosa, tecida no cotidiano — que faz o Festivale celebrar, ano a ano, a cultura popular do Vale do Jequitinhonha. O canto que venceu o festivalEm 1995, na décima edição do Festivale, em Rubim, Déa Trancoso subiu ao palco como concorrente e venceu ao interpretar “Tuíra, Índia Guerreira”, de Si Amaral e Celi Márcio — levando o primeiro lugar e o prêmio de melhor intérprete.Trinta e um anos depois, retorna ao festival como homenageada. A escolha daquela canção, hoje, ganha outra camada: Tuíra, liderança indígena que enfrentou a Eletronorte em 1989, era símbolo de resistência. Déa a cantou antes mesmo de reconhecer que carregava, ela própria, uma descendência indígena — uma sincronia que só o tempo despertou. “Eu me reconheci Borum.” Foi assim que Déa Trancoso nomeou, durante o doutorado em educação (2020–2024), a retomada espiritual que viveu. “O doutoramento é uma grande análise expandida — quando você entra, ele te analisa”, diz.Esse autorreconhecimento, segundo ela, está ligado ao território que a formou: Almenara, o Vale e o Rio Jequitinhonha — que, para Exu Zambarado, é “o grande Xapiri”, o xamã que conecta mundos e seres diferentes.Nas palavras de Déa, “o Vale do Jequitinhonha é eminentemente indígena”. Foi nesse chão — o rio, o Vale, a cosmologia — que sua ancestralidade pôde emergir. O tempo dos relógios e o tempo da vida“Eu de fato não imaginei, nem nos meus melhores sonhos, que um dia eu seria homenageada no Festivale“, diz. Ela pensava que sua música não tivesse “o substrato do sertão”. “Tem, mas não é explícito. Meu texto conversa com o Oriente, conversa com espiritualidades que não são só caboclas”, diz.Ela se define como “uma narradora que usa a voz”. E completa: “Sempre me vi nesse lugar da narradora. A narradora acessa outras coisas que uma cantora não acessa. E responde a menos exigências. A narradora é narradora de sua própria voz, ou do encontro de vozes que ela costura.”Déa fala do Festivale como quem fala de um organismo vivo — e de um tempo que não é o dos relógios. “Nós estamos vivendo crises homéricas. De como ser, de como estar. O capitalismo é um sistema ultrainteligente. Quando ele cai aqui, ele se levanta ali. Ele tem o fascismo como aliado histórico milenar. O fascismo é tudo que é contra a vida”, afirma.É nesse entremeio que Déa situa o Festivale. Ao falar da nova direção da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha (Fecaje), ela levanta a questão que considera central: como fazer o Festivale criar permanência — política, cultural, artística, formativa, de resistência? E reflete sem a presunção de saber a resposta: “Não sei se ele tá dando conta desse redemoinho. Ele faz uma festa itinerante, mas e as outras ações? Como a gente pode estar fora da itinerância de julho e continuar fazendo resistência?”. Onde tudo começouDo falso milagre econômico da ditadura — o PIB cresceu, mas o salário mínimo perdeu metade do valor, a dívida externa quadruplicou, a desigualdade disparou — vieram políticas de ocupação para o Vale: uma delas, o eucalipto.Criado em 1967, o Projeto Rondon levou universitários a regiões isoladas do país. A Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) instalou em Araçuaí um campus avançado vinculado ao programa, que centralizava as ações sociais da universidade no Vale. Mas foi nesse mesmo chão que a resistência brotou pela cultura.Na mesma época, chegou em Araçuaí um frade holandês, Frei Chico. Três anos depois, ouviu a cozinheira da paróquia cantar e disse: “Bonito, Filó!” — “Ah, é bobagem.” Daquela bobagem nasceu o Coral Trovadores do Vale (1970). Lira Marques entrou no coral e, com Frei Chico, percorreu o Vale com um gravador velho, registrando cantos que ninguém mais cantava.No mesmo período, o Campus Avançado do Vale do Jequitinhonha (CAVJ) — extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) — aproximou a universidade das artesãs, apoiou a associação, organizou feiras. Frei Chico e o CAVJ não eram a mesma coisa, mas aconteciam no mesmo lugar e no mesmo tempo. Era o mesmo chão que ferviaFoi nos anos 70 que Tadeu Martins, Aurélio Silby, Carlos Figueiredo e George Abner — dentro de um ônibus vindo de Belo Horizonte — pensaram em ter um jornal que desse voz e vez à região. Como disse Tadeu, “naquele período
Marília Campos reafirma candidatura ao Senado e diz que PT deve reavaliar estratégia em Minas

