Enredo da Acadêmicos de Niterói sobre petista abriu a 1ª noite no Rio, que também teve tributo a Ney Matogrosso e temas afro-brasileiros

A trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o tema do enredo que marcou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, neste domingo (15). A escola levou para a Marquês de Sapucaí uma narrativa biográfica e política do ex-sindicalista de Garanhuns (PE), eleito três vezes para presidir o país pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” percorreu a saída do Nordeste, a experiência como metalúrgico no ABC paulista, a liderança sindical, as campanhas presidenciais e o retorno ao Palácio do Planalto.

A agremiação, fundada em 2018, levou para a avenida alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à anulação das condenações que impediram Lula de disputar as eleições de 2018, que teve Jair Bolsonaro (PL) como vencedor.
O ex-presidente de extrema direita foi retratado na figura do palhaço Bozo, que estava atrás de grades e com tornozeleira eletrônica, em referência à prisão pela condenação por tentativa de golpe.

Em outro carro, uma encenação mostrou Michel Temer retirando simbolicamente a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em alusão ao golpe sofrido pela ex-presidenta em 2016.

O desfile combinou esses episódios a elementos simbólicos ligados à ideia de reconstrução nacional, com destaque para a comissão de frente e para alas coreografadas que representaram momentos da história política recente.
Lula assistiu à passagem da Acadêmicos de Niterói pela avenida ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD).

Outros destaques
Após a Acadêmicos de Niterói, que abriu a primeira noite de desfiles no Rio, outras três escolas desfilaram seus enredos na Sapucaí:
Imperatriz Leopoldinense: “Camaleônico”
A Imperatriz homenageou o cantor Ney Matogrosso, apresentando um desfile inspirado em sua trajetória artística. O enredo abordou diferentes fases da carreira do artista, desde o período nos Secos & Molhados até a consolidação como intérprete solo.
Alas e alegorias representaram elementos ligados à performance, à teatralidade e à construção estética que marcam a presença de Ney nos palcos.
A comissão de frente introduziu o tema com encenação coreografada, e os carros alegóricos organizaram visualmente os momentos da narrativa biográfica.
Portela: “O Mistério do Príncipe do Bará”
A Portela levou à avenida um enredo inspirado em referências afro-brasileiras, com destaque para elementos simbólicos ligados à figura de Bará.
O desfile foi estruturado em alas que desenvolveram o tema de forma sequencial, enquanto os carros alegóricos apresentaram representações visuais associadas à espiritualidade e à tradição cultural evocadas no samba. A águia, símbolo da escola, apareceu integrada à concepção visual do cortejo.
Mangueira: “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”
A Mangueira apresentou um enredo dedicado à figura de Mestre Sacacá, personagem associado à cultura amazônica. O desfile foi organizado em setores que exploraram referências à região Norte e à presença negra na Amazônia. A comissão de frente apresentou o conceito do enredo, e os carros alegóricos desenvolveram os aspectos culturais e simbólicos mencionados no samba-enredo, com alas coreografadas acompanhando a narrativa ao longo da pista