Ex-prefeita de Contagem defende frente ampla para fortalecer a reeleição de Lula e afirma que população demonstra cansaço da polarização A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) reafirmou sua pré-candidatura ao Senado Federal e defendeu que o Partido dos Trabalhadores reavalie sua estratégia para a disputa do governo de Minas Gerais após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de concorrer ao Palácio Tiradentes. Em entrevista ao Valor Econômico, Marília afirmou que a definição sobre o caminho eleitoral da legenda agora cabe à direção partidária.Mesmo tendo sido procurada pelo PT para avaliar uma eventual candidatura ao governo mineiro, a ex-prefeita descartou a possibilidade e afirmou que sua decisão já está consolidada. Segundo ela, o partido deverá decidir entre lançar um nome próprio ou buscar uma composição com outras siglas.“Eu disse que não estaria [disponível], que a minha estratégia política é outra, era não ter candidatura própria, continuando, inclusive a estratégia anterior [com Pacheco], que é ter uma candidatura de centro”, declarou.Na sequência, acrescentou: “E aí, ao PT coube estabelecer os contatos para definição ou redefinição da estratégia eleitoral: ou para lançar a candidatura própria ou para compor com o PSD, com o MDB.” Marília defende alianças e frente ampla em Minas GeraisNa avaliação da ex-prefeita, uma candidatura construída por meio de uma frente ampla oferece melhores condições eleitorais do que uma chapa exclusivamente petista. Embora reconheça que a decisão cabe ao partido, ela afirmou não considerar a candidatura própria a alternativa mais competitiva no atual cenário político mineiro.Entre os nomes cogitados pelo PT para disputar o governo estadual estão os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia. Paralelamente, o partido também avalia conversas com lideranças de outras legendas, entre elas o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior (PSB).Na semana anterior à entrevista, Marília reuniu-se com ambos e elogiou o perfil dos dois. “Uma candidatura de frente ampla é melhor. Mas o PT está avaliando.”Segundo ela, Gabriel Azevedo e Jarbas Soares “falam a língua do diálogo, da união e da despolarização”. Ex-prefeita diz que população demonstra cansaço da polarizaçãoDurante as agendas de pré-campanha, Marília afirmou perceber que a população tem manifestado rejeição ao ambiente de polarização política. Para ela, o radicalismo vem perdendo espaço e a capacidade de diálogo tende a ser valorizada pelo eleitorado.Nesse contexto, a ex-prefeita defendeu que a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, priorize sua trajetória administrativa e sua capacidade de construir alianças.“Lula tem que explorar isso. Não tem que explorar o fato de ser do PT ou não ser do PT, mas o que ele já fez pelo país, que é governar de forma republicana e esse compromisso ser fortalecido.”Ela acrescentou que a campanha presidencial pode ser fortalecida quando Lula divide o palanque com candidatos de diferentes partidos. “Quando ele constitui frente ampla.” Minas Gerais é considerada decisiva para a disputa presidencialMarília destacou que Minas Gerais permanece como um dos estados mais estratégicos para a eleição presidencial. Historicamente, o resultado obtido pelos candidatos ao Palácio do Planalto no estado costuma acompanhar o desfecho nacional.Apesar disso, ela considera que uma eventual candidatura petista menos competitiva ao governo estadual não inviabilizaria a campanha presidencial de Lula, embora um palanque mais robusto possa contribuir em uma disputa equilibrada.A ex-prefeita também comentou o período de indefinição envolvendo Rodrigo Pacheco e afirmou desconhecer as razões para que a decisão sobre sua eventual candidatura tenha demorado tanto.“Eu não sei o porquê se deu esse tempo todo, não sei quais eram as razões de ter de ter tido essa expectativa e esse tempo de espera.”Ainda assim, ela avalia que o calendário eleitoral permite ao PT reorganizar sua estratégia, observando que outras chapas também permanecem indefinidas, como a do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do vice-governador Mateus Simões (Novo). Segunda vaga ao Senado depende da definição para o governoMarília afirmou que a composição da chapa para o Senado dependerá da definição do candidato ao governo estadual.“Estou aguardando a definição [ao governo], porque se for candidatura própria, é um perfil, se for composição, é outro perfil.”Segundo ela, caso haja uma aliança com o PSB para o governo, uma possibilidade seria destinar a segunda vaga ao Senado ao MDB. Municipalismo será prioridade caso seja eleitaQuestionada sobre suas prioridades no Senado, Marília afirmou que pretende defender o fortalecimento do municipalismo e a revisão do pacto federativo, com maior autonomia financeira para os municípios.Ela defendeu a atualização dos critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), especialmente para cidades com até 10 mil habitantes, que atualmente recebem o coeficiente mínimo de 0,6.Além disso, abordou o debate sobre a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o tema deve ser discutido sem propostas previamente definidas para afastamento de ministros.“O STF tem que redefinir a sua atuação, como também o Senado. É um debate que tem que ser aprofundado. Mas não a priori definir que o meu papel vai ser tirar pessoas que estão no STF. Acho que isso tem que ser debatido melhor. Temos que fortalecer o Supremo e fortalecer o Senado”, afirmou.